A taça do teu rival não precisa ser diminuída pra valorizar as do seu time, parça!

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Das coisas que não consigo compreender: O futebol brasileiro é formado de forma absolutamente diferente do planeta inteiro,mas existe gente em 2016 que consegue disputar que clube é maior, que taça é melhor.

Explico: O futebol brasileiro nasce de ligas estaduais que disputaram praticamente meio século de campeonatos restritos aos estados onde os clubes se originaram.]

Dai o número de clubes grandes no país ser enorme.

Tem clube grande no país todo, com torcidas enormes, superiores às torcidas de muitos dos clubes europeus que disputam a Liga Europa, por exemplo, e até a Champions League.

As primeiras competições nacionais foram os interestaduais que surgiram pós-1950.

Os torneios nacionais surgidos de 1959 a 1970, a Taça Brasil e o Robertão, foram equiparados ao campeonato brasileiro que passou a ser organizado de 1971 até hoje pela CBD, e atualmente pela CBF.

Apenas em 1948 surgiu uma competição internacional na América do Sul, o sul americano vencido pelo Vasco (que reivindica, a meu ver corretamente, sua equiparação à libertadores).

Em 1951 e 1952 organizou-se no Brasil a Taça Rio, que a FIFA recentemente reconheceu como mundial.  Apenas a partir de 1960 organizou-se o torneio intercontinental  que foi considerado mundial até a FIFA passar a organizar, em 2000, o mundial de clubes da FIFA, sendo que mesmo este só se consolidou posteriormente, em 2005, quando a FIFA retomou a organização do mundial e não mais a interrompeu. De 2000 a 2005 os campeões do torneio intercontinental também foram reconhecidos como campeões mundiais.

Em resumo: Temos uma diversidade enorme de títulos dos clubes brasileiros entre estaduais, nacionais e internacionais. Todos, absolutamente todos, conquistados com talento e suor por parte de seus campeões.

Mas torcedores insistem em reduzir o título alheio para valorizar o seu.

Jura que o mundial de 2000 do Corinthians vale menos que o mundial de 2005 do São Paulo porque o Corinthians não entrou nesse mundial como campeão da Libertadores? Entrar como representante da sede fez o Raja Casablanca ser menos finalista do mundial de 2013?

Jura que o mundial do Palmeiras de 1951 e do Fluminense em 1952 vale menos que o título do Corinthians em 2000 ou que os Torneios intercontinentais de 1960 a 2000 ou que os mundiais de 2005 até hoje porque os clubes brasileiros não venceram a libertadores que não existia?

Rivais menosprezando a taça Olímpica do Fluminense, enorme honraria recebia do COI pelo Fluminense ter sido reconhecido em 1949 a “maior e melhor organização esportiva do mundo”, sendo o Fluminense Football Club o único clube de futebol do mundo a ter essa honraria, não são raros.

Da mesma forma a necessidade torcedora de transformar títulos em “lixo” em nome de uma “valorização” de suas conquistas é algo que a mim soa como surreal.

Que sentido faz?

Não reconhece o título do rival? Parabéns pra você, porque em maior ou menor escala o mundo do futebol reconhece a maior parte dos torneios vencidos e unificados e regulamentados, porque é uma tendência da FIFA pra todas as confederações internacionais e nacionais a organizar os títulos de acordo com sua similaridade. É uma forma de organizar a própria história e tentar criar uma régua de identidade entre todos os centros de futebol e sua diversidade de organização e surgimento.

E faz parte da história de cada clube suas conquistas.

Respeitar a conquista do outro é fundamental para a existência inclusive da rivalidade.

E é sintoma de pequenez tornar o outro “menor” porque não tem aquele título que você tem. É como o Vascainismo Eurico Miranda ostentando sua Libertadores enquanto chafurda na série B pela terceira vez. Ou o rubro negro pernambucano e o carioca disputando quem foi campeão em 1987 ou o corintiano, que teve seu título mundial de 2000 contestado por São Paulinos e santistas, contestar o titulo mundial do Palmeiras em 1951, e também os do SPFC em Tóquio antes de 2000.

Ninguém percebe que essa contestação é na verdade  um tremendo recibo de que valoriza demais aquele rival que chama de menor?

Cê não acha que o Fluminense é campeão mundial em 1952? O que que eu vou fazer? Eu não consigo não ver o Vasco campeão da Libertadores de 1998 e antes do sul americano de 1948, dois títulos de mesmo peso, pra mim duas Libertadores. Não consigo ver ganho algum e dizer que a História não houve.

Não dá pra apagar manchetes de jornais em 1951 e 1952 de Rio, MG e SP dizendo que Palmeiras e Fluminense foram campeões mundiais.

Não dá pra fingir que não houve mundial em 2000, eu fui ao Maracanã e o clima da cidade era de euforia.

Não dá pra ignorar que o Flamengo foi campeão da copa união em 1987 e que isso é considerado brasileiro por pelo menos meio futebol brasileiro, e que também o Sport foi campeão em 1987 e que a luta ente CBF e clube dos 13 produziram um impasse que apenas o reconhecimento de ambos como campeões pode resolver.

Não concorda? Paciência. E paciência se o STF diz que só o Sport foi campeão, o buraco é mais embaixo, a história mais complexa.

A vida fica mais inteligente quando a gente deixa de ser bobo disputando bobagem enquanto tem tanta coisa pra disputar, como cotas de TV igualitárias, campeonatos mais equilibrados, arbitragens profissionais, calendário que preste,etc..

Vamos nos reconhecer como gigantes de deixar de bobagem?

Levir aquém do esperado é símbolo de como o Fluminense de 2016 reflete a gestão Peter no Futebol.

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Levir Culpi demorou seis meses pra ter uma ideia de jogo para o Fluminense.

Nesses seis meses a seu favor podemos elencar a reformulação do elenco, a perda de Fred e Diego Souza, as quizumbas políticas, as Olimpíadas e Paralimpíadas, a demora de termos uma casa,etc.

Porém, mesmo que elenquemos tudo o que deu dificuldade a Levir, o fato é que o técnico não contribuiu exatamente para uma melhora tática do time a tempo de evitar que ao fim do ano o clube esteja no limiar de apenas manter-se na série A.

Levir insistiu em um modelo que ampliava a necessidade de individualidades e de envelhecimento da equipe por tempo demais, tendo um elenco jovem e talentoso em mãos.

Levir ficou meses mantendo um cabo de guerra com parte do elenco composta de medalhões, conseguiu vencer; Depois insistiu na contratação de jogadores a seu feitio, conseguiu; Em terceiro apelou pra justificativa que a equipe era “imatura”, mas ai já tava tarde demais e ele não conseguiu, e só ai implantou uma ideia de jogo a partir do elenco em mãos.

Nesse meio tempo se indispôs com parte da torcida, a partir do caso Fred, perdeu um dos melhores jogadores do elenco (que dava mais maturidade à equipe), Diego Souza, e insistiu em reforços que lotavam meio campo e ataque de nomes,mas ignorava a necessidade de reforços na lateral esquerda.

Lembrando que na lateral esquerda um dos melhores jogadores do elenco, Léo, perdeu espaço e foi emprestado ao Londrina pra ter tempo de jogo e amadurecer.

Mais contradições são a contratação de Henrique Dourado pra posição de centroavante, com aval de Levir, incorrendo na substituição de Fred com menor qualidade e pra uma posição cujo perfil do elenco pedia um atacante móvel.

Além disso, os meias contratados são todos parecidos. Dudu, Aquino, Marquinho são jogadores com técnica mediana para boa, combatividade e com passe, razoável finalização, nenhum deles jogando melhor na posição que Marcos Junior, que estava já no elenco ou que Cícero avançado, com Douglas de segundo volante.

Danilinho também chegou, tendo atuado bem taticamente, mas ainda abaixo de Marcos Junior.

Todos os reforços pro meio também jogam menos, técnica e taticamente, que Daniel Simões, o Danielzinho, que perdeu enorme espaço com Levir, que jamais considerou que o jovem jogador poderia ganhar experiência e confiança atuando consigo.

Detalhe: apenas Marquinho tem a confiança de Levir e atua com regularidade. Danilinho atua, pela memória do técnico, mas está abaixo do que esteve Daniel.

Pro ataque Welington chegou chegando pra ser titular absoluto e Rojas, pasmem, foi transferido pro sub020 pra se adaptar melhor.

Ou seja, fora Welington temos Maranhão, que também chegou no meio do ano e vem atuando de bem pra razoável e os que já estavam: Richarlisson, Magno Alves e Osvaldo, sendo que o último tá atrás de todo o elenco pra vaga.

Pedro, da base, é sempre relacionado,mas atua pouco, embora seja tecnicamente superior a Dourado.

Douglas, a maior revelação do ano, sofre com a insegurança de estilo de Levir nesses seis meses, e só uma vez atuou de forma que utilizasse sua qualidade de forma completa: Contra o Galo atuando de volante box to box, com Cícero mais plantado atrás, a melhor atuação coletiva do Fluminense no ano.

Apenas a zaga teve uma ideia clara e uma sequência com Welington Silva, Gum, Henrique e William Matheus, com Renato chaves atuando na ausência de seus companheiros.

Quando William Matheu se machucou entrou Airton, que permanece mal, e Giovanni, que foi bem em alguns jogos quando joga de zagueiro pela esquerda.

Na direita Jonathan perdeu espaço por questões médicas e Julião atuou bem quando escalado.

Com tudo isso, Levir armou o melhor Fluminense nos últimos três jogos, inclusive na derrota para a Chapecoense (Cuja contusão de William Matheus foi fundamental pra derrota) e contra o Galo em diante apresentou uma ideia de jogo, conseguiu compactar as linhas, conseguiu um mínimo de transição ofensiva e defensiva de qualidade, corrigiu espaços entre os defensores e corredores que desde 2013 nos assombram.

Em resumo? O grande técnico Levir estreou contra o Galo ou nos momentos que antecederam o confronto.

Ali ele usou o elenco e montou o time, inclusive com as alterações entre Danilinho e Magno Alves e Marquinho, centralização do Marcos Junior e alternância entre ele e Welington, que Maranhão manteve.

Daquele jogo em diante o Fluminense cresceu, e tende a crescer mais.

Tudo isso montando o time com apenas um dos reforços que chegaram: Welington. E componto aqui e ali com outros, como Marquinho, Maranhão e Danilinho.

E essa demora deixa claro porque Levir tem um trabalho medíocre no ano, aquém do esperado e é símbolo de como o Fluminense de 2016 reflete a gestão Peter no Futebol.

Por que? Porque esse planejamento errático de Levir é filho do planejamento errático pro futebol do clube.

Dois vices de futebol, dois gerentes, dois técnicos, três mudanças de elenco em 2016 é qualquer coisa, mas não é planejamento.

O duro é que o mesmo Peter que é profissional na gestão do clube, com CT, busca de estádio, equalização das dívidas e ampliação de receitas, é absolutamente amador na gestão do futebol, e pior, usa o futebol como ferramenta de capitalização política, e é isso que acaba com qualquer tipo de planejamento.

As trocas de técnico no estadual todos os anos, a ausência de ideia de perfil de elenco, tudo isso refletiu nesse ano eleitoral de forma absolutamente medíocre e frustrante.

E isso deu a Levir um álibi pra se acomodar nas dificuldades do ano e atuar menos como técnico e mais como comediante de stand up.

Apenas quando percebeu que o clima ia mudar internamente, desde a derrota pro Palmeiras,mas principalmente na derrota pro Botafogo de técnico interino e investimento bem menor, é que Levir começou a se mexer e organizar o time técnica e taticamente, e usando muito dos princípios que havia usado no Galo e os perfis de jogada de Eduardo Baptista.

Da mesma forma Peter apenas se mexeu pra construir um elenco mais forte pra temporada em Agosto, quando a barca ameaçou ir pro brejo na Copa do Brasil e Levir pediu o boné (Usando a insegurança de Peter, inclusive).

O mesmo Peter não fez um esforço maior pra manter Fred ou Diego Souza e depois contratou jogadores com perfil similar ao de Fred, sem a mesma técnica, e Diego Souza, também sem a mesma técnica.

A demissão de Eduardo Baptista em especial é típica de amadorismo. Complementada pela demissão do vice de futebol ela ganha ares de tragédia quando o mesmo técnico hoje disputa com o mesmo Fluminense, mesmo com elenco inferior, uma vaga no G4 e luta ponto a ponto conosco.

Isso tudo junto mostra, da formação do elenco à gestão dos treinadores (em especial a gestão do Levir, medalhão que a torcida tanto queria) o quanto Peter, e todo seu staff, nunca tiveram um norte profissional em relação ao futebol.

Sim, podemos justificar que parte disso se dava com a ajuda da Unimed e seu controle do futebol até janeiro do ano passado também errático e passionalista,mas isso não explica tudo.

O futebol do Fluminense jamais foi blindado e controlado de forma a ignorar pressões políticas.

Claro que ocorreram acertos.

É fundamental que mesmo com tantas reformulações de elenco o Scarpa, Marcos Junior, Samuel, Airton, Pedro, Julião, Nogueira e Douglas em maior ou menor escala sejam fundamentais pro elenco.

É enorme termos um elenco que permanece forte mesmo sem Unimed, Fred, Jean,etc.

Mas poderia ser melhor e muito disso porque faltou uma gestão de futebol que desse poder ao gerente de futebol que organizasse o departamento, perfil de técnico,etc e mantivesse isso tudo por um ano todo.

O que temos em Xerém com Marcelo Teixeira, não temos nas Laranjeiras com Peter e Jorge Macedo.

Se a gestão Peter entrega a seu sucessor um Fluminense em outro patamar, com CT, finanças em dia, novos contratos, novo perfil de contratações e uso de Xerém, Samorin,etc, deixa também a seu sucessor um futebol que necessita ser profissionalizado.

E não estamos falando aqui de CEO ou de torcida escolhendo técnico, mas de uma equipe que utilize os parâmetros de formação de Xerém como exemplo pro profissional e organizem um planejamento que contemple etapas até chegar a um título mundial, e isso com um técnico e um elenco que seja reforçado sem três reformulações por ano.

Precisamos de mais que bazófias, precisamos de tempo, planejamento, execução e isso com metas de curto,médio e longo prazo.

Não basta o próximo presidente falar em CEO ou apontar que usará a Universidade do Futebol como modelo, ele precisa construir isso e demonstrar como organizará o planejamento.

A formação de um elenco já pra 2017, com Orejuela e Sornoza, é um elemento que pode permanecer, não podemos ficar eternamente correndo atrás de reforços nas janelas, quando os concorrentes também lá estão e os valores inflacionam.

A definição do técnico não pode ocorrer ancorada a resultado, ela deve ocorrer relacionada aos avanços táticos que possuímos.

Levir hoje apresenta uma ideia de futebol que pode nos levar ao título da Copa do Brasil e ao G4.

Hoje ele apresenta, tardiamente se falarmos com o tempo de trabalho, um modelo.

Esse modelo é positivo porque tem também em mente que ganhará qualidade com os reforços para 2017, ou seja, o elenco não terá jogadores muito diferentes em características entre si.

Mantendo esse modelo não faz sentido nenhum demitir Levir.

Aliás, mantendo esse modelo é fundamental garantir a Levir a maturação da organização tática do time com esse elenco.

Do elenco atual apenas Edson, Osvaldo, Dourado, Dudu e Giovanni não faz sentido manter.

Dudu porque tem milhões de concorrentes á sua posição e é inferior a Danielzinho e talvez a Aquino, que nos poucos minutos ao menos mostrou uma combatividade e mobilidade que Dudu nunca demonstrou.

Edson tem valor de mercado e jamais evoluiu do volante de bom pra ótimo que chegou ao Fluminense. Tem apagões defensivos, pouca inteligência tática, pouca inteligência no desarme e uma confusão entre raça e truculência.

Osvaldo é tipicamente um antigo atacante de velocidade sem inteligência ténica e tática, pouca qualidade decisiva no terço final e caro demais.

Dourado é bom centroavante, tem boa noção tática,mas pouca qualidade técnica,mobilidade e não faz sentido algum ocupar a vaga de gente como Richarlisson e Pedro que além de melhores tenicamente, são mais modernos taticamente e tem maior valor de mercado futuro.

Giovanni jamais reencontrou seu futebol desde a contusão. É bom lateral defensivamente,mas nulo ofensivamente e tem apagões que deixam clarões táticos na equipe.

Dos que voltarão apenas Robert se precisa avaliar com calma, ter reuniões com ele, pensar em psicólogo porque a habilidade que tem não subiu da base.

Higor, Fernando, William são jogadores que podem ir pro Samorin ou dispensados.

Não entendo que o Fluminense precise de reforços.

Pra lateral esquerda entendo que o Léo é o reforço que precisamos.

Do meio pra frente temos um bom elenco, precisamos é de treinamento dentro da ideia de jogo apresentada.

O maior reforço são os que estão chegando e manter Scarpa.

Levir pode ser o técnico pra 2017, mesmo sem título e tendo tido um trabalho medíocre no ano como um todo, basta manter a ideia de jogo que apresentou, que explora a potencialidade do elenco, que tem variações defensivas e ofensivas e que vem se mostrando um modelo moderno, que usa o elenco pra ser uma equipe compacta, com aproximação, amplitude, triangulação e precisão.

Levir precisa parar de culpar os jogadores pela imprecisão no terço final, 90% dela é falta de maior precisão tática na organização das jogadas.

Marcos Junior, Welington, Cícero, Douglas, Marquinho, Scarpa, todos deixaram claro que chegando em situações de gol a bola entra, basta a bola circular e chegar sem ser mascada ou cruzada no décimo andar.

Estamos diante de uma transição, Peter está em fim de mandato, e novamente no fim do ano temos disputas possíveis, possibilidade de G4,etc, mas dessa vez temos o técnico medalhão que a torcida pedia, e um elenco mais fornido do que boa parte dos haters resultadistas gostariam, com um time em evolução tática.

Apontar apenas a gestão ruim do futebol sob Peter não resolve os problemas.

Apontar soluções a partir do clube que Peter deixa, organizado, com CT, possibilidade de estádio, finanças controladas, é o que precisamos.

O fracasso de Peter no futebol é indiscutível, mas esse fracasso não pode ocultar o avanço de Peter na gestão do clube e nem esquecer que Peter não fracassou mais que Horcades ou Fischer, e ao menos deixa um legado pro futebol, que é um clube que permite uma gestão profissional do futebol.

Há a possibilidade de chegarmos a resultados positivos com esse time e técnico.

Precisamos saber como termos resultados positivos constantes para esse clube e formação de elenco pela base.

E pra isso precisamos dar um salto organizativo do futebol, para além do CT, e ele não pode ser apenas um discurso em um site, precisa ser um planejamento visível, viável, organizado e sem parafernálias e fogos de artifícios que no fundo não dizem nada.

Não podemos voltar ao passado, e ninguém aponta o futuro para além de Peter.

É hora de ir mais longe e pra isso não podemos trocar de técnico apenas com base em resultado.

A caixa de remédios de Levir, Eduardo Baptista e a seletividade tricolor na crítica a técnicos

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Levir Culpi

Crédito: GloboEsporte.com

Levir Culpi completou no último domingo seis meses no cargo de técnico do Fluminense. Nesses seis meses contou com duas reformulações do elenco, e não há muitas dúvidas que parte delas tenha sido também feita a seu pedido, conquistou um título (contando com princípios deixados pelo predecessor) e deixa mais dúvidas que certezas.

Se temos uma das melhores defesas do campeonato, também temos um dos piores ataques.

Se temos chances de G4 e um elenco recheado e no mínimo similar ao de concorrentes diretos ao G4, também temos uma enorme crise técnica nas mãos do treinador, e boa parte dela apontando pra sua falta de repertório tático, dado que o repertório técnico da equipe não parece ser limitado.

O elenco do Fluminense não é exatamente inferior ao da Ponte Preta e Corinthians (Me parece superior a ambos), tampouco é tão pior que o do Grêmio ou do Santos, sendo nitidamente inferior ao de Flamengo, Palmeiras e Atlético Mineiro.

Dos supracitados apenas o Santos tem treinador a mais tempo que o de Levir no Fluminense. Ponte Preta e Palmeiras tem técnicos com o mesmo tempo de casa. Atlético, Flamengo e Corinthians tem técnicos a menos tempo no cargo.

Também sofreram reformulação o Flamengo de Zé Ricardo, O Corinthians de Cristóvão e o Santos de Dorival.

Mas absolutamente todos tem desempenho tático e técnico superior ao do Fluminense.

A gravidade dessas questões se amplia quando a Ponte Preta, com elenco recheado de jovens e refugos, tem histórico de desempenho muito,mas muito superior ao do Fluminens de Levir, tendo no banco o mesmo Eduardo Baptista que foi tocado fora da casamata tricolor acusado de não ser técnico á altura e de ter números ruins.

Bem, se pegarmos os números globais de Eduardo Baptista no Fluminense, ignorando toda a necessária interpretação deles, ele é um com mais problemas dos últimos anos.

Porém, com um mínimo de exercício de interpretação a gente percebe que pegando um Fluminense praticamente em outubro de 2015 (a temporada termina em 5 de dezembro), Eduardo Baptista conseguiu uma organização capaz de levar o Fluminense à semifinal da Copa do Brasil e quase passar o campeão, não chegou à final por detalhes (E dois pênaltis discutíveis a favor do Palmeiras).

Em pouco mais de dois meses Eduardo Baptista organizou o time que fazia o pior segundo turno da história, interromper o viés de baixa, chegar às semifinais da Copa do Brasil e terminar o campeonato com alguma tranquilidade.

Na volta das férias,Eduardo Baptista entra janeiro cobrado a ter vitórias e conquistas em tempo recorde, era cobrado inclusive por todo o segundo turno do campeonato brasileiro de 2015, mesmo tendo assumido na reta final dele, com mais de 70% do turno já tendo passado, e não tinha nem como respirar e esperar que os reforços se adequassem ao novo clube, que recuperassem ritmo de jogo pós-férias ou longo período de inatividade,etc.

Dane-se que contabilizaram derrotas em amistosos à derrotas em jogos valendo, que incluíram derrotas de Enderson em seu currículo, que ignoraram o efeito R10 no trabalho dele, inclusive na Flórida Cup, Fred sendo expulso no primeiro jogo oficial, as manobras da FFERJ,etc.

Eduardo Baptista entrou em janeiro fadado a ser demitido antes de completar o terceiro mês do ano e afinal o foi quando perdeu novamente um clássico para o Botafogo muito bem armado (E o mesmo time de 2015) por Ricardo Gomes.

Deixou o cargo e um legado estrutural tático: Controle da bola, jogo com altíssimo índice de deslocamento na frente, uso de Fred como pivô, Diego Souza aparecendo por trás como finalizador e também armando.

Deixou um legado e um indício de que com o tempo, com ao menos seis meses no cargo, conseguiria levar aquele time pra frente.

Essa leitura não força a barra, o que força a barra é ignorar a pausa de férias, a remontagem do time com reforços e com a paulatina reconquista de ritmo de jogo dos atletas e tascar os números globais como se não tivessem esse paliativo todo.

Pois bem, Levir assumiu esse legado, reforçou a defesa, restabeleceu a compactação que existia no time em 2015, manteve o ataque móvel e conquistou a primeira liga.

Parecia que tudo iria bem, mas Levir começou a desmontar o time formado por Mário Bittencourt (com grande apoio de Peter Siemsem que queria baixar a folha de pagamento) e a remontar o time a partir de suas concepções.

Primeiro foi Diego Souza, depois Fred. Jogadores como Léo e Robert, que Eduardo Baptista gostava de usar, foram emprestados, e o trabalho seguiu.

O espaço de Richarlisson iniciou sendo dado,mas o mesmo Levir que pregava paciência com ele o ia tirando espaço e colocando os contestados Magno Alves e Osvaldo, até Maranhão à sua frente.

Marcos Junior, uma das melhores surpresas pós-Enderson, só se manteve no time por uma desdobramento anímico fora do comum, aliado à boa relação com a torcida (Levir sempre foi sensível à arquibancada).

E Levir remontou o time, só que deu ruim e Levir pediu pra saír.

Os reforços demoravam a chegar, porque Levir jamais quis trabalhar com o elenco disponível, ele precisava de outro elenco novo em folha e feito à sua imagem e semelhança para poder dar certo.

Mas a presidência e o elenco em pânico pediram e Levir ficou.

Os reforços chegaram. E quando eles chegaram Levir teve a desculpa à mão pra pedir mais paciência.

Foi assim que chegamos aos seis meses de Levir, com paciência, uma paciência rara de torcida, direção e imprensa,mas que não dá conta da quantidade de erros cometidos pelo medalhão que se escora em números, de novo lidos sem interpretação, pra se manter inimputável.

O time tem a melhor defesa, elogiam Levir por isso, mas quando toma gol a culpa é do Gum (Mesmo quando o gol nasce imediatamente a uma substituição desastrosa feita por Levir).

O time tem um ataque ruim, culpam o centroavante (Henrique ou Magnata) por isso, mas jamais questionam a ausência de cara tática pro ataque tricolor: Seremos novamente um time marcado pela presença de um centroavante de área ou um ataque que usa o talento e a velocidade de Welington, Scarpa e Marcos Junior pra envolver o adversário e chegar ao gol.

Você sabe? Nem Levir sabe.

Os volantes técnicos são elogiados pela coragem de Levir em escalá-los, mas a cada vez que a bola passa por eles a culpa é do Douglas (Um jogador raro, que não só passa com precisão, mas arrisca lançamentos inteligentes, e acerta, e finaliza bem desde a base).

Aliás, Douglas pouco chega na frente, Levir fixa Douglas pra liberar Cícero, jamais usa a alternância entre eles, jamais estimula a Douglas a ser um elemento surpresa e chutar mais de fora.

Mas Levir brinca, Levir é ótima entrevista, é intocável,mesmo seu time tendo pouca aproximação, uma compactação defensiva desastrosa, e uma indecisão tática óbvia entre esperar o adversário e/ou ter posse de bola e domínio territorial.

A quantidade de espaço entre as linhas do Fluminense é de tal forma que dava pra plantar feijão entre elas.

E se o Fluminense não é mais alvejado é porque a defesa se comporta com estoicismo diante da uma enorme desarticulação tática entre ataque, meio e defesa.

As transições do Fluminense são mal feitas, não existem triangulações, não há saída de três na zaga, há arremedos disso.

Quantas reversões de jogo vemos no Fluminense de Levir? Poucas.

Se o ataque começa pela direita ou ele termina pela direita mesmo ou termina em finalização pelo centro do campo, pra fora, no máximo num cruzamento vadio.

E Levir diz que o problema é a falta de maturidade do time, jamais da pouca qualidade de seu trabalho tático no Fluminense.

Intensidade? Passa amanhã.

Os números de Levir são frutos de resultados conquistados pela habilidade de jogadores do Fluminense, por brilharecos táticos aqui e ali, jamais por uma feição tática definida. E acobertam um trabalho onde os números ocultam um desempenho horroroso.

Levir toma banho tático do interino do Figueirense, mas ganha o jogo, e por isso os mesmos críticos que ficavam assanhados e incineraram o ótimo Eduardo Baptista ficam quietos ou apelam pra criticar quem? Os jogadores e a diretoria pelas contratações.

Levir toma banho tático do treinador brasileiro que talvez tenha a pior leitura de jogo de todos so tempos, Cristóvão, mas o problema é o Danilinho.

Enquanto isso Eduardo Baptista com elenco pior, mas em um clube onde talvez a pressão da torcida seja até pior que a no Fluminense, a Ponte Preta, consegue estar em sétimo.

Danilinho, sem ritmo de jogo e se readaptando ao futebol brasileiro depois de sete anos no México, tem jogado bem taticamente.

Welington é raro, tem muito boa técnica no um contra um, finalize bem, é criativo e sabe ir além do papel de ponta.

Marquinho é disciplinado taticamente, tem boa técnica, chuta bem de fora, é raçudo que nem o Hulk com unha encravada,mas precisa se readaptar ao futebol, brasileiro e encontrar a melhor forma.

Aquino tem boa técnica,mas igual a Danilinho e a Marquinho ainda está fora de ritmo, e ainda precisa se adaptar ao futebol brasileiro.

Rojas idem, mas onde vive Rojas, o que come? Levir não sabe e se sabe não nos diz.

Mas reforço algum encaixa bem em um time mais zoneado que o Governo interino de Golpichel Golper.

Diziam que Eduardo Baptista não tinha padrão de jogo em seu time com saída de três, Cícero de segundo volante buscando jogo e revezando com Scarpa na organização das jogadas, recomposição defensiva rápida e transição veloz, que fez muito bons jogos, mesmo que tenha perdido vários deles.

Mas não falam nada pela ausência de feição tática nos times de Levir “Brincalhão” Culpi.

Há dúvidas? O time da Primeira Liga tinha uma cara tática, o time sem Fred do início do Brasileiro outra, e o time pós-reforços outra, só que nenhuma deles é sequer parecida.

Levir não sabe o que fazer com o elenco.

Levir não escolheu o que fazer e quando acerta uma cara, com Marcos Junior de meia, Wellington e Dourado no ataque, a desmonta pra por Marquinho no lugar do Marcos Junior, em jogo decisivo. como o desmonte deu ruim ele faz o que? Volta pra formação mais segura? não, desmonta o desmonte, põe Pierre no lugar de Marquinho e avança o Cícero.

Ai pós desmonte do desmonte ele está vencendo o jogo por 2×0 e faz o quê? Desmonta o desmonte do desmonte pondo Marquinho no lugar do Pierre e recuando Douglas de primeiro volante, Marquinho de segundo volante e Cícero de meia, mas era ÓBVIO que iria dar errado.

Ele treinou isso? NÃAAO.

Mas tá tudo bem, Levir brinca.

Levir fez ótimo trabalho no Atlético Mineiro, soube transitar de Cuca pra um estilo seu, menos afoito e mais passe de pé em pé com intensidade,mas no fluminense parece um técnico arrogante e sentado em cima do próprio ego, longe de qualquer cheiro de modernidade tática que faz de Eduardo Baptista um dos melhores técnicos do Brasil.

Mas não se acanhem, olhem outros trabalhos com times piores e percebam por si mesmos.

Fernando Diniz (Oeste), Rogério Zimmerman (Brasil de Pelotas), Eduardo Baptista (Ponte), Guto Ferreira( Chape e agora Bahia), Paulo Autuori (CAP), todos tem elencos de piores a muito piores que o do Fluminense e todos, absolutamente todos, tem resultados muito superiores ao esperado para o elenco que possuem, e se analisarmos com cuidado gigantescamente superiores, relativo ao elenco que possuem, ao trabalho de Levir.

Zimmerman então faz chover no Saara com o mesmo elenco desde a série D estando hoje no G4 da série B.

Baptista faz um elenco horroroso como o da Ponte dar banho em times caros como o do Fluminense, Inter e Cruzeiro.

Autuori remontou o CAP duas vezes e tá ali enchendo o saco perto do G4 desde o início do Brasileiro, foi finalista da Primeira Liga igual Levir e o desempenho não caiu.

Diniz no Oeste faz milagre mantendo aquele time vivo, e mais jogando futebol de gente grande, correndo todos os riscos possíveis e imagináveis.

Guto ferreira tá desfazendo todas as cagadas da diretoria do Bahia e levando o clube nas costas pra um estilo competitivo e renovando a fé no acesso.

E Levir? Brinca.

Levir hoje faz de longe o pior trabalho de um técnico no Fluminense desde Cristóvão e Enderson Moreira.

Enderson pela desconstrução do próprio trabalho aceitando R10, Cristóvão por ter um elenco milionário e não conseguir levar aquele time ao G4.

A sorte de Levir é que ele não faz o pior turno da história do Fluminense, mas o desempenho aquém do elenco é igual ao de Cristóvão.

Mas Levir não é Cristóvão, Enderson ou Baptista, Levir brinca.

E por isso a seletividade da crítica a Levir por parte da torcida é inacreditável. Inacreditável e sintomática.

Porque a torcida jamais e importou se o técnico era bom, se havia perfil tático ou não, pra ela o importante era ter um medalhão.

Tendo o medalhão ele fica impune , jamais é cobrado de seus erros e quando os erros acontecem a culpa é transferida ao presidente, ao diretor de futebol, ao gerente,mas principalmente aos jogadores.

Levir nunca erra, mas Welington Silva sim (Melhor desarme do time e um dos melhores do campeonato). Gum é um lixo (Líder de rebatidas do time, um dos melhores do campeonato e quando é titular dificilmente o time toma gol). Henrique, Danilinho, Dudu, Maranhão, a lista é longa dos culpados de ocasião pelos erros do Levir.

Mas Levir brinca.

E a torcida se mantém com seu ceticismo particular, blogueiros não fazem campanha diária pela demissão do treinador, não existe outro assunto que não a culpa da diretoria ou dos jogadores pelos erros do Levir.

Claro que não quero a demissão do Levir, quero que Levir organize o Fluminense de acordo com o elenco que tem, que produza um time capaz de controlar o jogo E fazer transição ofensiva e defensiva em velocidade, que municie o bom Dourado ou o bom Magnata, que utilize Douglas e Cícero como elementos surpresa concluindo de fora da área, que use Welington e Marcos Junior pra quebrar a linha defensiva do adversário com inclusive o bom passe de Welington por cima e quebrando a defesa atrás dos volantes.

Quero que Levir produza de acordo com o time que exigiu que fosse montado ou ele sairia.

Se Levir não fizer isso e nos levar às finais da Copa do Brasil e ao G4 que ele seja demitido em dezembro que possamos ter novamente um técnico capaz de transformar o bom elenco do Fluminense em algo mais digno.

Meu sonho mesmo era Bielsa ser contratado pra atuar com Fernando Diniz na organização de todo o futebol tricolor, do fraldinha ao profissional,mas deliro.

Hoje eu prefiro que Levir saia em dezembro e que Fernando Diniz seja contratado.

Como não amar o reboot de Star Trek?

Star Trek Na Cinema

Por que gosto do reboot de Star Trek? Porque todo ele foi concebido com imenso respeito à série original e à série no cinema.

Como isso se deu? A partir da releitura construída em torno de outra linha de tempo.

O Spock de Zachary Quinto não é o de Leonard Nimoy, o Kirk de Chris Pine não é o de William Shatner, partem de premissas diferentes porque são frutos de realidades diferentes, por isso a liberdade de construção dos personagens pelos atores é enorme. Mesma coisa o McCoy de DeForest Kelley sendo diferente do de Karl Urban, e o Scotty de Simon Pegg ser absolutamente diferente do de James Doohan.

Simon Pegg inclusive é roteirista de “Star Trek: Sem fronteiras” e dá um tom muito mais escocês e engraçado, com humor bastante vinculado à uma lógica típica de um escocês que nasceu operário, vindo da classe operária e que usa a inteligência e a esperteza de classe como forma de lidar com problemas.

Pegg inclusive dá a Scotty um caráter mais inventivo que o de James Doohan.

Com Doohan, Scotty era um engenheiro que conhecia sua função beirando a genialidade. Pegg dá aquele tom de pobre inventando gambiarra, ultrapassando a excelência técnica e invadindo a inventividade.

O Kirk de Pine é menos “macho” que o de Shatner, tem a mesma coragem vinculada à intuição,ams tem mais medo, tem mais sentimentos, tem laços de amizades mais nítidos, sentimentos mais complexos.

Spock idem, com quinto Sporck ganha amor, ganha um tom menos alienígena, memso que homenageie sempre Nimoy com aquele toque de humanidade que finge não sentir que o ator original dava.

A direção de JJ Abrahams e todas as produções vão além disso, com homenagens sutis ao universo trekkie produzido anteriormente, seja com a trilha atual mesclando as da série a do cinema, seja com easters eggs ou fan service, como o “fascinante” de Spock no primeiro filme e a reprodução, com Kirk no lugar de Spock, do sacrifício de “A Ira de Khan” em “Star Trek: Além da escuridão”.

Menção honrosa ao implacável Khan de Cumberbatch no segundo filme, que é absolutamente diferente de Ricardo Montalban, embora tenha similaridades, como a raiva da humanidade e da Federação.

Em suma: o reboot de Star Trek entrega a inovação com louvor e dá ansiedade de esperar os filmes que seguirão.

A culpa não é de Neymar e Micale, Galvão! Sobre Futebol Brasileiro, Fluminense e pensamento mágico

Marín preso...

O futebol brasileiro está em profunda crise, e uma crise que tende a se aprofundar.

E por que? Porque pouca gente além de profissionais do esporte, entre técnicos e jogadores, tem alguma ideia real de tentativa de superação dos diversos problemas que o futebol brasileiro tem.

Apontar a culpa da crise do futebol brasileiro somente aos dirigentes, sem incluir torcida e mídia, é como dizer que a culpa do aquecimento global é da humanidade, sem apontar as causas diretas (Indústria do petróleo e agrobusiness, além da cultura do consumismo), fica até bonito,mas é inócuo, quando não é hipócrita e cínico.

No caso específico do futebol a tentativa de culpabilização individual de atletas, técnicos e dirigentes, sem entender o contexto global, inclusive incluíndo a torcida no esquema, é tipo a fase de negação de parente de doente terminal.

No mesmo dia a torcida da seleção brasileira e a do Fluminense entraram em polvorosa com os resultados dos jogos de suas paixões. Embora entenda a fustração, me fica na cabeça a quantidade de ilusão e pensamento mágico que sustentou suas ilusões.

Sim, os resultados foram de ruins a pavorosos, mas qual a razão deles? Dizer que foi culpa de Douglas ou de Gum ou do William Matheus no caso do Fluminense, ou do Neymar e do Micale ou Renato Augusto no caso do selecionado canarinho é tipo culpar o Cheetos por um câncer no baço.

Por que digo isso? Porque é preciso olhar com carinhos pros problemas pra resolvê-los.

Temos na seleção brasileira um trabalho que tinha uma perspectiva de resultado baseada num planejamento tardio, que começou à vera em 2015, mas incluía troca de comando de Micale pra Dunga, com uma perspectiva de Micale tentar aproximar seu trabalho ao de Dunga, e que depois mudou completamente pra um trabalho solo de Micale sob supervisão de Tite, que não é nem Dunga nem Micale e tá pouco próximo do primeiro em concepção tática e sequer teve tempo de influenciar o trabalho do segundo.

Daí a seleção olímpica ganhou um técnico próprio, que era antes o interino que teve quinze dias pra fazer da convocação um time, tendo perdas importantes como Douglas Costa, e erros na convocação de Renato Augusto ( Erro esse que só foi apontado pela imprensa agora que deu ruim), enquanto se preparava pra enfrentar seleções com trabalhos duradouros, e bons, como Iraque e África do Sul  por exemplo.

No caso do Fluminense temos o segundo técnico do ano e terminamos em fins de julho a segunda reformulação do elenco.

Reformulação essa que retirou o esqueleto da primeira reformulação organizada em Janeiro (Diego Souza e Fred), alterando profundamente o modo de jogar do time, de forma mais radical ainda que a troca entre Eduardo Baptista e Levir Culpi.

De um time organizado em torno da figura do centroavante e de um meia com altíssimo poder de finalização,mas pouca mobilidade e combatitividade partimos pra um time extremamente veloz, móvel, mesmo com Dourado, com laterais avançando de forma alternada e com mais preocupação defensiva que ofensiva, quase que acompanhando a linha de volantes, volantes criativos que armam o jogo para que o quarteto ofensivo produza uma ofensividade sustentada na intensa movimentação com finalização a partir de troca de passes que abram flancos pro arremate ou pro cruzamento no jogo aéreo.

Perceberam a guinada? E quando foi feita? Junho/Julho de 2016. Estamos em Agosto, ou seja, é óbvio que essa transformação, inclusive com a perda de um ícone do elenco e do clube, Fred, traria consigo uma oscilação e desequilíbrio psicológico, e até anímico, e uma dificuldade em manutenção de regularidade, especialmente fora de casa.

E não, não é desculpa, é análise.

Esse tipo de não planejamento das diretorias de futebol em geral possui 90% das “culpas” pela ausência de resultados.

Com uma reformulação de elenco ou trabalho em meio ao campeonato a tendência pro elenco demorar a se acertar e demorar a ter resultados é gigantesca. Dane-se a qualidade deste elenco.

Treinadores competentes produzem trabalho mesmo com elencos limitados, mas mesmo o mais genial treinador e elencos precisam de uma coisa que o futebol brasileiro com sua pressa suicida esqueceu: Tempo.

Se você observar o futebol brasileiro com olhos do senso comum de 1970 (Matriz de 90% das referências “teóricas” da torcida pro futebol de hoje), vai achar tudo ruim e tudo o que escrevi um tremendo blábláblá, mas se você for um sujeito minimamente atento e antenado ao futebol DE HOJE vai olhar pros dois exemplos citados e perceber que os dois trabalhos tem avanços em relações aos anteriores e com tempo devem germinar em promissores resultados, talvez no médio prazo.

Ah, vocês queriam resultado imediato? Lamento,mas não tem lógica, porque não tem mágica.

A tendência da seleção brasileira é ser eliminada na primeira fase, e sendo mantido o trabalho resultar num puta time pra 2018.

A tendência do Fluminense, se mantido o elenco e o trabalho de Levir, é formar um puta time pra 2017 e daí em diante. Em 2016 pode ser que dê resultado na Copa do Brasil e vá lá um G4 em caso de muito milagre.

Agora, se vocês acharem que trocar técnico a cada dez minutos, que mandar jogadores embora e vaiar times recém formulados porque o time para o qual torcem não é mais o de Rivellino que vocês acham, erroneamente, que jogavam sem técnico, lamento, porque além de sofrerem com o resultado, permanecerão sendo parte do problema.

Porque se você pensa, e eu li isso, que depois desses três resultados da seleção brasileira toda a geração é ruim, você é parte do problema.

Porque se você acha bonito o chilique do Galvão, que jamais critica a ausência de planejamento, a corrupção, a desestruturação da base, o calendário do futebol brasileiro, a desadequação do calendário diante da Europa, a ausência de controle pelos clubes deste futebol, etc, você é parte do problema.

Porque se você transforma futebol em entretenimento você é parte do problema. Se você julga jogador individualmente sem entender do sistema de jogo você é parte do problema.

Se você olha pro time do Fluminense é é capaz de por puro tolice dizer que Douglas não é jogador (Um volante extremamente técnico que com 19 anos é fáscil um dos melhores do campeonato,na prática em em números) ou que Gum é “Horroroso e devia ser doado”, sendo ele um dos melhores zagueiros de uma das melhores defesas do campeonato, que Wellington Silva é péssimo (Líder em desarmes do Fluminense e um dos líderes do campeonato) ou que Scarpa “era uma ilusão” ou que Welington foi uma contratação “desnecessária” e Marcos Junior é “burro e ruim de bola”, você é parte do problema.

Sim, amigo torcedor que vaia time porque o resultado do time, dane-se a atuação, não foi o que tu desejava ou que pede “raça” em um time que tá se rasgando em campo porque de alguma forma o resultado não funcionou, você é parte do problema.

Chega a ser lamentável o nível do torcedor brasileiro nas redes sociais e arquibancadas.

E ele é assim porque é mimado, embriagado de pensamento mágico e tosquice mitológica por uma imprensa avessa ao raciocínio e mãe da emoção mais emburrecedora possível.

Duvida? Veja a Globo e a SporTV todos os dias, ouça a maioria dos comentaristas, ouça Alê de Oliveira na ESPN, veja Fox Sports Radio. Veja um jogo onde cada comentário acertado do Calçade é demolido pela estupidez de almanaque do Zé Elias.

Pra cada PVC, Mauro Cézar Pereira, Calçade, Raphael Rezende, Raphael Oliveira, Gustavo Hoffman, Mário Marra, Mauro Betting, Leonardo Bertozzi e outros tantos que remam contra a maré da estupidez coletiva no futebol há seiscentos Zé elias, Alê Oliveira, Edinho, Roger Flores, etc…

E por isso as torcidas são reflexo de um pensamento mágico que morreu nos anos 1980 e fede até hoje.

Há quem escreve em blogs “Romário, Rivelino, Thiago Silva nunca precisaram se adaptar a elenco nenhum!” e se orgulhe disso, e há quem siga essa mentalidade.

Há quem chame Kenedy de pereba, Gerson de nulidade e Welington de superestimado e siga ai com espaço rpa permanecer mugindo.

Há quem compare Neymar com Marta, que é a mesma coisa que comparar Phelps com Hortênsia.

Enquanto isso os clubes e seleções permanecem tratando o tempo como se fosse irrelevante.

O G4 do brasileiro é composto de times que trocaram de técnico esse ano,mas que mantiveram elenco e fizeram troca de treinadores sem mudanças bruscas de perfil, ou fizeram isso com tempo pro elenco e treinador se ajustarem.

Quem trocou técnico recentemente tem o mesmo elenco desde janeiro, com alguns acréscimos, nenhuma perda.

Mas quem analisa isso?

Quem analisa isso não tá nas emissoras com maior audiência ou são comentaristas centrais de suas emissoras, exceto na ESPN. Não está nas rádios, não organiza clubes, não gerencia futebol, não tem calma.

Como bem escreveu Mansur, o futebol brasileiro tem pressa e essa pressa é inimiga da perfeição.

E depois, confundindo pressa com velocidade, culpa jogadores por serem afobados.

Não aprenderam nada com Fernando Diniz e o Audax.

As eleições no Fluminense, a Taça Olímpica e o “choque de gestão”

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Volta e meia leio que o Fluminense precisa de um “choque de gestão”, a maioria repete isso como mantra sem sequer ter ideia do que significa ou da história, até da história recente, do próprio Fluminense.
Choque de gestão o Fluminense já vive desde 2010, ou você parte daí pra outro rumo ou não entendeste nada do que aconteceu no clube pós-Horcades.
 
Os principais candidatos a presidente estão corretamente focando a construção do Flu de Peter em diante, melhorando a gestão onde tem de melhorar, mantendo o que tem de manter. Uns com propostas mais avançadas e outros com propostas menos desenhadas.
 
Dizer que o Fluminense precisa de um “choque de gestão, de uma Libertadores e de um mundial” é frase feita e só.
Primeiro que ignora que choque de gestão já teve, e reestruturou o clube. Libertadores e mundial são obsessões de todos os tricolores e só competindo seguidamente chegaremos lá, não são soluções pra nada.
 
Títulos não resolvem problemas, mas podem ser resultados de soluções.
 
Esse reducionismo, binarismo e loucura determinista da torcida do Fluminense, que pega apenas os resultados do futebol e ignoram o todo, não ajudam ao clube. Pioram o clube.
 
Horcades foi campeão carioca, da Copa do Brasil e Brasileiro, mas foi uma das piores gestões da História do clube. E não geriu o futebol bem, também ganha-se título com gestões caóticas, especialmente mata mata.
 
Peter fez uma boa gestão no futebol, que não nos deram títulos, por conseguir segurar um redemoinho pós-Unimed, conquistar um título historicamente importante, a Primeira Liga, e iniciar processos de transformar a base em celeiro de jogadores e de ativos, sem falar na abertura de mercado no exterior a partir do projeto Samorin e da construção do CT.
 
O próximo presidente precisa aprimorar o que foi feito, transformando a gestão do futebol, e do marketing, em excelentes.
 
Nada de “choque de gestão” ou de sublimação via títulos.
 
Títulos são consequências, são, o próprio nome diz, resultado. São resultados de processos de sucesso, sucesso efêmero ou duradouro.
 
O Fluminense precisa permanecer na trilha aberta por Peter e com Trengrouse, Abad ou Cacá tem tudo pra se manter e avançar.
 
É preciso que a própria torcida saia do pensamento mágico, da redução do clube ao futebol, da redução do futebol a resultado, da redução do resultado no futebol à ação mágica em curto espaço de tempo.
 
O Fluminense, como clube, tem de voltar a ser uma potência esportiva, para além do futebol, a partir de uma gestão que avance a partir da base construída se tornando forte em geração de recursos, em manutenção de uma base de elenco formado pela base do clube com jogadores de fora com potencial, que seja fértil na construção de uma sustentação tática que aproveite nossos jogadores, com técnicos empregados por longo prazo, que criem um perfil tático definido para o clube, e que seja mantido da base ao profissional.
 
O Fluminense precisa de gestões que sejam competentes na utilização da torcida como ativo, que tenha meios de construir nosso próprio estádio, que avance na comercialização de produtos ligados ao clube, que ganhe mais e mais sócios e amplie a democracia no clube, que abandone o atraso, sem jogar a História fora junto com o atraso.
 
Nossos três principais candidatos a presidente (Abad, Cacá e Trengrouse) tem diferenças entre si,mas refletem o avanço a partir da base criada por Peter Siemsem.
 
A retórica “Peter pior presidente da História” é alimentada por quem nos faliu, nos destruiu, nos jogou na lama, na série C.
 
Essa retórica não é respeitada nem por quem recebeu o apoio de quem a emite.
 
Esse atraso é parte de nossa falência.
 
Não precisamos desse atraso, nem de retórica que joga no lixo todos os avanços que ocorreram nos últimos seis anos.
 
Precisamos do futuro. E o futuro tá com Abad, Cacá ou Trengrouse.
 
Leiam suas propostas, formem suas opiniões, esqueçam as tolices de queimar jogadores, técnico, direção com um senso comum que chega a ser criminoso, esqueça blogueiros, torcidas organizadas,etc que usam suas plataformas pra promover o atraso, a miopia, o obscurantismo a partir do uso do fígado como autor de textos e frases feitas, slogans abjetos, toscos e tolos que são pouco mais que bile misturada com lama.
 
O Fluminense não recebeu a taça Olímpica à toa, a mereceu, vamos respeitar esse legado, vamos superar o obscurantismo e o senso comum, vamos avançar.
PS: Mudei minha opinião em relação a Trengrouse exatamente pela interação com ele via redes sociais e com declarações dele assertivas que sua equipe está em seu site, e que nem Gonzales nem Bueno participarão de sua gestão. Gosto de suas propostas,mas ainda tendo a ser eleitor de Abad.

As eleições no Fluminense, o futuro, o passado e a fanfarra.

050898 vanguarda no poder

As eleições no Fluminense são apenas no fim do ano (Novembro ou dezembro, acho eu),mas foram antecipadas há tempos.

O candidato Pedro Trengrouse inclusive que todo santo dia divulga vídeo chamando os adversários pra debate ou faz uma “proposta”, divulga seu currículo, etc, provocando intensa atividade em seu site.

Sites especializados no Fluminense e dirigidos por tricolores fazem matérias a todo momento com temas relacionados à eleição, em sua maioria sendo oposição à atual gestão e dando voz às chapas de oposição que disputam a eleição.

Normal e do jogo, eleição é assim.

O problema em si está na ausência da tal transparência que cobram tanto da gestão atual: Nenhum site se assume enquanto apoiador de candidato A ou B. Mas todos têm linhas editoriais claras, e a maioria delas circula em torno da divulgação de notícias e de vozes ligadas às chapas apoiadas por Antônio Gonzales do Movimento MR21 e Celso Barros, que até o momento ainda é pré-candidato, mas pelo andar da carruagem tende a apoiar Pedro Trengrouse, que não acharia nada mal receber esse apoio.

Bem, pra começar informo que eu apoio a atual gestão, embora seja um veemente crítico da forma como atua no futebol e no marketing. Sempre fui claro que apoiava a atual gestão e apoiaria, e apoiarei caso seja candidato, Mário Bittencourt para presidente, com a devida ressalva que ele teria de manter a política de gestão financeira de Peter.

Agora que já cumpri a devida formalidade da transparência eu gostaria de cobrar a mesma transparência dos demais candidatos.

Se Pedro Abad é cobrado pela gestão Peter Siemsem, por que Trengrouse quando é abordado por ter em seus círculos de apoiadores Antônio Gonzales que foi responsável direto pelo rebaixamento do clube à série C não é cobrado por isso?

Por que Abad tem de ser atacado e cobrado por ao responder a perguntas sobre um suposto shopping nas laranjeiras dizer “Não sou refratário à ideia, mas quem decide são os sócios e os conselhos!”, e é cobrado pessoalmente e como, adora Trengrouse, fulanizadamente, mas Pedro Trengrouse não é cobrado por ser apoiado por Julio Bueno, aliado de Horcades, que é responsável direto pela escalada de dívidas do Fluminense e conseguiu não aproveitar o investimento da Unimed no futebol pra sanear dívidas e as ampliou, deixando o clube com dívidas enormes na Fazenda Nacional, com o FGTS e até na companhia elétrica?

Por que Peter é cobrado, com razão, pela péssima gestão no futebol e Trengrouse, que tem como aliado quem na gestão do futebol nos levou á série C, aparece como “o novo”?

Por que Trengrouse, que prega “continuidade sem continuísmo” ataca exatamente a gestão Peter em relação a projetos de Xerém, centrais, como o da compra do clube na Eslováquia e na gestão financeira insinuando que a contratação de jogador para 2017, Sornoza que é um dos destaques da Libertadores, é “gestão temerária e pode nos tirar do PROFUT”? Por que Trengrouse faz essa sugestão no mesmo vídeo que diz “desconhecer os detalhes e cobrando transparência”? Não conhece os detalhes, mas insinua gestão temerária?

E contratação de jogador deixou de ser ativo? Contratação, se é que está acontecendo, de um dos destaques da mais difícil competição continental deixou de ser ampliação de ativo pro próximo presidente?

Mas não paremos por aqui, vamos mais longe, vamos deixar de “fulanizar”, vamos falar de propostas: quais as propostas dos candidatos para futebol, marketing, gestão do clube, etc?

Nenhuma. Isso mesmo, nenhuma, nenhum deles tem proposta nenhuma.

Abad, Cacá ao menos apontam, corretamente, que tem muito tempo pra eleição e que é preciso maturar programas, etc, mas Trengrouse chama a todos o tempo inteiro para debates, produz vídeo atrás de vídeo, demonstra um vasto, e bom, currículo, mas… e suas propostas? Nada, castelos de areia, castelos de nuvem, nada.

Trengrouse propõe ampliação da participação da torcida na gestão do futebol, mas não só não diz como, como a sugestão que deu, a de escolha de treinador via internet por consulta com a torcida, demonstra que ele entende pra caramba de espetáculo e marketing, mas ZE-RO de gestão esportiva.

Pois é, em um mundo onde a cobrança de cada vez mais profissionalização do futebol, com o time em campo sendo parte de um complexo sistema de negócios, onde a desportividade tem relação direta com arrecadação em marketing, etc, e onde o time em campo tem de ter um processo claro de ligação entre gestão, contratação, organização tática, identidade técnica e tática entre todas as suas equipes, entre base e profissional, ou seja, um puta sistema complexo onde o técnico é parte essencial da engrenagem, o brincalhão sugere que façamos uma escolha do gerente executivo, do diretor técnico, do principal profissional da parte operacional do departamento de futebol, via enquete de internet e participação da torcida por eleição.

Percebe, Ivair?

Sabe o que é isso? Factoide. Porque é antiprofissional em sua essência. E explico: uma torcida é composta por milhões de pessoas, com compreensões díspares de tudo, de política a música, passando por perfis táticos e opções de planejamento de curto, médio, longo prazo pro futebol. Além disso, 90% dessa torcida é absolutamente leiga em futebol, age e pensa com uma base sustentada em senso comum e que não diferenciam Eduardo Baptista de Levir Culpi em relação a perfil de gestão técnica e tática de elenco e de jogo, que pedia Roth pra substituir Eduardo Baptista, que soa quase como pedir Vinho Rosé pra substituir Suco de pêra. É essa mesma torcida que vai definir o técnico de uma equipe que custa milhões por ano e é a ponta de um processo de faturamento de outro tanto de milhões por ano? Sacaram?

Tem mais, e tudo o que se lê sobre a gestão de trabalho em futebol onde trabalhos de médio a longo prazo tendem a ter resultados melhores? E os que também colocam que a manutenção de um perfil tático, definido com a clareza de que deve ter resultado em geral de médio a longo prazo, alguns em longuíssimo prazo? Tudo isso vai ser jogado no lixo, toda a abordagem profissional do futebol em nome de uma ação factoide que é antiprofissional em sua essência, é democratista, e não democrática, e explode qualquer planejamento mínimo de futebol? Ou a contratação DO ELENCO também vai ser via enquete, dane-se a gestão financeira e a integração com a base?

Percebem que o candidato não tem a menor ideia de como pretende gerir o futebol?

Mas não para por ai, ele sugere que uma tática de contratação seja a de uso de “Crownfunding”, porque funcionou pra produzir livros e festas. Sério que um especialista da FGV em direito esportivo não sabe a diferença de dimensão de financiamento coletivo entre milhares de reais e muitos, mas muitos milhões de reais? Não acompanhou o caso Wesley no Palmeiras?

Além disso, o candidato ignora um outro lado do processo: a concorrência entre um possível “Crownfunding” pra contratação de jogador e nossos planos de sócios, sem que o “Crownfunding o permita aos associados a conquista do direito de exercer a cidadania tricolor, em resumo, de votar pra presidente do clube? Ou há uma relação direta entre a defesa de um e outro com o objetivo de no médio prazo reduzir o colégio eleitoral?

Pra piorar o candidato videomaker adora sugerir que precisamos “nos unir em torno do Fluminense”, mas seus aliados, como Gonzales, que nos levou à série C, adora atacar a direção acusando Peter Siemsem de “O pior presidente de nossa história”.

O candidato não dialoga com seus aliados? Ou dialoga, mas a chapa é solta, cada um defende o que quer? O candidato concorda com seu aliado?

E se Gonzales acha que Peter é o “pior presidente da nossa História”, mesmo sendo vice presidente de futebol em 1998 e nos levando pra série C, qual o parâmetro de “continuidade, sem continuísmo” de Gonzales, da chapa e por consequência de Pedro Trengrouse?

E se Gonzales acha que Peter é o “pior presidente da nossa História” o que ele acha de Álvaro Barcelos que o colocou na vice-presidência de futebol, era melhor que Peter Siemsem? E se Gonzales acha que aqueles presidentes com os quais conviveu e apoiou são melhores que Peter Siemsem, Pedro Trengrouse seria parecido com eles?

Qual o papel de Julio Bueno, que faliu o Estado do Rio de Janeiro, e Antônio Gonzales, que nos levou à série C, teriam numa presidência Pedro Trengrouse?

Que perfil de futebol Pedro Trengrouse pretende pra o Fluminense?

Que tipo de gerência de futebol, que tipo de uso da base, como ele pretende pensar o comando técnico pra construção de um perfil técnico-tático de longo prazo no Fluminense?

Como Pedro Trengrouse pretende superar a péssima gestão de futebol de Peter Siemsem, que demite técnico a cada três meses e não permite que tenhamos um perfil tático definido de médio longo prazo? Empoderando a mesma torcida que pede cabeça de técnico a cada três meses ou definindo um perfil tático e de gestão de elenco pro técnico, gerente e executivos de futebol? Não sabemos, sabemos apenas a fanfarra em torno de factoides que nada dizem e são antiprofissionais, pra dizer o mínimo.

Além disso, que maldita unidade em torno do Fluminense que Pedro Trengrouse cobra se sua chapa atua claramente com o mais rebaixado nível de ataques à direção atual, ignorando seus acertos, não propondo soluções para seus erros e chegando ao nível de chamar a direção de “Gestão fala fina”, pra pegar apenas o mais leve dos ataques homofóbicos que Gonzales dirige a Peter Siemsem?

Tem um oceano de diferença entre a crítica, necessária, e a falácia. Tem continentes que separam as críticas dos factoides e da desqualificação rebaixada. E Trengrouse sabe, ou deveria saber disso, mas se esconde da mediação entre aliados e a própria eleição apelando pra uma junção de uso de peões como Gonzales pro trabalho sujo enquanto ele desfila uma fofura pokemon em vídeos fazendo ataques supostamente “de boa intenção” sugerindo incompetência e gestão temerária nas finanças por parte de Peter Siemsem.

É uma tática espetaculosa, e também de morde assopra, com base zero de alternativas de gestão à gestão atual. Principalmente dando a quem torce e vota pra presidente do Fluminense uma alternativa que consiga o avanço de gestão financeira e acréscimo de patrimônio que a gestão Peter Siemsem nos deixa aliado a uma gestão de futebol tão profissional quanto a que saneou o clube.

Pior, nem marketing, que em tese Trengrouse seria também especialista, nós temos uma concreta posição e uma linha sequer de proposta séria. Basta procurar no site, a única proposta que há no site, séria, concreta, escrita e que não seja um vídeo com bela atuação do candidato, mas zero de conteúdo, é a de transformação do Fluminense em fundação, o que já é em si temerário, podendo configurar até meios de fuga da fiscalização por parte do PROFUT.

Temos então problemas sérios pras eleições desse ano e uma crise séria pra enfrentar: Não temos candidatos que tenham hoje propostas sérias sobre ampliação de nossa base de arrecadação, nem de profissionalização séria da gestão do futebol (compreendendo todo o aspecto esportivo como parte de um sistema de arrecadação, identidade, etc),mas temos uma perigosa união entre o atraso simbolizado por Gonzales e Júlio Bueno com uma candidatura sustentada num perfil marqueteiro, com tática política de inundação das redes e da torcida de propaganda eleitoral vaga e organizada em torno de frases de efeito, mas nenhuma proposta e que se vende como “o novo”,mas oculta, esconde a volta do mais daninho que já passou pelo Fluminense.

Pra piorar, temos uma ação conjunta entre torcidas organizadas ligadas a membros da chapa “Verdade Tricolor” e que pedem a volta de Celso Barros, que já declarou que pagar as dívidas não ganha títulos.

Juntem tudo, somem e vejam o tamanho do problema.

Se a gestão Peter falhou duramente em diversos pontos, sendo coparticipante de um rebaixamento, ela deixou legados que são a gestão financeira do clube, a penetração política do clube na construção da Primeira Liga, que pode vir a ser o germe de uma liga Nacional, e da liga sul Americana de Clubes e a ampliação de patrimônio.

Entregar esse legado à vanguarda do atraso que sustentou gestões que nos levaram à série C e à falência é assustador.

E sobre o rebaixamento em 2013: Não vamos esquecer que a gestão do futebol era da Unimed, que tinha um peso absurdo em 2013 e secou, por absoluto desprezo ao clube e disputa com o presidente do clube, todos os meios de fortalecimento do elenco, sabotou Abel Braga e nos empurrou Luxemburgo por meses a fio.

Mas site tricolor nenhum lembra disso, blogueiro nenhum lembra disso, fica mais fácil discutir a partir da visão de Gonzales, que nos levou à série C e apoia Trengrouse, que Peter Siemsem é o pior presidente de nossa História.

Não é, mas dependendo de quem vença nas eleições desse ano isso só vai ser notado quando a conta da irresponsabilidade marqueteira chegar.