O Inter caiu,mas a marra colorada ainda não se deu conta.

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O Internacional caiu ontem para a segunda divisão, fruto de dois anos, ao menos, onde ocorreu de tudo,menos planejamento.

Pra mim a queda começou com a demissão de Aguirre em busca de “fato novo” às vésperas de um GRENAL onde o Inter foi impieadosamente goleado.

O autor do Blog “Meia encarnada”, Douglas Cecconello, é um dos que coloca que o Inter começou a cair quando trocou o “clube do povo” pelo “Campeão de tudo!”. Pode ser.

Pra mim, tricolor, torcedor fanático do Fluminense, é difícil entender exatamente o que ocorreu com o Internacional, considerando que o Inter foi exatamente um dos modelos para que a gestão Peter Siemsem iniciasse uma revolução no Fluminense que nos deu o avanço de Xerém, o CT Pedro Antônio, o sócio-futebol que permite hoje que o presidente do clube seja eleito por eleição direta (embora a grande maioria ainda não vote porque ainda não ampliaram os locais de votação),etc..

A dor da queda nós torcedores do Fluminense conhecemos, caímos duas vezes para a série B e uma para a série C.

O torcedor tricolor ainda tem lançado sobre ele o estigma de torcedor de um clube “anti-ético” por natureza exatamente porque na queda em 1996 e depois na volta à série A em 2000 o Fluminense não passou pelos trâmites “normais”.

Piorou quando em 2013 o Fluminense foi salvo do rebaixamento por Flamengo e Portuguesa que escalaram jogadores irregulares na última rodada.

O colorado teve o gostinho do que sofreu o tricolor em 2013 quando o clube entrou no STJD para que o tribunal verificasse o caso Vitor Ramos, jogador do Vitória, supostamente escalado de forma irregular.

Detalhe: Ao contrário do Fluminense em 2013 o Internacional efetivamente foi ao tribunal, criou a demanda jurídica, não participou apenas como parte interessada de um processo aberto pelo então procurador, como via de regra a procuradoria de Justiça Desportiva fazia desde 2003.

Não, o Inter deu entrada no STJD a partir de uma denúncia dele, supostamente com uma irregularidade comprovada por ele, não houve, como nos casos todos ocorridos de 2003 a 2013, uma denúncia da procuradoria que levou ao STJD em todos os casos a punir os clubes da mesma forma (perda de 3 pontos mais os pontos conquistados nas partidas em que o jogador irregular atuou), que puniu Ponte Preta, Paysandu, São Caetano, Grêmio Prudente, Flamengo e Portuguesa de 2003 a 2013, ou seja, de acordo com a jurisprudência do tribunal.

Mesmo com a opinião pública tratando a ação do Inter como desvio de conduta, quando é um legítimo direito do clube, a torcida colorada, no entanto, não se deu conta do mundo em que vive.

Talvez seja a dor, eu entendo,mas lamentavelmente em meio à dor da quedas ontem o torcedor tricolor leu, estupefacto, a seguinte frase : “O Inter tem de escolher se sobe como Juventus ou como Fluminense!”.

A ironia é que a Veccia Signora, a Juventus, caiu por ter jogadores participando de manipulação de resultados, o Fluminense caiu, assim como o Internacional, por ter ido mal em campo, por má gestão esportiva.

A outra ironia é que o Fluminense não subiu pelo campo por, pasmem, o Inter e o Botafogo em 1999 terem sido salvos do rebaixamento pelo famoso caso Sandro Hiroshi, lembram?

Isso mesmo, Inter e Botafogo denunciaram o São Paulo pela escalação de um jogador que,pasmem, era o que chamamos de “gato”, tinha a idade adulterada.

O jogador havia adulterado a idade ANOS ANTES,mas quem liga, não é mesmo? O STJD, em uma jurisprudência inovadora na época, e que acabou sendo seguida posteriormente, remanejou os pontos conquistados pelo SPFC a inter e Botafogo.

Sacaram?

Sim, Inter e Botafogo perderam os jogos, denunciaram uma ilegalidade DO JOGADOR ANOS ATRÁS e levaram o SPFC a ser punido, os salvando do rebaixamento e levando o Gama a ser rebaixado.

O Gama, que não é besta, foi ao STJD e depois à justiça comum, ganhou a causa e levou à criação da Copa João Havelange, que acabou com a divisão em divisões, gerando um campeonato onde todas as divisões podiam ir até a final, e pôs Bahia e Fluminense no grupo dos clubes da série A.

A João Havelange gerou um Frankenstein onde o São Caetano, que estava na B em 1999, chegando à final em 2000 e se mantendo dali em diante na série A, chegando até a final da Libertadores.

Sim, o Fluminense foi alçado à série A porque o Inter, sim ele mesmo, junto com o Botafogo fizeram uma manobra jabuticaba, praticamente anti-ética, para se manter na série A na marra.

A manobra, feita junto ao STJD, no tapetão, foi tão manobra que a justiça comum obrigou à CBF a “desrebaixar” o Gama e fazer essa zona explicada acima.

“AH,mas o Fluminense virou a mesa em 1996!”.

É? Sabe nada sobre o caso Ivens Mendes, do 1-0-0 onde Mauro César Petraglia, presidindo o Clube Atlético Paranaense, e o Alberto Dualib, presidindo o Corinthians, negociaram com o chefe da comissão de Arbitragem meios de serem beneficiados em seus jogos pelos juízes?

Não conhece o famoso caso 1-0-0? Humm, lê aqui.

Pois é, o Flu não foi rebaixado em 1996 porque quem deveria ser rebaixado pro fraude, como a Juventus foi, era o Corinthians e o CAP, então ninguém foi rebaixado, entendeu? Não é difícil, né?

Então quando o Colorado, e qualquer outro clube ou torcedor, usa o Fluminense como exemplo de manobra e desonestidade se comparando à Juventus, fica aquela impressão de marra, de pouco entendimento, zero de auto-crítica, pouca noção,sabe?

E explica muito porque o Inter caiu, porque seus dirigentes e torcida esqueceram sua história, seu passado e o respeito que devem ter aos demais clubes, reconhecendo seus erros em vez de transferí-los a terceiros.

Mas sabemos que isso é esperar demais de clubes e torcedores que não precisam se preocupar com a imagem do clube porque existe a Geni Fluminense pra ser usada como espantalho, não é mesmo?

Desejo sorte ao Internacional, que precisa mudar a própria ideia de si mesmo, com um orgulho que sua história merece que exista, mas que não deixa que fiquem cegos seus dirigentes e torcedores.

Ah, o Inter não precisa escolher como subir, ele deve subir como Internacional, afinal não tem virada de mesa desde 2000, aquela que o Inter causou.

E a entrada do Inter no STJD parece que deveria fazer com que seus torcedores e dirigentes entendessem isso, parando de dizer que em 2013 o que ocorreu foi virada de mesa.

Mas ai eu estou sendo utópico.

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Abel e o retorno de um tipo de amor.

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A Torcida do Atlético Nacional de Medellin compôs o seguinte cântico ontem:

Que lo escuchen

En todo el continente

Siempre recordaremos

Campeon al Chapecoense #ForçaChape”

Ao ouvi-lo não pude deixar de me emocionar. Porque tem uma enormidade esse canto, essa torcida e esse clube que transforma tudo em pequenez, todos em menores, e isso é bom, porque essa percepção de consciente pequenez nos permite o aprendizado da melhora.

Aliás, salvo pontuais exemplos de estupidez cotidiana tudo o que envolveu a tragédia com a Chapecoense nos ensinou mundialmente caminhos de melhoria e transformação humanas poucas vezes vistos na história da humanidade.

O que vai permanecer vivo depois do período de luto não sabemos, podemos apenas rezar para que as diversas lições em inglês, francês, português, alemão, árabe, chinês, japonês, espanhol, etc permeie uma renovação no humanismo que fez o mundo um tanto melhor nos últimos séculos.

Sabemos que o mundo tem a velha mania de nos surpreender negativamente, e está aí Trump para não nos desmentir, mas vá lá, quem sabe, episódios traumáticos como esses nos renovem enquanto pessoas.

Não é todo dia no velho e violento esporte bretão que uma equipe solicita à confederação para perder um título e que esse seja atribuído ao adversário abatido por uma tragédia, vamos combinar.

Não é todo dia que brasileiros, das nacionalidades mais egoístas do planisfério, apoiam coletivamente o renascimento de uma equipe que o senso comum colocaria como “Pequena” em nome de nossa estrutural hierarquização e não só, de forma sensível e solidária se colocam exigindo que seus clubes auxiliem concretamente a Chapecoense, inclusive negativando no SPC moral os presidentes e dirigentes que não respeitaram a dor coletiva.

Aprendemos que existe saída nos últimos dois dias e não faço nenhum malabarismo pra incluir a contratação de Abel pelo Fluminense como parte disso.

Por quê? Abel tem trocentos defeitos, mas falta de amor pela vida, pelo Fluminense e pelo futebol não falta naquele corpanzil.

E não só, Abel é ético como poucos, é humano, é vivo, é bom. Nem precisa ser brilhante pra sacar disso.

Abel é dos poucos caras que se expõe com uma coragem do tamanho de seu corpo para exprimir amor, raiva, dor, mágoa.

Abel é gente, Abel é parte da onda boa que é a solidariedade a Chapecó desde anos antes da tragédia, desde que nasceu.

Não é uma sumidade técnica, não é o novo Guardiola, é apenas o Abelão, aquele cara que ama tanto o Fluminense que lacrimeja quando fala que o Fluminense o salvou de ser bandido, da mesma forma que lacrimeja quando fala do Inter tê-lo ensinado a ser grande técnico ou coisa parecida.

Abel volta pra pacificar o Fluminense sem nenhuma revolução tática ou de gerenciamento, nem aversão a elas.

Abel vem fazer seu trabalho, um time competitivo que jogue por amor ao futebol. Às vezes jogará feio, às vezes bonito, às vezes aberto, às vezes fatal como uma cobra, mas sempre lutando e querendo viver e vencer.

Abel chora, deve ter chorado muito ontem, deve ter abraçado seu filho, deve ter abraçado a camisa do Fluminense e a do Inter, deve ter lembrado de histórias, dos abraços em Caio Junior, dos jogadores que treinou, do medo de avião.

Se bobear a tragédia com a Chapecoense o ajudou a fechar com o Fluminense.

Abel tem coração, assim como demonstramos ter alma e coração ontem, hoje e espero que pra sempre.

A tragédia com a Chapecoense nos lembrou coletivamente, e mundialmente, de nossa finitude e do quanto amamos este esporte que fundamenta nossas identidades em cores e escudos.

A tragédia nos lembrou de um tipo de amor que poucas vezes se vê e viu nos últimos anos, mas que estruturou ideologias, cantos, artes, danças, vitórias.

A tragédia nos fez parecidos com Abel, coração grande que bate forte pelo que ama, que ri alto, que luta, que abraça, que chora.

Abel é a cara deste amor, que ele faça no Flu a volta de uma unidade que nos ajude a sermos mais solidários uns com os outros.

Eu preferia Roger, pela possibilidade de revolução tática, mas Abel nos traz a possibilidade de uma revolução anímica, de alma, de amor, de coração.

Não a banalizada raça ou luta, mas amor mesmo, amor, aquele amor que temos por nossas mulheres e homens, filhos, cães, ideias, aquela vontade de cuidar e abraçar.

A gente precisa de Abel pra aprender de novo um respeito e amor que deixamos cair em algum lugar assim como precisamos de uma tragédia para começar a nos respeitar mais enquanto rivais e respeitar mais os profissionais que dão o sangue pelas cores que amamos.

Todos podem morrer amanhã, essa ideia baliza uma necessidade de nos amarmos mais.

Abel pro Fluminense simboliza o retorno deste amor assim como o Atlético Nacional nos ensinou a possibilidade de sermos maiores do que a mesquinharia cotidiana.

Podemos ser melhores, mais humanistas, mais solidários, mais fortes, menos mesquinhos e sectários.

A hora de crescer chegou.

A esperança realmente é verde.

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Parábola do homem comum, o futebol é como se fosse a arte desenhada pela complexidade do movimento e da ideia quando ginga.

Roubo os versos de Chico Buarque não a toa, mas porque o futebol é música, é cinema, é poesia, é solidariedade, é arte, é livre, é mundo.

A poesia do futebol produz cinema de Ken Loach em busca de Eric ou nomeando Joe.

A ginga da ideia do futebol produz a arquitetura de versos de Chico Buarque, a epifania de Novos Baianos, a africanidade de Jorge Ben.

O futebol tira a cidade inteira numa tarde bonita só para o ver jogar.

O futebol ensina que mesmo em modernidades e capitalização de seus mundos, estádios e festas há ali o menino (E a menina) atrás da bola.

Para carro, para tudo quando já não há tempo.

E o futebol perde a vida atrás da bola.

Porque a arte de entender-se uno em imaginadas comunidades que vestem as mesmas cores permite-nos saber a paixão de outras cores.

Aquele jogo, aquele dia, aquela bola, aquele gol, aquela perda, aquele luto.

O futebol metaforiza a coletividade que de passe em passe chega ao uníssono chamado gol.

O futebol é o acorde perfeito maior.

Quem dera todo mundo pudesse brilhar num cântico todo o tempo como muitas vezes faz no futebol.

O rude e violento esporte bretão é doce, como morrer no mar, a ponto de transformar o universo em uma metáfora verde de um esperanto chutado a gol.

A tragédia fez da Chapecoense mais que um time, mais que um clube, mas uma metáfora do esperanto que nossos corações esperavam pra saber-nos decentes, humanos e solidários, é a síntese do passe, da arte, da bola, do gol.

A verde cor do sonho refez através da tragédia seu símbolo de esperança.

Somos todos hoje um só, unidos na dor de imaginar-nos sem aqueles que nos simbolizam cotidianamente, solidários na dor de saber o que a perda significa, inteiros na cor verde que nos mostras que a dor nos fez melhores.

E essa metáfora nos ajuda a rebolar pra continuarmos meninos que na rua continuamos numa pelada.

E essa dor nos faz meninos, humanos, verdes, vivos.

E o futebol fez do mundo um sonho brasileiro.

E quem não chora?

Só se não for brasileiro nessa hora.

O futuro do Fluminense passa por Roger Machado

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Pedro Abad na entrevista coletiva que deu após ser eleito presidente do Fluminense para o próximo triênio de a declaração mais acertada que um presidente poderia ter dado: “Meu sonho é ter Roger Machado como técnico do Fluminense”.

Essa declaração se junta à ênfase do papel de Marcelo Teixeira no futebol e da necessária profissionalização do departamento com uma hierarquia composta por vice-presidência de futebol, direção executiva e gerência de futebol, compondo um quadro de avanço em relação a gestão Peter.

Tive uma relação bem complicada com a candidatura Abad e vim a apoiar Mário Bittencourt, mas jamais poderia deixar de ver com bons olhos que o presidente eleito não seja nem parte do passado como Celso e Gonzales (apesar de Gonzales fazer parte do MR21 que veio a apoiar Abad, embora pareça que tenha sido derrotado no interior deste movimento).

Além disso, Abad e Mário Bittencourt representavam, ambos, um tipo de gestão que partiria do que Peter deixou de legado pra corrigir suas falhas no Marketing e no Futebol, ao menos ambos pregavam exatamente isso apontando cada um à sua forma uma necessidade de reestruturar ambas as áreas negligenciadas pro Peter nos seus dois mandatos.

Não vi detalhadamente os planos de Abad e sempre tive dificuldade em vê-los detalhados como vi os de Mário e tenho lá minhas desconfianças, mas, pelo menos no futebol, o plano de Abad não se distancia tanto do de Mário com uma estrutura profissional de gerenciamento, um conselho consultivo e a presença de Teixeira como homem-forte.

Há notícias de Pedro antônio como vice de futebol, Marcelo Teixeira como diretor Executivo, Fernando Gonçalves ou Alexandre Torres como gerente de futebol.

Acho que Pedro antônio tem uma enorme habilidade, a de tocar projetos complicados e a meu ver seria interessante que ele tocasse o projeto do estádio, não acho que colocar PA no futebol seja prudente. Já deixou claro que tem fortes ambições políticas e é essa área a mais sensível a pressões políticas. PA inclusive faria o que acusaram Mário de fazer sob Peter, sem a menor sombra de dúvida. O ideal seria deixá-lo fora do futebol.

Pra mim a estrutura seria essa com outros nomes.

Precisamos de um vice-presidente de futebol incontestável e pra isso eu chamaria o Parreira, inclusive como forma de literalmente apressar a ideia de união pelo Fluminense pregada por todas as chapas no minuto seguinte pós-eleição. A partir de Parreira como Vice-presidente não remunerado colocaria o Teixeira de diretor executivo e o Alexandre torres de gerente de futebol, aproveitando inclusive que Teixeira e torres vêm de uma cultura gerencial ligada ao Manchester United, deixaria o Fernando Gonçalves quieto no canto dele no Flamengo, evitando problemas no Flu e com o Fla.

A partir dessa estrutura definiria com o Roger Machado pra ontem de tarde às sete da manhã e pra tocar um projeto de longo prazo, pelo prazo do mandato Abad inteiro, com total apoio do presidente e toda a estrutura, dane-se os resultados imediatos.

Roger é a cara do que o Flu precisa, teria um bom elenco na mão e uma fonte inesgotável de recursos em Xerém.

O futuro do Fluminense passa por Roger Machado tanto pela sua concepção de organização tática ser a cara dos elencos que produzimos a partir de Xerém, quanto pela cultura de organização e gerenciamento de futebol banhada pela similaridade com Tite, ecoando na cultura de organização do Marcelo Teixeira e que também produzimos em Xerém.

Além disso Roger tem um diálogo rico com a base e poderia ser de fantástica contribuição pra nossos técnicos e jogadores do profissional ao fraldinha, quanto pro projeto Samorin e tudo o que ele simboliza.

O Fluminense necessita de um choque de profissionalismo no futebol e Abad começa bem ao sonhar com Roger e empoderar Marcelo Teixeira, necessita concretizar isso organizando o futebol de forma profissional e que trabalhe no longo prazo, pensando o futuro.

Pra isso nada do populismo dos reforços a qualquer preço.

Precisamos de reforços? Precisamos de um técnico.

O elenco do Fluminense é igual ou melhor aos elencos do Botafogo e Atlético Paranaense, mas ambos tiveram técnicos de razoáveis a bons, modernos e que exploraram ao máximo a força de seus times. O Fluminense não, teve um técnico que conseguiu não usar Fred e Diego Souza, mandar jovens talentosos pra outros clubes e pedir reforços que nunca usou.

Teremos Sornoza e Orejuela, que chegam para serem titulares. Eles, junto com Douglas, Scarpa e Cícero, formam um meio campo moderno e de respeito.

No ataque temos Wellington, Richarlisson, Pedro, Maranhão, a volta de Michael, Dourado, etc que formam, cada um a seu modo, um ataque rico de opções. Os quatro primeiros são tecnicamente de bons a excelentes, mas se perderam na bagunça tática e na pouca habilidade do medalhão caro trazido pra agradar uma torcida tola. Michael é o melhor centroavante que Xerém produziu nos últimos anos junto com Pedro, ambos melhores que Dourado, e tem tudo pra ser um excelente reforço.

Dourado é bom reserva, mas seria interessante discutir se ele deve permanecer ou não, com Michael voltando não faz sentido mantê-lo. Pedro e Michael são centroavantes com características parecidas às de Dourado e de melhor qualidade técnica.

Na defesa temos Henrique, Nogueira, Renato Chaves, Gum e Alan Fialho. Se Gum sair perdemos em experiência, mas exceto Fialho, que não conheço, os demais são melhores tecnicamente que ele e similares ou melhores em rebatidas e posicionamento.

Eu manteria Gum no elenco, é capitão, líder, bom zagueiro e tem uma excelente postura profissional. A má vontade de mídia e torcida com ele na maioria das vezes ignoram as situações que o sistema defensivo põe em cima de todos os zagueiros do Flu desde 2012. Mas Gum por seu papel na história do Flu também deve ser preservado e por isso entendo que ele venha a sair e até apoio se for bom pra ele economicamente e pro clube.

Sem Gum, eu subiria da base um quinto zagueiro pra junto de Renato chaves, Henrique, Nogueira e Fialho ser trabalhado e disputar posição. Não faz sentido contratar zagueiros sendo a média disponível no mercado de qualidade igual ou inferior ao que temos em casa. Arthur volta, mas não vem bem dos empréstimos, eu doaria pro Botafogo.

Nas laterais teremos a ida de William Matheus e Jonathan, mas teremos a volta de Léo Pelé e de Renato e a manutenção de Wellington Silva, Julião e Ayrton, além de podermos contar com Breno Caetano de jovem valor da base. Tentaria subir mais um ou dois laterais pra direita e esquerda e testá-los com o elenco. Caso fosse necessário buscaria um reserva para Léo e Wellington Silva pro Brasileiro, pois titulares temos.

Wellington Silva titular? Sim, foi líder de desarmes no Fluminense e o maior responsável pela solidez defensiva do time quando a defesa era uma das melhores do campeonato até o Levir pirar e mudar a cada dez dias a estrutura do meio campo, destroçando qualquer mínima organização tática possível.

Aliás, a perseguição a Gum e WS foi injusta também por isso: Louvava-se Pierre e Edson como contenção enquanto eles eram parte fundamental do desastre tático do time do Fluminense. Com eles perdíamos qualidade de saída de bola, tínhamos mais rebatidas e perdíamos sempre o meio campo.

Léo foi bem no Londrina, Renato foi muito bem no Avaí jogando no meio, o que abre espaço pra ele jogar em outra posição e também ser usado como lateral.

No Gol eu daria chance pro Marcos Felipe, manteria Cavalieri como mentor e líder e mandaria o Júlio César passear.

Com esse elenco e Roger Machado com a estrutura que temos e tempo pra trabalhar, blindado e com suporte pra ficar o tempo que quiser teríamos no mínimo uma vaga pra Libertadores no fim de 2017.

Qualidade técnica temos, estrutura temos, precisamos de organização tática, ideias modernas, time jogando com a intensidade que o futebol atual exige e que aproveite a juventude e a boa técnica de nossa base e do elenco que temos.

Roger é fulcral pra isso, é central pra explorarmos ao máximo Xerém e o elenco que temos que foi subutilizado e desvalorizado pela ansiedade de uma gestão temerária do futebol e por técnicos obsoletos ou escolhas desastradas de reforços como R10.

Os únicos capazes do que Roger pode fazer e que trabalharam no Fluminense foram Enderson e Eduardo Baptista, que foram fritados pela junção de pressão política suicida com má gestão do futebol.

Com a nova gestão apontando pra profissionalização e modernização do futebol é fundamental que Roger seja contratado e que conquiste o respaldo pra ter o tempo necessário para que use nosso elenco da forma mais rica possível.

Veja o que Roger fez com Luan, Éverton, Pedro Rocha, como descobriu Geromel, etc, produzindo não só bons jogadores, mas ativos pro clube.

Roger é central para o novo Fluminense, e Abad sabe disso, espero que concretize seu sonho.

 

Porque apoio Mário Bittencourt e como a campanha Abad me direcionou pra esse apoio

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As eleições pra presidente do Fluminense se direcionaram de uma forma bastante confusa.

Muito ad hominem, muito ataque, muito pouca proposta, menos ainda transparência.

Reagi de forma absolutamente contraditória nesse ano a estas variáveis e confesso que oscilei demais entre os candidatos, minha única convicção era e é que Celso Barros e o movimento MR21 que conta com Antônio Gonzales (Vice de futebol entre 1997/1998 e que nos levou à série C, ex-Força Flu, além de haver indícios de ser parte dos protestos cotidianos que infernizaram o clube nos últimos dois anos) eram a manifestação do atraso, um recuo no Fluminense que se organizava pós Horcades, com um trabalho excepcional de Peter Siemsem como artífice dessa construção.

Trengrouse possuía uma série de boas ideias, mas seu passado relacionado a Eduardo Vianna, o famigerado Caixa D’água, e ele ter entre sua base de apoio o MR21 de Gonzales, me afastava dele, e mais, me fazia me sentir à vontade em atacá-lo exatamente por esses dois aspectos. Até sua fuga no tratamento dessa questão política era um problema, ele jamais enfrentaria a questão de sua base de apoio.

E esse elemento ajudou ao Flusócio que usava esse medo e essas questões como gasolina para sua tática em toda a campanha: Desmontar os concorrentes com o máximo de propaganda negativa sobre eles e o uso de Peter Siemsem como garota propaganda, colocando Abad como “candidato da continuidade”.

Confesso que caí nessa.

Meu candidato inicialmente era o Mário, mas fui convencido pelo Flusócio que Mário era um perigo, que só ele administrou mal o futebol nos últimos anos e que Abad era o único que poderia manter o melhor da administração Peter.

As ações da campanha de Abad foram bem eloquentes, o lançamento da candidatura com Peter apoiando, o projeto de estádio, etc, a própria retórica do candidato, a relação da oposição com a administração Peter e todos os ataques e protestos cotidianos, a pressão absurda da oposição no cotidiano de atletas e técnicos, do futebol, também, tudo isso ajudou a Abad, criou em torno dele uma defesa das conquistas da administração Peter, e todo o resto como adversários.

Nos posts anteriores coloquei várias vezes que era ótimo que existissem candidatos como Abad, Trengrouse, Cacá e Mário, que todos melhoravam o pleito, colocavam homens honrados na disputa e propostas modernas de administração do clube. E isso permaneceu até que a dança das cadeiras da sanha pela cadeira de presidente, e pelo medo de Celso e Mário, produzissem entre Trengrouse, Abad e Cacá uma candidatura só e com ela o MR21 de Antônio Gonzales e todo o atraso que vem com ele, da truculência enquanto arma política à relações complexas com as organizadas, além de tudo o que ele fez enquanto vice de futebol em 1998.

Enquanto isso Mário organizava sua candidatura com Tenório com base no que fizeram em 2009 e depois com as ações já na organização do futebol com a transição da saída da Unimed em diante. Organizava propostas e críticas ao sócio futebol, às ações no futebol, etc, sem jamais entrar na lama dos ataques cotidianos que Flusócio entendeu que é a principal arma contra seus adversários.

Até que Mário virou o principal adversário pro Flusócio e Abad e desde lá Peter, PA, Abad e Flusócio não medem esforços para a maior quantidade de ad hominem possível para atacar Mário.

E usam as redes sociais do clube para fazerem campanha, e terceirizam sempre a culpa sobre os erros do futebol a Mário, a Celso, ao vento, à grama, nunca a Peter. Peter era o que? Filho da Xuxa? Não era o presidente?

Só Mário errou no futebol em 2015? E em 2013 quem Peter culpa pelo rebaixamento? Porque fomos rebaixados em campo, não fosse os “erros” da Portuguesa e do Flamengo quem cairia seria o Fluminense, e ali Mário teve papel fundamental, sem o clube estar ali, através de Mário, cairíamos. Claro, outro advogado também seria papel central, mas Mário foi, e Peter reconheceu isso em 2015, fundamental para estarmos no tribunal, parte da diretoria era contra (e respeito as razões, a imagem do clube estava e está em jogo).

E em 2016? Mário errou contratando Diego Souza, Richarlisson (Repetidamente convocado pra seleção sub-20) e Renato Chaves pra junto com Fred e Cícero serem a base de um elenco jovem e talentoso? Mário errou mantendo o ótimo Eduardo Baptista que levou a Ponte Preta com elenco muito pior que o nosso a um lugar melhor na tabela, com uma excelente organização tática? Mário foi demitido por, segundo Peter, ter demitido Baptista, mas jura que Peter não participou da demissão, tendo meio Flusocio pressionando desde fevereiro para sua queda e usando como “estatística” o pior turno da história dos Pontos corridos, mesmo EB tendo assumido apenas em outubro, a oito rodadas do fim, já na reta final do turno? Jura que a demissão de Eduardo Baptista e a vinda de Levir não faziam parte de um plano de futebol onde Fred e Diego Souza sairiam e teríamos um time jovem com um medalhão como a torcida queria e por isso foi blindado mesmo com nove meses sem dar organização tática ao time?

A saída de Fred e Diego Souza não são culpa do Mário, ele havia sido demitido, a quem o Flusócio vai culpar, o mesmo Levir que foi blindado por eles até não termos mais chance de libertadores?

E a não ida á Libertadores é culpa do Gum, do elenco, como a torcida burra adora ou é do Peter?

Enquanto isso Celso avança.

E vi os debates. Abad não sobressai como gestor, não tem nenhum programa, nada, não sabe o que fazer do futebol, nem como vai organizar o estádio, não tem nada de argumento e base nisso. Mário ao menos apresenta uma plataforma de gerência do futebol, dos esportes olímpicos, da piscina, de Xerém, até do Samorin. Abad via de regra sequer explica as questões pertinentes sobre o pagamento a Pedro Antônio ou o Samorin ou reforços, se já foram pagos, quanto vai ser pago.

Pior, atacam Mário dizendo que ele era a favor de “fechar Xerém” sendo que o elenco base dele era Xerém e mais jogadores experientes, foi com Jorge Macedo que Xerém perdeu espaço pra Dudu, Maranhão, Henrique Dourado. Foi Levir e Macedo que emprestaram Daniel, Marlon, Robert, Eduardo e Léo. Tínhamos quatro zagueiros de qualidade: Gum, Henrique, Renato Chaves e Marlon, hoje temos três, e Marlon está sendo rifado em Barcelona. Robert foi emprestado a Deus e o mundo e estamos perdendo o jogador, cujo talento é absurdo, e que vinha tendo chances dom Eduardo Baptista e redemonstrando potencial.

E o sócio futebol, qual o programa de Abad? “Tem de rever!” não é resposta, Mário responde.

Flusócio e Abad atacam Mário por seu projeto de estádio, porque só o que Peter assinou tem valor,mas.. Por que? Não argumentam. Mário jamais disse que havia assinado protocolo de intenções enquanto presidente do clube, mas enquanto pessoa.

E a “empresa de agenciamento de jogadores de Mário Bittencourt”? Se for fato, Peter é cúmplice, e se não sabia é inepto, Abad já estava no conselho fiscal quando Mário foi vice-presidente e se é fato o que ocorreu Abad também é inepto ou prevaricou, jura que vão seguir neste raciocínio? Sobre as contratações é a mesma coisa, Peter era animador de festa infantil ou presidente do Fluminense quando elas ocorreram? Vão me dizer que Peter disse “O que você decidir tá bom” sobre Mário estar entre Robinho e R10 e que isso é uma resposta ok para um presidente do Fluminense?

E acredito em Mário, que ele jamais atuou  como agente de atletas ou faturou com isso, como acredito em Peter quando era presidente do Flu E sua empresa advogava para a Unimed, que processava o Flu.

Jura, Flusócios e Abad, que todas as enormes e gigantescas cagadas de Peter no futebol são sempre culpas dos demais?

E o uso da máquina é constante, abjeto, as relações políticas de um fisiologismo e politicagem insustentáveis. Tudo o que Peter construiu de moderno degenerou numa lama só.

Tenho diversas críticas a Mário enquanto gestor do futebol, que assim como todos os outros não tem a menor ideia do perfil de gestão tática que o Fluminense vai ter e precisa, mas ele sempre foi honrado na defesa do Fluminense.

E me assusta ter percebido o quanto eu estava cego na percepção de como Peter e Flusócio usam de forma absolutamente instrumental as pessoas no Fluminense. Vices de Marketing, vices de futebol, e até a Unimed, todos eram ótimos quanto ajudavam aos planos de Peter e Flusócio, saíram? Divergiram? Liga-se o lança-chamas. A quem essa gente é leal?

Como confiar numa gestão que se diz continuidade de uma gestão que enlameia seus acertos com uso das redes sociais do clube na campanha de seu candidato? Como confiar em um grupo político que se alia a quem atacou durante meses a fio de forma absolutamente agressiva? Como confiar num presidente que não pode representar o clube diante de órgãos públicos por um impedimento ético em seu trabalho e sugere que quem vai fazer isso serão Peter e Pedro Antônio?

Confio em Mário, sempre confiei, confio em Parreira, Simoni e vi a quantidade de gente que Peter incinerou nestes seis anos.

O Fluminense precisa de uma gestão séria, honrada e que não traga consigo o passado por súbita fome de manutenção de poder.

E com Celso, Mário e Abad teremos um conselho deliberativo que diferente dos anos anteriores terá várias facções, o que exigirá habilidade, nem Peter e nem Abad as tem.

Por isso apoio Mário.

 

A defesa institucional do Fluminense, as mídias e o futebol brasileiro

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A gestão Peter Siemsem é sempre cobrada a defender a instituição Fluminense e quase sempre de forma categórica, quando não jocosa.

Especialmente desde 2013 a obrigação de defender o Fluminense por Peter Siemsem virou uma cláusula pétrea, quase que um recurso infinito por toda a sorte de torcedores e forças políticas no clube.

E sim, é obrigação do presidente do clube ser um defensor enfático do mesmo.

A questão é pensar um pouquinho fora da caixa e entender os fenômenos que circulam o Fluminense desde 1996 e o quanto o clube foi cúmplice do desmoronamento de sua imagem na opinião pública.

Vejam bem, o Fluminense não foi mais beneficiado na história do campeonato brasileiro e do próprio futebol brasileiro que o Grêmio, o Corinthians, o Botafogo, o Inter, o Clube Atlético Paranaense, o Santos, o Vasco.

Qualquer busca série sobre rebaixamento vai achar polêmicas a respeito da distorção do regulamento do descenso no brasileiro desde pelo menos o fim dos anos 1970. Palmeiras, Santos e Vasco foram beneficiados por mudanças nos regulamentos; Flamengo e Inter em 1987; poderiam ser punidos por terem cometido WO ao não disputarem as finais contra Guarani e Sport por conta das divergências entre CBF e clube dos 13 (a mesma polêmica sobre o título brasileiro de 1987); Grêmio foi beneficiado pelo aumento do número de participantes na série B de 1993; Botafogo e Internacional deveriam ter caído em 1999,mas foram beneficiados pelo caso Sandro Hiroshi, que causou o caos no futebol brasileiro a partir da contestação judicial do Gama e deu na Copa João Havelange, organizada pelo clube dos 13 e que içou o Fluminense e o Bahia ao módulo onde estavam os demais clubes da série A, que abria mais vagas às finais, mas que a rigor não teve divisões, foram todas as divisões unidas em módulos com vagas diferentes às fases finais e que permitiram ao São Caetano ser vice-campeão naquele ano.

Essas informações podem ser encontradas aqui, aqui e aqui.

E o que isso tem a ver com a defesa institucional do Fluminense? Tudo.

Porque desde sempre ocorreram viradas de mesa que beneficiaram um sem número de clubes, mas desde 1996, quando envolveu o Corinthians, com uma cobertura midiática gigantesca, o Fluminense virou a Geni do futebol brasileiro em caso de crise.

Em 1996 cairiam Corinthians e CAP, por manipulação de resultados, além de Fluminense e demais rebaixados, mas pra evitar a queda do “Timão” a CBF, com a anuência de todos os clubes da série A, optaram por mudar as regras e não rebaixar ninguém, permitindo o acesso apenas de quem subiu da série B.

Mas quem virou a mesa? Pra opinião pública o Fluminense, com o ornamento de Álvaro Barcellos estourando champagne.

Depois de ser rebaixado novamente em 1997 pra série B e em 1998 pra série C o Fluminense se reergue a duras penas em 1999 sob a direção de David Fischel na presidência e de Carlos Alberto Parreira na direção técnica, empréstimo de prestígio, reforma no vestiário, etc.

Lutando como poucos o Fluminense venceu a série C. Lutando também contra a pecha de “rei do tapetão” ao corretamente denunciar o São Raimundo por escalação irregular de jogador naquele brasileiro.

Lutando no campo e fora dele o Fluminense subiu pra série B e a disputaria se o caso Sandro Hiroshi não causasse o caos que fez o Brasileiro ser disputado por 116 times.

Essas colocações todas são feitas diuturnamente pela torcida do Fluminense e essas informações estão disponíveis cotidianamente na internet com as mais variadas fontes possíveis, mas porque a imprensa insiste em atacar o Fluminense como “Rei do Tapetão”?

Poderia listar inúmeras razões, do baixo nível técnico médio do jornalismo esportivo à desonestidade intelectual, passando por linhas editoriais favoráveis ao “passapanismo” com relação a clubes que dão mais audiência às emissoras. O fato é que raros são os profissionais como Sérgio Xavier Filho, PVC, Mauro Betting, Leonardo Bertozzi que saem do selo Alexandre Oliveira, Gian Oddi e Diogo Oliver de “qualidade”.

A questão também passa pela defesa institucional do Fluminense, algo que voltou a ser necessária a partir de 2013, quando por causa do erro da Lusa o Flamengo não disputou a segunda divisão de 2014.

E essa defesa é cobrada apenas da gestão Peter Siemsem, ignorando que desde 1996 os ataques ao Fluminense foram e são recorrentes, diante de qualquer busca que o clube faça por seus direitos nos tribunais, e nunca essa defesa foi feita.

Sim, Peter falhou gigantescamente ao adotar a mesma tática das gestões anteriores esperando que o Fluminense fosse respeitado como os demais clubes, algo que não ocorreu. Porém, desde 2014 o Fluminense tem uma defesa institucional, e coletiva por parte da torcida, digna de seu tamanho.

O clube não esmorece deixando claro que a posição de Geni pode até ter colado antes, mas que agora tem defesa e a torcida idem, porque oposição e parte da torcida ignora essa feroz defesa institucional recente? Apenas política ou ignorância também?

Nunca tivemos defesa institucional desde que caímos em 1996. O clube jamais se pronunciou de forma enfática contra a fama, jornalistas tricolores jamais se posicionaram, escritores idem, porque apenas Peter recebe a cobrança, sendo que foi o único que moveu enquanto presidente essa defesa?

É importante salientar que pro Fluminense o rebaixamento foi duro em diversos aspectos. O contexto de clube esfacelado em 1996, a tomada do poder por forças com objetivos escusos, a ideia de ter passado do clube portador da taça olímpica à ameaça real de deixar de existir em 1998, tudo isso pesou demais pro Fluminense e sua torcida terem passado o inferno e terem focado praticamente todas as forças possíveis na retomada do poder esportivo, com enorme auxílio da Unimed.

De 2000 em diante a retomada esportiva foi o foco do clube, acreditou-se que após o título da Copa do Brasil de 2007, Brasileiros de 2010 e 2012 todo o passado teria sido deixado pra trás e o respeito demonstrado, a contragosto, pela opinião pública formada pra tratar o Fluminense como sub Olaria estaria consolidado. Até que em 2013 a Lusa salvou o Flamengo e assim como em 1996, quando o Corinthians foi salvo do rebaixamento pela mudança de regras, foi necessário usar o suspeito de sempre pra livrar mais um queridinho da lama.

E o Fluminense é sempre o suspeito preferencial.

A questão é que antes, de 1996 a 2013, o clube estava tão preocupado em esquecer o passado que achou que a tempestade havia passado, hoje sabe que não passa ou passará e a cada lura por seus direitos vai ter de enfrentar essa máquina de formação de distorções chamada “jornalismo” esportivo.

O caso Meira Ricci TV é sintomático. Diante da luta pela anulação de uma partida por erro de direito ameaçar o Flamengo que se dane se a regra foi desmontada, quebremos a cabeça do Fluminense, que pra parte estúpida, pouco profissional e canalha da imprensa esportiva não tem nenhum direito a nada pro ser Geni.

E por que isso? Porque se essa imprensa for profissional e correta ela vai passar a atacar times grandes de seus estados e isso vai pegar mal com a audiência. E entre a correção profissional e a audiência cês acham que um Diogo Oliver ou Alexandre Oliveira vai ser correto profissionalmente como o PVC?

Diante dessa máquina de propaganda o Fluminense faz muito bem em se manter firme na defesa de seus direitos e da correção no cumprimento das regras e já que terá de lutar contra a canalhice de um jornalismo servo de qualquer maneira, que faça jus à tarefa, como vem fazendo.

 

A taça do teu rival não precisa ser diminuída pra valorizar as do seu time, parça!

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Das coisas que não consigo compreender: O futebol brasileiro é formado de forma absolutamente diferente do planeta inteiro,mas existe gente em 2016 que consegue disputar que clube é maior, que taça é melhor.

Explico: O futebol brasileiro nasce de ligas estaduais que disputaram praticamente meio século de campeonatos restritos aos estados onde os clubes se originaram.]

Dai o número de clubes grandes no país ser enorme.

Tem clube grande no país todo, com torcidas enormes, superiores às torcidas de muitos dos clubes europeus que disputam a Liga Europa, por exemplo, e até a Champions League.

As primeiras competições nacionais foram os interestaduais que surgiram pós-1950.

Os torneios nacionais surgidos de 1959 a 1970, a Taça Brasil e o Robertão, foram equiparados ao campeonato brasileiro que passou a ser organizado de 1971 até hoje pela CBD, e atualmente pela CBF.

Apenas em 1948 surgiu uma competição internacional na América do Sul, o sul americano vencido pelo Vasco (que reivindica, a meu ver corretamente, sua equiparação à libertadores).

Em 1951 e 1952 organizou-se no Brasil a Taça Rio, que a FIFA recentemente reconheceu como mundial.  Apenas a partir de 1960 organizou-se o torneio intercontinental  que foi considerado mundial até a FIFA passar a organizar, em 2000, o mundial de clubes da FIFA, sendo que mesmo este só se consolidou posteriormente, em 2005, quando a FIFA retomou a organização do mundial e não mais a interrompeu. De 2000 a 2005 os campeões do torneio intercontinental também foram reconhecidos como campeões mundiais.

Em resumo: Temos uma diversidade enorme de títulos dos clubes brasileiros entre estaduais, nacionais e internacionais. Todos, absolutamente todos, conquistados com talento e suor por parte de seus campeões.

Mas torcedores insistem em reduzir o título alheio para valorizar o seu.

Jura que o mundial de 2000 do Corinthians vale menos que o mundial de 2005 do São Paulo porque o Corinthians não entrou nesse mundial como campeão da Libertadores? Entrar como representante da sede fez o Raja Casablanca ser menos finalista do mundial de 2013?

Jura que o mundial do Palmeiras de 1951 e do Fluminense em 1952 vale menos que o título do Corinthians em 2000 ou que os Torneios intercontinentais de 1960 a 2000 ou que os mundiais de 2005 até hoje porque os clubes brasileiros não venceram a libertadores que não existia?

Rivais menosprezando a taça Olímpica do Fluminense, enorme honraria recebia do COI pelo Fluminense ter sido reconhecido em 1949 a “maior e melhor organização esportiva do mundo”, sendo o Fluminense Football Club o único clube de futebol do mundo a ter essa honraria, não são raros.

Da mesma forma a necessidade torcedora de transformar títulos em “lixo” em nome de uma “valorização” de suas conquistas é algo que a mim soa como surreal.

Que sentido faz?

Não reconhece o título do rival? Parabéns pra você, porque em maior ou menor escala o mundo do futebol reconhece a maior parte dos torneios vencidos e unificados e regulamentados, porque é uma tendência da FIFA pra todas as confederações internacionais e nacionais a organizar os títulos de acordo com sua similaridade. É uma forma de organizar a própria história e tentar criar uma régua de identidade entre todos os centros de futebol e sua diversidade de organização e surgimento.

E faz parte da história de cada clube suas conquistas.

Respeitar a conquista do outro é fundamental para a existência inclusive da rivalidade.

E é sintoma de pequenez tornar o outro “menor” porque não tem aquele título que você tem. É como o Vascainismo Eurico Miranda ostentando sua Libertadores enquanto chafurda na série B pela terceira vez. Ou o rubro negro pernambucano e o carioca disputando quem foi campeão em 1987 ou o corintiano, que teve seu título mundial de 2000 contestado por São Paulinos e santistas, contestar o titulo mundial do Palmeiras em 1951, e também os do SPFC em Tóquio antes de 2000.

Ninguém percebe que essa contestação é na verdade  um tremendo recibo de que valoriza demais aquele rival que chama de menor?

Cê não acha que o Fluminense é campeão mundial em 1952? O que que eu vou fazer? Eu não consigo não ver o Vasco campeão da Libertadores de 1998 e antes do sul americano de 1948, dois títulos de mesmo peso, pra mim duas Libertadores. Não consigo ver ganho algum e dizer que a História não houve.

Não dá pra apagar manchetes de jornais em 1951 e 1952 de Rio, MG e SP dizendo que Palmeiras e Fluminense foram campeões mundiais.

Não dá pra fingir que não houve mundial em 2000, eu fui ao Maracanã e o clima da cidade era de euforia.

Não dá pra ignorar que o Flamengo foi campeão da copa união em 1987 e que isso é considerado brasileiro por pelo menos meio futebol brasileiro, e que também o Sport foi campeão em 1987 e que a luta ente CBF e clube dos 13 produziram um impasse que apenas o reconhecimento de ambos como campeões pode resolver.

Não concorda? Paciência. E paciência se o STF diz que só o Sport foi campeão, o buraco é mais embaixo, a história mais complexa.

A vida fica mais inteligente quando a gente deixa de ser bobo disputando bobagem enquanto tem tanta coisa pra disputar, como cotas de TV igualitárias, campeonatos mais equilibrados, arbitragens profissionais, calendário que preste,etc..

Vamos nos reconhecer como gigantes de deixar de bobagem?