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Das Humor – Futebol, filmes, séries – Fluminense a sina apocalíptica de parte de sua torcida

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Eduardo Baptista: Uma vítima da estupidez inexorável.

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Eduardo Baptista foi duas vezes vitimado pela união entre a burrice açodada de uma torcida de clube grande, pela canalhice estúpida de dirigentes e por um medalhão medíocre, mas com títulos disponível no mercado.

Uma destas vezes foi no meu time, a outra agora no Palmeiras. Em ambos os casos el foi fritado sem nenhuma avaliação honesta de seu trabalho nas circunstâncias em que estava trabalhando.

No Fluminense Eduardo Baptista foi julgado por resultados além dos que ele tinha responsabilidade e pelas trocas seguidas de treinadores nas Laranjeiras. Eduardo assumiu o Fluminense em Setembro de 2015 substituindo Enderson Moreira, que substituiu Ricardo Drubsky que havia substituído Cristóvão Borges. Pegou um elenco abalado, com vários jogadores desmotivados, mal tendo tempo de treinar e levou o clube até as semifinais da Copa do Brasil quase superando o Palmeiras e indo à final.

Em 2016 Eduardo Baptista começou o trabalho e em DEZ FUCKING JOGOS, foi fritado porque Levir Culpi estava disponível. Foi pra Ponte, fez um puta trabalho com elenco menos recheado que o do próprio Fluminense e chegou bem ao fim do Brasileiro, à frente de vários elencos melhores.

No Palmeiras perdeu cinco jogos desde que assumiu em janeiro.

Um deles pro Corinthians. Outro na semifinal do Paulista pra Ponte Preta e um pro Jorge Wisterman na altitude na Bolívia.

Segundo o perfil do Twitter @palmeirascouts em Março Eduardo Baptista comandava um time que era líder geral e melhor defesa do Paulista, líder do grupo na Libertadores e possuía 76% de aproveitamento no ano.

Ainda este perfil informa que os números gerais de EB no Palmeiras são:

Média de posse de bola: 61%

Finalizações certas por jogo: 6,6

Finalizações por jogo: 16,2

Passes certos: 82,9%

Média de finalizações sofridas por jogo: 12

Eduardo Baptista deixou o Palmeiras ainda sendo líder de seu grupo na libertadores e tendo números gerais melhores que o de seus concorrentes no Paulista, tendo sido eliminado pelo mal desempenho em uma partida de mata mata.

Havia rumores dele ter perdido o grupo ou da diretoria estar irritada por ele não escalar Roger Guedes, que estava em processo de venda para o exterior e cujo empresário pressionava a diretoria do Palmeiras sobre ele não jogar atrapalhar a venda.

Além disso, a recente explosão de Baptista em uma coletiva, irritado pela óbvia confusão do jornalismo esportivo entre o que é campo e bola, que deveria ser o centro das atenções, e a fofocada que virou este jornalismo, ajudou muito na fritagem geral que Eduardo sofreu, começando pela fritagem feita por diversos jornalistas do grupo ESPN, inclusive por Juca Kfouri, que por mais ícone da imprensa que seja não transformou a publicação da fofocada em jornalismo por um suposto toque de midas midiático.

O Palmeiras em 2017 lembrava o Fluminense em 2016: Passava por um processo de evolução lenta de seu futebol a partir da paulatina compreensão pelos jogadores do que o técnico pensava e do técnico sobre o que os jogadores fariam de melhor em que esquema.

A questão é que diretoria e imprensa optam conscientemente por ignorar estes elementos e fritaram o jovem treinador por uma exigência de desempenho que não tem comparação com o que esta mesma imprensa faz com treinadores de times do exterior e que a diretoria não tem como exigir diante do calendário e do que qualquer time de futebol precisa: Tempo pra maturar.

Apesar da oscilação normal de qualquer equipe nestes meses que antecedem o Brasileiro, quatro meses apenas, o Palmeiras de Eduardo Baptista mantinha uma média de desempenho de boa pra ótima. Talvez só equiparável em graus variáveis ao Fluminense de Abel Braga, ao Corinthians de Carille e ao Cruzeiro de Mano Menezes, sendo que só Abel Braga pegou o elenco este ano, os demais tem o elenco na mão ou conhecem o elenco inteiro há praticamente um ano.

Além disso, Eduardo estava reformulando a tática de um grupo que foi treinado por um treinador de estilo completamente diverso: Cuca.

Abel quando pegou o Fluminense pegou um time que praticamente não foi treinado por Levir Culpi, jogadores eram absolutamente jogados em uma ausência de esquema e cuja liberdade absoluta praticamente esmagava jogadores jovens que não tinham nenhuma ideia de como funcionar coletivamente.

Eduardo pegou um time do Palmeiras mal ou bem treinado, com uma organização na cabeça e funcionando coletivamente. E precisava mudar vários conceitos,pois tem outra concepção de futebol em relação a Cuca. E a diretoria do Palmeiras, assim como a  diretoria do Fluminense em 2016, deveria saber disso.

Novamente Baptista foi sacrificado pela estupidez e pelo oportunismo de  diretorias covardes.

Provavelmente Eduardo Baptista terá problemas para voltar ao mercado se permanecer não tendo mais cuidado na escolha de seus destinos, porém a primeira diretoria que mantiver o apoio a seu trabalho conseguirá resultados no devido tempo. Assim como a diretoria do Grêmio conseguiu com Roger e o Galo fatalmente conseguirá com o mesmo treinador ainda este ano (O Galo de Roger pula na frente do favoritismo ao Brasileiro depois da saída de Baptista do Palmeiras).

Cuca, louvado, pegará um Palmeiras muito diferente do que treinou, com Borja, Felipe Melo e Guerra tendo muito peso aliado às suas personalidades. Cuca já teve problema com personalidades como a de Felipe Melo no flamengo de 2009 e Felipe tem aquele “DNA”. Guerra e Borja tem outro perfil, provavelmente questionarão o treinador se taticamente Cuca não for convincente. Isso se aliando aos problemas que Cuca já teve anteriormente no vestiário do Palmeiras pode ser uma bomba relógio.

Essa bomba implodirá o Palmeiras? Difícil dizer, mas não é improvável.

Eduardo Baptista precisa de clubes com projeto, vai ser difícil no Brasil. Provavelmente irá pro Vitória, que recentemente demitiu Argel, ou pode ser aproveitado por outros clubes de menor expressão na série B, como o Goiás que tem tradição de manter treinadores com bom projeto. Ou até na A, onde alguns clubes estão sempre pressionados a demitirem seus treinadores em caso de maus resultados e alguns tem mais paciência com treinadores, como no Grêmio ou Atlético Paranaense.

A questão é que fica difícil mudar o futebol brasileiro se diretorias e imprensa, inclusive os ditos diferenciados como jornalistas da ESPN, permanecerem rifando treinadores e seus conceitos em nome de um resultadismo estúpido.

É impossível achar que o desempenho está ruim se em 26 jogos um treinador tem apenas 5 derrotas e 66% de aproveitamento.

A estupidez é a única explicação para a demissão de Eduardo Baptista.

O que esperar do Fla x Flu?

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O que acontecerá no Fla x Flu? Menor ideia.

Fla com ausência de Diego e jogo da libertadores antes do primeiro jogo.

Flu joga no meio de semana contra o Xavante um jogo inútil por uma Primeira Liga que merecia mais do que recebeu da maior parte dos participantes, Fluminense inclusive, e deve pôr o time C em campo.

Não procurei me informar melhor sobre o regulamento esdrúxulo desde que Taça Guanabara e Taça Rio tiveram valor zero pra classificação pras finais, mas olhei agora na Wikipédia e parece que nenhum finalista tem vantagem na melhor de dois jogos.

Turma Flamenguista desde já metendo DCF ou desprezando o título, como sempre, mas concordo que via de regra o Carioca é o menos importante dos títulos disputados no ano, dá pra comemorar por algumas horas antes de procurar título decente pra vencer.

Serão dois jogos difíceis para ambos os clubes, ainda mais em se tratando de Fla x Flu, mas é interessante deixar claro que o Fluminense este ano foi o único adversário que complicou pro Flamengo, podendo sair vitorioso nas duas partidas que travou contra o grande rival, com o empate pelo Flamengo saindo nos minutos finais depois de jogos onde na maior parte do tempo foi inferior.

Ambos os clubes priorizam outros títulos (Flamengo Libertadores e Brasileiro, Fluminense a Sul Americana e a Copa do Brasil).

O Flamengo caiu de produção em relação a 2016 e apesar de ter elenco não me parece um time organizado taticamente, inclusive acho que o Zé Ricardo piorou bastante, se tornando mais conservador depois que ganhou jogadores e a pecha de comandante de um dos quatro melhores elencos do país junto com Palmeiras, Galo, e Cruzeiro.

Zé Ricardo recebeu Berrio, Trauco,etc, mas nenhum companheiro ou substituto pro Diego. Talvez Mancuello funcione assim, mas foi paulatinamente torrado diante da torcida jogando fora de onde rende mais. Conca foi contratado para estrear em Março e até agora nada, inclusive sumiu do noticiário (Estarão escondendo um mico? O ex-tricolor teve problemas na recuperação e o retorno foi adiado?).

O Flamengo este ano foi contra o Fluminense extremamente previsível, fazendo seus gols em bolas aéreas, ponto fraco do Fluminense, ou num gol achado pelo Guerrero.

O Flamengo taticamente foi inferior a Fluminense e Botafogo e até ao Vasco do Mílton Mendes por alguns minutos, um Vasco que se remontava depois do péssimo início de trabalho do Cristóvão e que acabava de receber o novo técnico.

Há problemas defensivos no Flamengo contra pontas velozes e times com boa amplitude e sem Diego a equipe tende e ter mais problemas diante de marcações mais intensas e adiantadas.

O Fluminense está sem Scarpa, mas ainda não enfrentou o Flamengo com seu melhor jogador. Wellington substitui o meia na função de criação das laterais para o centro.

Richarlison voltou ao clube e vem jogando o fino juntando força física com finalização oportunista, composição defensiva e bons passes vindos de trás. Ceifador e Pedro disputam a vaga de centroavante com galhardia, marcando, fazendo gols e fazendo bom trabalho de pivô. Sornoza é o grande organizador do time, mas Orejuela não fica atrás sendo um bom primeiro volante construtor de jogo lá de trás. Douglas e Wendel revezam na função de volante box-to-box com Wendel sendo melhor que Douglas no momento, indo muito além do que o companheiro foi nos últimos dois anos de ótimo desempenho e aproveitando os problemas físicos recentes do titular anterior. Lucas é um baita lateral. Henrique e Renato Chaves são irregulares nas bolas aéreas, especialmente o segundo, mas são muito bons no chão. Léo era um ponto fraco, mas no clássico contra o Vasco foi bom defensivamente e um caminho pra solucionar nosso problema de marcação da bola aérea, pelo menos pelos eu setor o pavor reduziu.

Trauco vai precisar de ajuda pra superar a dupla entre Lucas e Wellington pela esquerda rubro-negra. Talvez Zé Ricardo ressuscite o esquema do último jogo na Libertadores quando pôs dois laterais, com Trauco jogando na prática de extremo.

A questão é que o jogo aponta taticamente para um embate entre um time mais técnico e veloz, o Fluminense, e um time com mais imposição física, o Flamengo.

Inclusiva a imposição física foi a única forma que nossos adversários conseguiram reduzir o impacto da velocidade e técnica do ataque tricolor.

O Flamengo dependerá demais de um jogo perfeito de seu miolo de zaga titular e dos seus volantes diante do dinâmico meio campo tricolor.

O Fluminense dependerá de uma marcação mais eficiente nas bolas aéreas, que começa impedindo que as bolas cheguem a partir das laterais ou das bolas paradas e da manutenção da intensidade do meio de campo e ataque.

No momento eu aposto no Fluminense.

O Inter caiu,mas a marra colorada ainda não se deu conta.

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O Internacional caiu ontem para a segunda divisão, fruto de dois anos, ao menos, onde ocorreu de tudo,menos planejamento.

Pra mim a queda começou com a demissão de Aguirre em busca de “fato novo” às vésperas de um GRENAL onde o Inter foi impieadosamente goleado.

O autor do Blog “Meia encarnada”, Douglas Cecconello, é um dos que coloca que o Inter começou a cair quando trocou o “clube do povo” pelo “Campeão de tudo!”. Pode ser.

Pra mim, tricolor, torcedor fanático do Fluminense, é difícil entender exatamente o que ocorreu com o Internacional, considerando que o Inter foi exatamente um dos modelos para que a gestão Peter Siemsem iniciasse uma revolução no Fluminense que nos deu o avanço de Xerém, o CT Pedro Antônio, o sócio-futebol que permite hoje que o presidente do clube seja eleito por eleição direta (embora a grande maioria ainda não vote porque ainda não ampliaram os locais de votação),etc..

A dor da queda nós torcedores do Fluminense conhecemos, caímos duas vezes para a série B e uma para a série C.

O torcedor tricolor ainda tem lançado sobre ele o estigma de torcedor de um clube “anti-ético” por natureza exatamente porque na queda em 1996 e depois na volta à série A em 2000 o Fluminense não passou pelos trâmites “normais”.

Piorou quando em 2013 o Fluminense foi salvo do rebaixamento por Flamengo e Portuguesa que escalaram jogadores irregulares na última rodada.

O colorado teve o gostinho do que sofreu o tricolor em 2013 quando o clube entrou no STJD para que o tribunal verificasse o caso Vitor Ramos, jogador do Vitória, supostamente escalado de forma irregular.

Detalhe: Ao contrário do Fluminense em 2013 o Internacional efetivamente foi ao tribunal, criou a demanda jurídica, não participou apenas como parte interessada de um processo aberto pelo então procurador, como via de regra a procuradoria de Justiça Desportiva fazia desde 2003.

Não, o Inter deu entrada no STJD a partir de uma denúncia dele, supostamente com uma irregularidade comprovada por ele, não houve, como nos casos todos ocorridos de 2003 a 2013, uma denúncia da procuradoria que levou ao STJD em todos os casos a punir os clubes da mesma forma (perda de 3 pontos mais os pontos conquistados nas partidas em que o jogador irregular atuou), que puniu Ponte Preta, Paysandu, São Caetano, Grêmio Prudente, Flamengo e Portuguesa de 2003 a 2013, ou seja, de acordo com a jurisprudência do tribunal.

Mesmo com a opinião pública tratando a ação do Inter como desvio de conduta, quando é um legítimo direito do clube, a torcida colorada, no entanto, não se deu conta do mundo em que vive.

Talvez seja a dor, eu entendo,mas lamentavelmente em meio à dor da quedas ontem o torcedor tricolor leu, estupefacto, a seguinte frase : “O Inter tem de escolher se sobe como Juventus ou como Fluminense!”.

A ironia é que a Veccia Signora, a Juventus, caiu por ter jogadores participando de manipulação de resultados, o Fluminense caiu, assim como o Internacional, por ter ido mal em campo, por má gestão esportiva.

A outra ironia é que o Fluminense não subiu pelo campo por, pasmem, o Inter e o Botafogo em 1999 terem sido salvos do rebaixamento pelo famoso caso Sandro Hiroshi, lembram?

Isso mesmo, Inter e Botafogo denunciaram o São Paulo pela escalação de um jogador que,pasmem, era o que chamamos de “gato”, tinha a idade adulterada.

O jogador havia adulterado a idade ANOS ANTES,mas quem liga, não é mesmo? O STJD, em uma jurisprudência inovadora na época, e que acabou sendo seguida posteriormente, remanejou os pontos conquistados pelo SPFC a inter e Botafogo.

Sacaram?

Sim, Inter e Botafogo perderam os jogos, denunciaram uma ilegalidade DO JOGADOR ANOS ATRÁS e levaram o SPFC a ser punido, os salvando do rebaixamento e levando o Gama a ser rebaixado.

O Gama, que não é besta, foi ao STJD e depois à justiça comum, ganhou a causa e levou à criação da Copa João Havelange, que acabou com a divisão em divisões, gerando um campeonato onde todas as divisões podiam ir até a final, e pôs Bahia e Fluminense no grupo dos clubes da série A.

A João Havelange gerou um Frankenstein onde o São Caetano, que estava na B em 1999, chegando à final em 2000 e se mantendo dali em diante na série A, chegando até a final da Libertadores.

Sim, o Fluminense foi alçado à série A porque o Inter, sim ele mesmo, junto com o Botafogo fizeram uma manobra jabuticaba, praticamente anti-ética, para se manter na série A na marra.

A manobra, feita junto ao STJD, no tapetão, foi tão manobra que a justiça comum obrigou à CBF a “desrebaixar” o Gama e fazer essa zona explicada acima.

“AH,mas o Fluminense virou a mesa em 1996!”.

É? Sabe nada sobre o caso Ivens Mendes, do 1-0-0 onde Mauro César Petraglia, presidindo o Clube Atlético Paranaense, e o Alberto Dualib, presidindo o Corinthians, negociaram com o chefe da comissão de Arbitragem meios de serem beneficiados em seus jogos pelos juízes?

Não conhece o famoso caso 1-0-0? Humm, lê aqui.

Pois é, o Flu não foi rebaixado em 1996 porque quem deveria ser rebaixado pro fraude, como a Juventus foi, era o Corinthians e o CAP, então ninguém foi rebaixado, entendeu? Não é difícil, né?

Então quando o Colorado, e qualquer outro clube ou torcedor, usa o Fluminense como exemplo de manobra e desonestidade se comparando à Juventus, fica aquela impressão de marra, de pouco entendimento, zero de auto-crítica, pouca noção,sabe?

E explica muito porque o Inter caiu, porque seus dirigentes e torcida esqueceram sua história, seu passado e o respeito que devem ter aos demais clubes, reconhecendo seus erros em vez de transferí-los a terceiros.

Mas sabemos que isso é esperar demais de clubes e torcedores que não precisam se preocupar com a imagem do clube porque existe a Geni Fluminense pra ser usada como espantalho, não é mesmo?

Desejo sorte ao Internacional, que precisa mudar a própria ideia de si mesmo, com um orgulho que sua história merece que exista, mas que não deixa que fiquem cegos seus dirigentes e torcedores.

Ah, o Inter não precisa escolher como subir, ele deve subir como Internacional, afinal não tem virada de mesa desde 2000, aquela que o Inter causou.

E a entrada do Inter no STJD parece que deveria fazer com que seus torcedores e dirigentes entendessem isso, parando de dizer que em 2013 o que ocorreu foi virada de mesa.

Mas ai eu estou sendo utópico.

A esperança realmente é verde.

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Parábola do homem comum, o futebol é como se fosse a arte desenhada pela complexidade do movimento e da ideia quando ginga.

Roubo os versos de Chico Buarque não a toa, mas porque o futebol é música, é cinema, é poesia, é solidariedade, é arte, é livre, é mundo.

A poesia do futebol produz cinema de Ken Loach em busca de Eric ou nomeando Joe.

A ginga da ideia do futebol produz a arquitetura de versos de Chico Buarque, a epifania de Novos Baianos, a africanidade de Jorge Ben.

O futebol tira a cidade inteira numa tarde bonita só para o ver jogar.

O futebol ensina que mesmo em modernidades e capitalização de seus mundos, estádios e festas há ali o menino (E a menina) atrás da bola.

Para carro, para tudo quando já não há tempo.

E o futebol perde a vida atrás da bola.

Porque a arte de entender-se uno em imaginadas comunidades que vestem as mesmas cores permite-nos saber a paixão de outras cores.

Aquele jogo, aquele dia, aquela bola, aquele gol, aquela perda, aquele luto.

O futebol metaforiza a coletividade que de passe em passe chega ao uníssono chamado gol.

O futebol é o acorde perfeito maior.

Quem dera todo mundo pudesse brilhar num cântico todo o tempo como muitas vezes faz no futebol.

O rude e violento esporte bretão é doce, como morrer no mar, a ponto de transformar o universo em uma metáfora verde de um esperanto chutado a gol.

A tragédia fez da Chapecoense mais que um time, mais que um clube, mas uma metáfora do esperanto que nossos corações esperavam pra saber-nos decentes, humanos e solidários, é a síntese do passe, da arte, da bola, do gol.

A verde cor do sonho refez através da tragédia seu símbolo de esperança.

Somos todos hoje um só, unidos na dor de imaginar-nos sem aqueles que nos simbolizam cotidianamente, solidários na dor de saber o que a perda significa, inteiros na cor verde que nos mostras que a dor nos fez melhores.

E essa metáfora nos ajuda a rebolar pra continuarmos meninos que na rua continuamos numa pelada.

E essa dor nos faz meninos, humanos, verdes, vivos.

E o futebol fez do mundo um sonho brasileiro.

E quem não chora?

Só se não for brasileiro nessa hora.

Porque apoio Mário Bittencourt e como a campanha Abad me direcionou pra esse apoio

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As eleições pra presidente do Fluminense se direcionaram de uma forma bastante confusa.

Muito ad hominem, muito ataque, muito pouca proposta, menos ainda transparência.

Reagi de forma absolutamente contraditória nesse ano a estas variáveis e confesso que oscilei demais entre os candidatos, minha única convicção era e é que Celso Barros e o movimento MR21 que conta com Antônio Gonzales (Vice de futebol entre 1997/1998 e que nos levou à série C, ex-Força Flu, além de haver indícios de ser parte dos protestos cotidianos que infernizaram o clube nos últimos dois anos) eram a manifestação do atraso, um recuo no Fluminense que se organizava pós Horcades, com um trabalho excepcional de Peter Siemsem como artífice dessa construção.

Trengrouse possuía uma série de boas ideias, mas seu passado relacionado a Eduardo Vianna, o famigerado Caixa D’água, e ele ter entre sua base de apoio o MR21 de Gonzales, me afastava dele, e mais, me fazia me sentir à vontade em atacá-lo exatamente por esses dois aspectos. Até sua fuga no tratamento dessa questão política era um problema, ele jamais enfrentaria a questão de sua base de apoio.

E esse elemento ajudou ao Flusócio que usava esse medo e essas questões como gasolina para sua tática em toda a campanha: Desmontar os concorrentes com o máximo de propaganda negativa sobre eles e o uso de Peter Siemsem como garota propaganda, colocando Abad como “candidato da continuidade”.

Confesso que caí nessa.

Meu candidato inicialmente era o Mário, mas fui convencido pelo Flusócio que Mário era um perigo, que só ele administrou mal o futebol nos últimos anos e que Abad era o único que poderia manter o melhor da administração Peter.

As ações da campanha de Abad foram bem eloquentes, o lançamento da candidatura com Peter apoiando, o projeto de estádio, etc, a própria retórica do candidato, a relação da oposição com a administração Peter e todos os ataques e protestos cotidianos, a pressão absurda da oposição no cotidiano de atletas e técnicos, do futebol, também, tudo isso ajudou a Abad, criou em torno dele uma defesa das conquistas da administração Peter, e todo o resto como adversários.

Nos posts anteriores coloquei várias vezes que era ótimo que existissem candidatos como Abad, Trengrouse, Cacá e Mário, que todos melhoravam o pleito, colocavam homens honrados na disputa e propostas modernas de administração do clube. E isso permaneceu até que a dança das cadeiras da sanha pela cadeira de presidente, e pelo medo de Celso e Mário, produzissem entre Trengrouse, Abad e Cacá uma candidatura só e com ela o MR21 de Antônio Gonzales e todo o atraso que vem com ele, da truculência enquanto arma política à relações complexas com as organizadas, além de tudo o que ele fez enquanto vice de futebol em 1998.

Enquanto isso Mário organizava sua candidatura com Tenório com base no que fizeram em 2009 e depois com as ações já na organização do futebol com a transição da saída da Unimed em diante. Organizava propostas e críticas ao sócio futebol, às ações no futebol, etc, sem jamais entrar na lama dos ataques cotidianos que Flusócio entendeu que é a principal arma contra seus adversários.

Até que Mário virou o principal adversário pro Flusócio e Abad e desde lá Peter, PA, Abad e Flusócio não medem esforços para a maior quantidade de ad hominem possível para atacar Mário.

E usam as redes sociais do clube para fazerem campanha, e terceirizam sempre a culpa sobre os erros do futebol a Mário, a Celso, ao vento, à grama, nunca a Peter. Peter era o que? Filho da Xuxa? Não era o presidente?

Só Mário errou no futebol em 2015? E em 2013 quem Peter culpa pelo rebaixamento? Porque fomos rebaixados em campo, não fosse os “erros” da Portuguesa e do Flamengo quem cairia seria o Fluminense, e ali Mário teve papel fundamental, sem o clube estar ali, através de Mário, cairíamos. Claro, outro advogado também seria papel central, mas Mário foi, e Peter reconheceu isso em 2015, fundamental para estarmos no tribunal, parte da diretoria era contra (e respeito as razões, a imagem do clube estava e está em jogo).

E em 2016? Mário errou contratando Diego Souza, Richarlisson (Repetidamente convocado pra seleção sub-20) e Renato Chaves pra junto com Fred e Cícero serem a base de um elenco jovem e talentoso? Mário errou mantendo o ótimo Eduardo Baptista que levou a Ponte Preta com elenco muito pior que o nosso a um lugar melhor na tabela, com uma excelente organização tática? Mário foi demitido por, segundo Peter, ter demitido Baptista, mas jura que Peter não participou da demissão, tendo meio Flusocio pressionando desde fevereiro para sua queda e usando como “estatística” o pior turno da história dos Pontos corridos, mesmo EB tendo assumido apenas em outubro, a oito rodadas do fim, já na reta final do turno? Jura que a demissão de Eduardo Baptista e a vinda de Levir não faziam parte de um plano de futebol onde Fred e Diego Souza sairiam e teríamos um time jovem com um medalhão como a torcida queria e por isso foi blindado mesmo com nove meses sem dar organização tática ao time?

A saída de Fred e Diego Souza não são culpa do Mário, ele havia sido demitido, a quem o Flusócio vai culpar, o mesmo Levir que foi blindado por eles até não termos mais chance de libertadores?

E a não ida á Libertadores é culpa do Gum, do elenco, como a torcida burra adora ou é do Peter?

Enquanto isso Celso avança.

E vi os debates. Abad não sobressai como gestor, não tem nenhum programa, nada, não sabe o que fazer do futebol, nem como vai organizar o estádio, não tem nada de argumento e base nisso. Mário ao menos apresenta uma plataforma de gerência do futebol, dos esportes olímpicos, da piscina, de Xerém, até do Samorin. Abad via de regra sequer explica as questões pertinentes sobre o pagamento a Pedro Antônio ou o Samorin ou reforços, se já foram pagos, quanto vai ser pago.

Pior, atacam Mário dizendo que ele era a favor de “fechar Xerém” sendo que o elenco base dele era Xerém e mais jogadores experientes, foi com Jorge Macedo que Xerém perdeu espaço pra Dudu, Maranhão, Henrique Dourado. Foi Levir e Macedo que emprestaram Daniel, Marlon, Robert, Eduardo e Léo. Tínhamos quatro zagueiros de qualidade: Gum, Henrique, Renato Chaves e Marlon, hoje temos três, e Marlon está sendo rifado em Barcelona. Robert foi emprestado a Deus e o mundo e estamos perdendo o jogador, cujo talento é absurdo, e que vinha tendo chances dom Eduardo Baptista e redemonstrando potencial.

E o sócio futebol, qual o programa de Abad? “Tem de rever!” não é resposta, Mário responde.

Flusócio e Abad atacam Mário por seu projeto de estádio, porque só o que Peter assinou tem valor,mas.. Por que? Não argumentam. Mário jamais disse que havia assinado protocolo de intenções enquanto presidente do clube, mas enquanto pessoa.

E a “empresa de agenciamento de jogadores de Mário Bittencourt”? Se for fato, Peter é cúmplice, e se não sabia é inepto, Abad já estava no conselho fiscal quando Mário foi vice-presidente e se é fato o que ocorreu Abad também é inepto ou prevaricou, jura que vão seguir neste raciocínio? Sobre as contratações é a mesma coisa, Peter era animador de festa infantil ou presidente do Fluminense quando elas ocorreram? Vão me dizer que Peter disse “O que você decidir tá bom” sobre Mário estar entre Robinho e R10 e que isso é uma resposta ok para um presidente do Fluminense?

E acredito em Mário, que ele jamais atuou  como agente de atletas ou faturou com isso, como acredito em Peter quando era presidente do Flu E sua empresa advogava para a Unimed, que processava o Flu.

Jura, Flusócios e Abad, que todas as enormes e gigantescas cagadas de Peter no futebol são sempre culpas dos demais?

E o uso da máquina é constante, abjeto, as relações políticas de um fisiologismo e politicagem insustentáveis. Tudo o que Peter construiu de moderno degenerou numa lama só.

Tenho diversas críticas a Mário enquanto gestor do futebol, que assim como todos os outros não tem a menor ideia do perfil de gestão tática que o Fluminense vai ter e precisa, mas ele sempre foi honrado na defesa do Fluminense.

E me assusta ter percebido o quanto eu estava cego na percepção de como Peter e Flusócio usam de forma absolutamente instrumental as pessoas no Fluminense. Vices de Marketing, vices de futebol, e até a Unimed, todos eram ótimos quanto ajudavam aos planos de Peter e Flusócio, saíram? Divergiram? Liga-se o lança-chamas. A quem essa gente é leal?

Como confiar numa gestão que se diz continuidade de uma gestão que enlameia seus acertos com uso das redes sociais do clube na campanha de seu candidato? Como confiar em um grupo político que se alia a quem atacou durante meses a fio de forma absolutamente agressiva? Como confiar num presidente que não pode representar o clube diante de órgãos públicos por um impedimento ético em seu trabalho e sugere que quem vai fazer isso serão Peter e Pedro Antônio?

Confio em Mário, sempre confiei, confio em Parreira, Simoni e vi a quantidade de gente que Peter incinerou nestes seis anos.

O Fluminense precisa de uma gestão séria, honrada e que não traga consigo o passado por súbita fome de manutenção de poder.

E com Celso, Mário e Abad teremos um conselho deliberativo que diferente dos anos anteriores terá várias facções, o que exigirá habilidade, nem Peter e nem Abad as tem.

Por isso apoio Mário.

 

Levir aquém do esperado é símbolo de como o Fluminense de 2016 reflete a gestão Peter no Futebol.

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Levir Culpi demorou seis meses pra ter uma ideia de jogo para o Fluminense.

Nesses seis meses a seu favor podemos elencar a reformulação do elenco, a perda de Fred e Diego Souza, as quizumbas políticas, as Olimpíadas e Paralimpíadas, a demora de termos uma casa,etc.

Porém, mesmo que elenquemos tudo o que deu dificuldade a Levir, o fato é que o técnico não contribuiu exatamente para uma melhora tática do time a tempo de evitar que ao fim do ano o clube esteja no limiar de apenas manter-se na série A.

Levir insistiu em um modelo que ampliava a necessidade de individualidades e de envelhecimento da equipe por tempo demais, tendo um elenco jovem e talentoso em mãos.

Levir ficou meses mantendo um cabo de guerra com parte do elenco composta de medalhões, conseguiu vencer; Depois insistiu na contratação de jogadores a seu feitio, conseguiu; Em terceiro apelou pra justificativa que a equipe era “imatura”, mas ai já tava tarde demais e ele não conseguiu, e só ai implantou uma ideia de jogo a partir do elenco em mãos.

Nesse meio tempo se indispôs com parte da torcida, a partir do caso Fred, perdeu um dos melhores jogadores do elenco (que dava mais maturidade à equipe), Diego Souza, e insistiu em reforços que lotavam meio campo e ataque de nomes,mas ignorava a necessidade de reforços na lateral esquerda.

Lembrando que na lateral esquerda um dos melhores jogadores do elenco, Léo, perdeu espaço e foi emprestado ao Londrina pra ter tempo de jogo e amadurecer.

Mais contradições são a contratação de Henrique Dourado pra posição de centroavante, com aval de Levir, incorrendo na substituição de Fred com menor qualidade e pra uma posição cujo perfil do elenco pedia um atacante móvel.

Além disso, os meias contratados são todos parecidos. Dudu, Aquino, Marquinho são jogadores com técnica mediana para boa, combatividade e com passe, razoável finalização, nenhum deles jogando melhor na posição que Marcos Junior, que estava já no elenco ou que Cícero avançado, com Douglas de segundo volante.

Danilinho também chegou, tendo atuado bem taticamente, mas ainda abaixo de Marcos Junior.

Todos os reforços pro meio também jogam menos, técnica e taticamente, que Daniel Simões, o Danielzinho, que perdeu enorme espaço com Levir, que jamais considerou que o jovem jogador poderia ganhar experiência e confiança atuando consigo.

Detalhe: apenas Marquinho tem a confiança de Levir e atua com regularidade. Danilinho atua, pela memória do técnico, mas está abaixo do que esteve Daniel.

Pro ataque Welington chegou chegando pra ser titular absoluto e Rojas, pasmem, foi transferido pro sub020 pra se adaptar melhor.

Ou seja, fora Welington temos Maranhão, que também chegou no meio do ano e vem atuando de bem pra razoável e os que já estavam: Richarlisson, Magno Alves e Osvaldo, sendo que o último tá atrás de todo o elenco pra vaga.

Pedro, da base, é sempre relacionado,mas atua pouco, embora seja tecnicamente superior a Dourado.

Douglas, a maior revelação do ano, sofre com a insegurança de estilo de Levir nesses seis meses, e só uma vez atuou de forma que utilizasse sua qualidade de forma completa: Contra o Galo atuando de volante box to box, com Cícero mais plantado atrás, a melhor atuação coletiva do Fluminense no ano.

Apenas a zaga teve uma ideia clara e uma sequência com Welington Silva, Gum, Henrique e William Matheus, com Renato chaves atuando na ausência de seus companheiros.

Quando William Matheu se machucou entrou Airton, que permanece mal, e Giovanni, que foi bem em alguns jogos quando joga de zagueiro pela esquerda.

Na direita Jonathan perdeu espaço por questões médicas e Julião atuou bem quando escalado.

Com tudo isso, Levir armou o melhor Fluminense nos últimos três jogos, inclusive na derrota para a Chapecoense (Cuja contusão de William Matheus foi fundamental pra derrota) e contra o Galo em diante apresentou uma ideia de jogo, conseguiu compactar as linhas, conseguiu um mínimo de transição ofensiva e defensiva de qualidade, corrigiu espaços entre os defensores e corredores que desde 2013 nos assombram.

Em resumo? O grande técnico Levir estreou contra o Galo ou nos momentos que antecederam o confronto.

Ali ele usou o elenco e montou o time, inclusive com as alterações entre Danilinho e Magno Alves e Marquinho, centralização do Marcos Junior e alternância entre ele e Welington, que Maranhão manteve.

Daquele jogo em diante o Fluminense cresceu, e tende a crescer mais.

Tudo isso montando o time com apenas um dos reforços que chegaram: Welington. E componto aqui e ali com outros, como Marquinho, Maranhão e Danilinho.

E essa demora deixa claro porque Levir tem um trabalho medíocre no ano, aquém do esperado e é símbolo de como o Fluminense de 2016 reflete a gestão Peter no Futebol.

Por que? Porque esse planejamento errático de Levir é filho do planejamento errático pro futebol do clube.

Dois vices de futebol, dois gerentes, dois técnicos, três mudanças de elenco em 2016 é qualquer coisa, mas não é planejamento.

O duro é que o mesmo Peter que é profissional na gestão do clube, com CT, busca de estádio, equalização das dívidas e ampliação de receitas, é absolutamente amador na gestão do futebol, e pior, usa o futebol como ferramenta de capitalização política, e é isso que acaba com qualquer tipo de planejamento.

As trocas de técnico no estadual todos os anos, a ausência de ideia de perfil de elenco, tudo isso refletiu nesse ano eleitoral de forma absolutamente medíocre e frustrante.

E isso deu a Levir um álibi pra se acomodar nas dificuldades do ano e atuar menos como técnico e mais como comediante de stand up.

Apenas quando percebeu que o clima ia mudar internamente, desde a derrota pro Palmeiras,mas principalmente na derrota pro Botafogo de técnico interino e investimento bem menor, é que Levir começou a se mexer e organizar o time técnica e taticamente, e usando muito dos princípios que havia usado no Galo e os perfis de jogada de Eduardo Baptista.

Da mesma forma Peter apenas se mexeu pra construir um elenco mais forte pra temporada em Agosto, quando a barca ameaçou ir pro brejo na Copa do Brasil e Levir pediu o boné (Usando a insegurança de Peter, inclusive).

O mesmo Peter não fez um esforço maior pra manter Fred ou Diego Souza e depois contratou jogadores com perfil similar ao de Fred, sem a mesma técnica, e Diego Souza, também sem a mesma técnica.

A demissão de Eduardo Baptista em especial é típica de amadorismo. Complementada pela demissão do vice de futebol ela ganha ares de tragédia quando o mesmo técnico hoje disputa com o mesmo Fluminense, mesmo com elenco inferior, uma vaga no G4 e luta ponto a ponto conosco.

Isso tudo junto mostra, da formação do elenco à gestão dos treinadores (em especial a gestão do Levir, medalhão que a torcida tanto queria) o quanto Peter, e todo seu staff, nunca tiveram um norte profissional em relação ao futebol.

Sim, podemos justificar que parte disso se dava com a ajuda da Unimed e seu controle do futebol até janeiro do ano passado também errático e passionalista,mas isso não explica tudo.

O futebol do Fluminense jamais foi blindado e controlado de forma a ignorar pressões políticas.

Claro que ocorreram acertos.

É fundamental que mesmo com tantas reformulações de elenco o Scarpa, Marcos Junior, Samuel, Airton, Pedro, Julião, Nogueira e Douglas em maior ou menor escala sejam fundamentais pro elenco.

É enorme termos um elenco que permanece forte mesmo sem Unimed, Fred, Jean,etc.

Mas poderia ser melhor e muito disso porque faltou uma gestão de futebol que desse poder ao gerente de futebol que organizasse o departamento, perfil de técnico,etc e mantivesse isso tudo por um ano todo.

O que temos em Xerém com Marcelo Teixeira, não temos nas Laranjeiras com Peter e Jorge Macedo.

Se a gestão Peter entrega a seu sucessor um Fluminense em outro patamar, com CT, finanças em dia, novos contratos, novo perfil de contratações e uso de Xerém, Samorin,etc, deixa também a seu sucessor um futebol que necessita ser profissionalizado.

E não estamos falando aqui de CEO ou de torcida escolhendo técnico, mas de uma equipe que utilize os parâmetros de formação de Xerém como exemplo pro profissional e organizem um planejamento que contemple etapas até chegar a um título mundial, e isso com um técnico e um elenco que seja reforçado sem três reformulações por ano.

Precisamos de mais que bazófias, precisamos de tempo, planejamento, execução e isso com metas de curto,médio e longo prazo.

Não basta o próximo presidente falar em CEO ou apontar que usará a Universidade do Futebol como modelo, ele precisa construir isso e demonstrar como organizará o planejamento.

A formação de um elenco já pra 2017, com Orejuela e Sornoza, é um elemento que pode permanecer, não podemos ficar eternamente correndo atrás de reforços nas janelas, quando os concorrentes também lá estão e os valores inflacionam.

A definição do técnico não pode ocorrer ancorada a resultado, ela deve ocorrer relacionada aos avanços táticos que possuímos.

Levir hoje apresenta uma ideia de futebol que pode nos levar ao título da Copa do Brasil e ao G4.

Hoje ele apresenta, tardiamente se falarmos com o tempo de trabalho, um modelo.

Esse modelo é positivo porque tem também em mente que ganhará qualidade com os reforços para 2017, ou seja, o elenco não terá jogadores muito diferentes em características entre si.

Mantendo esse modelo não faz sentido nenhum demitir Levir.

Aliás, mantendo esse modelo é fundamental garantir a Levir a maturação da organização tática do time com esse elenco.

Do elenco atual apenas Edson, Osvaldo, Dourado, Dudu e Giovanni não faz sentido manter.

Dudu porque tem milhões de concorrentes á sua posição e é inferior a Danielzinho e talvez a Aquino, que nos poucos minutos ao menos mostrou uma combatividade e mobilidade que Dudu nunca demonstrou.

Edson tem valor de mercado e jamais evoluiu do volante de bom pra ótimo que chegou ao Fluminense. Tem apagões defensivos, pouca inteligência tática, pouca inteligência no desarme e uma confusão entre raça e truculência.

Osvaldo é tipicamente um antigo atacante de velocidade sem inteligência ténica e tática, pouca qualidade decisiva no terço final e caro demais.

Dourado é bom centroavante, tem boa noção tática,mas pouca qualidade técnica,mobilidade e não faz sentido algum ocupar a vaga de gente como Richarlisson e Pedro que além de melhores tenicamente, são mais modernos taticamente e tem maior valor de mercado futuro.

Giovanni jamais reencontrou seu futebol desde a contusão. É bom lateral defensivamente,mas nulo ofensivamente e tem apagões que deixam clarões táticos na equipe.

Dos que voltarão apenas Robert se precisa avaliar com calma, ter reuniões com ele, pensar em psicólogo porque a habilidade que tem não subiu da base.

Higor, Fernando, William são jogadores que podem ir pro Samorin ou dispensados.

Não entendo que o Fluminense precise de reforços.

Pra lateral esquerda entendo que o Léo é o reforço que precisamos.

Do meio pra frente temos um bom elenco, precisamos é de treinamento dentro da ideia de jogo apresentada.

O maior reforço são os que estão chegando e manter Scarpa.

Levir pode ser o técnico pra 2017, mesmo sem título e tendo tido um trabalho medíocre no ano como um todo, basta manter a ideia de jogo que apresentou, que explora a potencialidade do elenco, que tem variações defensivas e ofensivas e que vem se mostrando um modelo moderno, que usa o elenco pra ser uma equipe compacta, com aproximação, amplitude, triangulação e precisão.

Levir precisa parar de culpar os jogadores pela imprecisão no terço final, 90% dela é falta de maior precisão tática na organização das jogadas.

Marcos Junior, Welington, Cícero, Douglas, Marquinho, Scarpa, todos deixaram claro que chegando em situações de gol a bola entra, basta a bola circular e chegar sem ser mascada ou cruzada no décimo andar.

Estamos diante de uma transição, Peter está em fim de mandato, e novamente no fim do ano temos disputas possíveis, possibilidade de G4,etc, mas dessa vez temos o técnico medalhão que a torcida pedia, e um elenco mais fornido do que boa parte dos haters resultadistas gostariam, com um time em evolução tática.

Apontar apenas a gestão ruim do futebol sob Peter não resolve os problemas.

Apontar soluções a partir do clube que Peter deixa, organizado, com CT, possibilidade de estádio, finanças controladas, é o que precisamos.

O fracasso de Peter no futebol é indiscutível, mas esse fracasso não pode ocultar o avanço de Peter na gestão do clube e nem esquecer que Peter não fracassou mais que Horcades ou Fischer, e ao menos deixa um legado pro futebol, que é um clube que permite uma gestão profissional do futebol.

Há a possibilidade de chegarmos a resultados positivos com esse time e técnico.

Precisamos saber como termos resultados positivos constantes para esse clube e formação de elenco pela base.

E pra isso precisamos dar um salto organizativo do futebol, para além do CT, e ele não pode ser apenas um discurso em um site, precisa ser um planejamento visível, viável, organizado e sem parafernálias e fogos de artifícios que no fundo não dizem nada.

Não podemos voltar ao passado, e ninguém aponta o futuro para além de Peter.

É hora de ir mais longe e pra isso não podemos trocar de técnico apenas com base em resultado.