O Inter caiu,mas a marra colorada ainda não se deu conta.

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O Internacional caiu ontem para a segunda divisão, fruto de dois anos, ao menos, onde ocorreu de tudo,menos planejamento.

Pra mim a queda começou com a demissão de Aguirre em busca de “fato novo” às vésperas de um GRENAL onde o Inter foi impieadosamente goleado.

O autor do Blog “Meia encarnada”, Douglas Cecconello, é um dos que coloca que o Inter começou a cair quando trocou o “clube do povo” pelo “Campeão de tudo!”. Pode ser.

Pra mim, tricolor, torcedor fanático do Fluminense, é difícil entender exatamente o que ocorreu com o Internacional, considerando que o Inter foi exatamente um dos modelos para que a gestão Peter Siemsem iniciasse uma revolução no Fluminense que nos deu o avanço de Xerém, o CT Pedro Antônio, o sócio-futebol que permite hoje que o presidente do clube seja eleito por eleição direta (embora a grande maioria ainda não vote porque ainda não ampliaram os locais de votação),etc..

A dor da queda nós torcedores do Fluminense conhecemos, caímos duas vezes para a série B e uma para a série C.

O torcedor tricolor ainda tem lançado sobre ele o estigma de torcedor de um clube “anti-ético” por natureza exatamente porque na queda em 1996 e depois na volta à série A em 2000 o Fluminense não passou pelos trâmites “normais”.

Piorou quando em 2013 o Fluminense foi salvo do rebaixamento por Flamengo e Portuguesa que escalaram jogadores irregulares na última rodada.

O colorado teve o gostinho do que sofreu o tricolor em 2013 quando o clube entrou no STJD para que o tribunal verificasse o caso Vitor Ramos, jogador do Vitória, supostamente escalado de forma irregular.

Detalhe: Ao contrário do Fluminense em 2013 o Internacional efetivamente foi ao tribunal, criou a demanda jurídica, não participou apenas como parte interessada de um processo aberto pelo então procurador, como via de regra a procuradoria de Justiça Desportiva fazia desde 2003.

Não, o Inter deu entrada no STJD a partir de uma denúncia dele, supostamente com uma irregularidade comprovada por ele, não houve, como nos casos todos ocorridos de 2003 a 2013, uma denúncia da procuradoria que levou ao STJD em todos os casos a punir os clubes da mesma forma (perda de 3 pontos mais os pontos conquistados nas partidas em que o jogador irregular atuou), que puniu Ponte Preta, Paysandu, São Caetano, Grêmio Prudente, Flamengo e Portuguesa de 2003 a 2013, ou seja, de acordo com a jurisprudência do tribunal.

Mesmo com a opinião pública tratando a ação do Inter como desvio de conduta, quando é um legítimo direito do clube, a torcida colorada, no entanto, não se deu conta do mundo em que vive.

Talvez seja a dor, eu entendo,mas lamentavelmente em meio à dor da quedas ontem o torcedor tricolor leu, estupefacto, a seguinte frase : “O Inter tem de escolher se sobe como Juventus ou como Fluminense!”.

A ironia é que a Veccia Signora, a Juventus, caiu por ter jogadores participando de manipulação de resultados, o Fluminense caiu, assim como o Internacional, por ter ido mal em campo, por má gestão esportiva.

A outra ironia é que o Fluminense não subiu pelo campo por, pasmem, o Inter e o Botafogo em 1999 terem sido salvos do rebaixamento pelo famoso caso Sandro Hiroshi, lembram?

Isso mesmo, Inter e Botafogo denunciaram o São Paulo pela escalação de um jogador que,pasmem, era o que chamamos de “gato”, tinha a idade adulterada.

O jogador havia adulterado a idade ANOS ANTES,mas quem liga, não é mesmo? O STJD, em uma jurisprudência inovadora na época, e que acabou sendo seguida posteriormente, remanejou os pontos conquistados pelo SPFC a inter e Botafogo.

Sacaram?

Sim, Inter e Botafogo perderam os jogos, denunciaram uma ilegalidade DO JOGADOR ANOS ATRÁS e levaram o SPFC a ser punido, os salvando do rebaixamento e levando o Gama a ser rebaixado.

O Gama, que não é besta, foi ao STJD e depois à justiça comum, ganhou a causa e levou à criação da Copa João Havelange, que acabou com a divisão em divisões, gerando um campeonato onde todas as divisões podiam ir até a final, e pôs Bahia e Fluminense no grupo dos clubes da série A.

A João Havelange gerou um Frankenstein onde o São Caetano, que estava na B em 1999, chegando à final em 2000 e se mantendo dali em diante na série A, chegando até a final da Libertadores.

Sim, o Fluminense foi alçado à série A porque o Inter, sim ele mesmo, junto com o Botafogo fizeram uma manobra jabuticaba, praticamente anti-ética, para se manter na série A na marra.

A manobra, feita junto ao STJD, no tapetão, foi tão manobra que a justiça comum obrigou à CBF a “desrebaixar” o Gama e fazer essa zona explicada acima.

“AH,mas o Fluminense virou a mesa em 1996!”.

É? Sabe nada sobre o caso Ivens Mendes, do 1-0-0 onde Mauro César Petraglia, presidindo o Clube Atlético Paranaense, e o Alberto Dualib, presidindo o Corinthians, negociaram com o chefe da comissão de Arbitragem meios de serem beneficiados em seus jogos pelos juízes?

Não conhece o famoso caso 1-0-0? Humm, lê aqui.

Pois é, o Flu não foi rebaixado em 1996 porque quem deveria ser rebaixado pro fraude, como a Juventus foi, era o Corinthians e o CAP, então ninguém foi rebaixado, entendeu? Não é difícil, né?

Então quando o Colorado, e qualquer outro clube ou torcedor, usa o Fluminense como exemplo de manobra e desonestidade se comparando à Juventus, fica aquela impressão de marra, de pouco entendimento, zero de auto-crítica, pouca noção,sabe?

E explica muito porque o Inter caiu, porque seus dirigentes e torcida esqueceram sua história, seu passado e o respeito que devem ter aos demais clubes, reconhecendo seus erros em vez de transferí-los a terceiros.

Mas sabemos que isso é esperar demais de clubes e torcedores que não precisam se preocupar com a imagem do clube porque existe a Geni Fluminense pra ser usada como espantalho, não é mesmo?

Desejo sorte ao Internacional, que precisa mudar a própria ideia de si mesmo, com um orgulho que sua história merece que exista, mas que não deixa que fiquem cegos seus dirigentes e torcedores.

Ah, o Inter não precisa escolher como subir, ele deve subir como Internacional, afinal não tem virada de mesa desde 2000, aquela que o Inter causou.

E a entrada do Inter no STJD parece que deveria fazer com que seus torcedores e dirigentes entendessem isso, parando de dizer que em 2013 o que ocorreu foi virada de mesa.

Mas ai eu estou sendo utópico.

A esperança realmente é verde.

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Parábola do homem comum, o futebol é como se fosse a arte desenhada pela complexidade do movimento e da ideia quando ginga.

Roubo os versos de Chico Buarque não a toa, mas porque o futebol é música, é cinema, é poesia, é solidariedade, é arte, é livre, é mundo.

A poesia do futebol produz cinema de Ken Loach em busca de Eric ou nomeando Joe.

A ginga da ideia do futebol produz a arquitetura de versos de Chico Buarque, a epifania de Novos Baianos, a africanidade de Jorge Ben.

O futebol tira a cidade inteira numa tarde bonita só para o ver jogar.

O futebol ensina que mesmo em modernidades e capitalização de seus mundos, estádios e festas há ali o menino (E a menina) atrás da bola.

Para carro, para tudo quando já não há tempo.

E o futebol perde a vida atrás da bola.

Porque a arte de entender-se uno em imaginadas comunidades que vestem as mesmas cores permite-nos saber a paixão de outras cores.

Aquele jogo, aquele dia, aquela bola, aquele gol, aquela perda, aquele luto.

O futebol metaforiza a coletividade que de passe em passe chega ao uníssono chamado gol.

O futebol é o acorde perfeito maior.

Quem dera todo mundo pudesse brilhar num cântico todo o tempo como muitas vezes faz no futebol.

O rude e violento esporte bretão é doce, como morrer no mar, a ponto de transformar o universo em uma metáfora verde de um esperanto chutado a gol.

A tragédia fez da Chapecoense mais que um time, mais que um clube, mas uma metáfora do esperanto que nossos corações esperavam pra saber-nos decentes, humanos e solidários, é a síntese do passe, da arte, da bola, do gol.

A verde cor do sonho refez através da tragédia seu símbolo de esperança.

Somos todos hoje um só, unidos na dor de imaginar-nos sem aqueles que nos simbolizam cotidianamente, solidários na dor de saber o que a perda significa, inteiros na cor verde que nos mostras que a dor nos fez melhores.

E essa metáfora nos ajuda a rebolar pra continuarmos meninos que na rua continuamos numa pelada.

E essa dor nos faz meninos, humanos, verdes, vivos.

E o futebol fez do mundo um sonho brasileiro.

E quem não chora?

Só se não for brasileiro nessa hora.

Porque apoio Mário Bittencourt e como a campanha Abad me direcionou pra esse apoio

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As eleições pra presidente do Fluminense se direcionaram de uma forma bastante confusa.

Muito ad hominem, muito ataque, muito pouca proposta, menos ainda transparência.

Reagi de forma absolutamente contraditória nesse ano a estas variáveis e confesso que oscilei demais entre os candidatos, minha única convicção era e é que Celso Barros e o movimento MR21 que conta com Antônio Gonzales (Vice de futebol entre 1997/1998 e que nos levou à série C, ex-Força Flu, além de haver indícios de ser parte dos protestos cotidianos que infernizaram o clube nos últimos dois anos) eram a manifestação do atraso, um recuo no Fluminense que se organizava pós Horcades, com um trabalho excepcional de Peter Siemsem como artífice dessa construção.

Trengrouse possuía uma série de boas ideias, mas seu passado relacionado a Eduardo Vianna, o famigerado Caixa D’água, e ele ter entre sua base de apoio o MR21 de Gonzales, me afastava dele, e mais, me fazia me sentir à vontade em atacá-lo exatamente por esses dois aspectos. Até sua fuga no tratamento dessa questão política era um problema, ele jamais enfrentaria a questão de sua base de apoio.

E esse elemento ajudou ao Flusócio que usava esse medo e essas questões como gasolina para sua tática em toda a campanha: Desmontar os concorrentes com o máximo de propaganda negativa sobre eles e o uso de Peter Siemsem como garota propaganda, colocando Abad como “candidato da continuidade”.

Confesso que caí nessa.

Meu candidato inicialmente era o Mário, mas fui convencido pelo Flusócio que Mário era um perigo, que só ele administrou mal o futebol nos últimos anos e que Abad era o único que poderia manter o melhor da administração Peter.

As ações da campanha de Abad foram bem eloquentes, o lançamento da candidatura com Peter apoiando, o projeto de estádio, etc, a própria retórica do candidato, a relação da oposição com a administração Peter e todos os ataques e protestos cotidianos, a pressão absurda da oposição no cotidiano de atletas e técnicos, do futebol, também, tudo isso ajudou a Abad, criou em torno dele uma defesa das conquistas da administração Peter, e todo o resto como adversários.

Nos posts anteriores coloquei várias vezes que era ótimo que existissem candidatos como Abad, Trengrouse, Cacá e Mário, que todos melhoravam o pleito, colocavam homens honrados na disputa e propostas modernas de administração do clube. E isso permaneceu até que a dança das cadeiras da sanha pela cadeira de presidente, e pelo medo de Celso e Mário, produzissem entre Trengrouse, Abad e Cacá uma candidatura só e com ela o MR21 de Antônio Gonzales e todo o atraso que vem com ele, da truculência enquanto arma política à relações complexas com as organizadas, além de tudo o que ele fez enquanto vice de futebol em 1998.

Enquanto isso Mário organizava sua candidatura com Tenório com base no que fizeram em 2009 e depois com as ações já na organização do futebol com a transição da saída da Unimed em diante. Organizava propostas e críticas ao sócio futebol, às ações no futebol, etc, sem jamais entrar na lama dos ataques cotidianos que Flusócio entendeu que é a principal arma contra seus adversários.

Até que Mário virou o principal adversário pro Flusócio e Abad e desde lá Peter, PA, Abad e Flusócio não medem esforços para a maior quantidade de ad hominem possível para atacar Mário.

E usam as redes sociais do clube para fazerem campanha, e terceirizam sempre a culpa sobre os erros do futebol a Mário, a Celso, ao vento, à grama, nunca a Peter. Peter era o que? Filho da Xuxa? Não era o presidente?

Só Mário errou no futebol em 2015? E em 2013 quem Peter culpa pelo rebaixamento? Porque fomos rebaixados em campo, não fosse os “erros” da Portuguesa e do Flamengo quem cairia seria o Fluminense, e ali Mário teve papel fundamental, sem o clube estar ali, através de Mário, cairíamos. Claro, outro advogado também seria papel central, mas Mário foi, e Peter reconheceu isso em 2015, fundamental para estarmos no tribunal, parte da diretoria era contra (e respeito as razões, a imagem do clube estava e está em jogo).

E em 2016? Mário errou contratando Diego Souza, Richarlisson (Repetidamente convocado pra seleção sub-20) e Renato Chaves pra junto com Fred e Cícero serem a base de um elenco jovem e talentoso? Mário errou mantendo o ótimo Eduardo Baptista que levou a Ponte Preta com elenco muito pior que o nosso a um lugar melhor na tabela, com uma excelente organização tática? Mário foi demitido por, segundo Peter, ter demitido Baptista, mas jura que Peter não participou da demissão, tendo meio Flusocio pressionando desde fevereiro para sua queda e usando como “estatística” o pior turno da história dos Pontos corridos, mesmo EB tendo assumido apenas em outubro, a oito rodadas do fim, já na reta final do turno? Jura que a demissão de Eduardo Baptista e a vinda de Levir não faziam parte de um plano de futebol onde Fred e Diego Souza sairiam e teríamos um time jovem com um medalhão como a torcida queria e por isso foi blindado mesmo com nove meses sem dar organização tática ao time?

A saída de Fred e Diego Souza não são culpa do Mário, ele havia sido demitido, a quem o Flusócio vai culpar, o mesmo Levir que foi blindado por eles até não termos mais chance de libertadores?

E a não ida á Libertadores é culpa do Gum, do elenco, como a torcida burra adora ou é do Peter?

Enquanto isso Celso avança.

E vi os debates. Abad não sobressai como gestor, não tem nenhum programa, nada, não sabe o que fazer do futebol, nem como vai organizar o estádio, não tem nada de argumento e base nisso. Mário ao menos apresenta uma plataforma de gerência do futebol, dos esportes olímpicos, da piscina, de Xerém, até do Samorin. Abad via de regra sequer explica as questões pertinentes sobre o pagamento a Pedro Antônio ou o Samorin ou reforços, se já foram pagos, quanto vai ser pago.

Pior, atacam Mário dizendo que ele era a favor de “fechar Xerém” sendo que o elenco base dele era Xerém e mais jogadores experientes, foi com Jorge Macedo que Xerém perdeu espaço pra Dudu, Maranhão, Henrique Dourado. Foi Levir e Macedo que emprestaram Daniel, Marlon, Robert, Eduardo e Léo. Tínhamos quatro zagueiros de qualidade: Gum, Henrique, Renato Chaves e Marlon, hoje temos três, e Marlon está sendo rifado em Barcelona. Robert foi emprestado a Deus e o mundo e estamos perdendo o jogador, cujo talento é absurdo, e que vinha tendo chances dom Eduardo Baptista e redemonstrando potencial.

E o sócio futebol, qual o programa de Abad? “Tem de rever!” não é resposta, Mário responde.

Flusócio e Abad atacam Mário por seu projeto de estádio, porque só o que Peter assinou tem valor,mas.. Por que? Não argumentam. Mário jamais disse que havia assinado protocolo de intenções enquanto presidente do clube, mas enquanto pessoa.

E a “empresa de agenciamento de jogadores de Mário Bittencourt”? Se for fato, Peter é cúmplice, e se não sabia é inepto, Abad já estava no conselho fiscal quando Mário foi vice-presidente e se é fato o que ocorreu Abad também é inepto ou prevaricou, jura que vão seguir neste raciocínio? Sobre as contratações é a mesma coisa, Peter era animador de festa infantil ou presidente do Fluminense quando elas ocorreram? Vão me dizer que Peter disse “O que você decidir tá bom” sobre Mário estar entre Robinho e R10 e que isso é uma resposta ok para um presidente do Fluminense?

E acredito em Mário, que ele jamais atuou  como agente de atletas ou faturou com isso, como acredito em Peter quando era presidente do Flu E sua empresa advogava para a Unimed, que processava o Flu.

Jura, Flusócios e Abad, que todas as enormes e gigantescas cagadas de Peter no futebol são sempre culpas dos demais?

E o uso da máquina é constante, abjeto, as relações políticas de um fisiologismo e politicagem insustentáveis. Tudo o que Peter construiu de moderno degenerou numa lama só.

Tenho diversas críticas a Mário enquanto gestor do futebol, que assim como todos os outros não tem a menor ideia do perfil de gestão tática que o Fluminense vai ter e precisa, mas ele sempre foi honrado na defesa do Fluminense.

E me assusta ter percebido o quanto eu estava cego na percepção de como Peter e Flusócio usam de forma absolutamente instrumental as pessoas no Fluminense. Vices de Marketing, vices de futebol, e até a Unimed, todos eram ótimos quanto ajudavam aos planos de Peter e Flusócio, saíram? Divergiram? Liga-se o lança-chamas. A quem essa gente é leal?

Como confiar numa gestão que se diz continuidade de uma gestão que enlameia seus acertos com uso das redes sociais do clube na campanha de seu candidato? Como confiar em um grupo político que se alia a quem atacou durante meses a fio de forma absolutamente agressiva? Como confiar num presidente que não pode representar o clube diante de órgãos públicos por um impedimento ético em seu trabalho e sugere que quem vai fazer isso serão Peter e Pedro Antônio?

Confio em Mário, sempre confiei, confio em Parreira, Simoni e vi a quantidade de gente que Peter incinerou nestes seis anos.

O Fluminense precisa de uma gestão séria, honrada e que não traga consigo o passado por súbita fome de manutenção de poder.

E com Celso, Mário e Abad teremos um conselho deliberativo que diferente dos anos anteriores terá várias facções, o que exigirá habilidade, nem Peter e nem Abad as tem.

Por isso apoio Mário.

 

Levir aquém do esperado é símbolo de como o Fluminense de 2016 reflete a gestão Peter no Futebol.

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Levir Culpi demorou seis meses pra ter uma ideia de jogo para o Fluminense.

Nesses seis meses a seu favor podemos elencar a reformulação do elenco, a perda de Fred e Diego Souza, as quizumbas políticas, as Olimpíadas e Paralimpíadas, a demora de termos uma casa,etc.

Porém, mesmo que elenquemos tudo o que deu dificuldade a Levir, o fato é que o técnico não contribuiu exatamente para uma melhora tática do time a tempo de evitar que ao fim do ano o clube esteja no limiar de apenas manter-se na série A.

Levir insistiu em um modelo que ampliava a necessidade de individualidades e de envelhecimento da equipe por tempo demais, tendo um elenco jovem e talentoso em mãos.

Levir ficou meses mantendo um cabo de guerra com parte do elenco composta de medalhões, conseguiu vencer; Depois insistiu na contratação de jogadores a seu feitio, conseguiu; Em terceiro apelou pra justificativa que a equipe era “imatura”, mas ai já tava tarde demais e ele não conseguiu, e só ai implantou uma ideia de jogo a partir do elenco em mãos.

Nesse meio tempo se indispôs com parte da torcida, a partir do caso Fred, perdeu um dos melhores jogadores do elenco (que dava mais maturidade à equipe), Diego Souza, e insistiu em reforços que lotavam meio campo e ataque de nomes,mas ignorava a necessidade de reforços na lateral esquerda.

Lembrando que na lateral esquerda um dos melhores jogadores do elenco, Léo, perdeu espaço e foi emprestado ao Londrina pra ter tempo de jogo e amadurecer.

Mais contradições são a contratação de Henrique Dourado pra posição de centroavante, com aval de Levir, incorrendo na substituição de Fred com menor qualidade e pra uma posição cujo perfil do elenco pedia um atacante móvel.

Além disso, os meias contratados são todos parecidos. Dudu, Aquino, Marquinho são jogadores com técnica mediana para boa, combatividade e com passe, razoável finalização, nenhum deles jogando melhor na posição que Marcos Junior, que estava já no elenco ou que Cícero avançado, com Douglas de segundo volante.

Danilinho também chegou, tendo atuado bem taticamente, mas ainda abaixo de Marcos Junior.

Todos os reforços pro meio também jogam menos, técnica e taticamente, que Daniel Simões, o Danielzinho, que perdeu enorme espaço com Levir, que jamais considerou que o jovem jogador poderia ganhar experiência e confiança atuando consigo.

Detalhe: apenas Marquinho tem a confiança de Levir e atua com regularidade. Danilinho atua, pela memória do técnico, mas está abaixo do que esteve Daniel.

Pro ataque Welington chegou chegando pra ser titular absoluto e Rojas, pasmem, foi transferido pro sub020 pra se adaptar melhor.

Ou seja, fora Welington temos Maranhão, que também chegou no meio do ano e vem atuando de bem pra razoável e os que já estavam: Richarlisson, Magno Alves e Osvaldo, sendo que o último tá atrás de todo o elenco pra vaga.

Pedro, da base, é sempre relacionado,mas atua pouco, embora seja tecnicamente superior a Dourado.

Douglas, a maior revelação do ano, sofre com a insegurança de estilo de Levir nesses seis meses, e só uma vez atuou de forma que utilizasse sua qualidade de forma completa: Contra o Galo atuando de volante box to box, com Cícero mais plantado atrás, a melhor atuação coletiva do Fluminense no ano.

Apenas a zaga teve uma ideia clara e uma sequência com Welington Silva, Gum, Henrique e William Matheus, com Renato chaves atuando na ausência de seus companheiros.

Quando William Matheu se machucou entrou Airton, que permanece mal, e Giovanni, que foi bem em alguns jogos quando joga de zagueiro pela esquerda.

Na direita Jonathan perdeu espaço por questões médicas e Julião atuou bem quando escalado.

Com tudo isso, Levir armou o melhor Fluminense nos últimos três jogos, inclusive na derrota para a Chapecoense (Cuja contusão de William Matheus foi fundamental pra derrota) e contra o Galo em diante apresentou uma ideia de jogo, conseguiu compactar as linhas, conseguiu um mínimo de transição ofensiva e defensiva de qualidade, corrigiu espaços entre os defensores e corredores que desde 2013 nos assombram.

Em resumo? O grande técnico Levir estreou contra o Galo ou nos momentos que antecederam o confronto.

Ali ele usou o elenco e montou o time, inclusive com as alterações entre Danilinho e Magno Alves e Marquinho, centralização do Marcos Junior e alternância entre ele e Welington, que Maranhão manteve.

Daquele jogo em diante o Fluminense cresceu, e tende a crescer mais.

Tudo isso montando o time com apenas um dos reforços que chegaram: Welington. E componto aqui e ali com outros, como Marquinho, Maranhão e Danilinho.

E essa demora deixa claro porque Levir tem um trabalho medíocre no ano, aquém do esperado e é símbolo de como o Fluminense de 2016 reflete a gestão Peter no Futebol.

Por que? Porque esse planejamento errático de Levir é filho do planejamento errático pro futebol do clube.

Dois vices de futebol, dois gerentes, dois técnicos, três mudanças de elenco em 2016 é qualquer coisa, mas não é planejamento.

O duro é que o mesmo Peter que é profissional na gestão do clube, com CT, busca de estádio, equalização das dívidas e ampliação de receitas, é absolutamente amador na gestão do futebol, e pior, usa o futebol como ferramenta de capitalização política, e é isso que acaba com qualquer tipo de planejamento.

As trocas de técnico no estadual todos os anos, a ausência de ideia de perfil de elenco, tudo isso refletiu nesse ano eleitoral de forma absolutamente medíocre e frustrante.

E isso deu a Levir um álibi pra se acomodar nas dificuldades do ano e atuar menos como técnico e mais como comediante de stand up.

Apenas quando percebeu que o clima ia mudar internamente, desde a derrota pro Palmeiras,mas principalmente na derrota pro Botafogo de técnico interino e investimento bem menor, é que Levir começou a se mexer e organizar o time técnica e taticamente, e usando muito dos princípios que havia usado no Galo e os perfis de jogada de Eduardo Baptista.

Da mesma forma Peter apenas se mexeu pra construir um elenco mais forte pra temporada em Agosto, quando a barca ameaçou ir pro brejo na Copa do Brasil e Levir pediu o boné (Usando a insegurança de Peter, inclusive).

O mesmo Peter não fez um esforço maior pra manter Fred ou Diego Souza e depois contratou jogadores com perfil similar ao de Fred, sem a mesma técnica, e Diego Souza, também sem a mesma técnica.

A demissão de Eduardo Baptista em especial é típica de amadorismo. Complementada pela demissão do vice de futebol ela ganha ares de tragédia quando o mesmo técnico hoje disputa com o mesmo Fluminense, mesmo com elenco inferior, uma vaga no G4 e luta ponto a ponto conosco.

Isso tudo junto mostra, da formação do elenco à gestão dos treinadores (em especial a gestão do Levir, medalhão que a torcida tanto queria) o quanto Peter, e todo seu staff, nunca tiveram um norte profissional em relação ao futebol.

Sim, podemos justificar que parte disso se dava com a ajuda da Unimed e seu controle do futebol até janeiro do ano passado também errático e passionalista,mas isso não explica tudo.

O futebol do Fluminense jamais foi blindado e controlado de forma a ignorar pressões políticas.

Claro que ocorreram acertos.

É fundamental que mesmo com tantas reformulações de elenco o Scarpa, Marcos Junior, Samuel, Airton, Pedro, Julião, Nogueira e Douglas em maior ou menor escala sejam fundamentais pro elenco.

É enorme termos um elenco que permanece forte mesmo sem Unimed, Fred, Jean,etc.

Mas poderia ser melhor e muito disso porque faltou uma gestão de futebol que desse poder ao gerente de futebol que organizasse o departamento, perfil de técnico,etc e mantivesse isso tudo por um ano todo.

O que temos em Xerém com Marcelo Teixeira, não temos nas Laranjeiras com Peter e Jorge Macedo.

Se a gestão Peter entrega a seu sucessor um Fluminense em outro patamar, com CT, finanças em dia, novos contratos, novo perfil de contratações e uso de Xerém, Samorin,etc, deixa também a seu sucessor um futebol que necessita ser profissionalizado.

E não estamos falando aqui de CEO ou de torcida escolhendo técnico, mas de uma equipe que utilize os parâmetros de formação de Xerém como exemplo pro profissional e organizem um planejamento que contemple etapas até chegar a um título mundial, e isso com um técnico e um elenco que seja reforçado sem três reformulações por ano.

Precisamos de mais que bazófias, precisamos de tempo, planejamento, execução e isso com metas de curto,médio e longo prazo.

Não basta o próximo presidente falar em CEO ou apontar que usará a Universidade do Futebol como modelo, ele precisa construir isso e demonstrar como organizará o planejamento.

A formação de um elenco já pra 2017, com Orejuela e Sornoza, é um elemento que pode permanecer, não podemos ficar eternamente correndo atrás de reforços nas janelas, quando os concorrentes também lá estão e os valores inflacionam.

A definição do técnico não pode ocorrer ancorada a resultado, ela deve ocorrer relacionada aos avanços táticos que possuímos.

Levir hoje apresenta uma ideia de futebol que pode nos levar ao título da Copa do Brasil e ao G4.

Hoje ele apresenta, tardiamente se falarmos com o tempo de trabalho, um modelo.

Esse modelo é positivo porque tem também em mente que ganhará qualidade com os reforços para 2017, ou seja, o elenco não terá jogadores muito diferentes em características entre si.

Mantendo esse modelo não faz sentido nenhum demitir Levir.

Aliás, mantendo esse modelo é fundamental garantir a Levir a maturação da organização tática do time com esse elenco.

Do elenco atual apenas Edson, Osvaldo, Dourado, Dudu e Giovanni não faz sentido manter.

Dudu porque tem milhões de concorrentes á sua posição e é inferior a Danielzinho e talvez a Aquino, que nos poucos minutos ao menos mostrou uma combatividade e mobilidade que Dudu nunca demonstrou.

Edson tem valor de mercado e jamais evoluiu do volante de bom pra ótimo que chegou ao Fluminense. Tem apagões defensivos, pouca inteligência tática, pouca inteligência no desarme e uma confusão entre raça e truculência.

Osvaldo é tipicamente um antigo atacante de velocidade sem inteligência ténica e tática, pouca qualidade decisiva no terço final e caro demais.

Dourado é bom centroavante, tem boa noção tática,mas pouca qualidade técnica,mobilidade e não faz sentido algum ocupar a vaga de gente como Richarlisson e Pedro que além de melhores tenicamente, são mais modernos taticamente e tem maior valor de mercado futuro.

Giovanni jamais reencontrou seu futebol desde a contusão. É bom lateral defensivamente,mas nulo ofensivamente e tem apagões que deixam clarões táticos na equipe.

Dos que voltarão apenas Robert se precisa avaliar com calma, ter reuniões com ele, pensar em psicólogo porque a habilidade que tem não subiu da base.

Higor, Fernando, William são jogadores que podem ir pro Samorin ou dispensados.

Não entendo que o Fluminense precise de reforços.

Pra lateral esquerda entendo que o Léo é o reforço que precisamos.

Do meio pra frente temos um bom elenco, precisamos é de treinamento dentro da ideia de jogo apresentada.

O maior reforço são os que estão chegando e manter Scarpa.

Levir pode ser o técnico pra 2017, mesmo sem título e tendo tido um trabalho medíocre no ano como um todo, basta manter a ideia de jogo que apresentou, que explora a potencialidade do elenco, que tem variações defensivas e ofensivas e que vem se mostrando um modelo moderno, que usa o elenco pra ser uma equipe compacta, com aproximação, amplitude, triangulação e precisão.

Levir precisa parar de culpar os jogadores pela imprecisão no terço final, 90% dela é falta de maior precisão tática na organização das jogadas.

Marcos Junior, Welington, Cícero, Douglas, Marquinho, Scarpa, todos deixaram claro que chegando em situações de gol a bola entra, basta a bola circular e chegar sem ser mascada ou cruzada no décimo andar.

Estamos diante de uma transição, Peter está em fim de mandato, e novamente no fim do ano temos disputas possíveis, possibilidade de G4,etc, mas dessa vez temos o técnico medalhão que a torcida pedia, e um elenco mais fornido do que boa parte dos haters resultadistas gostariam, com um time em evolução tática.

Apontar apenas a gestão ruim do futebol sob Peter não resolve os problemas.

Apontar soluções a partir do clube que Peter deixa, organizado, com CT, possibilidade de estádio, finanças controladas, é o que precisamos.

O fracasso de Peter no futebol é indiscutível, mas esse fracasso não pode ocultar o avanço de Peter na gestão do clube e nem esquecer que Peter não fracassou mais que Horcades ou Fischer, e ao menos deixa um legado pro futebol, que é um clube que permite uma gestão profissional do futebol.

Há a possibilidade de chegarmos a resultados positivos com esse time e técnico.

Precisamos saber como termos resultados positivos constantes para esse clube e formação de elenco pela base.

E pra isso precisamos dar um salto organizativo do futebol, para além do CT, e ele não pode ser apenas um discurso em um site, precisa ser um planejamento visível, viável, organizado e sem parafernálias e fogos de artifícios que no fundo não dizem nada.

Não podemos voltar ao passado, e ninguém aponta o futuro para além de Peter.

É hora de ir mais longe e pra isso não podemos trocar de técnico apenas com base em resultado.

As eleições no Fluminense, o futuro, o passado e a fanfarra.

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As eleições no Fluminense são apenas no fim do ano (Novembro ou dezembro, acho eu),mas foram antecipadas há tempos.

O candidato Pedro Trengrouse inclusive que todo santo dia divulga vídeo chamando os adversários pra debate ou faz uma “proposta”, divulga seu currículo, etc, provocando intensa atividade em seu site.

Sites especializados no Fluminense e dirigidos por tricolores fazem matérias a todo momento com temas relacionados à eleição, em sua maioria sendo oposição à atual gestão e dando voz às chapas de oposição que disputam a eleição.

Normal e do jogo, eleição é assim.

O problema em si está na ausência da tal transparência que cobram tanto da gestão atual: Nenhum site se assume enquanto apoiador de candidato A ou B. Mas todos têm linhas editoriais claras, e a maioria delas circula em torno da divulgação de notícias e de vozes ligadas às chapas apoiadas por Antônio Gonzales do Movimento MR21 e Celso Barros, que até o momento ainda é pré-candidato, mas pelo andar da carruagem tende a apoiar Pedro Trengrouse, que não acharia nada mal receber esse apoio.

Bem, pra começar informo que eu apoio a atual gestão, embora seja um veemente crítico da forma como atua no futebol e no marketing. Sempre fui claro que apoiava a atual gestão e apoiaria, e apoiarei caso seja candidato, Mário Bittencourt para presidente, com a devida ressalva que ele teria de manter a política de gestão financeira de Peter.

Agora que já cumpri a devida formalidade da transparência eu gostaria de cobrar a mesma transparência dos demais candidatos.

Se Pedro Abad é cobrado pela gestão Peter Siemsem, por que Trengrouse quando é abordado por ter em seus círculos de apoiadores Antônio Gonzales que foi responsável direto pelo rebaixamento do clube à série C não é cobrado por isso?

Por que Abad tem de ser atacado e cobrado por ao responder a perguntas sobre um suposto shopping nas laranjeiras dizer “Não sou refratário à ideia, mas quem decide são os sócios e os conselhos!”, e é cobrado pessoalmente e como, adora Trengrouse, fulanizadamente, mas Pedro Trengrouse não é cobrado por ser apoiado por Julio Bueno, aliado de Horcades, que é responsável direto pela escalada de dívidas do Fluminense e conseguiu não aproveitar o investimento da Unimed no futebol pra sanear dívidas e as ampliou, deixando o clube com dívidas enormes na Fazenda Nacional, com o FGTS e até na companhia elétrica?

Por que Peter é cobrado, com razão, pela péssima gestão no futebol e Trengrouse, que tem como aliado quem na gestão do futebol nos levou á série C, aparece como “o novo”?

Por que Trengrouse, que prega “continuidade sem continuísmo” ataca exatamente a gestão Peter em relação a projetos de Xerém, centrais, como o da compra do clube na Eslováquia e na gestão financeira insinuando que a contratação de jogador para 2017, Sornoza que é um dos destaques da Libertadores, é “gestão temerária e pode nos tirar do PROFUT”? Por que Trengrouse faz essa sugestão no mesmo vídeo que diz “desconhecer os detalhes e cobrando transparência”? Não conhece os detalhes, mas insinua gestão temerária?

E contratação de jogador deixou de ser ativo? Contratação, se é que está acontecendo, de um dos destaques da mais difícil competição continental deixou de ser ampliação de ativo pro próximo presidente?

Mas não paremos por aqui, vamos mais longe, vamos deixar de “fulanizar”, vamos falar de propostas: quais as propostas dos candidatos para futebol, marketing, gestão do clube, etc?

Nenhuma. Isso mesmo, nenhuma, nenhum deles tem proposta nenhuma.

Abad, Cacá ao menos apontam, corretamente, que tem muito tempo pra eleição e que é preciso maturar programas, etc, mas Trengrouse chama a todos o tempo inteiro para debates, produz vídeo atrás de vídeo, demonstra um vasto, e bom, currículo, mas… e suas propostas? Nada, castelos de areia, castelos de nuvem, nada.

Trengrouse propõe ampliação da participação da torcida na gestão do futebol, mas não só não diz como, como a sugestão que deu, a de escolha de treinador via internet por consulta com a torcida, demonstra que ele entende pra caramba de espetáculo e marketing, mas ZE-RO de gestão esportiva.

Pois é, em um mundo onde a cobrança de cada vez mais profissionalização do futebol, com o time em campo sendo parte de um complexo sistema de negócios, onde a desportividade tem relação direta com arrecadação em marketing, etc, e onde o time em campo tem de ter um processo claro de ligação entre gestão, contratação, organização tática, identidade técnica e tática entre todas as suas equipes, entre base e profissional, ou seja, um puta sistema complexo onde o técnico é parte essencial da engrenagem, o brincalhão sugere que façamos uma escolha do gerente executivo, do diretor técnico, do principal profissional da parte operacional do departamento de futebol, via enquete de internet e participação da torcida por eleição.

Percebe, Ivair?

Sabe o que é isso? Factoide. Porque é antiprofissional em sua essência. E explico: uma torcida é composta por milhões de pessoas, com compreensões díspares de tudo, de política a música, passando por perfis táticos e opções de planejamento de curto, médio, longo prazo pro futebol. Além disso, 90% dessa torcida é absolutamente leiga em futebol, age e pensa com uma base sustentada em senso comum e que não diferenciam Eduardo Baptista de Levir Culpi em relação a perfil de gestão técnica e tática de elenco e de jogo, que pedia Roth pra substituir Eduardo Baptista, que soa quase como pedir Vinho Rosé pra substituir Suco de pêra. É essa mesma torcida que vai definir o técnico de uma equipe que custa milhões por ano e é a ponta de um processo de faturamento de outro tanto de milhões por ano? Sacaram?

Tem mais, e tudo o que se lê sobre a gestão de trabalho em futebol onde trabalhos de médio a longo prazo tendem a ter resultados melhores? E os que também colocam que a manutenção de um perfil tático, definido com a clareza de que deve ter resultado em geral de médio a longo prazo, alguns em longuíssimo prazo? Tudo isso vai ser jogado no lixo, toda a abordagem profissional do futebol em nome de uma ação factoide que é antiprofissional em sua essência, é democratista, e não democrática, e explode qualquer planejamento mínimo de futebol? Ou a contratação DO ELENCO também vai ser via enquete, dane-se a gestão financeira e a integração com a base?

Percebem que o candidato não tem a menor ideia de como pretende gerir o futebol?

Mas não para por ai, ele sugere que uma tática de contratação seja a de uso de “Crownfunding”, porque funcionou pra produzir livros e festas. Sério que um especialista da FGV em direito esportivo não sabe a diferença de dimensão de financiamento coletivo entre milhares de reais e muitos, mas muitos milhões de reais? Não acompanhou o caso Wesley no Palmeiras?

Além disso, o candidato ignora um outro lado do processo: a concorrência entre um possível “Crownfunding” pra contratação de jogador e nossos planos de sócios, sem que o “Crownfunding o permita aos associados a conquista do direito de exercer a cidadania tricolor, em resumo, de votar pra presidente do clube? Ou há uma relação direta entre a defesa de um e outro com o objetivo de no médio prazo reduzir o colégio eleitoral?

Pra piorar o candidato videomaker adora sugerir que precisamos “nos unir em torno do Fluminense”, mas seus aliados, como Gonzales, que nos levou à série C, adora atacar a direção acusando Peter Siemsem de “O pior presidente de nossa história”.

O candidato não dialoga com seus aliados? Ou dialoga, mas a chapa é solta, cada um defende o que quer? O candidato concorda com seu aliado?

E se Gonzales acha que Peter é o “pior presidente da nossa História”, mesmo sendo vice presidente de futebol em 1998 e nos levando pra série C, qual o parâmetro de “continuidade, sem continuísmo” de Gonzales, da chapa e por consequência de Pedro Trengrouse?

E se Gonzales acha que Peter é o “pior presidente da nossa História” o que ele acha de Álvaro Barcelos que o colocou na vice-presidência de futebol, era melhor que Peter Siemsem? E se Gonzales acha que aqueles presidentes com os quais conviveu e apoiou são melhores que Peter Siemsem, Pedro Trengrouse seria parecido com eles?

Qual o papel de Julio Bueno, que faliu o Estado do Rio de Janeiro, e Antônio Gonzales, que nos levou à série C, teriam numa presidência Pedro Trengrouse?

Que perfil de futebol Pedro Trengrouse pretende pra o Fluminense?

Que tipo de gerência de futebol, que tipo de uso da base, como ele pretende pensar o comando técnico pra construção de um perfil técnico-tático de longo prazo no Fluminense?

Como Pedro Trengrouse pretende superar a péssima gestão de futebol de Peter Siemsem, que demite técnico a cada três meses e não permite que tenhamos um perfil tático definido de médio longo prazo? Empoderando a mesma torcida que pede cabeça de técnico a cada três meses ou definindo um perfil tático e de gestão de elenco pro técnico, gerente e executivos de futebol? Não sabemos, sabemos apenas a fanfarra em torno de factoides que nada dizem e são antiprofissionais, pra dizer o mínimo.

Além disso, que maldita unidade em torno do Fluminense que Pedro Trengrouse cobra se sua chapa atua claramente com o mais rebaixado nível de ataques à direção atual, ignorando seus acertos, não propondo soluções para seus erros e chegando ao nível de chamar a direção de “Gestão fala fina”, pra pegar apenas o mais leve dos ataques homofóbicos que Gonzales dirige a Peter Siemsem?

Tem um oceano de diferença entre a crítica, necessária, e a falácia. Tem continentes que separam as críticas dos factoides e da desqualificação rebaixada. E Trengrouse sabe, ou deveria saber disso, mas se esconde da mediação entre aliados e a própria eleição apelando pra uma junção de uso de peões como Gonzales pro trabalho sujo enquanto ele desfila uma fofura pokemon em vídeos fazendo ataques supostamente “de boa intenção” sugerindo incompetência e gestão temerária nas finanças por parte de Peter Siemsem.

É uma tática espetaculosa, e também de morde assopra, com base zero de alternativas de gestão à gestão atual. Principalmente dando a quem torce e vota pra presidente do Fluminense uma alternativa que consiga o avanço de gestão financeira e acréscimo de patrimônio que a gestão Peter Siemsem nos deixa aliado a uma gestão de futebol tão profissional quanto a que saneou o clube.

Pior, nem marketing, que em tese Trengrouse seria também especialista, nós temos uma concreta posição e uma linha sequer de proposta séria. Basta procurar no site, a única proposta que há no site, séria, concreta, escrita e que não seja um vídeo com bela atuação do candidato, mas zero de conteúdo, é a de transformação do Fluminense em fundação, o que já é em si temerário, podendo configurar até meios de fuga da fiscalização por parte do PROFUT.

Temos então problemas sérios pras eleições desse ano e uma crise séria pra enfrentar: Não temos candidatos que tenham hoje propostas sérias sobre ampliação de nossa base de arrecadação, nem de profissionalização séria da gestão do futebol (compreendendo todo o aspecto esportivo como parte de um sistema de arrecadação, identidade, etc),mas temos uma perigosa união entre o atraso simbolizado por Gonzales e Júlio Bueno com uma candidatura sustentada num perfil marqueteiro, com tática política de inundação das redes e da torcida de propaganda eleitoral vaga e organizada em torno de frases de efeito, mas nenhuma proposta e que se vende como “o novo”,mas oculta, esconde a volta do mais daninho que já passou pelo Fluminense.

Pra piorar, temos uma ação conjunta entre torcidas organizadas ligadas a membros da chapa “Verdade Tricolor” e que pedem a volta de Celso Barros, que já declarou que pagar as dívidas não ganha títulos.

Juntem tudo, somem e vejam o tamanho do problema.

Se a gestão Peter falhou duramente em diversos pontos, sendo coparticipante de um rebaixamento, ela deixou legados que são a gestão financeira do clube, a penetração política do clube na construção da Primeira Liga, que pode vir a ser o germe de uma liga Nacional, e da liga sul Americana de Clubes e a ampliação de patrimônio.

Entregar esse legado à vanguarda do atraso que sustentou gestões que nos levaram à série C e à falência é assustador.

E sobre o rebaixamento em 2013: Não vamos esquecer que a gestão do futebol era da Unimed, que tinha um peso absurdo em 2013 e secou, por absoluto desprezo ao clube e disputa com o presidente do clube, todos os meios de fortalecimento do elenco, sabotou Abel Braga e nos empurrou Luxemburgo por meses a fio.

Mas site tricolor nenhum lembra disso, blogueiro nenhum lembra disso, fica mais fácil discutir a partir da visão de Gonzales, que nos levou à série C e apoia Trengrouse, que Peter Siemsem é o pior presidente de nossa História.

Não é, mas dependendo de quem vença nas eleições desse ano isso só vai ser notado quando a conta da irresponsabilidade marqueteira chegar.

O Fluminense precisa mais de tempo que de reforços

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Na quarta-feira o Fluminense foi derrotado pelo Santos por quatro a dois.

Pela ótica de boa parte da torcida e da grande imprensa o Fluminense foi goleado de forma humilhante, absolutamente dominado, destruído, encaixotado, demitam todos, correto? Não, não está correto.

Embora o bom senso seja um elemento raro na mente da torcida tricolor, uma das menos afeitas ao raciocínio no outrora país do futebol, ele é fundamental para analisarmos o jogo e tentarmos descobrir algo parecido com o óbvio.

Bem, vamos lá tentar?

Há um semi consenso nas redes sociais que o time do Fluminense é “de segunda”. Boa parte dessa afirmação foi colocada nos muros das Laranjeiras na madrugada de quarta para quinta inclusive, o que deixa claro que o senso comum tricolor tá com a corda toda.

Outro semi consenso nas redes sociais é que o time além de de segunda é um time que necessita urgentemente de reforços, algo que assanha o jornalismo whatsap e os grandes portais sedentos por alimentar a sanha de especulação própria do jornalismo esportivo, que deveria se chamar fofoquismo esportivo.

Também há a fixação patológica na figura do Gum e na desqualificação de todos os jogadores que não tenham custado centro e trinta e oito zilhões de euros,mas essa eu vou resolver ignorar porque analisar sandice é questão pra psico proctologista ou algo relacionado.

Até porque quando o reforço que custa zilhões chega ele vira um merda no dia seguinte pra torcida do Flu, ela jamais consegue sequer tangenciar algo parecido com a análise de jogadores, tática,etc, em resumo é uma das torcidas menos inteligentes do planeta, embora ache que essa atitude não é burrice,mas “crítica”.

Mas vamos lá.

Alguém se lembra quando Levir Culpi assinou contrato?

Pois é, ele assinou em sete de março de 2016, estamos em vinte e três de junho de 2016, o que dá exatamente três meses e dezesseis dias de trabalho.

Em três meses e dezesseis dias de trabalho um treinador tem de conhecer o elenco, e o elenco a ele, entender a cara desse elenco, inclusive a emocional, lidar com vaidades, inseguranças, medos, confiança, relação com o clube, saídas e chegadas de cerca de trinta homens adultos e ainda dar organização tática ao time, vencer jogos e campeonatos.

Em três meses e dezesseis dias um elenco tem de lidar com o treinador, sua linguagem, seus métodos, as brigas internas, as vaidades, a compreensão das necessidades internas e unidade,coesão, de melhor compreensão das características um do outro e sua relação com o que o treinador organiza enquanto metodologia de trabalho. E também vencer jogos, campeonatos,etc.

Levir e o elenco tiveram um descanso por algumas boas, e até excelentes, atuações coletivas e individuais, e pelo título da Primeira Liga. Mas essa trégua vem acabando.

Mas por que a trégua entre torcida e time vem acabando? Por um conjunto de fatores onde a burrice coletiva das torcidas brasileiras e sua forma absolutamente tosca de ver futebol contribui muito, mas também não é a única razão, talvez sequer seja a principal.

A primeira razão tem relação com a tosquice coletiva sim. Ontem o time correu,mas perdeu. Douglas foi bem, Cícero idem, mas o Flu é ansioso no ataque, o Santos não. Perdemos, alguém lembra da atuação? Não.

Ninguém se lembra da atuação sequer pra analisar desempenho real de jogadores, da tática do técnico, nada. A derrota gera um fenômeno de ensurdecedora tolice coletiva que faz sempre o mesmo trajeto: procura culpados, culpa o Gum, xinga a diretoria, diz que o time é horroroso, passa a torcer vaiando nos jogos, quem vai aos jogos,etc,etc,etc…

Domingo foi a mesma coisa, era mais interessante pra torcida tentar descobrir se foi Gum ou Giovanni que não fizeram falta no Diego Souza que analisar o gol sob o ponto de vista óbvio de que um time que se lança ao ataque pra vencer jogos se expõe e Diego Souza não é nada fácil de derrubar.

O mesmo aconteceu ontem. Tivemos milhões de chances, criamos muito,mas ficamos expostos e sofremos gols que nos derrotaram. O Santos não desperdiça as chances que desperdiçamos.

Ontem teve mais, teve o requinte de crueldade da atuação soberba do Vanderlei, que incorporou o Rodolfo Rodriguez e nos tirou ao menos dois gols com um endereço tão certo que tava com o tipo sanguíneo do destinatário, além do mapa astral, colado junto com o selo.

O Fluminense foi derrotado com uma excelente atuação, como ocorreu no empate com o Galo, da mesma forma que venceu o Corinthians uma atuação muito ruim.

Os gols do Santos foram culpa da defesa? Ou como alguns elementos mais milenaristas da torcida resolveram inventar foi culpa da ausência do Dom Sebastião do momento, o Edson?

Não, a derrota para o Santos foram culpa dos atacantes do Santos que resolveram, pasmem, fazer gols.

Sim, lamento informar à torcida do Fluminense que quando jogamos campeonatos existe, eu lamento com vocês, adversários. E mesmo o pior adversário possui habilidades, técnico, consegue fazer gols em times que estão jogando contra ele, às vezes jogando até melhor.

O Santos além de fazer o que todo adversário tem todo direito de fazer em campo ainda é um time muito azeitado desde 2015, tem um bom técnico há quase um ano, tem Gabigol e contratou um bom centroavante junto ao Campinense.

Os dois primeiros gols do Santos foram falhas da defesa do Fluminense? Não, amigos. A defesa do Fluminense não é inexpugnável, nenhuma defesa é, e o ataque do Santos é bom para caramba. Entenderam? Gabigol não é Zezinho Totoca, sabe?

Ah,mas tomamos gol de um cara que veio do Campinense! Vocês irão comentar,né? Sim, o que não diminui o gol, o giro rápido, o deslocamento e a conclusão do cara. Fora que só demonstra o quanto nossa torcida é tosca. O cara vir do Campinense não reduz o talento dele. Mesmo sabendo que se ele chega ao Fluminense seria tratado como Câncer de Próstata.

Rodrigão e Gabigol fizeram dois gols se deslocando, recebendo passes açucarados e vencendo nossa defesa que vinha muito bem no jogo até aquele momento. Exploraram espaços que o Fluminense dá ao subir a defesa quando está atacando, movimento que é fundamental taticamente porque a defesa ficar muito atrás com o time inteiro à frente é pedir mais flancos ainda.

O terceiro gol nasce desse risco. O único gol absolutamente abestalhado que sofremos foi o quarto e último, com o time tática e emocionalmente em frangalhos.

Ah,mas perdemos as bolas que geraram os passes pros gols? Normal pra um time que joga domingo e quarta há meses e tem um técnico apernas há três meses e dezesseis dias. E um time que mesmo assim arrisca muito, arrisca sempre, arrisca trocas de passes em velocidade com triangulações e deslocamentos.

Aliás, ontem foi um duelo entre um time com vocação absolutamente ofensiva, veloz e que arrisca e um time com vocação ofensiva criado na transição rápida e desarme certeiro, e com muitos meses a mais de aprimoramento. O Fluminense não tem um Gabigol,mas pode vir a ter se dermos tempo pro Levir e pro elenco se ajustarem. A ausência de um Gabigol é o que faz toda nossa produção ofensiva não gerar gols.

Então temos de ir atrás de um Gabigol? Não necessariamente.

E ai chegamos à segunda razão da perda de paciência da torcida com o time: A ausência de reforços.

Dane-se que chegaram Maranhão e Dudu. Dane-se que o Maranhão jogou bola ontem. Dane-se até que mesmo que tivéssemos o Guerra e o Hummels em campo ontem poderíamos perder pro Santos pelo mesmo placar. A torcida quer medalhão de reforços.

A torcida vê chegar Sóbis no Cruzeiro, Fred sair, Cueva no SPFC (A maioria sequer sabe quem é), etc e pira. Ela quer nomes.

Dane-se se esse medalhão se vier vai ter de se adaptar ao tempo, ao time, ao clube, à torcida mais burra e chata do mundo,etc, ela quer medalhão.

E se vier esse medalhão ela ficará satisfeita? Duvido.

Leiam os blogs e as timelines tricolores e verão que não haverá tempo pra torcida se satisfazer chegando ou não medalhão. Ou o time do Flu vence logo uma sequência ou Levir cai em Julho. A torcida pressiona, a eleição chega, o presidente pira e vai lá menos um bom trabalho possível.

A qualidade do elenco vai ser analisada? Nope.

Levir diz corretamente que o time do Flu sente demais gols contra, e sente, com essa torcida imbecil o elenco sente pressão tripla. Scarpa, Marcos Junior, Richarlisson, Douglas são extremamente talentosos,mas são jovens. Cícero, Henrique, Gum, Jonathan, Cavalieri, Wellington Silva e Magnata são veteranos,mas o eixo de talento tá em jovens, extremamente jovens, que por menos maturidade tendem a errar mais sob pressão.

Desses caras só o Marcos Junior tende a sentir menos, tende a se jogar mais a ter uma postura mais combativa. Douglas é raçudo,mas em situação de pressão tende a arriscar menos no talento e ficar mais atento à obrigações defensivas.

Um medalhão resolveria esses problemas? Não. Talvez melhorasse o passe final, talvez melhorasse nas finalizações,mas resolveria a ansiedade que a própria relação da torcida com o time geram? Duvido.

E a defesa? Precisamos trocar? Só se a gente ignorar a análise pontual das atuações. Henrique e Gum falham sim, mais do que o necessário,mas por razões diferentes são excelentes zagueiros. É contraditório? Não.

A zaga é duas coisas num time: último bastião da defesa e primeiro bastião do ataque. É da zaga que parte o primeiro passe de construção de jogada. E nesse aspecto Henrique, em especial, e Gum estão indo muito bem.

No que tange às responsabilidades defensivas Gum e Henrique tem falhado no um contra um quando o adversário está em velocidade. No combate direto com linhas próximas não vem falhando não, a maior parte dos gols que sofremos vem dos adversários no um contra um em velocidade, em contra ataque com a zaga, que é lenta, exposta.

E ai, não é falha dos zagueiros? Não. Nossos zagueiros falham mesmo em determinadas circunstâncias da bola aérea, quando ela surge em virada de bola brusca ou que exige velocidade, como no quarto gol ontem. No caso da virada de bola a falha nem sempre é da zaga, muitas vezes é dos laterais.

Quando os zagueiros são expostos ao contra ataque a falha é da recomposição defensiva do time, não da zaga. Sugerir que zagueiros façam falta em situações assim é inclusive pedir que arrisquem ser expulsos.

Ou seja, o problema do Fluminense ainda é de organização tática e entrosamento? Bingo, amigo!

E ai chegamos na terceira razão para a qual a paciência da torcida vai pro fim: A saída do Fred e as eleições no clube.

As eleições no clube picham muros, fazem sites, blogs,etc perderem a razão,etc. A saída de Fred criou um ambiente ácido entre a torcida e a direção, danem-se todos os fatores que envolveram o caso.

Juntem os dois e temos Napalm como recheio de carne de porco indo ao forno.

Tudo o que boa parte de blogs e blogueiros tricolores de grandes portais e sites tricolores querem é um desempenho pífio de Peter no futebol. A maior parte dos blogueiros de portais e dos sites tricolores tem uma relação com a política tricolor que é direta, embora finjam que não é. Alguns inclusive já usaram o mantra que pagar as dívidas não ganha títulos, que um determinado ex-presidente de ex-patrocinadora e atual candidato a presidente do Fluminense também usou.

Juntem a isso o fato de por diversas razões, entre elas uma profunda impaciência na gestão do futebol, Peter foi a gestão que perdeu Fred, Unimed e não ganha títulos desde 2012, com a exceção do título da Primeira Liga, que é negligenciado pela torcida e inclusive pela diretoria (E não devia ser).

Temos então em mãos uma bomba assada.

A saída de Fred doeu na torcida, e ela coloca que com Fred venceríamos os jogos (Sabemos que é pensamento mágico, pois perdemos e empatamos jogos com Fred perdendo gols igualzinho o Magno Alves), aumentem a dor com Fred fazendo gols a rodo pelo Galo (Um time que joga pra ele com o velho Muricibol requentado pelo Marcelo Oliveira) e temos ai o festejo da raiva embrutecida construindo tolices.

Fred saiu por muitas razões, acho apenas que ignoram as razões dele para isso. Tornam a saída de Fred uma pressão do Peter e só. E inclusive colocam que mesmo que essa pressão tenha existido ela é intrinsecamente tola e incorreta, como se dizer pra um jogador ou deixar claro ou em conversas ele entender que os salários dele pesam pro clube seja algo automaticamente ruim.

Fred também saiu pra ganhar mais, pra morar em BH, porque estava sim perdendo espaço técnico em um time que não estava tendo dele o retorno esperado técnico e via em Scarpa e em um ataque mais veloz a saída técnica necessária para o que o Fluminense tende a ser no pós Unimed e pegou o boné. Com uma proposta em mãos desde abril e sabendo que Peter se ressentia do custo salarial do jogador, mesmo que não quisesse perdê-lo, a saída não seria difícil de concretizar e ela ocorreu.

Criar nesse episódio um drama mexicano para além das dores típicas das separações, construindo heróis e vilões, é a antítese do bom senso.

Mas é nesse caldeirão que a sopa do Fluminense para esse ano está sendo cozida e é nesse caldeirão que Levir Culpi precisa treinar um time com potencial,mas cuja diretoria, clube e torcida pouco sabe dar tempo para que potenciais se consagrem.

O time ensaia uma maior intensidade, velocidade, troca de passes e saídas técnicas interessantes,mas oscila entre a beleza do ataque com pouca eficiência e a solidez defensiva com pouca criatividade ofensiva.

Isso é natural quando temos três meses e dezesseis dias de treinador e elenco se relacionando enquanto jogam um campeonato brasileiro duríssimo que ainda está na décima primeira rodada.

Com mais tempo a tendência é esse time ser um time extremamente difícil de ser superado.

Não adianta a batalha de Itararé entre escalar Edson ou Pierre ou se precisamos contratar mais duzentos centroavantes e gastar zilhões no mítico camisa 10.

Precisamos é melhorar a recomposição defensiva e a qualidade das conclusões e confiar em técnico e elenco. O resto vem naturalmente.

Conseguiremos? Conhecendo a história recente do Fluminense? Eu duvido.

O Rei está morto, Viva o Rei! Sobre Fred, Peter e outras histórias

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Fredericos chaves Guedes, o Fred, um dos maiores ídolos da História do Fluminense Football Club, foi nesta madrugada transferido ao Clube Atlético Mineiro pelo valor de cinco milhões de reais em um acordo que contou com anuência e negociação consciente do presidente Peter Siemsem, presidente do Fluminense Football Club.

Esse é o fato.

Como ele ocorreu? Como nos sentimos com ele? Como o analisamos? Tudo isso pode ser feito e narrado de milhares de formas mais ou menos apaixonadas, mais ou menos rígidas, mais ou menos frias, todas elas parciais e limitadas.

Eu vou optar pro ser o mais frio possível na análise.

Primeiro vou fazer um julgamento de valor sobre a participação de Fred e Peter nessa História. Depois vou falar do elenco sem ele e possivelmente sem Scarpa. Em terceiro lugar vou tentar traduzir um sentimento a respeito do elenco, do técnico Levir Culpi e da própria avaliação da torcida.

Por que opto por desenhar isso tudo no texto? Porque quero fugir ao máximo do senso comum, das mágoas de caboclo, das previsões apocalípticas, das mumunhas políticas internas ao Fluminense, etc.

Peço licença pra um desvio da suposta rigidez analítica no juízo de valor sobre Peter e Fred. Porque todo juízo de valor é o contraditório da análise. De resto prosseguirei tentando voltar a uma análise menos apaixonada.

Fred e Peter, cada um com seu cada um, cada um com sua motivação, cada um com suas razões e maluquices, vacilaram feio em toda sua relação.

Resgatar Muricy, Conca e Sheik pra bater no Peter e inocentar Fred é tosco e tolo.

Porque compara camelo com alcaçuz. Sacaram? Muricy foi um caso, Sheik outro, Conca outros dois, Fred um quarto caso.

Muricy queria sair porque a estrutura do Fluminense não era a que ele queria e nem havia exatamente previsão de um dia vir a ser, além do Santos oferecer mais de quatrocentos mil a mais pra ele treinar Neymar na Libertadores.

Sheik, puto com a diretoria e em crise com a maior parte do elenco, resolveu sacanear o Fluminense dentro do Fluminense cavando sua dia pra outro clube.

Conca foi vendido duas vezes com enorme pressão de Celso Barros pra recuperar investimento e com a anuência de Peter Cabeça de Planilha.

Conca e Fred talvez sejam os únicos casos em que Peter tem enorme parcela de culpa. Muricy? Pelo amor de Deus, A saída dele tem menos a ver com Peter e mais com aumento no Santos, com leve amor a um discutível dirigente tricolor que herdamos da era Horcades por pressão do Celso barros.

Na saída de Fred juntamos a inépcia de Peter em gerir crises com a necessidade de reajuste financeiro do clube somado a desejos de um jogador que preferiu ser mimado a ídolo e preferir a grana ao capital intangível que tinha como ídolo do Fluminense.

Peter acerta ao não aumentar Fred e a bancar Levir, mas erra no como fez e faz isso desde lá atrás. Peter erra ao vender Fred pra dentro do país, pra um rival e por merreca. Isso é típico do Cabeça de Planilha, inclusive, morre quando vê o intangível.

Esse crime pode ser fatal pras pretensões de Peter de eleger o sucessor. O que, sinto dizer, tô pouco me fudendo.

Fred acerta ao procurar novos ares se se sente sem prestígio e menos valorizado econômica e animicamente. Fred não tem em Levir o Abel paizão nem capachos como Enderson. Levir não precisa e nem quer que gostem dele, quer vencer. Levir não vai pedir ao Fred, com trinta e dois anos, que fique. Fred é adulto, inteligente, sabe o que faz, é um sujeito com personalidade forte.

Onde Fred erra? Objetivamente ao pedir pra sair agora às vésperas de um jogo decisivo tendo ainda lenha pra queimar e vencer mais títulos pelo Fluminense, possivelmente com ele seríamos candidatos diretos ao Brasileiro e à Copa do Brasil.

Fred erra ao sair pra um rival direto. Fred erra ao trocar uma idolatria por duzentos mil a mais de salário, já ganhando cerca de oitocentos mil e tendo uma vida de rei no Rio de Janeiro, residindo em Ipanema, sendo amado por uma torcida que foi a principal responsável pela sua rápida recuperação pós 7×1.

Fred erra por na disputa de poder interno no clube não ter conseguido demitir Levir, vamos ser honestos, sair pra um rival direto.

Isso apaga a história de Fred no Flu? Não, mas a mancha. Saiu pelos fundos.

E sabemos que quem sai pelos fundos não deve ter previsão de voltar. E é melhor que não volte mesmo.

Notem que essa avaliação que Fred erra é minha, não dele, se ele acha que errou o problema é dele. Sinceramente, estou velho demais pra ficar com dramas pessoais porque um sujeito adulto, dez anos apenas mais novo que eu, resolve fazer cagada.

E como fica o elenco sem ele e possivelmente sem Scarpa? Bem, sem ele perdemos técnica e animicamente, mas não morremos.

Sem Scarpa a coisa engrossa, mas também não morremos.

Por que não morremos? A dor do luto não precisa deixar a gente cego, o.k.?

Se analisarmos nome a nome talvez apenas nas laterais e no meio tenhamos uma enorme perda de qualidade em relação ao elenco campeão brasileiro de 2010, e mesmo assim relativa.

Cavalieri e Júlio César são melhores que Fernando Henrique e Ricardo Berna.

Jonathan é pior que Mariano, mas longe de ser absolutamente pior, dividia inclusive com Mariano o status de lateral de primeira linha em 2010.

Wellington Silva e Igor Julião são laterais direitos reservas melhores que Tiaguinho.

Wellington Silva na lateral esquerda é nosso melhor lateral, até a estreia do William Matheus, e Giovanni é bom reserva e os três melhores que Júlio César, Reserva de Carlinhos.

Ou seja, nossos laterais titulares são piores que os de 2010,mas todos são melhores que os do elenco de 2010, onde a substituição dos laterais era assustadora.

Gum e Leandro Eusébio era a dupla titular e é pior, pra mim, ou no mínimo equilibrada com Gum e Henrique.

Marlon, Renato Chaves e Nogueira são muito, mas muito superiores que André Luís. Digão e Cássio.

Diguinho, Valência e Diogo são bem inferiores a Pierre, Douglas e Edson, sem contar que Cícero como segundo volante é superior a todos eles.

Belleti era tecnicamente o melhor que todos, mas jogou pouco, mal e viveu se contundindo, sendo uma anedota relativa à sua sorte de campeão. Fernando Bob em 2010 era uma sombra do Fernando Bob de 2016.

No meio a presença de Conca e Deco faz a enorme diferença entre o elenco atual e o de 2010, sendo que Deco pouco jogou naquele ano, tendo sido muito mais efetivo em 2012.

O restante era composto pelo Marquinho, raçudo e importante, mas inferior tecnicamente a nossos meias, inclusive os da base.

E Willians, Equi Gonzales e Tartá? Scarpa seria titular em 201o jogando como joga hoje, Cícero também. Daniel é muito melhor que os reservas daquele time.

No ataque Fred e Sheik são superiores a Richarlisson, Marcos Junior e Magnata? Claro, especialmente Fred, mas não há uma diferença absurda entre Sheik e Magnata ou Richarlisson, por exemplo.

Washington em 2010 era um fantasma do Coração Valente de 2008 e perdia gols inacreditáveis. Rodriguinho tsmbém e seria banco do Marcos Junior e do Samuel.

Fred e Sheik ficaram praticamente meio campeonato fora. E tivemos de nos virar com reservas muito inferiores a nossos titulares de hoje.

Vencemos em 2010 na tática de Muricy e no Conca destruindo jogos atrás de jogos.

E é a partir disso que tentar traduzir um sentimento a respeito do elenco, do técnico Levir Culpi e da própria avaliação da torcida.

Levir é melhor que Muricy, que se encastelou numa percepção tática engessada e oportunista, que não traduzem seus inúmeros títulos quando tirava coelhos da cartola.

Muricy acabou em 2010, quando pós-libertadores sentou em cima de seu currículo e esqueceu que a vida é outra.

Levir não, ficou anos em um mercado com valores técnicos menos eloquentes, mas com profundo apego a estudo tático, o Japão. E mesmo assim o Japão hoje também tem produzido valores técnicos de nível Europeu.

E quando voltou, Levir reformulou um Atlético Mineiro que teve perdas de ídolos e técnica com a saída de Ronaldinho e Jô. Mesmo assim refez um time veloz, dinâmico, raçudo e lindo de se ver ressuscitando Dátolo, revelando Carlos, tirando o Tardelli da zona de conforto.

Fred não quis sair da zona de conforto.

Levir tem como fazer o ótimo Richarlisson e o ótimo Scarpa interagirem com o ótimo Cícero e os bons Magno Alves ou Marcos Junior ou Oswaldo e produzirem um time rápido, com forte intensidade e transição veloz.

Não é a toa que os nossos gols tenham saído mais esse ano a partir da transição rápida do que através do uso de Fred como nos acostumamos a fazer.

Nosso elenco é tecnicamente ótimo. Douglas é volante dos mais raros, Cícero um meia/volante com muita técnica, ótima finalização e excelente senso de organização. Scarpa é ótimo e se sair temos substituto no Daniel, se falarmos de técnica ou no Robert, que pode ser recuperado por Levir, ou até Dudu, que foi contratado pra isso e tem tanto a finalização do Scarpa quanto a organização, embora seja mais “pipa voada” e precise de muita supervisão do técnico.

E ainda podem chegar reforços.

Maranhão pode ser titular? Segundo Levir pode, eu não conheço, mas dizem que era peça chave na Chapecoense do Guto Ferreira, excelente técnico.

Então o sentimento de luto da torcida faz uma avaliação por baixo de Levir e do elenco, e não é algo que eu compartilho.

A perda de Fred se sentirá mais do lado afetivo e anímico da torcida. Perdemos nosso maior ídolo, mas temos ainda Scarpa, Gum, Cavalieri e um ídolo antigo capaz de sustentar o peso da idolatria: Magno Alves.

E torcemos pro Fluminense, correto? Estamos mais fracos, mas não mortos e longe de vulneráveis. Já saímos dessas antes e sobrevivemos. Dá pra disputar.

E que Peter e Fred… Bem, deixo pra imaginação de vocês.