Somos iguais em desgraça

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A Piedade, além de um sentimento misericordioso, é uma estação de trem que fica entre o Engenho de Dentro e Quintino.

Antes era onde se saltava para ir para a universidade Gama Filho, que um dia vou grande e hoje tá que nem o Botafogo, em uma crise que a levou para a segunda divisão e com chances de acabar.

Nossa desgraça e parte da divina tragicomédia humana que despenteia o orgulho e mostra em rede nacional a cueca puída e velha da decadência do tipo humano, aquele bicho orgulhoso vaidoso de sua razão e que esperava teleologicamente um futuro brilhante que o progresso traria, é que não há Piedade.

Cazuza cometeu muitos erros, mas suas letras erma certeiras.

Realmente somos iguais em desgraça, mas não adianta gritar a Senhor nenhum por uma piedade, porque ele confunde as línguas e pode achar que Piedade é o nome de um meteoro ou do agravamento de nossa estupidez, o que dá no mesmo, e acelerar a nossa desgraça.

Diante do fato de que destruímos o planeta e nos punhetamos em uma defesa debilóide de continuarmos a cometer velhos erros econômicos em nome de um lucro imbecil e viciante que não dá muita felicidade nem pra quem tem, fico aguardando uma carta dos golfinhos nos agradecendo os peixes, pra ter a esperança de existir vida inteligente em algum planeta.

O universo foi sim uma péssima ideia, caro Douglas Adams, mas nenhuma foi pior do que criar os homens. E se teve um design nisso, e não um processo evolutivo, eu te juro que ele não foi inteligente, menos ainda seu criador.

Alias, se Deus for um Designer tá explicado, desenha muito, mas tem pouca criatividade pra criar o personagem.

Se Deus for um Designer ele tem toda pinta de Todd McFarlane da vida, que sem cancha pra criar um Batman decente, fez o Spawn.

E eu fico rezando pra humanidade não ser um herói da Marvel, porque senão ressuscita.

 

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Era só uma piada e esse blog era pra ser engraçado…

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Eu nem gosto da ideia que todo branco é racista, mas é tentadora a aceitação dela com a rapidez da proteção do branco quando este comete racismo.

É a televisão, é a turma do deixa disso, é o Pelé, todo mundo tem um monte de conselho pro negão atingido com xingamentos racistas, todos dizem que ele exagera, se vitimiza, pega pesado.

Todos são excelentes especialistas na passagem de mão na cabeça dos brancos coitados, pobres tolos, que erraram e de pressão para que o negão que se fode todo dia tomando na cabeça de uma sociedade racista não leva às últimas consequências a reação à canalhice que é o ato racista.

É mole ser coitado como fiofó alheio. É mole ser branco e pagar esporro no negão que tá fazendo valer seu sagrado direito a não entubar racismo.

“Ah, mas o Pelé concorda que Aranha exagerou e é negro!”. Amigo, o Pelé calado faz o Fernando Pessoa parecer poeta principiante que vende poema em boteco da Lapa. Romário merece um Nobel só por ter cunhado essa frase.

Esse conjunto da obra do perebismo protetor do racismo, machismo, etc, que vai da TV ao Pelé, é um sintoma da doença social que produz um bando de branquinho meia boca todo trabalhado no iphonismo com sucrilhos que acha que vivemos numa ditadura comunista porque a empregada não quer fazer nescau pra ele depois do horário.

Sim, a criação mimada de um bando de branco que faz muxoxo quando o negro fala, e por isso sai da sala com veludo nos tamancos, é um sintoma da doença social de uma sociedade racista e burra.

Racista, burra, mimada e grosseira, incapaz de assumir qualquer merda de responsabilidade, inclusive a própria marra racista e autoritária que põe o galho dentro quando o negão põe a baiana pra girar.

A rapaziada quando toma na cabeça fica revoltada dizendo “Ah, os brancos são culpados por tudo”.

Mas são mesmo, oras! Da devastação ambiental ao genocídio indígena, a diáspora africana e o extermínio da população preta, a bomba atômica, etc… Tudo isso é invenção do branco, ocidental, oras! Assume!

Só o machismo e o patriarcalismo que eu distribuiria por igual, mas o resto é tudo filho dileto da razão, do iluminismo, da civilização ocidental.

Sim, amiguinho, o branco que matou uma pá de civilização, o branco que comercializava preto (E não seja imbecil de dizer que outras civilizações também escravizavam, vai estudar!), o branco que matou judeu pra cacete, o branco que jogou bomba atômica, o branco que inventou a civilização do petróleo, o branco que inventou o Danilo Gentilli e o branco que acha que racismo, machismo e homofobia são piadas, ironias, descuidos, do alto de sua branquelice sem noção.

A culpa, amiguinhos é branca.

Transformar tudo isso em piada é só uma piada mortal.

O body count real só não é pior do que a contagem de bom senso mandado às favas em nome da supremacia do próprio privilegio.

Enfim, a ideia da piada, ironia, descuido é até fofa se não fosse cômoda de um bando de jegue incapaz de reconhecer a própria ausência de noção e de melhorar enquanto gente.

Esse blog era pra ser engraçado.

Civilização é o caralho!

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No passado diziam que o mundo moderno criaria assassinos e que a nova urbanidade era anticivilizatória. Estavam parcialmente certos os profetas do passado, porque a tal civilização é que no fundo é anticivilizatória, ou melhor dizendo, inumanamente antissocial.

As cidades sempre foram uma espécie de antessala da desumanização, mas os profetas do apocalipse urbano estavam certos no caminho delas para a criação do monstro comum das sociedades modernas, para a produção daquilo que seria uma espécie de Leviatã do século XXI: O cidadão de bem.

Só que eles foram tímidos na previsão, além do cidadão de bem as sociedades modernas criariam capetas sazonais através dos serviços de telemarketing, especialmente o das operadoras de TV, Banda Larga e celular. Esses capetas sazonais criam pelos, chifres e um ódio imortal a toda operadora dando inveja ao Michael Douglas em um dia de fúria.

Os profetas deram mole também na descrição de civilização como algo bom, sendo ela na verdade o mal dos séculos.A civilização é boa pela tecnologia, mas no geral é um saco inchado após chutes múltiplos.

Os ditos “Selvagens” vivem numa boa muito maior que os civilizados e ainda se fodem por isso. Porque o civilizado além de um destroçador de mundo é um destroçador dos “selvagens” que tem uma visão muito mais bacana do que a “civilizada”, mas que por não responderem ao mesmo eco dos “cidadãos” tomam e tomam fundo.

 No fundo a cidade, e não a TV, é uma máquina de criar doido. A única coisa boa da cidade é o boteco e o trem no fim de semana.

 O trem no fim de semana é o melhor shopping do mundo: Tem ar-condicionado, tem gente vendendo produtos, é um lugar fechado e nos leva de lá pra cá. A gente entra em um lado e sai em outro totalmente diferente e ainda ri com um sujeito com peruca verde-amarela cantando Wando.

 Além do trem no fim de semana e dos botecos o que resta das cidades? Nada.

A cidade é uma substituição da natureza sem muita vantagem, e pior, ainda queima carbono, fode o regime de chuvas e tende a ser atriz principal do caos urbano final do apocalipse civilizatório do homem branco.

A cidade é civilizatória, só que civilização nem sempre é bom, principalmente quando rima com um desenvolvimento com focinho de capitalismo.