Tentando ser Genial

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Existe um tipo de reclamação sobre manifestações artísticas ou não que dizem que o tentar ser genial e falhar é um erro.

No humor também tem isso e tem sido repetido quando se referem a Rafinhas Bastos e Danilos Gentillis e ai temos um problemão.

Porque o erro dos caras não foi tentar se genial e errar, foi insistir em serem idiotas. Preconceito não é radical, nem rompedor, é reforço do status quo. E insistir em preconceito é passar recibo de incompetência para ir além do senso comum.

“Ah, mas eles brigam contra o políticamente correto!”, na verdade não, eles brigam contra o correto apenas. Porque dizer que preto é macaco não é lutar contra o politicamente correto, é racismo mesmo.

Brigar contra o politicamente correto? Vejam “A Vida de Brian” quando um dos militantes das inúmeras frentes de libertação da Judeia diz que é mulher e que a partir daquele momento ele iria ser tratado como mulher, depois cês me contam.

Neste pedaço do ótimo filme os nobres comediantes ingleses do Monty Python conseguem, sacanear ao mesmo tempo a esquerda e suas decisões “libertadoras” sem muito sentido afora o extremamente simbólico (O cara dizer que é mulher não o torna mulher, tampouco muda a lógica de tratamento das mulheres naquele ambiente) como expõe o machismo da mesma esquerda e de fora dela. Isso é ser genial, e eles o foram sendo geniais e arriscando sim parecerem idiotas. Bateram no politicamente correto e politicamente bateram no politicamente incorreto.

É humor? É e do melhor, porque desmonta. Desmonta o sisudo comunista de jargão de manual e o machistão meio bundão que insiste em nem pensar em como é ser mulher.

E é interessante como discutem com tanta ênfase o tentar ser genial. Queiram o que? Tentar ser idiota? Isso é mole, é só agir naturalmente, a genialidade não é comum, o grotesco, o imbecil, o raso são.

Não é comum ir contra a corrente, não é comum inovar, o comum é seguir, o que fazem Rafinhas Bastos melhorando o vocabulário das zoações preconceituosas de ginásio branco de classe média.

Inovar é treinar as famosas cócegas na inteligência, agir como sutileza ou não, que nem o Andy Kaufman cantando a música do super Mouse em horário nobre ou o Capitão Gay do Jô Soares, como a Comédia da Vida Privada onde uma lente no cotidiano das pessoas revela o patético do dia a dia e ri de si mesmo, esfregando a realidade na cara das pessoas. Como as Cobras em uma tira onde se pergunta “De que espécie você é?” e toma-se a resposta “lá em casa é todo mundo Vasco!”.

São coisas geniais e simples, talvez geniais por que simples, sem afetação e sim, se tentou ser genial, sempre se tenta, se tentou ir contra o normal, o comum e mostrando o comum.

O humor é antes de tudo político, todo ele, por isso humor a favor não funciona.

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O Futebol e o Popular

A situação econômica aqui de casa tá tão ruim que a gente só entra na classificação do IBGE pela área de serviço, e isso se a classe C não desconfiar.

Ultimamente a gente tá tendo inveja do pobre, ao 300397menos o pobre tem o que comer, mas a gente segue se virando porque nóis não é quadrado, é redondo.

Não existe nenhuma pretensão de desqualificar a classe c ou o pobre aqui, nenhuma mesmo, a gente acha bacana o fudido ter um alento, mesmo que seja mezzo mutreta e mezzo mussarela, mas é louvável que existam menos pessoas fudidas, ao menos alguém não tá tão fudido quanto a gente aqui em casa.

Enquanto não ampliam o bolsa-fudido pra fudidos não cadastrados a  gente vai tentando se alegrar no futebol, o que nem sempre é uma boa escolha.

Futebol é coisa séria, nunca alienou ninguém e tá aí pra isso, pra que a gente perca a cabeça e xingue o juiz.

O Futebol é aquele elemento desimportante do cotidiano do cerumano como gente que imbui todo mundo do espírito-de-porco atávico inerente ao humano como ente. Ou seja, no futebol todo mundo é um pouco filho da puta, xenófobo, mal caráter e huno.

Futebol faz coroinha evocar o capeta pra fustigar o Papa, se o time do Papa estiver vencendo o do coroinha. Futebol faria a Madre Teresa de Calcutá mandar São Francisco à merda. Gandhi só foi Gandhi porque jogava cricket.

No Futebol os Hunos corariam e pediriam pra sair.

Em dias de rodada vemos o moderado do partido de esquerda chamando o juiz pra porrada. Em pelada monge tibetano dá voadora, aliás tá pra nascer time pra bater mais que time de seminário.

O Futebol não perdoa ninguém, por isso ele é popular, pois é do popular a brutalidade do dia a dia.

O Popular em geral mastiga gilete e acha chiclete coisa de fresco, é do jogo das explorações cotidianas, de duas horas no busão, de ver seus últimos vinte contos virarem dois porque tem de comer, né?

O Popular acha que zagueiro clássico só pode estar de sacanagem. Pra defender o seu, o popular bica pra cima, chuta o adversário e dá na cara do  juiz, porque o Zagueiro clássico quer fazer flozô na área com essa tal de técnica que não funfa na hora de pagar o mercado?

Eu como torcedor tricolor não consigo achar errado o Popular, não pela tradição popular do Fluminense, mas pela grossura média de suas históricas equipes mesmos. nós tricolores somos antes de tudo amantes do violento esporte bretão à la inglesa, somos clássicos e isso em futebol significa grossos.

Por isso o Popular tá prenhe de razão em agir como um huno enfurecido quando relacionado ao futebol. Claro que não querendo quebrar tudo e matar uns aos outros, isso a gente entende em quebras-quebras e embates com exército ou polícia querendo reprimir manifestações legítimas, mas como amantes do futebol viril e sem frescuragem.

Matar uns aos outros porque torcem pra times diferentes é bestagem e  das altas.

O popular que enfrenta o busão deveria ser consultado pelo técnico do seu time pra entender como são as coisas. O Futebol seria melhor, aliás se os governos consultasse menos o Eike e mais o popular também seria uma coisa boa, mas ai já é utopia.

Humor or not humor this is the question

imagesO humorismo é o desastre transformado em chiste. É como um trem invadindo uma estação, só que com nariz de palhaço.
É uma espécie de filosofia feita por padeiros ou o mercado automotivo gerenciado por micos de circo. Isso é o humorismo, uma espécie de caos controlado sublimado por um camelo desenhado que torna-se vivo e entra no buraco vendido pelas indústrias ACME.
O humorismo não precisa fazer sentido, não precisa fazer sons saírem de seus ouvidos rumo a uma inspiração, ele precisa tornar o sério ridículo, o sagrado profano, o solene em patético.
O humor é como a batina do padre levantada por uma lufada de vento revelando cintas ligas e sapato alto.
images2A função primeva do humorismo não é fazer rir pela graça, mas pelo grotesco. E a confusão que fazem do grotesco com exposição de anão é que o grotesco não tem nada a ver necessariamente com o nitidamente deformado, mas com o que é deformado na normalidade.
O humor inglês é danado pra usar o lorde clássico como exemplo do ridículo, ou a senhora de idade “fofinha” como exemplo do ridículo e é um exemplo clássico que o humor não é fazer gracinha, mas demolir solenidades.
Muita gente acha humor dizer que todo viado é surdo, eu já acho que humor é saber que nem todo viado é surdo, mas também saber que quem acha engraçado dizer que todo viado é surdo é antes de tudo um babaca.
images4Humor não tem a ver com rir necessariamente, mas com incomodar, só que o incômodo da sustentação do status quo é o choque da violência que o status quo precisa para se manter, o incômodo do humor é antes de mais nada o incômodo do desequilíbrio ao descer a escada.
Humorismo é assim, uma espécie de Papa usando pé de pato e assoviando o hino do Flamengo no meio da missa do Galo, é como  a presidente da República se assumindo Argentina e largando tudo pra lá porque resolveu encenar Cats na Broadway, é como o Malafaia se assumindo Gay e carnavalesco e assumindo o carnaval da Unidos da Tijuca.,
Humor que não sacode as estruturas não é humor, é gracinha. E gracinha qualquer cunhado faz. Todo Poodle faz gracinha. Humor é outra história.

O Sacador das Paradas

images3A sabedoria como arma de repetição indefinida da mesma coisa como verdade só vista pelos inciados pode ser qualquer coisa, menos sabedoria.

Enxergar o que os demais não enxergam é raríssimo e em geral só ocorre quando você é aquele leitor de livros pra cegos no instituto Benjamin Constant, e olhe lá, porque tem os demais companheiros leitores ao lado pra sacanear sua especificidade.

O sujeito que se posiciona como sacador fodaço do concreto, enquanto obviamente por oposto você é uma mula míope que faltou aula demais no supletivo e não sabe de nada, geralmente é aquele cara que carrega a mesma verdade usada há uns dez anos, talvez herdade de um tio vetusto, e repete ela ad infinitum, e óbvio, como qualquer relógio parado acerta algumas vezes.

O Sacador das paradas, como chamaremos a partir de agora nosso amigo mala sem alça, é muito comum em partidos, organizações de direita, fascistas, micro-organizações de esquerda,igrejas evangélicas mutcho doidas, praças, pregações, testemunhos de Jesus e Jeová (que devem ter cometido um crime feio porque tem uma porrada de testemunha a favor deles) e outros antros mal iluminados e fechados que causam este tipo de fungo obviamente tóxico a quem por exemplo, não acha tudo assim tão simples.

Aliás, o simples é geralmente irmão da verdade no discurso da rapaziada. É tudo muito simples na maioria do discurso e é até fácil entender o motivo, quando a gente tira todo o complexo da discussão, todo o concreto e suas miríades de possibilidades, o que fica é o simples, só que esse simples tende a ser simplório.

ball_bandeira_eua_fivbQuando você vê alguém dizendo que é simples alguma coisa que tá na cara que é óbvio que não é nada simples, espere mais cinco minutos e lá vem a verdade, vestida de fraque, pincenê, polainas e com vocabulário empolado. É aquela verdade do XIX, que salta na tua frente que nem assombração e não se fura a te dar um mega esporro porque tu não leva a menor fé nela, que é a enviada da Razão, ainda mais depois que Hitler usou a Razão pra matar uma rapaziada ai em fornos e câmara de gás.

O detentor da verdade, o Sacador das Paradas, além de mala é arrogante. E de uma arrogância poucas vezes amiga de algum tipo de inteligência. Em geral o cara caga solenemente para uma série de pressupostos do real que ele diz analisar e manda ver no mantra mais próximo e ainda diz que todo sujeito que pondera qualquer coisa é que é o idiota.

images2Então não se surpreenda com a presença do Sacador das Paradas em um mundo a cada dia mais em crise porque a tal razão foi tomar chá e era de cogumelo. Ele é filho dileto da crise da razão, por isso se agarra à uma verdade construída coletivamente e repetida de forma ritmimada em mantras, palavras de ordem e místicas que a estruturem como um colchão de conforto em um quadro onde a miríade de explicações exige mais que simplismo.

E ai o Sacador das Paradas pode ser um Sábio algum dia, quem sabe? Mas numa civilização onde você não vai mais estar.

Todo babaca tem um pouco de navio negreiro

1-a-a-a-a-homossexuais-laerte-todo-mundo-gayO bom humor é uma característica exigida nos cotidianos da vida, nessa linha tênue entre leis atávicas do senso comum e brilhantes variações psicológicas da indústria da felicidade auto-ajudada. Pra emprego então o bom humor disputa cabeça a cabeça com o dinamismo o status de primeiro critério de seleção.

Bom humor e dinamismo tornam jegues em gerentes, e tornam-se mais que meros recheios de um mundo de competência adquirida. Bom humor e dinamismo tornam um sujeito banal em um bemhumoradíssimo gerente chefe da rapaziada, amigo do diretor e genro do dono.

O Bom humor tornou-se faz tempo uma lei geral da humanidade, sorrir é preferível a xingar. Sorrir é mais importante que lutar por direitos, que refletir. Sorria, sorria, é tempo de sorrir, sorria!

Um sorriso dinâmico é melhor que MBA.

A felicidade que irá desabar sobre os homens é mais que uma ditadura, ela virou um status quo gargalhante numa versão concretizada do Admirável Mundo Novo de Huxley, onde nem as pilulas de felicidade e simulação de orgasmo faltam mais.

Só que a felicidade obrigatória tem um que de punheta. É bom, mas… Não é foda.

A felicidade obrigatória não tem o tom de amargura que o riso tem, todo ele, em suas melhores fases. O ceticismo cínico de Groucho não era fruto de anos felizes nas neves europeias, rir ali era desmoralizar a partir de um riso descrente no outro, descrente e sabedor do patético do humano. Chaplin idem, Monty Python idem. O bom, no sentido qualitativo, humor, era menos o bem humoradismo babaca de hoje e mais um humor de qualidade filho dileto do cinismo e da descrença no humano.

“Ah, mas Chaplin acreditava na humanidade!”, sim, acreditava, mas vendo que ela era ao mesmo tempo patética, cruel, burra. Monty Python idem faz troça da própria fé na humanidade, que todos eles têm. O humano patético, burro, cruel, raso é um humano que mesmo sendo uma bela anta pode transformar o mundo. Mas ele nunca vai transformar o mundo se for tratado como um babacão sorridente e acomodado na caixinha em que foi destinado a se encaixar.

Todo babaca é contra-revolucionário.

navio-negreiro-dafhneE aliás, esse lado entusiasmado, empolgado, feliz e sorridente da babaquização da humanidade é o que torna as pessoas de uma burrice estanque atroz. É a burrice babaca, do cara que opta por não refletir em nome de garantir seu pedaço de estábulo, com medo de refletindo entender o quão babaca está sendo e com isso perder sua ração diária de feno.

O bom humor obrigatório babaquiza e estagna até o imbecil atávico.

No reino do humor construído em um mundo árido, feito do ceticismo necessário que não aceita entrar em um clube que lhe aceite como sócio, o imbecil atávico ri, mas ri mudando, deixando de ser zé ruela, ri de si mesmo, ganha sabedoria.

A acidez do riso canalha desimbeciliza o homem.

E todo babaca tem um pouco de navio negreiro.

O Ser humano é o único animal que…

imagesEssa frase “O Ser humano é o único animal que…” é algo que ganhou status de sabedoria instantânea, tipo um miojo mental típico das redes sociais. E em geral sai em três minutos após alguma tragédia, mega vitória de algum time, surto de bobagem endêmico,etc.

Ai lá vem “O Ser humano é o único animal que mata por prazer” ou “O Ser humano é o único animal que estupra” ou “O Ser humano é o único animal que vota em seus piores inimigos”, o que deve estar correto porque nunca vi eleição entre cabras ou ovelhas, o que em tese faz dos Lobos e Onças verdadeiros ditadores, mas isso é outro assunto.

images2A sacanagem é que a frase mestre disso, “O Ser humano é o único animal que ri”, do Aristóteles, Ari de Toga pros íntimos, nem é lambida.

Talvez o tenha sido pelo mestre Millôr que reproduziu como “O homem é o único animal que ri e é rindo que ele mostra o animal que realmente é” ou pelo contramestre Luiz Fernando Veríssimo que dinamitou com “O homem é o único animal…
… que ri … que chora … que passa por outro e finge que nao vê…” presente em seu poema “O Único Animal”.

Pra sabedoria instantânea, no entanto, mais vale uma frase ruim na mão do que duas citações bacanas voando. Então o povo dana a criar “O Ser humano é o único animal que penteia o cabelo que nem o Neymar”, “O Ser humano é o único animal que torce pro Flamengo”, “O Ser humano é o único animal que assiste BBB” e que, acrescento, lucra com o BBB, reclama do BBB, vai pro BBB, tuita sobre o BBB.

homem-unico-animal-pode-citacaoE nessa criação louca o Ser humano é o único animal que faz do Aristóteles um criador de meme.

É isso o Ser Humano, o único animal que diz a frase “O Ser humano é o único animal que…”.

Piadas

piadaPiada é que nem cu só se deveria dar a quem pede.

Piada também, dada a proximidade com cu, é que nem peido, não é algo que se deva soltar no elevador assim, em público, sem nem perguntar se pode.

Piada é cosia séria, se todo mundo soubesse fazer não haveria a profissão de humorista.

Aliás, o maldito desgraçado que criou o mito do brasileiro como um “povo engraçado” deve ter sido inglês e isso deve ter sido uma piada. Depois dessa o brasileiro não só não entendeu a piada, como acreditou que era verdade. Depois o lusitano é que é uma anta.

images (3)E ai criou-se o piadista de rua, o piadista-moleque, o piadista-arte. e somos alvo cotidiano de piadas como se piada fosse oxigênio e precisássemos dela para viver

Vamos lá, leiam meus lábios: Não precisamos de piadas pra viver, nem de bom dia. é possível inclusive não rir um dia inteiro  nem querer isso, viu? Se não tá na constituição devia estar.

Quando a piada se tornou item obrigatório no cotidiano e o “engraçadinho” virou uma papel social relevante na sociedade brasileira o caos começou a por suas manguinhas de fora e passei a acreditar em apocalipse. O adágio “Perco a piada, mas não perco o amigo” devia conter o adjetivo “boa” junto, porque o povo anda perdendo amigo aos montes com piada meia boca.

O engraçadinho e a saúva são os males deste país!

Piada é coisa séria, gente, mas não é obrigatória, não vem na cesta básica. Aliás, tinham de inventar um profissional pra dizer pras pessoas: Você não é engraçado! (Se escrever isso nos coments do blog vai dar merda, viu?).

Vamos lutar por um mundo com piadas moderadas, pela restrição das propagandas com piadas, pelo fim dos programas humorísticos na TV aberta, pela desapropriação do Comedian Club, vamos sequestrar o Marcelo Tas e colocá-lo na cama com Sarney.

images (4)Vamos sair às ruas como o cansei.. ops, o cansei não. Vamos sair nas ruas como os petistas que lutam contra o golpe do mensalão! Como? Não foi golpe? Ninguém saiu às ruas?  Ok, esquece essa. Vamos sair às ruas como os .. os.. ninguém mais sai às ruas?  Então vamos ficar em casa e escrever protestos veementes em nossos blogs e xingar muito no twitter, mas façamos algo.

Por um mundo sem engraçadinhos!