Abel e o retorno de um tipo de amor.

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A Torcida do Atlético Nacional de Medellin compôs o seguinte cântico ontem:

Que lo escuchen

En todo el continente

Siempre recordaremos

Campeon al Chapecoense #ForçaChape”

Ao ouvi-lo não pude deixar de me emocionar. Porque tem uma enormidade esse canto, essa torcida e esse clube que transforma tudo em pequenez, todos em menores, e isso é bom, porque essa percepção de consciente pequenez nos permite o aprendizado da melhora.

Aliás, salvo pontuais exemplos de estupidez cotidiana tudo o que envolveu a tragédia com a Chapecoense nos ensinou mundialmente caminhos de melhoria e transformação humanas poucas vezes vistos na história da humanidade.

O que vai permanecer vivo depois do período de luto não sabemos, podemos apenas rezar para que as diversas lições em inglês, francês, português, alemão, árabe, chinês, japonês, espanhol, etc permeie uma renovação no humanismo que fez o mundo um tanto melhor nos últimos séculos.

Sabemos que o mundo tem a velha mania de nos surpreender negativamente, e está aí Trump para não nos desmentir, mas vá lá, quem sabe, episódios traumáticos como esses nos renovem enquanto pessoas.

Não é todo dia no velho e violento esporte bretão que uma equipe solicita à confederação para perder um título e que esse seja atribuído ao adversário abatido por uma tragédia, vamos combinar.

Não é todo dia que brasileiros, das nacionalidades mais egoístas do planisfério, apoiam coletivamente o renascimento de uma equipe que o senso comum colocaria como “Pequena” em nome de nossa estrutural hierarquização e não só, de forma sensível e solidária se colocam exigindo que seus clubes auxiliem concretamente a Chapecoense, inclusive negativando no SPC moral os presidentes e dirigentes que não respeitaram a dor coletiva.

Aprendemos que existe saída nos últimos dois dias e não faço nenhum malabarismo pra incluir a contratação de Abel pelo Fluminense como parte disso.

Por quê? Abel tem trocentos defeitos, mas falta de amor pela vida, pelo Fluminense e pelo futebol não falta naquele corpanzil.

E não só, Abel é ético como poucos, é humano, é vivo, é bom. Nem precisa ser brilhante pra sacar disso.

Abel é dos poucos caras que se expõe com uma coragem do tamanho de seu corpo para exprimir amor, raiva, dor, mágoa.

Abel é gente, Abel é parte da onda boa que é a solidariedade a Chapecó desde anos antes da tragédia, desde que nasceu.

Não é uma sumidade técnica, não é o novo Guardiola, é apenas o Abelão, aquele cara que ama tanto o Fluminense que lacrimeja quando fala que o Fluminense o salvou de ser bandido, da mesma forma que lacrimeja quando fala do Inter tê-lo ensinado a ser grande técnico ou coisa parecida.

Abel volta pra pacificar o Fluminense sem nenhuma revolução tática ou de gerenciamento, nem aversão a elas.

Abel vem fazer seu trabalho, um time competitivo que jogue por amor ao futebol. Às vezes jogará feio, às vezes bonito, às vezes aberto, às vezes fatal como uma cobra, mas sempre lutando e querendo viver e vencer.

Abel chora, deve ter chorado muito ontem, deve ter abraçado seu filho, deve ter abraçado a camisa do Fluminense e a do Inter, deve ter lembrado de histórias, dos abraços em Caio Junior, dos jogadores que treinou, do medo de avião.

Se bobear a tragédia com a Chapecoense o ajudou a fechar com o Fluminense.

Abel tem coração, assim como demonstramos ter alma e coração ontem, hoje e espero que pra sempre.

A tragédia com a Chapecoense nos lembrou coletivamente, e mundialmente, de nossa finitude e do quanto amamos este esporte que fundamenta nossas identidades em cores e escudos.

A tragédia nos lembrou de um tipo de amor que poucas vezes se vê e viu nos últimos anos, mas que estruturou ideologias, cantos, artes, danças, vitórias.

A tragédia nos fez parecidos com Abel, coração grande que bate forte pelo que ama, que ri alto, que luta, que abraça, que chora.

Abel é a cara deste amor, que ele faça no Flu a volta de uma unidade que nos ajude a sermos mais solidários uns com os outros.

Eu preferia Roger, pela possibilidade de revolução tática, mas Abel nos traz a possibilidade de uma revolução anímica, de alma, de amor, de coração.

Não a banalizada raça ou luta, mas amor mesmo, amor, aquele amor que temos por nossas mulheres e homens, filhos, cães, ideias, aquela vontade de cuidar e abraçar.

A gente precisa de Abel pra aprender de novo um respeito e amor que deixamos cair em algum lugar assim como precisamos de uma tragédia para começar a nos respeitar mais enquanto rivais e respeitar mais os profissionais que dão o sangue pelas cores que amamos.

Todos podem morrer amanhã, essa ideia baliza uma necessidade de nos amarmos mais.

Abel pro Fluminense simboliza o retorno deste amor assim como o Atlético Nacional nos ensinou a possibilidade de sermos maiores do que a mesquinharia cotidiana.

Podemos ser melhores, mais humanistas, mais solidários, mais fortes, menos mesquinhos e sectários.

A hora de crescer chegou.

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As eleições no Fluminense, o futuro, o passado e a fanfarra.

050898 vanguarda no poder

As eleições no Fluminense são apenas no fim do ano (Novembro ou dezembro, acho eu),mas foram antecipadas há tempos.

O candidato Pedro Trengrouse inclusive que todo santo dia divulga vídeo chamando os adversários pra debate ou faz uma “proposta”, divulga seu currículo, etc, provocando intensa atividade em seu site.

Sites especializados no Fluminense e dirigidos por tricolores fazem matérias a todo momento com temas relacionados à eleição, em sua maioria sendo oposição à atual gestão e dando voz às chapas de oposição que disputam a eleição.

Normal e do jogo, eleição é assim.

O problema em si está na ausência da tal transparência que cobram tanto da gestão atual: Nenhum site se assume enquanto apoiador de candidato A ou B. Mas todos têm linhas editoriais claras, e a maioria delas circula em torno da divulgação de notícias e de vozes ligadas às chapas apoiadas por Antônio Gonzales do Movimento MR21 e Celso Barros, que até o momento ainda é pré-candidato, mas pelo andar da carruagem tende a apoiar Pedro Trengrouse, que não acharia nada mal receber esse apoio.

Bem, pra começar informo que eu apoio a atual gestão, embora seja um veemente crítico da forma como atua no futebol e no marketing. Sempre fui claro que apoiava a atual gestão e apoiaria, e apoiarei caso seja candidato, Mário Bittencourt para presidente, com a devida ressalva que ele teria de manter a política de gestão financeira de Peter.

Agora que já cumpri a devida formalidade da transparência eu gostaria de cobrar a mesma transparência dos demais candidatos.

Se Pedro Abad é cobrado pela gestão Peter Siemsem, por que Trengrouse quando é abordado por ter em seus círculos de apoiadores Antônio Gonzales que foi responsável direto pelo rebaixamento do clube à série C não é cobrado por isso?

Por que Abad tem de ser atacado e cobrado por ao responder a perguntas sobre um suposto shopping nas laranjeiras dizer “Não sou refratário à ideia, mas quem decide são os sócios e os conselhos!”, e é cobrado pessoalmente e como, adora Trengrouse, fulanizadamente, mas Pedro Trengrouse não é cobrado por ser apoiado por Julio Bueno, aliado de Horcades, que é responsável direto pela escalada de dívidas do Fluminense e conseguiu não aproveitar o investimento da Unimed no futebol pra sanear dívidas e as ampliou, deixando o clube com dívidas enormes na Fazenda Nacional, com o FGTS e até na companhia elétrica?

Por que Peter é cobrado, com razão, pela péssima gestão no futebol e Trengrouse, que tem como aliado quem na gestão do futebol nos levou á série C, aparece como “o novo”?

Por que Trengrouse, que prega “continuidade sem continuísmo” ataca exatamente a gestão Peter em relação a projetos de Xerém, centrais, como o da compra do clube na Eslováquia e na gestão financeira insinuando que a contratação de jogador para 2017, Sornoza que é um dos destaques da Libertadores, é “gestão temerária e pode nos tirar do PROFUT”? Por que Trengrouse faz essa sugestão no mesmo vídeo que diz “desconhecer os detalhes e cobrando transparência”? Não conhece os detalhes, mas insinua gestão temerária?

E contratação de jogador deixou de ser ativo? Contratação, se é que está acontecendo, de um dos destaques da mais difícil competição continental deixou de ser ampliação de ativo pro próximo presidente?

Mas não paremos por aqui, vamos mais longe, vamos deixar de “fulanizar”, vamos falar de propostas: quais as propostas dos candidatos para futebol, marketing, gestão do clube, etc?

Nenhuma. Isso mesmo, nenhuma, nenhum deles tem proposta nenhuma.

Abad, Cacá ao menos apontam, corretamente, que tem muito tempo pra eleição e que é preciso maturar programas, etc, mas Trengrouse chama a todos o tempo inteiro para debates, produz vídeo atrás de vídeo, demonstra um vasto, e bom, currículo, mas… e suas propostas? Nada, castelos de areia, castelos de nuvem, nada.

Trengrouse propõe ampliação da participação da torcida na gestão do futebol, mas não só não diz como, como a sugestão que deu, a de escolha de treinador via internet por consulta com a torcida, demonstra que ele entende pra caramba de espetáculo e marketing, mas ZE-RO de gestão esportiva.

Pois é, em um mundo onde a cobrança de cada vez mais profissionalização do futebol, com o time em campo sendo parte de um complexo sistema de negócios, onde a desportividade tem relação direta com arrecadação em marketing, etc, e onde o time em campo tem de ter um processo claro de ligação entre gestão, contratação, organização tática, identidade técnica e tática entre todas as suas equipes, entre base e profissional, ou seja, um puta sistema complexo onde o técnico é parte essencial da engrenagem, o brincalhão sugere que façamos uma escolha do gerente executivo, do diretor técnico, do principal profissional da parte operacional do departamento de futebol, via enquete de internet e participação da torcida por eleição.

Percebe, Ivair?

Sabe o que é isso? Factoide. Porque é antiprofissional em sua essência. E explico: uma torcida é composta por milhões de pessoas, com compreensões díspares de tudo, de política a música, passando por perfis táticos e opções de planejamento de curto, médio, longo prazo pro futebol. Além disso, 90% dessa torcida é absolutamente leiga em futebol, age e pensa com uma base sustentada em senso comum e que não diferenciam Eduardo Baptista de Levir Culpi em relação a perfil de gestão técnica e tática de elenco e de jogo, que pedia Roth pra substituir Eduardo Baptista, que soa quase como pedir Vinho Rosé pra substituir Suco de pêra. É essa mesma torcida que vai definir o técnico de uma equipe que custa milhões por ano e é a ponta de um processo de faturamento de outro tanto de milhões por ano? Sacaram?

Tem mais, e tudo o que se lê sobre a gestão de trabalho em futebol onde trabalhos de médio a longo prazo tendem a ter resultados melhores? E os que também colocam que a manutenção de um perfil tático, definido com a clareza de que deve ter resultado em geral de médio a longo prazo, alguns em longuíssimo prazo? Tudo isso vai ser jogado no lixo, toda a abordagem profissional do futebol em nome de uma ação factoide que é antiprofissional em sua essência, é democratista, e não democrática, e explode qualquer planejamento mínimo de futebol? Ou a contratação DO ELENCO também vai ser via enquete, dane-se a gestão financeira e a integração com a base?

Percebem que o candidato não tem a menor ideia de como pretende gerir o futebol?

Mas não para por ai, ele sugere que uma tática de contratação seja a de uso de “Crownfunding”, porque funcionou pra produzir livros e festas. Sério que um especialista da FGV em direito esportivo não sabe a diferença de dimensão de financiamento coletivo entre milhares de reais e muitos, mas muitos milhões de reais? Não acompanhou o caso Wesley no Palmeiras?

Além disso, o candidato ignora um outro lado do processo: a concorrência entre um possível “Crownfunding” pra contratação de jogador e nossos planos de sócios, sem que o “Crownfunding o permita aos associados a conquista do direito de exercer a cidadania tricolor, em resumo, de votar pra presidente do clube? Ou há uma relação direta entre a defesa de um e outro com o objetivo de no médio prazo reduzir o colégio eleitoral?

Pra piorar o candidato videomaker adora sugerir que precisamos “nos unir em torno do Fluminense”, mas seus aliados, como Gonzales, que nos levou à série C, adora atacar a direção acusando Peter Siemsem de “O pior presidente de nossa história”.

O candidato não dialoga com seus aliados? Ou dialoga, mas a chapa é solta, cada um defende o que quer? O candidato concorda com seu aliado?

E se Gonzales acha que Peter é o “pior presidente da nossa História”, mesmo sendo vice presidente de futebol em 1998 e nos levando pra série C, qual o parâmetro de “continuidade, sem continuísmo” de Gonzales, da chapa e por consequência de Pedro Trengrouse?

E se Gonzales acha que Peter é o “pior presidente da nossa História” o que ele acha de Álvaro Barcelos que o colocou na vice-presidência de futebol, era melhor que Peter Siemsem? E se Gonzales acha que aqueles presidentes com os quais conviveu e apoiou são melhores que Peter Siemsem, Pedro Trengrouse seria parecido com eles?

Qual o papel de Julio Bueno, que faliu o Estado do Rio de Janeiro, e Antônio Gonzales, que nos levou à série C, teriam numa presidência Pedro Trengrouse?

Que perfil de futebol Pedro Trengrouse pretende pra o Fluminense?

Que tipo de gerência de futebol, que tipo de uso da base, como ele pretende pensar o comando técnico pra construção de um perfil técnico-tático de longo prazo no Fluminense?

Como Pedro Trengrouse pretende superar a péssima gestão de futebol de Peter Siemsem, que demite técnico a cada três meses e não permite que tenhamos um perfil tático definido de médio longo prazo? Empoderando a mesma torcida que pede cabeça de técnico a cada três meses ou definindo um perfil tático e de gestão de elenco pro técnico, gerente e executivos de futebol? Não sabemos, sabemos apenas a fanfarra em torno de factoides que nada dizem e são antiprofissionais, pra dizer o mínimo.

Além disso, que maldita unidade em torno do Fluminense que Pedro Trengrouse cobra se sua chapa atua claramente com o mais rebaixado nível de ataques à direção atual, ignorando seus acertos, não propondo soluções para seus erros e chegando ao nível de chamar a direção de “Gestão fala fina”, pra pegar apenas o mais leve dos ataques homofóbicos que Gonzales dirige a Peter Siemsem?

Tem um oceano de diferença entre a crítica, necessária, e a falácia. Tem continentes que separam as críticas dos factoides e da desqualificação rebaixada. E Trengrouse sabe, ou deveria saber disso, mas se esconde da mediação entre aliados e a própria eleição apelando pra uma junção de uso de peões como Gonzales pro trabalho sujo enquanto ele desfila uma fofura pokemon em vídeos fazendo ataques supostamente “de boa intenção” sugerindo incompetência e gestão temerária nas finanças por parte de Peter Siemsem.

É uma tática espetaculosa, e também de morde assopra, com base zero de alternativas de gestão à gestão atual. Principalmente dando a quem torce e vota pra presidente do Fluminense uma alternativa que consiga o avanço de gestão financeira e acréscimo de patrimônio que a gestão Peter Siemsem nos deixa aliado a uma gestão de futebol tão profissional quanto a que saneou o clube.

Pior, nem marketing, que em tese Trengrouse seria também especialista, nós temos uma concreta posição e uma linha sequer de proposta séria. Basta procurar no site, a única proposta que há no site, séria, concreta, escrita e que não seja um vídeo com bela atuação do candidato, mas zero de conteúdo, é a de transformação do Fluminense em fundação, o que já é em si temerário, podendo configurar até meios de fuga da fiscalização por parte do PROFUT.

Temos então problemas sérios pras eleições desse ano e uma crise séria pra enfrentar: Não temos candidatos que tenham hoje propostas sérias sobre ampliação de nossa base de arrecadação, nem de profissionalização séria da gestão do futebol (compreendendo todo o aspecto esportivo como parte de um sistema de arrecadação, identidade, etc),mas temos uma perigosa união entre o atraso simbolizado por Gonzales e Júlio Bueno com uma candidatura sustentada num perfil marqueteiro, com tática política de inundação das redes e da torcida de propaganda eleitoral vaga e organizada em torno de frases de efeito, mas nenhuma proposta e que se vende como “o novo”,mas oculta, esconde a volta do mais daninho que já passou pelo Fluminense.

Pra piorar, temos uma ação conjunta entre torcidas organizadas ligadas a membros da chapa “Verdade Tricolor” e que pedem a volta de Celso Barros, que já declarou que pagar as dívidas não ganha títulos.

Juntem tudo, somem e vejam o tamanho do problema.

Se a gestão Peter falhou duramente em diversos pontos, sendo coparticipante de um rebaixamento, ela deixou legados que são a gestão financeira do clube, a penetração política do clube na construção da Primeira Liga, que pode vir a ser o germe de uma liga Nacional, e da liga sul Americana de Clubes e a ampliação de patrimônio.

Entregar esse legado à vanguarda do atraso que sustentou gestões que nos levaram à série C e à falência é assustador.

E sobre o rebaixamento em 2013: Não vamos esquecer que a gestão do futebol era da Unimed, que tinha um peso absurdo em 2013 e secou, por absoluto desprezo ao clube e disputa com o presidente do clube, todos os meios de fortalecimento do elenco, sabotou Abel Braga e nos empurrou Luxemburgo por meses a fio.

Mas site tricolor nenhum lembra disso, blogueiro nenhum lembra disso, fica mais fácil discutir a partir da visão de Gonzales, que nos levou à série C e apoia Trengrouse, que Peter Siemsem é o pior presidente de nossa História.

Não é, mas dependendo de quem vença nas eleições desse ano isso só vai ser notado quando a conta da irresponsabilidade marqueteira chegar.

A insustentável leveza do Flu

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Somos campeões!

Não apenas na quarta-feira, está em nosso DNA.

E é indiscutível, Somos campeões!

Hoje da imensa Primeira Liga, daqui a duas semanas provavelmente campeões estaduais e quem sabe o futuro?

Títulos não se acham nas ruas. Por isso entendo quem odeia o Fluminense que tente diminuir suas campanhas e seus títulos através da história.

Dói ver um clube tão odiado como a Geni do futebol brasileiro vencer qualquer coisa, até torneio início de purrinha no Irajá, quanto mais um torneio envolvendo doze clubes, onze de série A, com média de público superior à da maioria dos estaduais e que gerou algo parecido com lucro.

A gente precisa ter paciência com quem nos odeia a ponto de ir até a página do clube com os velhos andrajos de “Pague a série B” ou “torneio que não vale nada, o que vale é Libertadores!”,etc. É do jogo num mundo onde a maioria sequer tem ideia do que significa fidalguia, esperança, amor e vigor.

E não foi fácil. Carregando os estandarte da glória misturado aos andrajos da turbulência política, o Fluminense sofreu a pressão pelos resultados ruins de início de temporada, reformulação no departamento de futebol, piti do Fred e tudo isso pra ostentar a primeira taça da Primeira Liga em sua sala de troféus.

A importância desse título é imensa, por mais razões do que podemos descrever,mas a principal é: Nós somos a História!

A Primeira Liga enfrentou coisa demais pra simplesmente sumir. As divergências internas, as babaquices de Kalil e Petraglia, o desprezo de parte da imprensa, o Flamengo e sua suposta exigência de maior cota de TV, a paúra do status quo de CBF e Federações, tudo isso é menor do que foi a conquista de realizar a competição enfrentando tudo isso e obtendo sucesso.

Não, não acredito quem santos e heróis,mas acredito em política, possibilidade de lucro,etc. Todos os clubes que participam da Primeira Liga precisam dela pra lucrar em 2017.

Se o Petraliga, a mando do Kalil ou não, acha que a PL tem de romper com a CBF enquanto os demais clubes querem que pegue-se mais leve é secundário. O Flamengo querer maior cota resolve-se (E sequer é em si um problema insolúvel com as características do Bandeira). O Internacional achar melhor priorizar o Gaúcho é direito, e problema, dele.

Nenhum desses problemas é algo maior que o enfrentamento, radical ou não, ao Status quo de CBF, etc e o resultado político de ser o germe de uma Liga Nacional, que vem sendo costurada com a Liga do Nordeste e que já deve ter a adesão do Botafogo e talvez do SPFC ano que vem.

Tivemos grandes jogos na competição também, ela foi muito além da política, ele teve jogaços que foram muitas vezes mais numerosos e de qualidade melhor que a maior parte dos jogos pelos estaduais, clássicos incluídos.

Do Fluminense foram excelentes jogos o Cruzeiro x Fluminense, a semifinal Fluminense x Internacional e a decisão Fluminense x CAP. CAM x Flamengo e Grêmio x Avaí também foram bons jogos. E tudo isso com os clubes tateando sobre a competição e praticamente apenas CAP, Inter e Flu buscando conquistá-la.

E mesmo com troca de tempo o Fluminense foi costurando-se com tecidos leves, rápidos, intensos e tornando-se um time perigoso, bom de bola, feroz.

Tudo isso tornou-se insustentável aos olhos dos ódios.

Quem não se enxerga no futuro tende a obscurecer-se em um passado sem glórias.

Imagine você tendo que esperar 41 anos pra ter alguma leve ideia do que poder vencer o Brasileiro, não vencê-lo e mesmo vencendo outros títulos, até alguns considerados tão ou mais importantes quanto o Brasileiro, jamais conseguindo esquecer a derrota, a perda do título para um Fluminense avassalador de Abel, Fred, Cavalieri, Deco e Gum?

Imagine você torcendo para um time cuja maior glória é ter tido um time com Garrincha nos anos 1960 e ter vencido um Brasileiro em 1995 com bastante dúvida sobre a legalidade da vitória na final e tendo menos estaduais que o Vasco que nasceu quase vinte anos depois? Imagine que você celebra-se como único Tetra tendo o Fluminense sido tetra estadual antes?

Imaginou? Pois é, difícil viver assim.

E ainda há quem escolha a mágoa ao prazer de louvar as próprias glórias.

A estes a leveza de quem louva sua própria história, porta a Taça Olímpica, conquistada pelo exemplo de organização junto ao COI, é pioneiro em tudo em se tratando de futebol, superou o inferno da série C e venceu uma Copa do Brasil, dois Brasileiros, tem um vice da Libertadores (sim, considero e valorizo aquela campanha) e uma taça da Primeira Liga, é insuportável.

Essa leveza insustentável, insuportável, supera a ânsia de lançamento de chorume por parte da parte mimizenta das torcidas rivais, obscuramente míopes em se tratando de amor ao futebol, e segue, impávida construindo a História, sendo a História, pavimentando o futuro.

E nem a saída da parceira, que foi razão de festas dos que não nos conhecem, conseguiu impedir nossa grandeza de retornar a seu lugar.

Deve doer a olhos toscos o Wellington Silva, o Oswaldo, o Edson e o Gum jogando o fino, jovens jóias de Xerém como Scarpa, Douglas, Gerson e Marcos Junior, Magnata aos 40 anos sendo decisivo e o Fluminense sendo campeão mesmo sem Fred.

E tudo isso com um time que melhora jogo a jogo sua compactação defensiva, o repertório ofensivo, reduzindo a distância entre as linhas e sendo um time corajoso, raçudo e extremamente técnico.

Não briguem com os rivais, a insustentável leveza do Fluminense irrita mesmo.

Rubinho não conhece História, Nós somos a História.

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A FFERJ nasceu em 1978, o Fluminense em 1902. O Flu nasceu antes de TODAS as associações, ligas e federações do Rio de Janeiro, e nacionais.

O Fluminense fundou o futebol brasileiro no Rio. Inaugurou no Rio a prática de futebol. A FFERJ nunca vai sequer chegar perto do dedão do pé do que é o Fluminense.

Rubens Lopes e sua fanfarronice não passarão.

Segue a lista:

Período

Distrito Federal / Estado da Guanabara

Antigo Estado do Rio de Janeiro

1906

Liga Metropolitana de Football

1907–1911

Liga Metropolitana de Sports Athleticos

1912

Liga Metropolitana de Sports Athleticos
Associação de Football do Rio de Janeiro (registrada em cartório tornando-se oficial, pois não havia órgão centralizador de football, a FBS/CBD (atual CBF) só foi fundada em 1914)

1913–1914

Liga Metropolitana de Sports Athleticos após fusão da AFRJ com LMSA

1915–1916

Liga Metropolitana de Sports Athleticos Liga Sportiva Fluminense

1917–1918

Liga Metropolitana de Desportos Terrestres Liga Sportiva Fluminense
Associação Fluminense de Desportos Terrestres (dissidentes)

1919–1923

Liga Metropolitana de Desportos Terrestres Liga Sportiva Fluminense

1924

Liga Metropolitana de Desportos Terrestres
Associação Metropolitana de Esportes Athleticos (dissidentes)
Liga Sportiva Fluminense

1925

Liga Metropolitana de Desportos Terrestres
Associação Metropolitana de Esportes Athleticos (dissidentes)
Liga Sportiva Fluminense
Associação Fluminense de Esportes Athleticos (dissidentes)

1926

Liga Metropolitana de Desportos Terrestres
Associação Metropolitana de Esportes Athleticos (dissidentes)
Federação Fluminense de Desportos
Associação Fluminense de Esportes Athleticos (dissidentes)

1927–1932

Liga Metropolitana de Desportos Terrestres
Associação Metropolitana de Esportes Athleticos (dissidentes)
Associação Fluminense de Esportes Athleticos

1933–1934

Associação Metropolitana de Esportes Athleticos (amadora)
Liga Carioca de Football (dissidentes sem vínculo com a CBD/CBF) (profissional)
Associação Fluminense de Esportes Athleticos (amadora)
Federação Fluminense de Esportes (profissional)

1935–1936

Federação Metropolitana de Desportos (profissional)
Liga Carioca de Football (dissidentes sem vínculo com a CBD/CBF)) (profissional)
Associação Fluminense de Esportes Athleticos (amadora)
Federação Fluminense de Esportes (profissional)

1937–1940

Liga de Football do Rio de Janeiro Associação Fluminense de Esportes Athleticos (amadora)
Federação Fluminense de Esportes (profissional)

1941–1959

Federação Metropolitana de Futebol Federação Fluminense de Desportos

1960–1977

Federação Fluminense de Futebol Federação Fluminense de Desportos

Fonte: Wikipedia

O sistema futebol e a cara do Rubinho ou Sobre transformações/ In Bezug auf Transformationen

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Por Gilson Moura Henrique Junior

Transformações ocorrem o tempo todo no mundo. No futebol, no entanto, o Status quo tende a manter, com luxuoso auxílio midiático, a impressão que tudo está na mesma eternamente.

Se fora de campo essa premissa faz algum sentido, dentro do campo é um rematado disparate.

Pouca coisa é tão dinâmica que as evoluções táticas no futebol. Em relação às dinâmicas das transformações sociais pode-se inclusive dizer que há revoluções constantes no futebol. Não é maluquice dizer que a cada geração a tática e a técnica futebolística dá saltos e revoluciona-se de forma absolutamente impactante.

Na América do Sul e na Europa há constantes transformações no modo de jogar desde o início do século XX, e elas não tem espaço maior que vinte anos entre elas.

Os últimos impactos, cuja dor maior sentimos no cabuloso 7×1, nasceram pelas mãos de Mourinho e Guardiola (Ou vice-versa) e receberam forte apoio de Heynkes, Klopp, Ancelotti, entre outros. No Brasil esses ecos chegaram a Tite, Eduardo Baptista, Levir Culpi, Cuca, Aguirre (Uruguaio, mas….), entre outros.

Essas mudanças sempre partiram das transformações a respeito de posicionamento e função. Além de, desde os anos, 1970 se pautarem pela unicidade entre o trabalho de fortalecimento físico, visando o rendimento máximo do jogador, como ferramenta de ampliação e otimização da técnica.

Atualmente essas mudanças têm visibilidade maior na Europa devido às grandes diferenças econômicas entre Europa e a maioria dos países de fora da Europa, com exceção da China. E por que essa visibilidade maior? Porque o poderio econômico permite a perscrutação dos melhores jogadores do planeta para times Europeus, e melhores jogadores executam melhor os planejamentos táticos.

Simples, né?

Pois é, mas essa concentração de jogadores não transforma magicamente tudo o que é Europeu em ponta de lança da modernidade, nem o inverso, nem tudo o que é brasileiro é cabeça de ponte do atraso.

Há a percepção das mudanças táticas também no Brasil e só não executamos essas revoluções com maior eficácia hoje porque nossos melhores valores saem do país rápido demais.

E para mudar essa situação não basta simplesmente dar canetadas, é preciso que ocorram transformações macroeconômicas e politicas dentro e fora do sistema ecológico futebol.

Essas transformações externas ao mundo do futebol ainda não ocorreram totalmente, mas dentro, pela primeira vez temos indícios de estarem ocorrendo.

Além de toda balbúrdia do affair FBI/FIFA, que atinge a CBF, entre outras confederações, há a organização dos clubes que primeiramente a partir da Primeira Liga começam a impor sérios danos à estrutura das Federações e CBF no Brasil.

O recente recuo da FFERJ na absolutamente obtusa proibição a Fla e Flu de jogarem a Primeira Liga, ocorreu após a Primeira Liga praticamente informar ao sistema Futebol: 15 dos principais clubes do país vão resistir, vocês realmente querem isso?

Pois é, não quiseram, por mais que Rubens Lopes (E também, pasmem, boa parte da mídia) tenha tentado dizer que não.

A derrota da FFERJ e da CBF parece pequena, mas é como aquelas rachaduras em parede de represa, é das pequenas que surgem as inundações.

A demonstração de força dos clubes não é, ainda, uma revolução, mas é um enorme passo para isso.

Vai encontrar resistências? Sim, inclusive entre os clubes não alinhados.

Os clubes de São Paulo não quiseram juntar-se à Primeira Liga e vários fortalecem a FPF e a Globo na disputa por direitos de TV e também pela manutenção da organização de campeonatos pela CBF. Esse fator tem razões múltiplas, e boa parte delas perpassam as vantagens econômicas que o trio de ferro do futebol Paulista e o Santos recebem da televisão, sem contar com o peso político da FPF, e sua boa relação com TV e os clubes, junto a CBF. Del Nero, último (Ex-) presidente (indiciado pelo FBI) e Marin (ex-presidente da CBF indiciado pelo FBI) foram presidentes da FPF.

Vasco e Botafogo participam dos golpes da FFERJ contra Flamengo e Fluminense.

No entanto, não é desprezível que quinze clubes de série A e B tenham demonstrado força suficiente para mover montanhas aparentemente imóveis.

Além disso, as Ligas Norte e Nordeste também já demonstraram uma certa percepção com bons olhos a respeito das movimentações da Primeira Liga.

E surge no horizonte também uma articulação para não só formar uma associação entre clubes das séries A e B e também com o lançamento de um candidato dos clubes à presidência da CBF e pelos nomes cogitados está clara a articulação entre Primeira Liga, Liga do Nordeste e uma fissura no bloco paulista com a participação do Santos.

Ou seja, a mudança para o nascimento da Primeira Liga em 2016, com recuo de CBF e Federação Carioca, é só parte de um quadro bem mais complexo e que pela primeira vez sugere transformações que podem ser bastante profundas na estrutura do Futebol.

Não é maluquice ver nestas transformações partes de uma outra mudança: O fim do monopólio da Rede Globo no fomento econômico e controle dos direitos de TV dos campeonatos.

Com a chegada de gigantes como Turner e Fox ao Brasil já ocorreram abalos fortes no monopólio Global sobre as transmissões. Agora com a Turner entrando com um cacife maior econômico na negociação pelos direitos do Brasileiro na TV fechada o quadro de transformação ganha novos capítulos, ainda mais se considerarmos que a Rede Globo está em aparente crise econômica, inclusive fazendo reengenharia nas suas estruturas de jornalismo, e esporte, como na junção das redações de Rádio, TV e Internet em SP e RJ.

Ou seja, há um choque de modernização capitalista no futebol brasileiro (E mundial, afinal o FBI não entrou de sola na FIFA por amor à verdade) e estamos vendo fora de campo mudanças estruturais e táticas que achávamos só possíveis dentro das quatro linhas a partir de gênios da bola e da prancheta.

Agora é preciso que observemos, com cuidado e alguma alegria, o que o futuro nos reserva.

Atualização: Em 25/01 a CBF voltou a “proibir a ligas” e os 15 clubes voltaram a peitar CBF e federações, recebendo apoio à resposta via redes sociais via hashtag #juntospelaprimeiraliga e de praticamente toda a imprensa. No segundo round os 15 clubes voltaram a mostrar força.