O Inter caiu,mas a marra colorada ainda não se deu conta.

aimg_0857

O Internacional caiu ontem para a segunda divisão, fruto de dois anos, ao menos, onde ocorreu de tudo,menos planejamento.

Pra mim a queda começou com a demissão de Aguirre em busca de “fato novo” às vésperas de um GRENAL onde o Inter foi impieadosamente goleado.

O autor do Blog “Meia encarnada”, Douglas Cecconello, é um dos que coloca que o Inter começou a cair quando trocou o “clube do povo” pelo “Campeão de tudo!”. Pode ser.

Pra mim, tricolor, torcedor fanático do Fluminense, é difícil entender exatamente o que ocorreu com o Internacional, considerando que o Inter foi exatamente um dos modelos para que a gestão Peter Siemsem iniciasse uma revolução no Fluminense que nos deu o avanço de Xerém, o CT Pedro Antônio, o sócio-futebol que permite hoje que o presidente do clube seja eleito por eleição direta (embora a grande maioria ainda não vote porque ainda não ampliaram os locais de votação),etc..

A dor da queda nós torcedores do Fluminense conhecemos, caímos duas vezes para a série B e uma para a série C.

O torcedor tricolor ainda tem lançado sobre ele o estigma de torcedor de um clube “anti-ético” por natureza exatamente porque na queda em 1996 e depois na volta à série A em 2000 o Fluminense não passou pelos trâmites “normais”.

Piorou quando em 2013 o Fluminense foi salvo do rebaixamento por Flamengo e Portuguesa que escalaram jogadores irregulares na última rodada.

O colorado teve o gostinho do que sofreu o tricolor em 2013 quando o clube entrou no STJD para que o tribunal verificasse o caso Vitor Ramos, jogador do Vitória, supostamente escalado de forma irregular.

Detalhe: Ao contrário do Fluminense em 2013 o Internacional efetivamente foi ao tribunal, criou a demanda jurídica, não participou apenas como parte interessada de um processo aberto pelo então procurador, como via de regra a procuradoria de Justiça Desportiva fazia desde 2003.

Não, o Inter deu entrada no STJD a partir de uma denúncia dele, supostamente com uma irregularidade comprovada por ele, não houve, como nos casos todos ocorridos de 2003 a 2013, uma denúncia da procuradoria que levou ao STJD em todos os casos a punir os clubes da mesma forma (perda de 3 pontos mais os pontos conquistados nas partidas em que o jogador irregular atuou), que puniu Ponte Preta, Paysandu, São Caetano, Grêmio Prudente, Flamengo e Portuguesa de 2003 a 2013, ou seja, de acordo com a jurisprudência do tribunal.

Mesmo com a opinião pública tratando a ação do Inter como desvio de conduta, quando é um legítimo direito do clube, a torcida colorada, no entanto, não se deu conta do mundo em que vive.

Talvez seja a dor, eu entendo,mas lamentavelmente em meio à dor da quedas ontem o torcedor tricolor leu, estupefacto, a seguinte frase : “O Inter tem de escolher se sobe como Juventus ou como Fluminense!”.

A ironia é que a Veccia Signora, a Juventus, caiu por ter jogadores participando de manipulação de resultados, o Fluminense caiu, assim como o Internacional, por ter ido mal em campo, por má gestão esportiva.

A outra ironia é que o Fluminense não subiu pelo campo por, pasmem, o Inter e o Botafogo em 1999 terem sido salvos do rebaixamento pelo famoso caso Sandro Hiroshi, lembram?

Isso mesmo, Inter e Botafogo denunciaram o São Paulo pela escalação de um jogador que,pasmem, era o que chamamos de “gato”, tinha a idade adulterada.

O jogador havia adulterado a idade ANOS ANTES,mas quem liga, não é mesmo? O STJD, em uma jurisprudência inovadora na época, e que acabou sendo seguida posteriormente, remanejou os pontos conquistados pelo SPFC a inter e Botafogo.

Sacaram?

Sim, Inter e Botafogo perderam os jogos, denunciaram uma ilegalidade DO JOGADOR ANOS ATRÁS e levaram o SPFC a ser punido, os salvando do rebaixamento e levando o Gama a ser rebaixado.

O Gama, que não é besta, foi ao STJD e depois à justiça comum, ganhou a causa e levou à criação da Copa João Havelange, que acabou com a divisão em divisões, gerando um campeonato onde todas as divisões podiam ir até a final, e pôs Bahia e Fluminense no grupo dos clubes da série A.

A João Havelange gerou um Frankenstein onde o São Caetano, que estava na B em 1999, chegando à final em 2000 e se mantendo dali em diante na série A, chegando até a final da Libertadores.

Sim, o Fluminense foi alçado à série A porque o Inter, sim ele mesmo, junto com o Botafogo fizeram uma manobra jabuticaba, praticamente anti-ética, para se manter na série A na marra.

A manobra, feita junto ao STJD, no tapetão, foi tão manobra que a justiça comum obrigou à CBF a “desrebaixar” o Gama e fazer essa zona explicada acima.

“AH,mas o Fluminense virou a mesa em 1996!”.

É? Sabe nada sobre o caso Ivens Mendes, do 1-0-0 onde Mauro César Petraglia, presidindo o Clube Atlético Paranaense, e o Alberto Dualib, presidindo o Corinthians, negociaram com o chefe da comissão de Arbitragem meios de serem beneficiados em seus jogos pelos juízes?

Não conhece o famoso caso 1-0-0? Humm, lê aqui.

Pois é, o Flu não foi rebaixado em 1996 porque quem deveria ser rebaixado pro fraude, como a Juventus foi, era o Corinthians e o CAP, então ninguém foi rebaixado, entendeu? Não é difícil, né?

Então quando o Colorado, e qualquer outro clube ou torcedor, usa o Fluminense como exemplo de manobra e desonestidade se comparando à Juventus, fica aquela impressão de marra, de pouco entendimento, zero de auto-crítica, pouca noção,sabe?

E explica muito porque o Inter caiu, porque seus dirigentes e torcida esqueceram sua história, seu passado e o respeito que devem ter aos demais clubes, reconhecendo seus erros em vez de transferí-los a terceiros.

Mas sabemos que isso é esperar demais de clubes e torcedores que não precisam se preocupar com a imagem do clube porque existe a Geni Fluminense pra ser usada como espantalho, não é mesmo?

Desejo sorte ao Internacional, que precisa mudar a própria ideia de si mesmo, com um orgulho que sua história merece que exista, mas que não deixa que fiquem cegos seus dirigentes e torcedores.

Ah, o Inter não precisa escolher como subir, ele deve subir como Internacional, afinal não tem virada de mesa desde 2000, aquela que o Inter causou.

E a entrada do Inter no STJD parece que deveria fazer com que seus torcedores e dirigentes entendessem isso, parando de dizer que em 2013 o que ocorreu foi virada de mesa.

Mas ai eu estou sendo utópico.