Os elencos e os times do futebol brasileiro de 2017 apontam uma temporada espetacular.

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 2017 aponta par ao futebol brasileiro um cenário de enorme expectativa.

Especialmente Palmeiras, Flamengo e Atlético Mineiro, mas não só, estabeleceram um altíssimo nível de elenco e potencial técnico-tático a partir das contratações de jogadores e treinadores antenados e capazes de formar times profundamente técnicos e eficientes.

Conca e Berio no Fla; Felipe Melo, Guerra e Borja no Palmeiras; Elias, Felipe Meneses no Galo são contratações de encher os olhos aliados a Zé Ricardo, Eduardo Baptista e Roger.

Essas equipes se juntam ao Santos de Dorival Junior no favoritismo em todas as competições que participam no ano.

Aliás, o grande favorito a tudo é o Palmeiras, pois tem o elenco mais forte em todas as posições, inclusive a zaga (que no caso do Fla e do Galo tiveram menos reforços ou nenhum), mas tem como principal perseguidor este Santos de Dorival, que compensa ter menos grandes nomes com uma consciência tática consolidada pelo trabalho de maior qualidade e longevidade atualmente no país.

Entre Fla, CAM, Santos e Palmeiras quem sai atrás na casamata é exatamente o Flamengo, onde Zé Ricardo é bom, mas está ainda casas atrás de Eduardo Baptista, Roger e muitas casas atrás de Dorival.

Mas SPFC com Pratto e Jucilei; Flu com Orejuela e Sornoza; CAP com Gedoz e Grafitte; Botafogo com Montillo; Cruzeiro com Thiago Neves e Lucas Silva e o Bahia com Allione, Edson e Wellington Silva junto com técnicos antenados e de alta qualidade ou com potencial pra isso como Rogério Ceni, Abel, Autuori, Jair Ventura, Mano e Guto Ferreira também apresentam uma expectativa alta e pelo menos uma posição de coadjuvantes duros no Brasileiro e ameaças reais nos mata matas.

O Bahia resolveu as deficiências de 2016 e se fortaleceu basicamente em todas as posições do elenco, mantendo um equilíbrio de peças que ampliam a qualidade tática organizada por Guto Ferreira.

Em caso similar o CAP e o Botafogo avançam em relação aos elencos de 2016, com Autuori tendo mais peças de reposição no elenco e apresentando em 2017 uma força tática mais nítida que o Botafogo de Jair Ventura, mas este Botafogo ainda apresenta a organização de 2016 com acréscimo técnico de Montillo.

O problema do Botafogo é parecido com o de todos neste grupo, talvez com exceção de Cruzeiro e Bahia, a ausência de elenco equilibrado em todas as posições para que peças como Montillo e Camilo sejam substituídas à altura.

O SPFC remontou o elenco com transações muito interessantes, levando Nem, Neílton, Cícero, Sidão e Jucilei praticamente gastando nada, gastou só pela excelente contratação de Lucas Pratto, contratou Rogério Ceni que chega como técnico com ideias interessantes, respeito no clube e no elenco e uma paciência que nenhum treinador teria no Morumbi pra implementar seu projeto. Não deve entregar tudo o que pode em 2017, mas já inicia uma ideia de jogo e temporada com bastante potencial, entregando uma organização tática rara pro pouco tempo de trabalho.

O Cruzeiro de Mano é um bom time, com elenco excelente, mas que não me parece ser usado pelo treinador em toda sua potencialidade. Mano é tido como extremamente moderno, mas não vem entregando nada nesse nível há cerca de cinco anos. O melhor trabalho no Cruzeiro foi em 2015, antes de ir pra China, e mesmo assim foi um trabalho de tiro curto que apresentava potencial, mas foi interrompido pela aventura oriental do treinador. Em 2016 o elenco já era bom e Mano teve resultado medíocre, o elenco melhorou em 2017, venceu um clássico, mas sem exatamente apresentar uma linha de jogo do tamanho da fama do treinador. É cedo ainda, o ano mal começou, mas de todos é quem apresentou menos pro elenco em mãos.

O Fluminense de Abel é um time que em muito pouco tempo de trabalho apresentou uma ideia de jogo bem definida e com uma realização surpreendente, explorando a alta qualidade técnica de Orejuela, Douglas, Scarpa, Sornoza e Wellington, ressuscitando Henrique Dourado e Lucas, usando a melhor zaga em matéria de qualidade técnica que o elenco possuía, Renato Chaves e Henrique, dando confiança a Léo, excelente lateral cujo potencial não foi explorado por Levir. Além disso, com Lucas Fernandes, Marquinhos, Richarlison (que provavelmente chega da seleção pra ser titular), Luiz Fernando, Danielzinho, Maranhão e Nogueira o técnico ganha um elenco equilibrado na maioria das posições.

O problema do Fluminense é que uma possível saída de Scarpa, Sornoza, Orejuela e Douglas ao mesmo tempo desmontam o time, o elenco é desequilibrado nesse sentido.

Luiz Fernando e Henrique podem substituir Orejuela ou Douglas, ambos não dá, fica difícil, o nível cai demais.

Daniel, Lucas Fernandes e Maranhão podem substituir Scarpa ou Sornoza, especialmente Daniel e Sornoza tem características similares, mas na ausência de ambos fica difícil retomar a qualidade do time titular.

Lucas Fernandes, Maranhão, Pedro e Richarlison podem substituir Wellington e Dourado sem nenhum problema, temos neste setor inclusive o setor mais recheado do elenco. Ainda temos Marcos Junior que pode jogar de falso nove, vindo de trás, jogando nas costas do volante, mas o setor criativo não tem substituto hoje.

A solução pra isso, que virá a ser problema no decorrer do ano a partir das prováveis convocações de Sornoza e Orejuela pra seleção equatoriana, de Scarpa pra Brasileira profissional e Douglas e Richarlison pra sub-20, pode tender menos para contratações e mais pra treinamento e testes de Daniel e Lucas Fernandes/Maranhão, e talvez Marquinho, na função de Sornoza e Scarpa. O problema vai ser na ausência em conjunto de Douglas e Orejuela. Luiz Fernando substitui Orejuela, mas não Douglas. E ai temos um problema pro Abel resolver, dado que dificilmente teremos contratações.

Outro problema é a reserva das laterais, Renato é um lateral muito abaixo de Lucas e Léo não tem reserva. Calazans e Marquinho podem substituir Léo, mas o nível cai absurdamente, Calazans inclusive é recém promovido da base.

Com estas ressalvas em relação aos elencos, especialmente no caso do Flu, temos um 2017 que potencialmente é o de times e treinadores extremamente fortalecidos.

Se Galo, Fla e Palmeiras saem na frente e são favoritos a tudo, em especial nas competições que exigem elenco bom e numeroso como o brasileiro, eles vão ter duras batalhas contra times com qualidade e bons treinadores.

Se Galo, Palmeiras, Santos e Fla são favoritos ao brasileiro e à libertadores, os demais são passíveis de serem colocados como favoritos à Sul Americana e Copa do Brasil, especialmente considerando que mesmo os elencos mais poderosos não tem condições de disputarem todas as competições em nível máximo.

Se em relação aos pontos corridos fica difícil ver alguém no retrovisor de Galo, Palmeiras, Santos e Fla, em Mata mata não é nada absurdo que estes sejam derrotados por CAP, Flu, Botafogo, Cruzeiro, SPFC e Bahia em caso de performance especial em jogo decisivo. Sornoza ou Scarpa são decisivos, Gedoz e Grafite idem, assim como Thiago Neves, Sóbis, Montillo e Camilo, Allione conseguiu minutos que talvez indiquem que o Palmeiras não soube aproveitar seu potencial técnico.

Os elencos estão bons e farão um ano especial para o futebol brasileiro, especialmente se o debate esportivo deixar de ser reduzido aos nomes em específicos e a análise incluir o potencial tático, as diferenças entre competições.

E se não cito Corinthians, Grêmio, Vasco,etc é muito pelas condições atuais de seus times e qualidade inicial de seus técnicos, nada impede que no decorrer do ano estas equipes surpreendam.

2017 apresenta uma coleção de bons elencos, alguns elencos estelares e excelentes, equilibrados e grandes, com excelentes técnicos, times que enchem os olhos, organização tática rara na maior parte dos clubes e um detalhe interessante: Treinadores que iniciam trabalhos com enorme crédito, por serem ídolos ou pelo potencial demonstrado em 2016, e uma rara paz coletiva na maior parte dos grandes clubes do país.

2017 promete para os amantes do futebol brasileiro.

A defesa institucional do Fluminense, as mídias e o futebol brasileiro

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A gestão Peter Siemsem é sempre cobrada a defender a instituição Fluminense e quase sempre de forma categórica, quando não jocosa.

Especialmente desde 2013 a obrigação de defender o Fluminense por Peter Siemsem virou uma cláusula pétrea, quase que um recurso infinito por toda a sorte de torcedores e forças políticas no clube.

E sim, é obrigação do presidente do clube ser um defensor enfático do mesmo.

A questão é pensar um pouquinho fora da caixa e entender os fenômenos que circulam o Fluminense desde 1996 e o quanto o clube foi cúmplice do desmoronamento de sua imagem na opinião pública.

Vejam bem, o Fluminense não foi mais beneficiado na história do campeonato brasileiro e do próprio futebol brasileiro que o Grêmio, o Corinthians, o Botafogo, o Inter, o Clube Atlético Paranaense, o Santos, o Vasco.

Qualquer busca série sobre rebaixamento vai achar polêmicas a respeito da distorção do regulamento do descenso no brasileiro desde pelo menos o fim dos anos 1970. Palmeiras, Santos e Vasco foram beneficiados por mudanças nos regulamentos; Flamengo e Inter em 1987; poderiam ser punidos por terem cometido WO ao não disputarem as finais contra Guarani e Sport por conta das divergências entre CBF e clube dos 13 (a mesma polêmica sobre o título brasileiro de 1987); Grêmio foi beneficiado pelo aumento do número de participantes na série B de 1993; Botafogo e Internacional deveriam ter caído em 1999,mas foram beneficiados pelo caso Sandro Hiroshi, que causou o caos no futebol brasileiro a partir da contestação judicial do Gama e deu na Copa João Havelange, organizada pelo clube dos 13 e que içou o Fluminense e o Bahia ao módulo onde estavam os demais clubes da série A, que abria mais vagas às finais, mas que a rigor não teve divisões, foram todas as divisões unidas em módulos com vagas diferentes às fases finais e que permitiram ao São Caetano ser vice-campeão naquele ano.

Essas informações podem ser encontradas aqui, aqui e aqui.

E o que isso tem a ver com a defesa institucional do Fluminense? Tudo.

Porque desde sempre ocorreram viradas de mesa que beneficiaram um sem número de clubes, mas desde 1996, quando envolveu o Corinthians, com uma cobertura midiática gigantesca, o Fluminense virou a Geni do futebol brasileiro em caso de crise.

Em 1996 cairiam Corinthians e CAP, por manipulação de resultados, além de Fluminense e demais rebaixados, mas pra evitar a queda do “Timão” a CBF, com a anuência de todos os clubes da série A, optaram por mudar as regras e não rebaixar ninguém, permitindo o acesso apenas de quem subiu da série B.

Mas quem virou a mesa? Pra opinião pública o Fluminense, com o ornamento de Álvaro Barcellos estourando champagne.

Depois de ser rebaixado novamente em 1997 pra série B e em 1998 pra série C o Fluminense se reergue a duras penas em 1999 sob a direção de David Fischel na presidência e de Carlos Alberto Parreira na direção técnica, empréstimo de prestígio, reforma no vestiário, etc.

Lutando como poucos o Fluminense venceu a série C. Lutando também contra a pecha de “rei do tapetão” ao corretamente denunciar o São Raimundo por escalação irregular de jogador naquele brasileiro.

Lutando no campo e fora dele o Fluminense subiu pra série B e a disputaria se o caso Sandro Hiroshi não causasse o caos que fez o Brasileiro ser disputado por 116 times.

Essas colocações todas são feitas diuturnamente pela torcida do Fluminense e essas informações estão disponíveis cotidianamente na internet com as mais variadas fontes possíveis, mas porque a imprensa insiste em atacar o Fluminense como “Rei do Tapetão”?

Poderia listar inúmeras razões, do baixo nível técnico médio do jornalismo esportivo à desonestidade intelectual, passando por linhas editoriais favoráveis ao “passapanismo” com relação a clubes que dão mais audiência às emissoras. O fato é que raros são os profissionais como Sérgio Xavier Filho, PVC, Mauro Betting, Leonardo Bertozzi que saem do selo Alexandre Oliveira, Gian Oddi e Diogo Oliver de “qualidade”.

A questão também passa pela defesa institucional do Fluminense, algo que voltou a ser necessária a partir de 2013, quando por causa do erro da Lusa o Flamengo não disputou a segunda divisão de 2014.

E essa defesa é cobrada apenas da gestão Peter Siemsem, ignorando que desde 1996 os ataques ao Fluminense foram e são recorrentes, diante de qualquer busca que o clube faça por seus direitos nos tribunais, e nunca essa defesa foi feita.

Sim, Peter falhou gigantescamente ao adotar a mesma tática das gestões anteriores esperando que o Fluminense fosse respeitado como os demais clubes, algo que não ocorreu. Porém, desde 2014 o Fluminense tem uma defesa institucional, e coletiva por parte da torcida, digna de seu tamanho.

O clube não esmorece deixando claro que a posição de Geni pode até ter colado antes, mas que agora tem defesa e a torcida idem, porque oposição e parte da torcida ignora essa feroz defesa institucional recente? Apenas política ou ignorância também?

Nunca tivemos defesa institucional desde que caímos em 1996. O clube jamais se pronunciou de forma enfática contra a fama, jornalistas tricolores jamais se posicionaram, escritores idem, porque apenas Peter recebe a cobrança, sendo que foi o único que moveu enquanto presidente essa defesa?

É importante salientar que pro Fluminense o rebaixamento foi duro em diversos aspectos. O contexto de clube esfacelado em 1996, a tomada do poder por forças com objetivos escusos, a ideia de ter passado do clube portador da taça olímpica à ameaça real de deixar de existir em 1998, tudo isso pesou demais pro Fluminense e sua torcida terem passado o inferno e terem focado praticamente todas as forças possíveis na retomada do poder esportivo, com enorme auxílio da Unimed.

De 2000 em diante a retomada esportiva foi o foco do clube, acreditou-se que após o título da Copa do Brasil de 2007, Brasileiros de 2010 e 2012 todo o passado teria sido deixado pra trás e o respeito demonstrado, a contragosto, pela opinião pública formada pra tratar o Fluminense como sub Olaria estaria consolidado. Até que em 2013 a Lusa salvou o Flamengo e assim como em 1996, quando o Corinthians foi salvo do rebaixamento pela mudança de regras, foi necessário usar o suspeito de sempre pra livrar mais um queridinho da lama.

E o Fluminense é sempre o suspeito preferencial.

A questão é que antes, de 1996 a 2013, o clube estava tão preocupado em esquecer o passado que achou que a tempestade havia passado, hoje sabe que não passa ou passará e a cada lura por seus direitos vai ter de enfrentar essa máquina de formação de distorções chamada “jornalismo” esportivo.

O caso Meira Ricci TV é sintomático. Diante da luta pela anulação de uma partida por erro de direito ameaçar o Flamengo que se dane se a regra foi desmontada, quebremos a cabeça do Fluminense, que pra parte estúpida, pouco profissional e canalha da imprensa esportiva não tem nenhum direito a nada pro ser Geni.

E por que isso? Porque se essa imprensa for profissional e correta ela vai passar a atacar times grandes de seus estados e isso vai pegar mal com a audiência. E entre a correção profissional e a audiência cês acham que um Diogo Oliver ou Alexandre Oliveira vai ser correto profissionalmente como o PVC?

Diante dessa máquina de propaganda o Fluminense faz muito bem em se manter firme na defesa de seus direitos e da correção no cumprimento das regras e já que terá de lutar contra a canalhice de um jornalismo servo de qualquer maneira, que faça jus à tarefa, como vem fazendo.

 

O sistema futebol e a cara do Rubinho ou Sobre transformações/ In Bezug auf Transformationen

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Por Gilson Moura Henrique Junior

Transformações ocorrem o tempo todo no mundo. No futebol, no entanto, o Status quo tende a manter, com luxuoso auxílio midiático, a impressão que tudo está na mesma eternamente.

Se fora de campo essa premissa faz algum sentido, dentro do campo é um rematado disparate.

Pouca coisa é tão dinâmica que as evoluções táticas no futebol. Em relação às dinâmicas das transformações sociais pode-se inclusive dizer que há revoluções constantes no futebol. Não é maluquice dizer que a cada geração a tática e a técnica futebolística dá saltos e revoluciona-se de forma absolutamente impactante.

Na América do Sul e na Europa há constantes transformações no modo de jogar desde o início do século XX, e elas não tem espaço maior que vinte anos entre elas.

Os últimos impactos, cuja dor maior sentimos no cabuloso 7×1, nasceram pelas mãos de Mourinho e Guardiola (Ou vice-versa) e receberam forte apoio de Heynkes, Klopp, Ancelotti, entre outros. No Brasil esses ecos chegaram a Tite, Eduardo Baptista, Levir Culpi, Cuca, Aguirre (Uruguaio, mas….), entre outros.

Essas mudanças sempre partiram das transformações a respeito de posicionamento e função. Além de, desde os anos, 1970 se pautarem pela unicidade entre o trabalho de fortalecimento físico, visando o rendimento máximo do jogador, como ferramenta de ampliação e otimização da técnica.

Atualmente essas mudanças têm visibilidade maior na Europa devido às grandes diferenças econômicas entre Europa e a maioria dos países de fora da Europa, com exceção da China. E por que essa visibilidade maior? Porque o poderio econômico permite a perscrutação dos melhores jogadores do planeta para times Europeus, e melhores jogadores executam melhor os planejamentos táticos.

Simples, né?

Pois é, mas essa concentração de jogadores não transforma magicamente tudo o que é Europeu em ponta de lança da modernidade, nem o inverso, nem tudo o que é brasileiro é cabeça de ponte do atraso.

Há a percepção das mudanças táticas também no Brasil e só não executamos essas revoluções com maior eficácia hoje porque nossos melhores valores saem do país rápido demais.

E para mudar essa situação não basta simplesmente dar canetadas, é preciso que ocorram transformações macroeconômicas e politicas dentro e fora do sistema ecológico futebol.

Essas transformações externas ao mundo do futebol ainda não ocorreram totalmente, mas dentro, pela primeira vez temos indícios de estarem ocorrendo.

Além de toda balbúrdia do affair FBI/FIFA, que atinge a CBF, entre outras confederações, há a organização dos clubes que primeiramente a partir da Primeira Liga começam a impor sérios danos à estrutura das Federações e CBF no Brasil.

O recente recuo da FFERJ na absolutamente obtusa proibição a Fla e Flu de jogarem a Primeira Liga, ocorreu após a Primeira Liga praticamente informar ao sistema Futebol: 15 dos principais clubes do país vão resistir, vocês realmente querem isso?

Pois é, não quiseram, por mais que Rubens Lopes (E também, pasmem, boa parte da mídia) tenha tentado dizer que não.

A derrota da FFERJ e da CBF parece pequena, mas é como aquelas rachaduras em parede de represa, é das pequenas que surgem as inundações.

A demonstração de força dos clubes não é, ainda, uma revolução, mas é um enorme passo para isso.

Vai encontrar resistências? Sim, inclusive entre os clubes não alinhados.

Os clubes de São Paulo não quiseram juntar-se à Primeira Liga e vários fortalecem a FPF e a Globo na disputa por direitos de TV e também pela manutenção da organização de campeonatos pela CBF. Esse fator tem razões múltiplas, e boa parte delas perpassam as vantagens econômicas que o trio de ferro do futebol Paulista e o Santos recebem da televisão, sem contar com o peso político da FPF, e sua boa relação com TV e os clubes, junto a CBF. Del Nero, último (Ex-) presidente (indiciado pelo FBI) e Marin (ex-presidente da CBF indiciado pelo FBI) foram presidentes da FPF.

Vasco e Botafogo participam dos golpes da FFERJ contra Flamengo e Fluminense.

No entanto, não é desprezível que quinze clubes de série A e B tenham demonstrado força suficiente para mover montanhas aparentemente imóveis.

Além disso, as Ligas Norte e Nordeste também já demonstraram uma certa percepção com bons olhos a respeito das movimentações da Primeira Liga.

E surge no horizonte também uma articulação para não só formar uma associação entre clubes das séries A e B e também com o lançamento de um candidato dos clubes à presidência da CBF e pelos nomes cogitados está clara a articulação entre Primeira Liga, Liga do Nordeste e uma fissura no bloco paulista com a participação do Santos.

Ou seja, a mudança para o nascimento da Primeira Liga em 2016, com recuo de CBF e Federação Carioca, é só parte de um quadro bem mais complexo e que pela primeira vez sugere transformações que podem ser bastante profundas na estrutura do Futebol.

Não é maluquice ver nestas transformações partes de uma outra mudança: O fim do monopólio da Rede Globo no fomento econômico e controle dos direitos de TV dos campeonatos.

Com a chegada de gigantes como Turner e Fox ao Brasil já ocorreram abalos fortes no monopólio Global sobre as transmissões. Agora com a Turner entrando com um cacife maior econômico na negociação pelos direitos do Brasileiro na TV fechada o quadro de transformação ganha novos capítulos, ainda mais se considerarmos que a Rede Globo está em aparente crise econômica, inclusive fazendo reengenharia nas suas estruturas de jornalismo, e esporte, como na junção das redações de Rádio, TV e Internet em SP e RJ.

Ou seja, há um choque de modernização capitalista no futebol brasileiro (E mundial, afinal o FBI não entrou de sola na FIFA por amor à verdade) e estamos vendo fora de campo mudanças estruturais e táticas que achávamos só possíveis dentro das quatro linhas a partir de gênios da bola e da prancheta.

Agora é preciso que observemos, com cuidado e alguma alegria, o que o futuro nos reserva.

Atualização: Em 25/01 a CBF voltou a “proibir a ligas” e os 15 clubes voltaram a peitar CBF e federações, recebendo apoio à resposta via redes sociais via hashtag #juntospelaprimeiraliga e de praticamente toda a imprensa. No segundo round os 15 clubes voltaram a mostrar força.