A taça do teu rival não precisa ser diminuída pra valorizar as do seu time, parça!

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Das coisas que não consigo compreender: O futebol brasileiro é formado de forma absolutamente diferente do planeta inteiro,mas existe gente em 2016 que consegue disputar que clube é maior, que taça é melhor.

Explico: O futebol brasileiro nasce de ligas estaduais que disputaram praticamente meio século de campeonatos restritos aos estados onde os clubes se originaram.]

Dai o número de clubes grandes no país ser enorme.

Tem clube grande no país todo, com torcidas enormes, superiores às torcidas de muitos dos clubes europeus que disputam a Liga Europa, por exemplo, e até a Champions League.

As primeiras competições nacionais foram os interestaduais que surgiram pós-1950.

Os torneios nacionais surgidos de 1959 a 1970, a Taça Brasil e o Robertão, foram equiparados ao campeonato brasileiro que passou a ser organizado de 1971 até hoje pela CBD, e atualmente pela CBF.

Apenas em 1948 surgiu uma competição internacional na América do Sul, o sul americano vencido pelo Vasco (que reivindica, a meu ver corretamente, sua equiparação à libertadores).

Em 1951 e 1952 organizou-se no Brasil a Taça Rio, que a FIFA recentemente reconheceu como mundial.  Apenas a partir de 1960 organizou-se o torneio intercontinental  que foi considerado mundial até a FIFA passar a organizar, em 2000, o mundial de clubes da FIFA, sendo que mesmo este só se consolidou posteriormente, em 2005, quando a FIFA retomou a organização do mundial e não mais a interrompeu. De 2000 a 2005 os campeões do torneio intercontinental também foram reconhecidos como campeões mundiais.

Em resumo: Temos uma diversidade enorme de títulos dos clubes brasileiros entre estaduais, nacionais e internacionais. Todos, absolutamente todos, conquistados com talento e suor por parte de seus campeões.

Mas torcedores insistem em reduzir o título alheio para valorizar o seu.

Jura que o mundial de 2000 do Corinthians vale menos que o mundial de 2005 do São Paulo porque o Corinthians não entrou nesse mundial como campeão da Libertadores? Entrar como representante da sede fez o Raja Casablanca ser menos finalista do mundial de 2013?

Jura que o mundial do Palmeiras de 1951 e do Fluminense em 1952 vale menos que o título do Corinthians em 2000 ou que os Torneios intercontinentais de 1960 a 2000 ou que os mundiais de 2005 até hoje porque os clubes brasileiros não venceram a libertadores que não existia?

Rivais menosprezando a taça Olímpica do Fluminense, enorme honraria recebia do COI pelo Fluminense ter sido reconhecido em 1949 a “maior e melhor organização esportiva do mundo”, sendo o Fluminense Football Club o único clube de futebol do mundo a ter essa honraria, não são raros.

Da mesma forma a necessidade torcedora de transformar títulos em “lixo” em nome de uma “valorização” de suas conquistas é algo que a mim soa como surreal.

Que sentido faz?

Não reconhece o título do rival? Parabéns pra você, porque em maior ou menor escala o mundo do futebol reconhece a maior parte dos torneios vencidos e unificados e regulamentados, porque é uma tendência da FIFA pra todas as confederações internacionais e nacionais a organizar os títulos de acordo com sua similaridade. É uma forma de organizar a própria história e tentar criar uma régua de identidade entre todos os centros de futebol e sua diversidade de organização e surgimento.

E faz parte da história de cada clube suas conquistas.

Respeitar a conquista do outro é fundamental para a existência inclusive da rivalidade.

E é sintoma de pequenez tornar o outro “menor” porque não tem aquele título que você tem. É como o Vascainismo Eurico Miranda ostentando sua Libertadores enquanto chafurda na série B pela terceira vez. Ou o rubro negro pernambucano e o carioca disputando quem foi campeão em 1987 ou o corintiano, que teve seu título mundial de 2000 contestado por São Paulinos e santistas, contestar o titulo mundial do Palmeiras em 1951, e também os do SPFC em Tóquio antes de 2000.

Ninguém percebe que essa contestação é na verdade  um tremendo recibo de que valoriza demais aquele rival que chama de menor?

Cê não acha que o Fluminense é campeão mundial em 1952? O que que eu vou fazer? Eu não consigo não ver o Vasco campeão da Libertadores de 1998 e antes do sul americano de 1948, dois títulos de mesmo peso, pra mim duas Libertadores. Não consigo ver ganho algum e dizer que a História não houve.

Não dá pra apagar manchetes de jornais em 1951 e 1952 de Rio, MG e SP dizendo que Palmeiras e Fluminense foram campeões mundiais.

Não dá pra fingir que não houve mundial em 2000, eu fui ao Maracanã e o clima da cidade era de euforia.

Não dá pra ignorar que o Flamengo foi campeão da copa união em 1987 e que isso é considerado brasileiro por pelo menos meio futebol brasileiro, e que também o Sport foi campeão em 1987 e que a luta ente CBF e clube dos 13 produziram um impasse que apenas o reconhecimento de ambos como campeões pode resolver.

Não concorda? Paciência. E paciência se o STF diz que só o Sport foi campeão, o buraco é mais embaixo, a história mais complexa.

A vida fica mais inteligente quando a gente deixa de ser bobo disputando bobagem enquanto tem tanta coisa pra disputar, como cotas de TV igualitárias, campeonatos mais equilibrados, arbitragens profissionais, calendário que preste,etc..

Vamos nos reconhecer como gigantes de deixar de bobagem?

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O sistema futebol e a cara do Rubinho ou Sobre transformações/ In Bezug auf Transformationen

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Por Gilson Moura Henrique Junior

Transformações ocorrem o tempo todo no mundo. No futebol, no entanto, o Status quo tende a manter, com luxuoso auxílio midiático, a impressão que tudo está na mesma eternamente.

Se fora de campo essa premissa faz algum sentido, dentro do campo é um rematado disparate.

Pouca coisa é tão dinâmica que as evoluções táticas no futebol. Em relação às dinâmicas das transformações sociais pode-se inclusive dizer que há revoluções constantes no futebol. Não é maluquice dizer que a cada geração a tática e a técnica futebolística dá saltos e revoluciona-se de forma absolutamente impactante.

Na América do Sul e na Europa há constantes transformações no modo de jogar desde o início do século XX, e elas não tem espaço maior que vinte anos entre elas.

Os últimos impactos, cuja dor maior sentimos no cabuloso 7×1, nasceram pelas mãos de Mourinho e Guardiola (Ou vice-versa) e receberam forte apoio de Heynkes, Klopp, Ancelotti, entre outros. No Brasil esses ecos chegaram a Tite, Eduardo Baptista, Levir Culpi, Cuca, Aguirre (Uruguaio, mas….), entre outros.

Essas mudanças sempre partiram das transformações a respeito de posicionamento e função. Além de, desde os anos, 1970 se pautarem pela unicidade entre o trabalho de fortalecimento físico, visando o rendimento máximo do jogador, como ferramenta de ampliação e otimização da técnica.

Atualmente essas mudanças têm visibilidade maior na Europa devido às grandes diferenças econômicas entre Europa e a maioria dos países de fora da Europa, com exceção da China. E por que essa visibilidade maior? Porque o poderio econômico permite a perscrutação dos melhores jogadores do planeta para times Europeus, e melhores jogadores executam melhor os planejamentos táticos.

Simples, né?

Pois é, mas essa concentração de jogadores não transforma magicamente tudo o que é Europeu em ponta de lança da modernidade, nem o inverso, nem tudo o que é brasileiro é cabeça de ponte do atraso.

Há a percepção das mudanças táticas também no Brasil e só não executamos essas revoluções com maior eficácia hoje porque nossos melhores valores saem do país rápido demais.

E para mudar essa situação não basta simplesmente dar canetadas, é preciso que ocorram transformações macroeconômicas e politicas dentro e fora do sistema ecológico futebol.

Essas transformações externas ao mundo do futebol ainda não ocorreram totalmente, mas dentro, pela primeira vez temos indícios de estarem ocorrendo.

Além de toda balbúrdia do affair FBI/FIFA, que atinge a CBF, entre outras confederações, há a organização dos clubes que primeiramente a partir da Primeira Liga começam a impor sérios danos à estrutura das Federações e CBF no Brasil.

O recente recuo da FFERJ na absolutamente obtusa proibição a Fla e Flu de jogarem a Primeira Liga, ocorreu após a Primeira Liga praticamente informar ao sistema Futebol: 15 dos principais clubes do país vão resistir, vocês realmente querem isso?

Pois é, não quiseram, por mais que Rubens Lopes (E também, pasmem, boa parte da mídia) tenha tentado dizer que não.

A derrota da FFERJ e da CBF parece pequena, mas é como aquelas rachaduras em parede de represa, é das pequenas que surgem as inundações.

A demonstração de força dos clubes não é, ainda, uma revolução, mas é um enorme passo para isso.

Vai encontrar resistências? Sim, inclusive entre os clubes não alinhados.

Os clubes de São Paulo não quiseram juntar-se à Primeira Liga e vários fortalecem a FPF e a Globo na disputa por direitos de TV e também pela manutenção da organização de campeonatos pela CBF. Esse fator tem razões múltiplas, e boa parte delas perpassam as vantagens econômicas que o trio de ferro do futebol Paulista e o Santos recebem da televisão, sem contar com o peso político da FPF, e sua boa relação com TV e os clubes, junto a CBF. Del Nero, último (Ex-) presidente (indiciado pelo FBI) e Marin (ex-presidente da CBF indiciado pelo FBI) foram presidentes da FPF.

Vasco e Botafogo participam dos golpes da FFERJ contra Flamengo e Fluminense.

No entanto, não é desprezível que quinze clubes de série A e B tenham demonstrado força suficiente para mover montanhas aparentemente imóveis.

Além disso, as Ligas Norte e Nordeste também já demonstraram uma certa percepção com bons olhos a respeito das movimentações da Primeira Liga.

E surge no horizonte também uma articulação para não só formar uma associação entre clubes das séries A e B e também com o lançamento de um candidato dos clubes à presidência da CBF e pelos nomes cogitados está clara a articulação entre Primeira Liga, Liga do Nordeste e uma fissura no bloco paulista com a participação do Santos.

Ou seja, a mudança para o nascimento da Primeira Liga em 2016, com recuo de CBF e Federação Carioca, é só parte de um quadro bem mais complexo e que pela primeira vez sugere transformações que podem ser bastante profundas na estrutura do Futebol.

Não é maluquice ver nestas transformações partes de uma outra mudança: O fim do monopólio da Rede Globo no fomento econômico e controle dos direitos de TV dos campeonatos.

Com a chegada de gigantes como Turner e Fox ao Brasil já ocorreram abalos fortes no monopólio Global sobre as transmissões. Agora com a Turner entrando com um cacife maior econômico na negociação pelos direitos do Brasileiro na TV fechada o quadro de transformação ganha novos capítulos, ainda mais se considerarmos que a Rede Globo está em aparente crise econômica, inclusive fazendo reengenharia nas suas estruturas de jornalismo, e esporte, como na junção das redações de Rádio, TV e Internet em SP e RJ.

Ou seja, há um choque de modernização capitalista no futebol brasileiro (E mundial, afinal o FBI não entrou de sola na FIFA por amor à verdade) e estamos vendo fora de campo mudanças estruturais e táticas que achávamos só possíveis dentro das quatro linhas a partir de gênios da bola e da prancheta.

Agora é preciso que observemos, com cuidado e alguma alegria, o que o futuro nos reserva.

Atualização: Em 25/01 a CBF voltou a “proibir a ligas” e os 15 clubes voltaram a peitar CBF e federações, recebendo apoio à resposta via redes sociais via hashtag #juntospelaprimeiraliga e de praticamente toda a imprensa. No segundo round os 15 clubes voltaram a mostrar força.