O que esperar do Fla x Flu?

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O que acontecerá no Fla x Flu? Menor ideia.

Fla com ausência de Diego e jogo da libertadores antes do primeiro jogo.

Flu joga no meio de semana contra o Xavante um jogo inútil por uma Primeira Liga que merecia mais do que recebeu da maior parte dos participantes, Fluminense inclusive, e deve pôr o time C em campo.

Não procurei me informar melhor sobre o regulamento esdrúxulo desde que Taça Guanabara e Taça Rio tiveram valor zero pra classificação pras finais, mas olhei agora na Wikipédia e parece que nenhum finalista tem vantagem na melhor de dois jogos.

Turma Flamenguista desde já metendo DCF ou desprezando o título, como sempre, mas concordo que via de regra o Carioca é o menos importante dos títulos disputados no ano, dá pra comemorar por algumas horas antes de procurar título decente pra vencer.

Serão dois jogos difíceis para ambos os clubes, ainda mais em se tratando de Fla x Flu, mas é interessante deixar claro que o Fluminense este ano foi o único adversário que complicou pro Flamengo, podendo sair vitorioso nas duas partidas que travou contra o grande rival, com o empate pelo Flamengo saindo nos minutos finais depois de jogos onde na maior parte do tempo foi inferior.

Ambos os clubes priorizam outros títulos (Flamengo Libertadores e Brasileiro, Fluminense a Sul Americana e a Copa do Brasil).

O Flamengo caiu de produção em relação a 2016 e apesar de ter elenco não me parece um time organizado taticamente, inclusive acho que o Zé Ricardo piorou bastante, se tornando mais conservador depois que ganhou jogadores e a pecha de comandante de um dos quatro melhores elencos do país junto com Palmeiras, Galo, e Cruzeiro.

Zé Ricardo recebeu Berrio, Trauco,etc, mas nenhum companheiro ou substituto pro Diego. Talvez Mancuello funcione assim, mas foi paulatinamente torrado diante da torcida jogando fora de onde rende mais. Conca foi contratado para estrear em Março e até agora nada, inclusive sumiu do noticiário (Estarão escondendo um mico? O ex-tricolor teve problemas na recuperação e o retorno foi adiado?).

O Flamengo este ano foi contra o Fluminense extremamente previsível, fazendo seus gols em bolas aéreas, ponto fraco do Fluminense, ou num gol achado pelo Guerrero.

O Flamengo taticamente foi inferior a Fluminense e Botafogo e até ao Vasco do Mílton Mendes por alguns minutos, um Vasco que se remontava depois do péssimo início de trabalho do Cristóvão e que acabava de receber o novo técnico.

Há problemas defensivos no Flamengo contra pontas velozes e times com boa amplitude e sem Diego a equipe tende e ter mais problemas diante de marcações mais intensas e adiantadas.

O Fluminense está sem Scarpa, mas ainda não enfrentou o Flamengo com seu melhor jogador. Wellington substitui o meia na função de criação das laterais para o centro.

Richarlison voltou ao clube e vem jogando o fino juntando força física com finalização oportunista, composição defensiva e bons passes vindos de trás. Ceifador e Pedro disputam a vaga de centroavante com galhardia, marcando, fazendo gols e fazendo bom trabalho de pivô. Sornoza é o grande organizador do time, mas Orejuela não fica atrás sendo um bom primeiro volante construtor de jogo lá de trás. Douglas e Wendel revezam na função de volante box-to-box com Wendel sendo melhor que Douglas no momento, indo muito além do que o companheiro foi nos últimos dois anos de ótimo desempenho e aproveitando os problemas físicos recentes do titular anterior. Lucas é um baita lateral. Henrique e Renato Chaves são irregulares nas bolas aéreas, especialmente o segundo, mas são muito bons no chão. Léo era um ponto fraco, mas no clássico contra o Vasco foi bom defensivamente e um caminho pra solucionar nosso problema de marcação da bola aérea, pelo menos pelos eu setor o pavor reduziu.

Trauco vai precisar de ajuda pra superar a dupla entre Lucas e Wellington pela esquerda rubro-negra. Talvez Zé Ricardo ressuscite o esquema do último jogo na Libertadores quando pôs dois laterais, com Trauco jogando na prática de extremo.

A questão é que o jogo aponta taticamente para um embate entre um time mais técnico e veloz, o Fluminense, e um time com mais imposição física, o Flamengo.

Inclusiva a imposição física foi a única forma que nossos adversários conseguiram reduzir o impacto da velocidade e técnica do ataque tricolor.

O Flamengo dependerá demais de um jogo perfeito de seu miolo de zaga titular e dos seus volantes diante do dinâmico meio campo tricolor.

O Fluminense dependerá de uma marcação mais eficiente nas bolas aéreas, que começa impedindo que as bolas cheguem a partir das laterais ou das bolas paradas e da manutenção da intensidade do meio de campo e ataque.

No momento eu aposto no Fluminense.

Rubinho não conhece História, Nós somos a História.

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A FFERJ nasceu em 1978, o Fluminense em 1902. O Flu nasceu antes de TODAS as associações, ligas e federações do Rio de Janeiro, e nacionais.

O Fluminense fundou o futebol brasileiro no Rio. Inaugurou no Rio a prática de futebol. A FFERJ nunca vai sequer chegar perto do dedão do pé do que é o Fluminense.

Rubens Lopes e sua fanfarronice não passarão.

Segue a lista:

Período

Distrito Federal / Estado da Guanabara

Antigo Estado do Rio de Janeiro

1906

Liga Metropolitana de Football

1907–1911

Liga Metropolitana de Sports Athleticos

1912

Liga Metropolitana de Sports Athleticos
Associação de Football do Rio de Janeiro (registrada em cartório tornando-se oficial, pois não havia órgão centralizador de football, a FBS/CBD (atual CBF) só foi fundada em 1914)

1913–1914

Liga Metropolitana de Sports Athleticos após fusão da AFRJ com LMSA

1915–1916

Liga Metropolitana de Sports Athleticos Liga Sportiva Fluminense

1917–1918

Liga Metropolitana de Desportos Terrestres Liga Sportiva Fluminense
Associação Fluminense de Desportos Terrestres (dissidentes)

1919–1923

Liga Metropolitana de Desportos Terrestres Liga Sportiva Fluminense

1924

Liga Metropolitana de Desportos Terrestres
Associação Metropolitana de Esportes Athleticos (dissidentes)
Liga Sportiva Fluminense

1925

Liga Metropolitana de Desportos Terrestres
Associação Metropolitana de Esportes Athleticos (dissidentes)
Liga Sportiva Fluminense
Associação Fluminense de Esportes Athleticos (dissidentes)

1926

Liga Metropolitana de Desportos Terrestres
Associação Metropolitana de Esportes Athleticos (dissidentes)
Federação Fluminense de Desportos
Associação Fluminense de Esportes Athleticos (dissidentes)

1927–1932

Liga Metropolitana de Desportos Terrestres
Associação Metropolitana de Esportes Athleticos (dissidentes)
Associação Fluminense de Esportes Athleticos

1933–1934

Associação Metropolitana de Esportes Athleticos (amadora)
Liga Carioca de Football (dissidentes sem vínculo com a CBD/CBF) (profissional)
Associação Fluminense de Esportes Athleticos (amadora)
Federação Fluminense de Esportes (profissional)

1935–1936

Federação Metropolitana de Desportos (profissional)
Liga Carioca de Football (dissidentes sem vínculo com a CBD/CBF)) (profissional)
Associação Fluminense de Esportes Athleticos (amadora)
Federação Fluminense de Esportes (profissional)

1937–1940

Liga de Football do Rio de Janeiro Associação Fluminense de Esportes Athleticos (amadora)
Federação Fluminense de Esportes (profissional)

1941–1959

Federação Metropolitana de Futebol Federação Fluminense de Desportos

1960–1977

Federação Fluminense de Futebol Federação Fluminense de Desportos

Fonte: Wikipedia

O sistema futebol e a cara do Rubinho ou Sobre transformações/ In Bezug auf Transformationen

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Por Gilson Moura Henrique Junior

Transformações ocorrem o tempo todo no mundo. No futebol, no entanto, o Status quo tende a manter, com luxuoso auxílio midiático, a impressão que tudo está na mesma eternamente.

Se fora de campo essa premissa faz algum sentido, dentro do campo é um rematado disparate.

Pouca coisa é tão dinâmica que as evoluções táticas no futebol. Em relação às dinâmicas das transformações sociais pode-se inclusive dizer que há revoluções constantes no futebol. Não é maluquice dizer que a cada geração a tática e a técnica futebolística dá saltos e revoluciona-se de forma absolutamente impactante.

Na América do Sul e na Europa há constantes transformações no modo de jogar desde o início do século XX, e elas não tem espaço maior que vinte anos entre elas.

Os últimos impactos, cuja dor maior sentimos no cabuloso 7×1, nasceram pelas mãos de Mourinho e Guardiola (Ou vice-versa) e receberam forte apoio de Heynkes, Klopp, Ancelotti, entre outros. No Brasil esses ecos chegaram a Tite, Eduardo Baptista, Levir Culpi, Cuca, Aguirre (Uruguaio, mas….), entre outros.

Essas mudanças sempre partiram das transformações a respeito de posicionamento e função. Além de, desde os anos, 1970 se pautarem pela unicidade entre o trabalho de fortalecimento físico, visando o rendimento máximo do jogador, como ferramenta de ampliação e otimização da técnica.

Atualmente essas mudanças têm visibilidade maior na Europa devido às grandes diferenças econômicas entre Europa e a maioria dos países de fora da Europa, com exceção da China. E por que essa visibilidade maior? Porque o poderio econômico permite a perscrutação dos melhores jogadores do planeta para times Europeus, e melhores jogadores executam melhor os planejamentos táticos.

Simples, né?

Pois é, mas essa concentração de jogadores não transforma magicamente tudo o que é Europeu em ponta de lança da modernidade, nem o inverso, nem tudo o que é brasileiro é cabeça de ponte do atraso.

Há a percepção das mudanças táticas também no Brasil e só não executamos essas revoluções com maior eficácia hoje porque nossos melhores valores saem do país rápido demais.

E para mudar essa situação não basta simplesmente dar canetadas, é preciso que ocorram transformações macroeconômicas e politicas dentro e fora do sistema ecológico futebol.

Essas transformações externas ao mundo do futebol ainda não ocorreram totalmente, mas dentro, pela primeira vez temos indícios de estarem ocorrendo.

Além de toda balbúrdia do affair FBI/FIFA, que atinge a CBF, entre outras confederações, há a organização dos clubes que primeiramente a partir da Primeira Liga começam a impor sérios danos à estrutura das Federações e CBF no Brasil.

O recente recuo da FFERJ na absolutamente obtusa proibição a Fla e Flu de jogarem a Primeira Liga, ocorreu após a Primeira Liga praticamente informar ao sistema Futebol: 15 dos principais clubes do país vão resistir, vocês realmente querem isso?

Pois é, não quiseram, por mais que Rubens Lopes (E também, pasmem, boa parte da mídia) tenha tentado dizer que não.

A derrota da FFERJ e da CBF parece pequena, mas é como aquelas rachaduras em parede de represa, é das pequenas que surgem as inundações.

A demonstração de força dos clubes não é, ainda, uma revolução, mas é um enorme passo para isso.

Vai encontrar resistências? Sim, inclusive entre os clubes não alinhados.

Os clubes de São Paulo não quiseram juntar-se à Primeira Liga e vários fortalecem a FPF e a Globo na disputa por direitos de TV e também pela manutenção da organização de campeonatos pela CBF. Esse fator tem razões múltiplas, e boa parte delas perpassam as vantagens econômicas que o trio de ferro do futebol Paulista e o Santos recebem da televisão, sem contar com o peso político da FPF, e sua boa relação com TV e os clubes, junto a CBF. Del Nero, último (Ex-) presidente (indiciado pelo FBI) e Marin (ex-presidente da CBF indiciado pelo FBI) foram presidentes da FPF.

Vasco e Botafogo participam dos golpes da FFERJ contra Flamengo e Fluminense.

No entanto, não é desprezível que quinze clubes de série A e B tenham demonstrado força suficiente para mover montanhas aparentemente imóveis.

Além disso, as Ligas Norte e Nordeste também já demonstraram uma certa percepção com bons olhos a respeito das movimentações da Primeira Liga.

E surge no horizonte também uma articulação para não só formar uma associação entre clubes das séries A e B e também com o lançamento de um candidato dos clubes à presidência da CBF e pelos nomes cogitados está clara a articulação entre Primeira Liga, Liga do Nordeste e uma fissura no bloco paulista com a participação do Santos.

Ou seja, a mudança para o nascimento da Primeira Liga em 2016, com recuo de CBF e Federação Carioca, é só parte de um quadro bem mais complexo e que pela primeira vez sugere transformações que podem ser bastante profundas na estrutura do Futebol.

Não é maluquice ver nestas transformações partes de uma outra mudança: O fim do monopólio da Rede Globo no fomento econômico e controle dos direitos de TV dos campeonatos.

Com a chegada de gigantes como Turner e Fox ao Brasil já ocorreram abalos fortes no monopólio Global sobre as transmissões. Agora com a Turner entrando com um cacife maior econômico na negociação pelos direitos do Brasileiro na TV fechada o quadro de transformação ganha novos capítulos, ainda mais se considerarmos que a Rede Globo está em aparente crise econômica, inclusive fazendo reengenharia nas suas estruturas de jornalismo, e esporte, como na junção das redações de Rádio, TV e Internet em SP e RJ.

Ou seja, há um choque de modernização capitalista no futebol brasileiro (E mundial, afinal o FBI não entrou de sola na FIFA por amor à verdade) e estamos vendo fora de campo mudanças estruturais e táticas que achávamos só possíveis dentro das quatro linhas a partir de gênios da bola e da prancheta.

Agora é preciso que observemos, com cuidado e alguma alegria, o que o futuro nos reserva.

Atualização: Em 25/01 a CBF voltou a “proibir a ligas” e os 15 clubes voltaram a peitar CBF e federações, recebendo apoio à resposta via redes sociais via hashtag #juntospelaprimeiraliga e de praticamente toda a imprensa. No segundo round os 15 clubes voltaram a mostrar força.