Os elencos e os times do futebol brasileiro de 2017 apontam uma temporada espetacular.

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 2017 aponta par ao futebol brasileiro um cenário de enorme expectativa.

Especialmente Palmeiras, Flamengo e Atlético Mineiro, mas não só, estabeleceram um altíssimo nível de elenco e potencial técnico-tático a partir das contratações de jogadores e treinadores antenados e capazes de formar times profundamente técnicos e eficientes.

Conca e Berio no Fla; Felipe Melo, Guerra e Borja no Palmeiras; Elias, Felipe Meneses no Galo são contratações de encher os olhos aliados a Zé Ricardo, Eduardo Baptista e Roger.

Essas equipes se juntam ao Santos de Dorival Junior no favoritismo em todas as competições que participam no ano.

Aliás, o grande favorito a tudo é o Palmeiras, pois tem o elenco mais forte em todas as posições, inclusive a zaga (que no caso do Fla e do Galo tiveram menos reforços ou nenhum), mas tem como principal perseguidor este Santos de Dorival, que compensa ter menos grandes nomes com uma consciência tática consolidada pelo trabalho de maior qualidade e longevidade atualmente no país.

Entre Fla, CAM, Santos e Palmeiras quem sai atrás na casamata é exatamente o Flamengo, onde Zé Ricardo é bom, mas está ainda casas atrás de Eduardo Baptista, Roger e muitas casas atrás de Dorival.

Mas SPFC com Pratto e Jucilei; Flu com Orejuela e Sornoza; CAP com Gedoz e Grafitte; Botafogo com Montillo; Cruzeiro com Thiago Neves e Lucas Silva e o Bahia com Allione, Edson e Wellington Silva junto com técnicos antenados e de alta qualidade ou com potencial pra isso como Rogério Ceni, Abel, Autuori, Jair Ventura, Mano e Guto Ferreira também apresentam uma expectativa alta e pelo menos uma posição de coadjuvantes duros no Brasileiro e ameaças reais nos mata matas.

O Bahia resolveu as deficiências de 2016 e se fortaleceu basicamente em todas as posições do elenco, mantendo um equilíbrio de peças que ampliam a qualidade tática organizada por Guto Ferreira.

Em caso similar o CAP e o Botafogo avançam em relação aos elencos de 2016, com Autuori tendo mais peças de reposição no elenco e apresentando em 2017 uma força tática mais nítida que o Botafogo de Jair Ventura, mas este Botafogo ainda apresenta a organização de 2016 com acréscimo técnico de Montillo.

O problema do Botafogo é parecido com o de todos neste grupo, talvez com exceção de Cruzeiro e Bahia, a ausência de elenco equilibrado em todas as posições para que peças como Montillo e Camilo sejam substituídas à altura.

O SPFC remontou o elenco com transações muito interessantes, levando Nem, Neílton, Cícero, Sidão e Jucilei praticamente gastando nada, gastou só pela excelente contratação de Lucas Pratto, contratou Rogério Ceni que chega como técnico com ideias interessantes, respeito no clube e no elenco e uma paciência que nenhum treinador teria no Morumbi pra implementar seu projeto. Não deve entregar tudo o que pode em 2017, mas já inicia uma ideia de jogo e temporada com bastante potencial, entregando uma organização tática rara pro pouco tempo de trabalho.

O Cruzeiro de Mano é um bom time, com elenco excelente, mas que não me parece ser usado pelo treinador em toda sua potencialidade. Mano é tido como extremamente moderno, mas não vem entregando nada nesse nível há cerca de cinco anos. O melhor trabalho no Cruzeiro foi em 2015, antes de ir pra China, e mesmo assim foi um trabalho de tiro curto que apresentava potencial, mas foi interrompido pela aventura oriental do treinador. Em 2016 o elenco já era bom e Mano teve resultado medíocre, o elenco melhorou em 2017, venceu um clássico, mas sem exatamente apresentar uma linha de jogo do tamanho da fama do treinador. É cedo ainda, o ano mal começou, mas de todos é quem apresentou menos pro elenco em mãos.

O Fluminense de Abel é um time que em muito pouco tempo de trabalho apresentou uma ideia de jogo bem definida e com uma realização surpreendente, explorando a alta qualidade técnica de Orejuela, Douglas, Scarpa, Sornoza e Wellington, ressuscitando Henrique Dourado e Lucas, usando a melhor zaga em matéria de qualidade técnica que o elenco possuía, Renato Chaves e Henrique, dando confiança a Léo, excelente lateral cujo potencial não foi explorado por Levir. Além disso, com Lucas Fernandes, Marquinhos, Richarlison (que provavelmente chega da seleção pra ser titular), Luiz Fernando, Danielzinho, Maranhão e Nogueira o técnico ganha um elenco equilibrado na maioria das posições.

O problema do Fluminense é que uma possível saída de Scarpa, Sornoza, Orejuela e Douglas ao mesmo tempo desmontam o time, o elenco é desequilibrado nesse sentido.

Luiz Fernando e Henrique podem substituir Orejuela ou Douglas, ambos não dá, fica difícil, o nível cai demais.

Daniel, Lucas Fernandes e Maranhão podem substituir Scarpa ou Sornoza, especialmente Daniel e Sornoza tem características similares, mas na ausência de ambos fica difícil retomar a qualidade do time titular.

Lucas Fernandes, Maranhão, Pedro e Richarlison podem substituir Wellington e Dourado sem nenhum problema, temos neste setor inclusive o setor mais recheado do elenco. Ainda temos Marcos Junior que pode jogar de falso nove, vindo de trás, jogando nas costas do volante, mas o setor criativo não tem substituto hoje.

A solução pra isso, que virá a ser problema no decorrer do ano a partir das prováveis convocações de Sornoza e Orejuela pra seleção equatoriana, de Scarpa pra Brasileira profissional e Douglas e Richarlison pra sub-20, pode tender menos para contratações e mais pra treinamento e testes de Daniel e Lucas Fernandes/Maranhão, e talvez Marquinho, na função de Sornoza e Scarpa. O problema vai ser na ausência em conjunto de Douglas e Orejuela. Luiz Fernando substitui Orejuela, mas não Douglas. E ai temos um problema pro Abel resolver, dado que dificilmente teremos contratações.

Outro problema é a reserva das laterais, Renato é um lateral muito abaixo de Lucas e Léo não tem reserva. Calazans e Marquinho podem substituir Léo, mas o nível cai absurdamente, Calazans inclusive é recém promovido da base.

Com estas ressalvas em relação aos elencos, especialmente no caso do Flu, temos um 2017 que potencialmente é o de times e treinadores extremamente fortalecidos.

Se Galo, Fla e Palmeiras saem na frente e são favoritos a tudo, em especial nas competições que exigem elenco bom e numeroso como o brasileiro, eles vão ter duras batalhas contra times com qualidade e bons treinadores.

Se Galo, Palmeiras, Santos e Fla são favoritos ao brasileiro e à libertadores, os demais são passíveis de serem colocados como favoritos à Sul Americana e Copa do Brasil, especialmente considerando que mesmo os elencos mais poderosos não tem condições de disputarem todas as competições em nível máximo.

Se em relação aos pontos corridos fica difícil ver alguém no retrovisor de Galo, Palmeiras, Santos e Fla, em Mata mata não é nada absurdo que estes sejam derrotados por CAP, Flu, Botafogo, Cruzeiro, SPFC e Bahia em caso de performance especial em jogo decisivo. Sornoza ou Scarpa são decisivos, Gedoz e Grafite idem, assim como Thiago Neves, Sóbis, Montillo e Camilo, Allione conseguiu minutos que talvez indiquem que o Palmeiras não soube aproveitar seu potencial técnico.

Os elencos estão bons e farão um ano especial para o futebol brasileiro, especialmente se o debate esportivo deixar de ser reduzido aos nomes em específicos e a análise incluir o potencial tático, as diferenças entre competições.

E se não cito Corinthians, Grêmio, Vasco,etc é muito pelas condições atuais de seus times e qualidade inicial de seus técnicos, nada impede que no decorrer do ano estas equipes surpreendam.

2017 apresenta uma coleção de bons elencos, alguns elencos estelares e excelentes, equilibrados e grandes, com excelentes técnicos, times que enchem os olhos, organização tática rara na maior parte dos clubes e um detalhe interessante: Treinadores que iniciam trabalhos com enorme crédito, por serem ídolos ou pelo potencial demonstrado em 2016, e uma rara paz coletiva na maior parte dos grandes clubes do país.

2017 promete para os amantes do futebol brasileiro.

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O Inter caiu,mas a marra colorada ainda não se deu conta.

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O Internacional caiu ontem para a segunda divisão, fruto de dois anos, ao menos, onde ocorreu de tudo,menos planejamento.

Pra mim a queda começou com a demissão de Aguirre em busca de “fato novo” às vésperas de um GRENAL onde o Inter foi impieadosamente goleado.

O autor do Blog “Meia encarnada”, Douglas Cecconello, é um dos que coloca que o Inter começou a cair quando trocou o “clube do povo” pelo “Campeão de tudo!”. Pode ser.

Pra mim, tricolor, torcedor fanático do Fluminense, é difícil entender exatamente o que ocorreu com o Internacional, considerando que o Inter foi exatamente um dos modelos para que a gestão Peter Siemsem iniciasse uma revolução no Fluminense que nos deu o avanço de Xerém, o CT Pedro Antônio, o sócio-futebol que permite hoje que o presidente do clube seja eleito por eleição direta (embora a grande maioria ainda não vote porque ainda não ampliaram os locais de votação),etc..

A dor da queda nós torcedores do Fluminense conhecemos, caímos duas vezes para a série B e uma para a série C.

O torcedor tricolor ainda tem lançado sobre ele o estigma de torcedor de um clube “anti-ético” por natureza exatamente porque na queda em 1996 e depois na volta à série A em 2000 o Fluminense não passou pelos trâmites “normais”.

Piorou quando em 2013 o Fluminense foi salvo do rebaixamento por Flamengo e Portuguesa que escalaram jogadores irregulares na última rodada.

O colorado teve o gostinho do que sofreu o tricolor em 2013 quando o clube entrou no STJD para que o tribunal verificasse o caso Vitor Ramos, jogador do Vitória, supostamente escalado de forma irregular.

Detalhe: Ao contrário do Fluminense em 2013 o Internacional efetivamente foi ao tribunal, criou a demanda jurídica, não participou apenas como parte interessada de um processo aberto pelo então procurador, como via de regra a procuradoria de Justiça Desportiva fazia desde 2003.

Não, o Inter deu entrada no STJD a partir de uma denúncia dele, supostamente com uma irregularidade comprovada por ele, não houve, como nos casos todos ocorridos de 2003 a 2013, uma denúncia da procuradoria que levou ao STJD em todos os casos a punir os clubes da mesma forma (perda de 3 pontos mais os pontos conquistados nas partidas em que o jogador irregular atuou), que puniu Ponte Preta, Paysandu, São Caetano, Grêmio Prudente, Flamengo e Portuguesa de 2003 a 2013, ou seja, de acordo com a jurisprudência do tribunal.

Mesmo com a opinião pública tratando a ação do Inter como desvio de conduta, quando é um legítimo direito do clube, a torcida colorada, no entanto, não se deu conta do mundo em que vive.

Talvez seja a dor, eu entendo,mas lamentavelmente em meio à dor da quedas ontem o torcedor tricolor leu, estupefacto, a seguinte frase : “O Inter tem de escolher se sobe como Juventus ou como Fluminense!”.

A ironia é que a Veccia Signora, a Juventus, caiu por ter jogadores participando de manipulação de resultados, o Fluminense caiu, assim como o Internacional, por ter ido mal em campo, por má gestão esportiva.

A outra ironia é que o Fluminense não subiu pelo campo por, pasmem, o Inter e o Botafogo em 1999 terem sido salvos do rebaixamento pelo famoso caso Sandro Hiroshi, lembram?

Isso mesmo, Inter e Botafogo denunciaram o São Paulo pela escalação de um jogador que,pasmem, era o que chamamos de “gato”, tinha a idade adulterada.

O jogador havia adulterado a idade ANOS ANTES,mas quem liga, não é mesmo? O STJD, em uma jurisprudência inovadora na época, e que acabou sendo seguida posteriormente, remanejou os pontos conquistados pelo SPFC a inter e Botafogo.

Sacaram?

Sim, Inter e Botafogo perderam os jogos, denunciaram uma ilegalidade DO JOGADOR ANOS ATRÁS e levaram o SPFC a ser punido, os salvando do rebaixamento e levando o Gama a ser rebaixado.

O Gama, que não é besta, foi ao STJD e depois à justiça comum, ganhou a causa e levou à criação da Copa João Havelange, que acabou com a divisão em divisões, gerando um campeonato onde todas as divisões podiam ir até a final, e pôs Bahia e Fluminense no grupo dos clubes da série A.

A João Havelange gerou um Frankenstein onde o São Caetano, que estava na B em 1999, chegando à final em 2000 e se mantendo dali em diante na série A, chegando até a final da Libertadores.

Sim, o Fluminense foi alçado à série A porque o Inter, sim ele mesmo, junto com o Botafogo fizeram uma manobra jabuticaba, praticamente anti-ética, para se manter na série A na marra.

A manobra, feita junto ao STJD, no tapetão, foi tão manobra que a justiça comum obrigou à CBF a “desrebaixar” o Gama e fazer essa zona explicada acima.

“AH,mas o Fluminense virou a mesa em 1996!”.

É? Sabe nada sobre o caso Ivens Mendes, do 1-0-0 onde Mauro César Petraglia, presidindo o Clube Atlético Paranaense, e o Alberto Dualib, presidindo o Corinthians, negociaram com o chefe da comissão de Arbitragem meios de serem beneficiados em seus jogos pelos juízes?

Não conhece o famoso caso 1-0-0? Humm, lê aqui.

Pois é, o Flu não foi rebaixado em 1996 porque quem deveria ser rebaixado pro fraude, como a Juventus foi, era o Corinthians e o CAP, então ninguém foi rebaixado, entendeu? Não é difícil, né?

Então quando o Colorado, e qualquer outro clube ou torcedor, usa o Fluminense como exemplo de manobra e desonestidade se comparando à Juventus, fica aquela impressão de marra, de pouco entendimento, zero de auto-crítica, pouca noção,sabe?

E explica muito porque o Inter caiu, porque seus dirigentes e torcida esqueceram sua história, seu passado e o respeito que devem ter aos demais clubes, reconhecendo seus erros em vez de transferí-los a terceiros.

Mas sabemos que isso é esperar demais de clubes e torcedores que não precisam se preocupar com a imagem do clube porque existe a Geni Fluminense pra ser usada como espantalho, não é mesmo?

Desejo sorte ao Internacional, que precisa mudar a própria ideia de si mesmo, com um orgulho que sua história merece que exista, mas que não deixa que fiquem cegos seus dirigentes e torcedores.

Ah, o Inter não precisa escolher como subir, ele deve subir como Internacional, afinal não tem virada de mesa desde 2000, aquela que o Inter causou.

E a entrada do Inter no STJD parece que deveria fazer com que seus torcedores e dirigentes entendessem isso, parando de dizer que em 2013 o que ocorreu foi virada de mesa.

Mas ai eu estou sendo utópico.

Abel e o retorno de um tipo de amor.

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A Torcida do Atlético Nacional de Medellin compôs o seguinte cântico ontem:

Que lo escuchen

En todo el continente

Siempre recordaremos

Campeon al Chapecoense #ForçaChape”

Ao ouvi-lo não pude deixar de me emocionar. Porque tem uma enormidade esse canto, essa torcida e esse clube que transforma tudo em pequenez, todos em menores, e isso é bom, porque essa percepção de consciente pequenez nos permite o aprendizado da melhora.

Aliás, salvo pontuais exemplos de estupidez cotidiana tudo o que envolveu a tragédia com a Chapecoense nos ensinou mundialmente caminhos de melhoria e transformação humanas poucas vezes vistos na história da humanidade.

O que vai permanecer vivo depois do período de luto não sabemos, podemos apenas rezar para que as diversas lições em inglês, francês, português, alemão, árabe, chinês, japonês, espanhol, etc permeie uma renovação no humanismo que fez o mundo um tanto melhor nos últimos séculos.

Sabemos que o mundo tem a velha mania de nos surpreender negativamente, e está aí Trump para não nos desmentir, mas vá lá, quem sabe, episódios traumáticos como esses nos renovem enquanto pessoas.

Não é todo dia no velho e violento esporte bretão que uma equipe solicita à confederação para perder um título e que esse seja atribuído ao adversário abatido por uma tragédia, vamos combinar.

Não é todo dia que brasileiros, das nacionalidades mais egoístas do planisfério, apoiam coletivamente o renascimento de uma equipe que o senso comum colocaria como “Pequena” em nome de nossa estrutural hierarquização e não só, de forma sensível e solidária se colocam exigindo que seus clubes auxiliem concretamente a Chapecoense, inclusive negativando no SPC moral os presidentes e dirigentes que não respeitaram a dor coletiva.

Aprendemos que existe saída nos últimos dois dias e não faço nenhum malabarismo pra incluir a contratação de Abel pelo Fluminense como parte disso.

Por quê? Abel tem trocentos defeitos, mas falta de amor pela vida, pelo Fluminense e pelo futebol não falta naquele corpanzil.

E não só, Abel é ético como poucos, é humano, é vivo, é bom. Nem precisa ser brilhante pra sacar disso.

Abel é dos poucos caras que se expõe com uma coragem do tamanho de seu corpo para exprimir amor, raiva, dor, mágoa.

Abel é gente, Abel é parte da onda boa que é a solidariedade a Chapecó desde anos antes da tragédia, desde que nasceu.

Não é uma sumidade técnica, não é o novo Guardiola, é apenas o Abelão, aquele cara que ama tanto o Fluminense que lacrimeja quando fala que o Fluminense o salvou de ser bandido, da mesma forma que lacrimeja quando fala do Inter tê-lo ensinado a ser grande técnico ou coisa parecida.

Abel volta pra pacificar o Fluminense sem nenhuma revolução tática ou de gerenciamento, nem aversão a elas.

Abel vem fazer seu trabalho, um time competitivo que jogue por amor ao futebol. Às vezes jogará feio, às vezes bonito, às vezes aberto, às vezes fatal como uma cobra, mas sempre lutando e querendo viver e vencer.

Abel chora, deve ter chorado muito ontem, deve ter abraçado seu filho, deve ter abraçado a camisa do Fluminense e a do Inter, deve ter lembrado de histórias, dos abraços em Caio Junior, dos jogadores que treinou, do medo de avião.

Se bobear a tragédia com a Chapecoense o ajudou a fechar com o Fluminense.

Abel tem coração, assim como demonstramos ter alma e coração ontem, hoje e espero que pra sempre.

A tragédia com a Chapecoense nos lembrou coletivamente, e mundialmente, de nossa finitude e do quanto amamos este esporte que fundamenta nossas identidades em cores e escudos.

A tragédia nos lembrou de um tipo de amor que poucas vezes se vê e viu nos últimos anos, mas que estruturou ideologias, cantos, artes, danças, vitórias.

A tragédia nos fez parecidos com Abel, coração grande que bate forte pelo que ama, que ri alto, que luta, que abraça, que chora.

Abel é a cara deste amor, que ele faça no Flu a volta de uma unidade que nos ajude a sermos mais solidários uns com os outros.

Eu preferia Roger, pela possibilidade de revolução tática, mas Abel nos traz a possibilidade de uma revolução anímica, de alma, de amor, de coração.

Não a banalizada raça ou luta, mas amor mesmo, amor, aquele amor que temos por nossas mulheres e homens, filhos, cães, ideias, aquela vontade de cuidar e abraçar.

A gente precisa de Abel pra aprender de novo um respeito e amor que deixamos cair em algum lugar assim como precisamos de uma tragédia para começar a nos respeitar mais enquanto rivais e respeitar mais os profissionais que dão o sangue pelas cores que amamos.

Todos podem morrer amanhã, essa ideia baliza uma necessidade de nos amarmos mais.

Abel pro Fluminense simboliza o retorno deste amor assim como o Atlético Nacional nos ensinou a possibilidade de sermos maiores do que a mesquinharia cotidiana.

Podemos ser melhores, mais humanistas, mais solidários, mais fortes, menos mesquinhos e sectários.

A hora de crescer chegou.

A defesa institucional do Fluminense, as mídias e o futebol brasileiro

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A gestão Peter Siemsem é sempre cobrada a defender a instituição Fluminense e quase sempre de forma categórica, quando não jocosa.

Especialmente desde 2013 a obrigação de defender o Fluminense por Peter Siemsem virou uma cláusula pétrea, quase que um recurso infinito por toda a sorte de torcedores e forças políticas no clube.

E sim, é obrigação do presidente do clube ser um defensor enfático do mesmo.

A questão é pensar um pouquinho fora da caixa e entender os fenômenos que circulam o Fluminense desde 1996 e o quanto o clube foi cúmplice do desmoronamento de sua imagem na opinião pública.

Vejam bem, o Fluminense não foi mais beneficiado na história do campeonato brasileiro e do próprio futebol brasileiro que o Grêmio, o Corinthians, o Botafogo, o Inter, o Clube Atlético Paranaense, o Santos, o Vasco.

Qualquer busca série sobre rebaixamento vai achar polêmicas a respeito da distorção do regulamento do descenso no brasileiro desde pelo menos o fim dos anos 1970. Palmeiras, Santos e Vasco foram beneficiados por mudanças nos regulamentos; Flamengo e Inter em 1987; poderiam ser punidos por terem cometido WO ao não disputarem as finais contra Guarani e Sport por conta das divergências entre CBF e clube dos 13 (a mesma polêmica sobre o título brasileiro de 1987); Grêmio foi beneficiado pelo aumento do número de participantes na série B de 1993; Botafogo e Internacional deveriam ter caído em 1999,mas foram beneficiados pelo caso Sandro Hiroshi, que causou o caos no futebol brasileiro a partir da contestação judicial do Gama e deu na Copa João Havelange, organizada pelo clube dos 13 e que içou o Fluminense e o Bahia ao módulo onde estavam os demais clubes da série A, que abria mais vagas às finais, mas que a rigor não teve divisões, foram todas as divisões unidas em módulos com vagas diferentes às fases finais e que permitiram ao São Caetano ser vice-campeão naquele ano.

Essas informações podem ser encontradas aqui, aqui e aqui.

E o que isso tem a ver com a defesa institucional do Fluminense? Tudo.

Porque desde sempre ocorreram viradas de mesa que beneficiaram um sem número de clubes, mas desde 1996, quando envolveu o Corinthians, com uma cobertura midiática gigantesca, o Fluminense virou a Geni do futebol brasileiro em caso de crise.

Em 1996 cairiam Corinthians e CAP, por manipulação de resultados, além de Fluminense e demais rebaixados, mas pra evitar a queda do “Timão” a CBF, com a anuência de todos os clubes da série A, optaram por mudar as regras e não rebaixar ninguém, permitindo o acesso apenas de quem subiu da série B.

Mas quem virou a mesa? Pra opinião pública o Fluminense, com o ornamento de Álvaro Barcellos estourando champagne.

Depois de ser rebaixado novamente em 1997 pra série B e em 1998 pra série C o Fluminense se reergue a duras penas em 1999 sob a direção de David Fischel na presidência e de Carlos Alberto Parreira na direção técnica, empréstimo de prestígio, reforma no vestiário, etc.

Lutando como poucos o Fluminense venceu a série C. Lutando também contra a pecha de “rei do tapetão” ao corretamente denunciar o São Raimundo por escalação irregular de jogador naquele brasileiro.

Lutando no campo e fora dele o Fluminense subiu pra série B e a disputaria se o caso Sandro Hiroshi não causasse o caos que fez o Brasileiro ser disputado por 116 times.

Essas colocações todas são feitas diuturnamente pela torcida do Fluminense e essas informações estão disponíveis cotidianamente na internet com as mais variadas fontes possíveis, mas porque a imprensa insiste em atacar o Fluminense como “Rei do Tapetão”?

Poderia listar inúmeras razões, do baixo nível técnico médio do jornalismo esportivo à desonestidade intelectual, passando por linhas editoriais favoráveis ao “passapanismo” com relação a clubes que dão mais audiência às emissoras. O fato é que raros são os profissionais como Sérgio Xavier Filho, PVC, Mauro Betting, Leonardo Bertozzi que saem do selo Alexandre Oliveira, Gian Oddi e Diogo Oliver de “qualidade”.

A questão também passa pela defesa institucional do Fluminense, algo que voltou a ser necessária a partir de 2013, quando por causa do erro da Lusa o Flamengo não disputou a segunda divisão de 2014.

E essa defesa é cobrada apenas da gestão Peter Siemsem, ignorando que desde 1996 os ataques ao Fluminense foram e são recorrentes, diante de qualquer busca que o clube faça por seus direitos nos tribunais, e nunca essa defesa foi feita.

Sim, Peter falhou gigantescamente ao adotar a mesma tática das gestões anteriores esperando que o Fluminense fosse respeitado como os demais clubes, algo que não ocorreu. Porém, desde 2014 o Fluminense tem uma defesa institucional, e coletiva por parte da torcida, digna de seu tamanho.

O clube não esmorece deixando claro que a posição de Geni pode até ter colado antes, mas que agora tem defesa e a torcida idem, porque oposição e parte da torcida ignora essa feroz defesa institucional recente? Apenas política ou ignorância também?

Nunca tivemos defesa institucional desde que caímos em 1996. O clube jamais se pronunciou de forma enfática contra a fama, jornalistas tricolores jamais se posicionaram, escritores idem, porque apenas Peter recebe a cobrança, sendo que foi o único que moveu enquanto presidente essa defesa?

É importante salientar que pro Fluminense o rebaixamento foi duro em diversos aspectos. O contexto de clube esfacelado em 1996, a tomada do poder por forças com objetivos escusos, a ideia de ter passado do clube portador da taça olímpica à ameaça real de deixar de existir em 1998, tudo isso pesou demais pro Fluminense e sua torcida terem passado o inferno e terem focado praticamente todas as forças possíveis na retomada do poder esportivo, com enorme auxílio da Unimed.

De 2000 em diante a retomada esportiva foi o foco do clube, acreditou-se que após o título da Copa do Brasil de 2007, Brasileiros de 2010 e 2012 todo o passado teria sido deixado pra trás e o respeito demonstrado, a contragosto, pela opinião pública formada pra tratar o Fluminense como sub Olaria estaria consolidado. Até que em 2013 a Lusa salvou o Flamengo e assim como em 1996, quando o Corinthians foi salvo do rebaixamento pela mudança de regras, foi necessário usar o suspeito de sempre pra livrar mais um queridinho da lama.

E o Fluminense é sempre o suspeito preferencial.

A questão é que antes, de 1996 a 2013, o clube estava tão preocupado em esquecer o passado que achou que a tempestade havia passado, hoje sabe que não passa ou passará e a cada lura por seus direitos vai ter de enfrentar essa máquina de formação de distorções chamada “jornalismo” esportivo.

O caso Meira Ricci TV é sintomático. Diante da luta pela anulação de uma partida por erro de direito ameaçar o Flamengo que se dane se a regra foi desmontada, quebremos a cabeça do Fluminense, que pra parte estúpida, pouco profissional e canalha da imprensa esportiva não tem nenhum direito a nada pro ser Geni.

E por que isso? Porque se essa imprensa for profissional e correta ela vai passar a atacar times grandes de seus estados e isso vai pegar mal com a audiência. E entre a correção profissional e a audiência cês acham que um Diogo Oliver ou Alexandre Oliveira vai ser correto profissionalmente como o PVC?

Diante dessa máquina de propaganda o Fluminense faz muito bem em se manter firme na defesa de seus direitos e da correção no cumprimento das regras e já que terá de lutar contra a canalhice de um jornalismo servo de qualquer maneira, que faça jus à tarefa, como vem fazendo.

 

A taça do teu rival não precisa ser diminuída pra valorizar as do seu time, parça!

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Das coisas que não consigo compreender: O futebol brasileiro é formado de forma absolutamente diferente do planeta inteiro,mas existe gente em 2016 que consegue disputar que clube é maior, que taça é melhor.

Explico: O futebol brasileiro nasce de ligas estaduais que disputaram praticamente meio século de campeonatos restritos aos estados onde os clubes se originaram.]

Dai o número de clubes grandes no país ser enorme.

Tem clube grande no país todo, com torcidas enormes, superiores às torcidas de muitos dos clubes europeus que disputam a Liga Europa, por exemplo, e até a Champions League.

As primeiras competições nacionais foram os interestaduais que surgiram pós-1950.

Os torneios nacionais surgidos de 1959 a 1970, a Taça Brasil e o Robertão, foram equiparados ao campeonato brasileiro que passou a ser organizado de 1971 até hoje pela CBD, e atualmente pela CBF.

Apenas em 1948 surgiu uma competição internacional na América do Sul, o sul americano vencido pelo Vasco (que reivindica, a meu ver corretamente, sua equiparação à libertadores).

Em 1951 e 1952 organizou-se no Brasil a Taça Rio, que a FIFA recentemente reconheceu como mundial.  Apenas a partir de 1960 organizou-se o torneio intercontinental  que foi considerado mundial até a FIFA passar a organizar, em 2000, o mundial de clubes da FIFA, sendo que mesmo este só se consolidou posteriormente, em 2005, quando a FIFA retomou a organização do mundial e não mais a interrompeu. De 2000 a 2005 os campeões do torneio intercontinental também foram reconhecidos como campeões mundiais.

Em resumo: Temos uma diversidade enorme de títulos dos clubes brasileiros entre estaduais, nacionais e internacionais. Todos, absolutamente todos, conquistados com talento e suor por parte de seus campeões.

Mas torcedores insistem em reduzir o título alheio para valorizar o seu.

Jura que o mundial de 2000 do Corinthians vale menos que o mundial de 2005 do São Paulo porque o Corinthians não entrou nesse mundial como campeão da Libertadores? Entrar como representante da sede fez o Raja Casablanca ser menos finalista do mundial de 2013?

Jura que o mundial do Palmeiras de 1951 e do Fluminense em 1952 vale menos que o título do Corinthians em 2000 ou que os Torneios intercontinentais de 1960 a 2000 ou que os mundiais de 2005 até hoje porque os clubes brasileiros não venceram a libertadores que não existia?

Rivais menosprezando a taça Olímpica do Fluminense, enorme honraria recebia do COI pelo Fluminense ter sido reconhecido em 1949 a “maior e melhor organização esportiva do mundo”, sendo o Fluminense Football Club o único clube de futebol do mundo a ter essa honraria, não são raros.

Da mesma forma a necessidade torcedora de transformar títulos em “lixo” em nome de uma “valorização” de suas conquistas é algo que a mim soa como surreal.

Que sentido faz?

Não reconhece o título do rival? Parabéns pra você, porque em maior ou menor escala o mundo do futebol reconhece a maior parte dos torneios vencidos e unificados e regulamentados, porque é uma tendência da FIFA pra todas as confederações internacionais e nacionais a organizar os títulos de acordo com sua similaridade. É uma forma de organizar a própria história e tentar criar uma régua de identidade entre todos os centros de futebol e sua diversidade de organização e surgimento.

E faz parte da história de cada clube suas conquistas.

Respeitar a conquista do outro é fundamental para a existência inclusive da rivalidade.

E é sintoma de pequenez tornar o outro “menor” porque não tem aquele título que você tem. É como o Vascainismo Eurico Miranda ostentando sua Libertadores enquanto chafurda na série B pela terceira vez. Ou o rubro negro pernambucano e o carioca disputando quem foi campeão em 1987 ou o corintiano, que teve seu título mundial de 2000 contestado por São Paulinos e santistas, contestar o titulo mundial do Palmeiras em 1951, e também os do SPFC em Tóquio antes de 2000.

Ninguém percebe que essa contestação é na verdade  um tremendo recibo de que valoriza demais aquele rival que chama de menor?

Cê não acha que o Fluminense é campeão mundial em 1952? O que que eu vou fazer? Eu não consigo não ver o Vasco campeão da Libertadores de 1998 e antes do sul americano de 1948, dois títulos de mesmo peso, pra mim duas Libertadores. Não consigo ver ganho algum e dizer que a História não houve.

Não dá pra apagar manchetes de jornais em 1951 e 1952 de Rio, MG e SP dizendo que Palmeiras e Fluminense foram campeões mundiais.

Não dá pra fingir que não houve mundial em 2000, eu fui ao Maracanã e o clima da cidade era de euforia.

Não dá pra ignorar que o Flamengo foi campeão da copa união em 1987 e que isso é considerado brasileiro por pelo menos meio futebol brasileiro, e que também o Sport foi campeão em 1987 e que a luta ente CBF e clube dos 13 produziram um impasse que apenas o reconhecimento de ambos como campeões pode resolver.

Não concorda? Paciência. E paciência se o STF diz que só o Sport foi campeão, o buraco é mais embaixo, a história mais complexa.

A vida fica mais inteligente quando a gente deixa de ser bobo disputando bobagem enquanto tem tanta coisa pra disputar, como cotas de TV igualitárias, campeonatos mais equilibrados, arbitragens profissionais, calendário que preste,etc..

Vamos nos reconhecer como gigantes de deixar de bobagem?

Levir aquém do esperado é símbolo de como o Fluminense de 2016 reflete a gestão Peter no Futebol.

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Levir Culpi demorou seis meses pra ter uma ideia de jogo para o Fluminense.

Nesses seis meses a seu favor podemos elencar a reformulação do elenco, a perda de Fred e Diego Souza, as quizumbas políticas, as Olimpíadas e Paralimpíadas, a demora de termos uma casa,etc.

Porém, mesmo que elenquemos tudo o que deu dificuldade a Levir, o fato é que o técnico não contribuiu exatamente para uma melhora tática do time a tempo de evitar que ao fim do ano o clube esteja no limiar de apenas manter-se na série A.

Levir insistiu em um modelo que ampliava a necessidade de individualidades e de envelhecimento da equipe por tempo demais, tendo um elenco jovem e talentoso em mãos.

Levir ficou meses mantendo um cabo de guerra com parte do elenco composta de medalhões, conseguiu vencer; Depois insistiu na contratação de jogadores a seu feitio, conseguiu; Em terceiro apelou pra justificativa que a equipe era “imatura”, mas ai já tava tarde demais e ele não conseguiu, e só ai implantou uma ideia de jogo a partir do elenco em mãos.

Nesse meio tempo se indispôs com parte da torcida, a partir do caso Fred, perdeu um dos melhores jogadores do elenco (que dava mais maturidade à equipe), Diego Souza, e insistiu em reforços que lotavam meio campo e ataque de nomes,mas ignorava a necessidade de reforços na lateral esquerda.

Lembrando que na lateral esquerda um dos melhores jogadores do elenco, Léo, perdeu espaço e foi emprestado ao Londrina pra ter tempo de jogo e amadurecer.

Mais contradições são a contratação de Henrique Dourado pra posição de centroavante, com aval de Levir, incorrendo na substituição de Fred com menor qualidade e pra uma posição cujo perfil do elenco pedia um atacante móvel.

Além disso, os meias contratados são todos parecidos. Dudu, Aquino, Marquinho são jogadores com técnica mediana para boa, combatividade e com passe, razoável finalização, nenhum deles jogando melhor na posição que Marcos Junior, que estava já no elenco ou que Cícero avançado, com Douglas de segundo volante.

Danilinho também chegou, tendo atuado bem taticamente, mas ainda abaixo de Marcos Junior.

Todos os reforços pro meio também jogam menos, técnica e taticamente, que Daniel Simões, o Danielzinho, que perdeu enorme espaço com Levir, que jamais considerou que o jovem jogador poderia ganhar experiência e confiança atuando consigo.

Detalhe: apenas Marquinho tem a confiança de Levir e atua com regularidade. Danilinho atua, pela memória do técnico, mas está abaixo do que esteve Daniel.

Pro ataque Welington chegou chegando pra ser titular absoluto e Rojas, pasmem, foi transferido pro sub020 pra se adaptar melhor.

Ou seja, fora Welington temos Maranhão, que também chegou no meio do ano e vem atuando de bem pra razoável e os que já estavam: Richarlisson, Magno Alves e Osvaldo, sendo que o último tá atrás de todo o elenco pra vaga.

Pedro, da base, é sempre relacionado,mas atua pouco, embora seja tecnicamente superior a Dourado.

Douglas, a maior revelação do ano, sofre com a insegurança de estilo de Levir nesses seis meses, e só uma vez atuou de forma que utilizasse sua qualidade de forma completa: Contra o Galo atuando de volante box to box, com Cícero mais plantado atrás, a melhor atuação coletiva do Fluminense no ano.

Apenas a zaga teve uma ideia clara e uma sequência com Welington Silva, Gum, Henrique e William Matheus, com Renato chaves atuando na ausência de seus companheiros.

Quando William Matheu se machucou entrou Airton, que permanece mal, e Giovanni, que foi bem em alguns jogos quando joga de zagueiro pela esquerda.

Na direita Jonathan perdeu espaço por questões médicas e Julião atuou bem quando escalado.

Com tudo isso, Levir armou o melhor Fluminense nos últimos três jogos, inclusive na derrota para a Chapecoense (Cuja contusão de William Matheus foi fundamental pra derrota) e contra o Galo em diante apresentou uma ideia de jogo, conseguiu compactar as linhas, conseguiu um mínimo de transição ofensiva e defensiva de qualidade, corrigiu espaços entre os defensores e corredores que desde 2013 nos assombram.

Em resumo? O grande técnico Levir estreou contra o Galo ou nos momentos que antecederam o confronto.

Ali ele usou o elenco e montou o time, inclusive com as alterações entre Danilinho e Magno Alves e Marquinho, centralização do Marcos Junior e alternância entre ele e Welington, que Maranhão manteve.

Daquele jogo em diante o Fluminense cresceu, e tende a crescer mais.

Tudo isso montando o time com apenas um dos reforços que chegaram: Welington. E componto aqui e ali com outros, como Marquinho, Maranhão e Danilinho.

E essa demora deixa claro porque Levir tem um trabalho medíocre no ano, aquém do esperado e é símbolo de como o Fluminense de 2016 reflete a gestão Peter no Futebol.

Por que? Porque esse planejamento errático de Levir é filho do planejamento errático pro futebol do clube.

Dois vices de futebol, dois gerentes, dois técnicos, três mudanças de elenco em 2016 é qualquer coisa, mas não é planejamento.

O duro é que o mesmo Peter que é profissional na gestão do clube, com CT, busca de estádio, equalização das dívidas e ampliação de receitas, é absolutamente amador na gestão do futebol, e pior, usa o futebol como ferramenta de capitalização política, e é isso que acaba com qualquer tipo de planejamento.

As trocas de técnico no estadual todos os anos, a ausência de ideia de perfil de elenco, tudo isso refletiu nesse ano eleitoral de forma absolutamente medíocre e frustrante.

E isso deu a Levir um álibi pra se acomodar nas dificuldades do ano e atuar menos como técnico e mais como comediante de stand up.

Apenas quando percebeu que o clima ia mudar internamente, desde a derrota pro Palmeiras,mas principalmente na derrota pro Botafogo de técnico interino e investimento bem menor, é que Levir começou a se mexer e organizar o time técnica e taticamente, e usando muito dos princípios que havia usado no Galo e os perfis de jogada de Eduardo Baptista.

Da mesma forma Peter apenas se mexeu pra construir um elenco mais forte pra temporada em Agosto, quando a barca ameaçou ir pro brejo na Copa do Brasil e Levir pediu o boné (Usando a insegurança de Peter, inclusive).

O mesmo Peter não fez um esforço maior pra manter Fred ou Diego Souza e depois contratou jogadores com perfil similar ao de Fred, sem a mesma técnica, e Diego Souza, também sem a mesma técnica.

A demissão de Eduardo Baptista em especial é típica de amadorismo. Complementada pela demissão do vice de futebol ela ganha ares de tragédia quando o mesmo técnico hoje disputa com o mesmo Fluminense, mesmo com elenco inferior, uma vaga no G4 e luta ponto a ponto conosco.

Isso tudo junto mostra, da formação do elenco à gestão dos treinadores (em especial a gestão do Levir, medalhão que a torcida tanto queria) o quanto Peter, e todo seu staff, nunca tiveram um norte profissional em relação ao futebol.

Sim, podemos justificar que parte disso se dava com a ajuda da Unimed e seu controle do futebol até janeiro do ano passado também errático e passionalista,mas isso não explica tudo.

O futebol do Fluminense jamais foi blindado e controlado de forma a ignorar pressões políticas.

Claro que ocorreram acertos.

É fundamental que mesmo com tantas reformulações de elenco o Scarpa, Marcos Junior, Samuel, Airton, Pedro, Julião, Nogueira e Douglas em maior ou menor escala sejam fundamentais pro elenco.

É enorme termos um elenco que permanece forte mesmo sem Unimed, Fred, Jean,etc.

Mas poderia ser melhor e muito disso porque faltou uma gestão de futebol que desse poder ao gerente de futebol que organizasse o departamento, perfil de técnico,etc e mantivesse isso tudo por um ano todo.

O que temos em Xerém com Marcelo Teixeira, não temos nas Laranjeiras com Peter e Jorge Macedo.

Se a gestão Peter entrega a seu sucessor um Fluminense em outro patamar, com CT, finanças em dia, novos contratos, novo perfil de contratações e uso de Xerém, Samorin,etc, deixa também a seu sucessor um futebol que necessita ser profissionalizado.

E não estamos falando aqui de CEO ou de torcida escolhendo técnico, mas de uma equipe que utilize os parâmetros de formação de Xerém como exemplo pro profissional e organizem um planejamento que contemple etapas até chegar a um título mundial, e isso com um técnico e um elenco que seja reforçado sem três reformulações por ano.

Precisamos de mais que bazófias, precisamos de tempo, planejamento, execução e isso com metas de curto,médio e longo prazo.

Não basta o próximo presidente falar em CEO ou apontar que usará a Universidade do Futebol como modelo, ele precisa construir isso e demonstrar como organizará o planejamento.

A formação de um elenco já pra 2017, com Orejuela e Sornoza, é um elemento que pode permanecer, não podemos ficar eternamente correndo atrás de reforços nas janelas, quando os concorrentes também lá estão e os valores inflacionam.

A definição do técnico não pode ocorrer ancorada a resultado, ela deve ocorrer relacionada aos avanços táticos que possuímos.

Levir hoje apresenta uma ideia de futebol que pode nos levar ao título da Copa do Brasil e ao G4.

Hoje ele apresenta, tardiamente se falarmos com o tempo de trabalho, um modelo.

Esse modelo é positivo porque tem também em mente que ganhará qualidade com os reforços para 2017, ou seja, o elenco não terá jogadores muito diferentes em características entre si.

Mantendo esse modelo não faz sentido nenhum demitir Levir.

Aliás, mantendo esse modelo é fundamental garantir a Levir a maturação da organização tática do time com esse elenco.

Do elenco atual apenas Edson, Osvaldo, Dourado, Dudu e Giovanni não faz sentido manter.

Dudu porque tem milhões de concorrentes á sua posição e é inferior a Danielzinho e talvez a Aquino, que nos poucos minutos ao menos mostrou uma combatividade e mobilidade que Dudu nunca demonstrou.

Edson tem valor de mercado e jamais evoluiu do volante de bom pra ótimo que chegou ao Fluminense. Tem apagões defensivos, pouca inteligência tática, pouca inteligência no desarme e uma confusão entre raça e truculência.

Osvaldo é tipicamente um antigo atacante de velocidade sem inteligência ténica e tática, pouca qualidade decisiva no terço final e caro demais.

Dourado é bom centroavante, tem boa noção tática,mas pouca qualidade técnica,mobilidade e não faz sentido algum ocupar a vaga de gente como Richarlisson e Pedro que além de melhores tenicamente, são mais modernos taticamente e tem maior valor de mercado futuro.

Giovanni jamais reencontrou seu futebol desde a contusão. É bom lateral defensivamente,mas nulo ofensivamente e tem apagões que deixam clarões táticos na equipe.

Dos que voltarão apenas Robert se precisa avaliar com calma, ter reuniões com ele, pensar em psicólogo porque a habilidade que tem não subiu da base.

Higor, Fernando, William são jogadores que podem ir pro Samorin ou dispensados.

Não entendo que o Fluminense precise de reforços.

Pra lateral esquerda entendo que o Léo é o reforço que precisamos.

Do meio pra frente temos um bom elenco, precisamos é de treinamento dentro da ideia de jogo apresentada.

O maior reforço são os que estão chegando e manter Scarpa.

Levir pode ser o técnico pra 2017, mesmo sem título e tendo tido um trabalho medíocre no ano como um todo, basta manter a ideia de jogo que apresentou, que explora a potencialidade do elenco, que tem variações defensivas e ofensivas e que vem se mostrando um modelo moderno, que usa o elenco pra ser uma equipe compacta, com aproximação, amplitude, triangulação e precisão.

Levir precisa parar de culpar os jogadores pela imprecisão no terço final, 90% dela é falta de maior precisão tática na organização das jogadas.

Marcos Junior, Welington, Cícero, Douglas, Marquinho, Scarpa, todos deixaram claro que chegando em situações de gol a bola entra, basta a bola circular e chegar sem ser mascada ou cruzada no décimo andar.

Estamos diante de uma transição, Peter está em fim de mandato, e novamente no fim do ano temos disputas possíveis, possibilidade de G4,etc, mas dessa vez temos o técnico medalhão que a torcida pedia, e um elenco mais fornido do que boa parte dos haters resultadistas gostariam, com um time em evolução tática.

Apontar apenas a gestão ruim do futebol sob Peter não resolve os problemas.

Apontar soluções a partir do clube que Peter deixa, organizado, com CT, possibilidade de estádio, finanças controladas, é o que precisamos.

O fracasso de Peter no futebol é indiscutível, mas esse fracasso não pode ocultar o avanço de Peter na gestão do clube e nem esquecer que Peter não fracassou mais que Horcades ou Fischer, e ao menos deixa um legado pro futebol, que é um clube que permite uma gestão profissional do futebol.

Há a possibilidade de chegarmos a resultados positivos com esse time e técnico.

Precisamos saber como termos resultados positivos constantes para esse clube e formação de elenco pela base.

E pra isso precisamos dar um salto organizativo do futebol, para além do CT, e ele não pode ser apenas um discurso em um site, precisa ser um planejamento visível, viável, organizado e sem parafernálias e fogos de artifícios que no fundo não dizem nada.

Não podemos voltar ao passado, e ninguém aponta o futuro para além de Peter.

É hora de ir mais longe e pra isso não podemos trocar de técnico apenas com base em resultado.

A caixa de remédios de Levir, Eduardo Baptista e a seletividade tricolor na crítica a técnicos

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Levir Culpi

Crédito: GloboEsporte.com

Levir Culpi completou no último domingo seis meses no cargo de técnico do Fluminense. Nesses seis meses contou com duas reformulações do elenco, e não há muitas dúvidas que parte delas tenha sido também feita a seu pedido, conquistou um título (contando com princípios deixados pelo predecessor) e deixa mais dúvidas que certezas.

Se temos uma das melhores defesas do campeonato, também temos um dos piores ataques.

Se temos chances de G4 e um elenco recheado e no mínimo similar ao de concorrentes diretos ao G4, também temos uma enorme crise técnica nas mãos do treinador, e boa parte dela apontando pra sua falta de repertório tático, dado que o repertório técnico da equipe não parece ser limitado.

O elenco do Fluminense não é exatamente inferior ao da Ponte Preta e Corinthians (Me parece superior a ambos), tampouco é tão pior que o do Grêmio ou do Santos, sendo nitidamente inferior ao de Flamengo, Palmeiras e Atlético Mineiro.

Dos supracitados apenas o Santos tem treinador a mais tempo que o de Levir no Fluminense. Ponte Preta e Palmeiras tem técnicos com o mesmo tempo de casa. Atlético, Flamengo e Corinthians tem técnicos a menos tempo no cargo.

Também sofreram reformulação o Flamengo de Zé Ricardo, O Corinthians de Cristóvão e o Santos de Dorival.

Mas absolutamente todos tem desempenho tático e técnico superior ao do Fluminense.

A gravidade dessas questões se amplia quando a Ponte Preta, com elenco recheado de jovens e refugos, tem histórico de desempenho muito,mas muito superior ao do Fluminens de Levir, tendo no banco o mesmo Eduardo Baptista que foi tocado fora da casamata tricolor acusado de não ser técnico á altura e de ter números ruins.

Bem, se pegarmos os números globais de Eduardo Baptista no Fluminense, ignorando toda a necessária interpretação deles, ele é um com mais problemas dos últimos anos.

Porém, com um mínimo de exercício de interpretação a gente percebe que pegando um Fluminense praticamente em outubro de 2015 (a temporada termina em 5 de dezembro), Eduardo Baptista conseguiu uma organização capaz de levar o Fluminense à semifinal da Copa do Brasil e quase passar o campeão, não chegou à final por detalhes (E dois pênaltis discutíveis a favor do Palmeiras).

Em pouco mais de dois meses Eduardo Baptista organizou o time que fazia o pior segundo turno da história, interromper o viés de baixa, chegar às semifinais da Copa do Brasil e terminar o campeonato com alguma tranquilidade.

Na volta das férias,Eduardo Baptista entra janeiro cobrado a ter vitórias e conquistas em tempo recorde, era cobrado inclusive por todo o segundo turno do campeonato brasileiro de 2015, mesmo tendo assumido na reta final dele, com mais de 70% do turno já tendo passado, e não tinha nem como respirar e esperar que os reforços se adequassem ao novo clube, que recuperassem ritmo de jogo pós-férias ou longo período de inatividade,etc.

Dane-se que contabilizaram derrotas em amistosos à derrotas em jogos valendo, que incluíram derrotas de Enderson em seu currículo, que ignoraram o efeito R10 no trabalho dele, inclusive na Flórida Cup, Fred sendo expulso no primeiro jogo oficial, as manobras da FFERJ,etc.

Eduardo Baptista entrou em janeiro fadado a ser demitido antes de completar o terceiro mês do ano e afinal o foi quando perdeu novamente um clássico para o Botafogo muito bem armado (E o mesmo time de 2015) por Ricardo Gomes.

Deixou o cargo e um legado estrutural tático: Controle da bola, jogo com altíssimo índice de deslocamento na frente, uso de Fred como pivô, Diego Souza aparecendo por trás como finalizador e também armando.

Deixou um legado e um indício de que com o tempo, com ao menos seis meses no cargo, conseguiria levar aquele time pra frente.

Essa leitura não força a barra, o que força a barra é ignorar a pausa de férias, a remontagem do time com reforços e com a paulatina reconquista de ritmo de jogo dos atletas e tascar os números globais como se não tivessem esse paliativo todo.

Pois bem, Levir assumiu esse legado, reforçou a defesa, restabeleceu a compactação que existia no time em 2015, manteve o ataque móvel e conquistou a primeira liga.

Parecia que tudo iria bem, mas Levir começou a desmontar o time formado por Mário Bittencourt (com grande apoio de Peter Siemsem que queria baixar a folha de pagamento) e a remontar o time a partir de suas concepções.

Primeiro foi Diego Souza, depois Fred. Jogadores como Léo e Robert, que Eduardo Baptista gostava de usar, foram emprestados, e o trabalho seguiu.

O espaço de Richarlisson iniciou sendo dado,mas o mesmo Levir que pregava paciência com ele o ia tirando espaço e colocando os contestados Magno Alves e Osvaldo, até Maranhão à sua frente.

Marcos Junior, uma das melhores surpresas pós-Enderson, só se manteve no time por uma desdobramento anímico fora do comum, aliado à boa relação com a torcida (Levir sempre foi sensível à arquibancada).

E Levir remontou o time, só que deu ruim e Levir pediu pra saír.

Os reforços demoravam a chegar, porque Levir jamais quis trabalhar com o elenco disponível, ele precisava de outro elenco novo em folha e feito à sua imagem e semelhança para poder dar certo.

Mas a presidência e o elenco em pânico pediram e Levir ficou.

Os reforços chegaram. E quando eles chegaram Levir teve a desculpa à mão pra pedir mais paciência.

Foi assim que chegamos aos seis meses de Levir, com paciência, uma paciência rara de torcida, direção e imprensa,mas que não dá conta da quantidade de erros cometidos pelo medalhão que se escora em números, de novo lidos sem interpretação, pra se manter inimputável.

O time tem a melhor defesa, elogiam Levir por isso, mas quando toma gol a culpa é do Gum (Mesmo quando o gol nasce imediatamente a uma substituição desastrosa feita por Levir).

O time tem um ataque ruim, culpam o centroavante (Henrique ou Magnata) por isso, mas jamais questionam a ausência de cara tática pro ataque tricolor: Seremos novamente um time marcado pela presença de um centroavante de área ou um ataque que usa o talento e a velocidade de Welington, Scarpa e Marcos Junior pra envolver o adversário e chegar ao gol.

Você sabe? Nem Levir sabe.

Os volantes técnicos são elogiados pela coragem de Levir em escalá-los, mas a cada vez que a bola passa por eles a culpa é do Douglas (Um jogador raro, que não só passa com precisão, mas arrisca lançamentos inteligentes, e acerta, e finaliza bem desde a base).

Aliás, Douglas pouco chega na frente, Levir fixa Douglas pra liberar Cícero, jamais usa a alternância entre eles, jamais estimula a Douglas a ser um elemento surpresa e chutar mais de fora.

Mas Levir brinca, Levir é ótima entrevista, é intocável,mesmo seu time tendo pouca aproximação, uma compactação defensiva desastrosa, e uma indecisão tática óbvia entre esperar o adversário e/ou ter posse de bola e domínio territorial.

A quantidade de espaço entre as linhas do Fluminense é de tal forma que dava pra plantar feijão entre elas.

E se o Fluminense não é mais alvejado é porque a defesa se comporta com estoicismo diante da uma enorme desarticulação tática entre ataque, meio e defesa.

As transições do Fluminense são mal feitas, não existem triangulações, não há saída de três na zaga, há arremedos disso.

Quantas reversões de jogo vemos no Fluminense de Levir? Poucas.

Se o ataque começa pela direita ou ele termina pela direita mesmo ou termina em finalização pelo centro do campo, pra fora, no máximo num cruzamento vadio.

E Levir diz que o problema é a falta de maturidade do time, jamais da pouca qualidade de seu trabalho tático no Fluminense.

Intensidade? Passa amanhã.

Os números de Levir são frutos de resultados conquistados pela habilidade de jogadores do Fluminense, por brilharecos táticos aqui e ali, jamais por uma feição tática definida. E acobertam um trabalho onde os números ocultam um desempenho horroroso.

Levir toma banho tático do interino do Figueirense, mas ganha o jogo, e por isso os mesmos críticos que ficavam assanhados e incineraram o ótimo Eduardo Baptista ficam quietos ou apelam pra criticar quem? Os jogadores e a diretoria pelas contratações.

Levir toma banho tático do treinador brasileiro que talvez tenha a pior leitura de jogo de todos so tempos, Cristóvão, mas o problema é o Danilinho.

Enquanto isso Eduardo Baptista com elenco pior, mas em um clube onde talvez a pressão da torcida seja até pior que a no Fluminense, a Ponte Preta, consegue estar em sétimo.

Danilinho, sem ritmo de jogo e se readaptando ao futebol brasileiro depois de sete anos no México, tem jogado bem taticamente.

Welington é raro, tem muito boa técnica no um contra um, finalize bem, é criativo e sabe ir além do papel de ponta.

Marquinho é disciplinado taticamente, tem boa técnica, chuta bem de fora, é raçudo que nem o Hulk com unha encravada,mas precisa se readaptar ao futebol, brasileiro e encontrar a melhor forma.

Aquino tem boa técnica,mas igual a Danilinho e a Marquinho ainda está fora de ritmo, e ainda precisa se adaptar ao futebol brasileiro.

Rojas idem, mas onde vive Rojas, o que come? Levir não sabe e se sabe não nos diz.

Mas reforço algum encaixa bem em um time mais zoneado que o Governo interino de Golpichel Golper.

Diziam que Eduardo Baptista não tinha padrão de jogo em seu time com saída de três, Cícero de segundo volante buscando jogo e revezando com Scarpa na organização das jogadas, recomposição defensiva rápida e transição veloz, que fez muito bons jogos, mesmo que tenha perdido vários deles.

Mas não falam nada pela ausência de feição tática nos times de Levir “Brincalhão” Culpi.

Há dúvidas? O time da Primeira Liga tinha uma cara tática, o time sem Fred do início do Brasileiro outra, e o time pós-reforços outra, só que nenhuma deles é sequer parecida.

Levir não sabe o que fazer com o elenco.

Levir não escolheu o que fazer e quando acerta uma cara, com Marcos Junior de meia, Wellington e Dourado no ataque, a desmonta pra por Marquinho no lugar do Marcos Junior, em jogo decisivo. como o desmonte deu ruim ele faz o que? Volta pra formação mais segura? não, desmonta o desmonte, põe Pierre no lugar de Marquinho e avança o Cícero.

Ai pós desmonte do desmonte ele está vencendo o jogo por 2×0 e faz o quê? Desmonta o desmonte do desmonte pondo Marquinho no lugar do Pierre e recuando Douglas de primeiro volante, Marquinho de segundo volante e Cícero de meia, mas era ÓBVIO que iria dar errado.

Ele treinou isso? NÃAAO.

Mas tá tudo bem, Levir brinca.

Levir fez ótimo trabalho no Atlético Mineiro, soube transitar de Cuca pra um estilo seu, menos afoito e mais passe de pé em pé com intensidade,mas no fluminense parece um técnico arrogante e sentado em cima do próprio ego, longe de qualquer cheiro de modernidade tática que faz de Eduardo Baptista um dos melhores técnicos do Brasil.

Mas não se acanhem, olhem outros trabalhos com times piores e percebam por si mesmos.

Fernando Diniz (Oeste), Rogério Zimmerman (Brasil de Pelotas), Eduardo Baptista (Ponte), Guto Ferreira( Chape e agora Bahia), Paulo Autuori (CAP), todos tem elencos de piores a muito piores que o do Fluminense e todos, absolutamente todos, tem resultados muito superiores ao esperado para o elenco que possuem, e se analisarmos com cuidado gigantescamente superiores, relativo ao elenco que possuem, ao trabalho de Levir.

Zimmerman então faz chover no Saara com o mesmo elenco desde a série D estando hoje no G4 da série B.

Baptista faz um elenco horroroso como o da Ponte dar banho em times caros como o do Fluminense, Inter e Cruzeiro.

Autuori remontou o CAP duas vezes e tá ali enchendo o saco perto do G4 desde o início do Brasileiro, foi finalista da Primeira Liga igual Levir e o desempenho não caiu.

Diniz no Oeste faz milagre mantendo aquele time vivo, e mais jogando futebol de gente grande, correndo todos os riscos possíveis e imagináveis.

Guto ferreira tá desfazendo todas as cagadas da diretoria do Bahia e levando o clube nas costas pra um estilo competitivo e renovando a fé no acesso.

E Levir? Brinca.

Levir hoje faz de longe o pior trabalho de um técnico no Fluminense desde Cristóvão e Enderson Moreira.

Enderson pela desconstrução do próprio trabalho aceitando R10, Cristóvão por ter um elenco milionário e não conseguir levar aquele time ao G4.

A sorte de Levir é que ele não faz o pior turno da história do Fluminense, mas o desempenho aquém do elenco é igual ao de Cristóvão.

Mas Levir não é Cristóvão, Enderson ou Baptista, Levir brinca.

E por isso a seletividade da crítica a Levir por parte da torcida é inacreditável. Inacreditável e sintomática.

Porque a torcida jamais e importou se o técnico era bom, se havia perfil tático ou não, pra ela o importante era ter um medalhão.

Tendo o medalhão ele fica impune , jamais é cobrado de seus erros e quando os erros acontecem a culpa é transferida ao presidente, ao diretor de futebol, ao gerente,mas principalmente aos jogadores.

Levir nunca erra, mas Welington Silva sim (Melhor desarme do time e um dos melhores do campeonato). Gum é um lixo (Líder de rebatidas do time, um dos melhores do campeonato e quando é titular dificilmente o time toma gol). Henrique, Danilinho, Dudu, Maranhão, a lista é longa dos culpados de ocasião pelos erros do Levir.

Mas Levir brinca.

E a torcida se mantém com seu ceticismo particular, blogueiros não fazem campanha diária pela demissão do treinador, não existe outro assunto que não a culpa da diretoria ou dos jogadores pelos erros do Levir.

Claro que não quero a demissão do Levir, quero que Levir organize o Fluminense de acordo com o elenco que tem, que produza um time capaz de controlar o jogo E fazer transição ofensiva e defensiva em velocidade, que municie o bom Dourado ou o bom Magnata, que utilize Douglas e Cícero como elementos surpresa concluindo de fora da área, que use Welington e Marcos Junior pra quebrar a linha defensiva do adversário com inclusive o bom passe de Welington por cima e quebrando a defesa atrás dos volantes.

Quero que Levir produza de acordo com o time que exigiu que fosse montado ou ele sairia.

Se Levir não fizer isso e nos levar às finais da Copa do Brasil e ao G4 que ele seja demitido em dezembro que possamos ter novamente um técnico capaz de transformar o bom elenco do Fluminense em algo mais digno.

Meu sonho mesmo era Bielsa ser contratado pra atuar com Fernando Diniz na organização de todo o futebol tricolor, do fraldinha ao profissional,mas deliro.

Hoje eu prefiro que Levir saia em dezembro e que Fernando Diniz seja contratado.