O torcedor, este irracional..

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Como já dizia Niara, minha companheira, e não Jorge Maravilha, a internet é uma praça, uma rua, uma vida continua por outros meios.

Faz tempo que é assim, as redes sociais fizeram no máximo uma reforma urbana que a la Pereira Passos ampliaram o horizonte da grande cidade para além das estreitas ruas da internet colonial. E sim, com muita remoção, bota abaixo, vide o Mega Upload.

A deep web é a zona boêmia, é a ruela escura onde pairam os aviões que não são os do forró.

Mas a internet é isso ai, a vida exposta no cotidiano, uma vida 24 horas com holofotes fortes o suficiente para mostrarem sua cueca furada por baixo do jeans usado.

Outra coisa que a internet faz é demolir. Demole que é uma beleza, faz mais que o Sérgio Naya. E é mais limpa também na demolição.

Tá lá você com toda tua empáfia sobre um tema e a Internet chega e, pimba, derruba. Tu te achando o novo Einstein da jeba preta e falando a maior bobagem, sim, vai ter um que vai te avisar, nem sempre com educação.

É, amigues, a internet não fez SOCILA, não se formou em boas maneiras e nem foi educada nas melhores escolas. A internet é das ruas, além de ser como as ruas.

Estudo2Jornalista tem problema com a internet desde sempre, porque na internet o cara que mete os agás manjados que lhe fazia inteligente pra família na festa do sobrinho vai ter à frente dele alguém que vai avisar o quanto ele tá falando de bobagem.

Acontece comigo, acontecerá contigo. O lance é como você lida com isso.

O jornalista médio foi criado com o leite de pera da verdade. Ele acha que é o mensageiro fodão da verdade. Ele vai lá nas fontes (quando vai) e chega com ela, a informação, embalada pra presente pra te entregar e fica esperando o “obrigado” que nunca vem.

É, amigues, o jornalista é um coitado, um cara que lida com a gente, os mal-agradecidos leitores, telespectadores e ouvintes.É assim que o jornalismo se vê. Ele tá acostumado a entender os demais como desinformados, ignorantes e bocós que precisam dele para se informarem. Acho bacana isso, só precisa avisar pro jornalismo que inventaram o Google.

Além do Google tem mó rapaziada produzindo conhecimento nas diversas áreas que discutem absolutamente tudo, da História às Ciências Sociais; da Ecologia à militância por liberdade de informação; Da ciência do Clima ao cozinheiro que faz o Beirute dos fortes.

É, amigues, informação não é produzida só por jornalistas. Advogado produz, historiador produz, dona de casa produz, travesti, transsexual, puta, bandido, traficante, usuário, nerd, geek, Gogo Boy, todo mundo produz informação.

A questão é que os jornalistas estudam quatro anos para dar tratamento à informação, os demais não, e ai é que a volumosa porca torce o volumoso rabo: Essa rapaziada estuda direito? Ela discute que a lógica da “verdade” é problemática, que contra fatos há sim argumentos que inclusive discutem como se constroem fatos e como se dá a interlocução do observador com a realidade determinando que fatos dependem inclusive do observador para existirem? Olha, o resultado final me diz que não, não estudam.

images (1)A média do jornalismo é composto por gente toda trabalhada na douração da pílula do senso comum usando gambiarra de luzinhas natalinas compradas em Pedro Juan Caballero. E aí, amigues, não dá.

Jornalista senso comum? Porra, pra que a gente precisa de jornalista se ele vai dizer pra ti o mesmo que o Manuel da Padaria faz e de graça? Tu não precisa de energia elétrica pra ligar a televisão se o Manuel da Padaria ali na esquina fala as mesmas bobagens e ainda tem sotaque.

Pois é, amigues, o lance é que jornalista senso comum é mato. E nem precisa pegar só o Jornalismo Esportivo, esse tradicional calabouço da consciência crítica, tem jornalista do topo da cadeia alimentar, editoria de política/economia, que fala as mesmíssimas bobagens e mais, em público.

É amigues, não explicaram pros jornalistas que o Google foi inventado e nem que o cara escrever na rede social dele que o uso de Avatar com a camisa do Fluminense (ou do PT ou da folha de maconha) torna o interlocutor um irracional, um idiota, um bocó, é como se ele tivesse gritando isso no mercadão de Madureira.

Fora que não explicaram pros caras que o avatar é poli significante, ou seja, significa muita coisa, é símbolo, é bandeira, é recado, é persona, é uma cacetada de coisa. Os caras tomam avatar, uso de símbolos, como significado de infância, de estupidez e por ai vai… e não dialogam, rotulam, agridem, tomam-te como imbecil.

Enfim, isso não costuma ser problema de quem é tratado como imbecil, mas do jornalismo, porque isso não é exceção, é regra.

E ai de nós que lidamos com o esporte, torcemos e conseguimos, pasmem, pensar. Somos todos “O torcedor, este irracional”.

É como se o torcedor virasse um lobo capetóide sem ética porque torce ou fala de futebol, ou fosse um ente infantilizado incapaz de pensar. Bem, diante do fato de que os jornalistas veem os torcedores, e o público em geral, como um bando de crianças idiotas, faz até sentido.

Só que tem de avisar pra eles que isso reflete mais o jornalismo e sua incapacidade de diálogo com uma realidade em transformação do que a realidade em si.

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É, jornalistas, a gente, torcedor, não muge e mais, raciocina bastante e critica sim, queridos, a qualidade da informação e a própria competência de quem deveria informar mais, mesmo dando opinião, porque opinião é algo de extrema responsabilidade.

Porque do jeito que vocês agem, amigues jornalistas, vou mudar o título pra “jornalista, este irracional”, mas cês costumam ser pagos para agirem desta forma e ai é desleal, é melhor nos contratarem, somos irracionais há mais tempo.

Humor or not humor this is the question

imagesO humorismo é o desastre transformado em chiste. É como um trem invadindo uma estação, só que com nariz de palhaço.
É uma espécie de filosofia feita por padeiros ou o mercado automotivo gerenciado por micos de circo. Isso é o humorismo, uma espécie de caos controlado sublimado por um camelo desenhado que torna-se vivo e entra no buraco vendido pelas indústrias ACME.
O humorismo não precisa fazer sentido, não precisa fazer sons saírem de seus ouvidos rumo a uma inspiração, ele precisa tornar o sério ridículo, o sagrado profano, o solene em patético.
O humor é como a batina do padre levantada por uma lufada de vento revelando cintas ligas e sapato alto.
images2A função primeva do humorismo não é fazer rir pela graça, mas pelo grotesco. E a confusão que fazem do grotesco com exposição de anão é que o grotesco não tem nada a ver necessariamente com o nitidamente deformado, mas com o que é deformado na normalidade.
O humor inglês é danado pra usar o lorde clássico como exemplo do ridículo, ou a senhora de idade “fofinha” como exemplo do ridículo e é um exemplo clássico que o humor não é fazer gracinha, mas demolir solenidades.
Muita gente acha humor dizer que todo viado é surdo, eu já acho que humor é saber que nem todo viado é surdo, mas também saber que quem acha engraçado dizer que todo viado é surdo é antes de tudo um babaca.
images4Humor não tem a ver com rir necessariamente, mas com incomodar, só que o incômodo da sustentação do status quo é o choque da violência que o status quo precisa para se manter, o incômodo do humor é antes de mais nada o incômodo do desequilíbrio ao descer a escada.
Humorismo é assim, uma espécie de Papa usando pé de pato e assoviando o hino do Flamengo no meio da missa do Galo, é como  a presidente da República se assumindo Argentina e largando tudo pra lá porque resolveu encenar Cats na Broadway, é como o Malafaia se assumindo Gay e carnavalesco e assumindo o carnaval da Unidos da Tijuca.,
Humor que não sacode as estruturas não é humor, é gracinha. E gracinha qualquer cunhado faz. Todo Poodle faz gracinha. Humor é outra história.

Piadas

piadaPiada é que nem cu só se deveria dar a quem pede.

Piada também, dada a proximidade com cu, é que nem peido, não é algo que se deva soltar no elevador assim, em público, sem nem perguntar se pode.

Piada é cosia séria, se todo mundo soubesse fazer não haveria a profissão de humorista.

Aliás, o maldito desgraçado que criou o mito do brasileiro como um “povo engraçado” deve ter sido inglês e isso deve ter sido uma piada. Depois dessa o brasileiro não só não entendeu a piada, como acreditou que era verdade. Depois o lusitano é que é uma anta.

images (3)E ai criou-se o piadista de rua, o piadista-moleque, o piadista-arte. e somos alvo cotidiano de piadas como se piada fosse oxigênio e precisássemos dela para viver

Vamos lá, leiam meus lábios: Não precisamos de piadas pra viver, nem de bom dia. é possível inclusive não rir um dia inteiro  nem querer isso, viu? Se não tá na constituição devia estar.

Quando a piada se tornou item obrigatório no cotidiano e o “engraçadinho” virou uma papel social relevante na sociedade brasileira o caos começou a por suas manguinhas de fora e passei a acreditar em apocalipse. O adágio “Perco a piada, mas não perco o amigo” devia conter o adjetivo “boa” junto, porque o povo anda perdendo amigo aos montes com piada meia boca.

O engraçadinho e a saúva são os males deste país!

Piada é coisa séria, gente, mas não é obrigatória, não vem na cesta básica. Aliás, tinham de inventar um profissional pra dizer pras pessoas: Você não é engraçado! (Se escrever isso nos coments do blog vai dar merda, viu?).

Vamos lutar por um mundo com piadas moderadas, pela restrição das propagandas com piadas, pelo fim dos programas humorísticos na TV aberta, pela desapropriação do Comedian Club, vamos sequestrar o Marcelo Tas e colocá-lo na cama com Sarney.

images (4)Vamos sair às ruas como o cansei.. ops, o cansei não. Vamos sair nas ruas como os petistas que lutam contra o golpe do mensalão! Como? Não foi golpe? Ninguém saiu às ruas?  Ok, esquece essa. Vamos sair às ruas como os .. os.. ninguém mais sai às ruas?  Então vamos ficar em casa e escrever protestos veementes em nossos blogs e xingar muito no twitter, mas façamos algo.

Por um mundo sem engraçadinhos!