Somos iguais em desgraça

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A Piedade, além de um sentimento misericordioso, é uma estação de trem que fica entre o Engenho de Dentro e Quintino.

Antes era onde se saltava para ir para a universidade Gama Filho, que um dia vou grande e hoje tá que nem o Botafogo, em uma crise que a levou para a segunda divisão e com chances de acabar.

Nossa desgraça e parte da divina tragicomédia humana que despenteia o orgulho e mostra em rede nacional a cueca puída e velha da decadência do tipo humano, aquele bicho orgulhoso vaidoso de sua razão e que esperava teleologicamente um futuro brilhante que o progresso traria, é que não há Piedade.

Cazuza cometeu muitos erros, mas suas letras erma certeiras.

Realmente somos iguais em desgraça, mas não adianta gritar a Senhor nenhum por uma piedade, porque ele confunde as línguas e pode achar que Piedade é o nome de um meteoro ou do agravamento de nossa estupidez, o que dá no mesmo, e acelerar a nossa desgraça.

Diante do fato de que destruímos o planeta e nos punhetamos em uma defesa debilóide de continuarmos a cometer velhos erros econômicos em nome de um lucro imbecil e viciante que não dá muita felicidade nem pra quem tem, fico aguardando uma carta dos golfinhos nos agradecendo os peixes, pra ter a esperança de existir vida inteligente em algum planeta.

O universo foi sim uma péssima ideia, caro Douglas Adams, mas nenhuma foi pior do que criar os homens. E se teve um design nisso, e não um processo evolutivo, eu te juro que ele não foi inteligente, menos ainda seu criador.

Alias, se Deus for um Designer tá explicado, desenha muito, mas tem pouca criatividade pra criar o personagem.

Se Deus for um Designer ele tem toda pinta de Todd McFarlane da vida, que sem cancha pra criar um Batman decente, fez o Spawn.

E eu fico rezando pra humanidade não ser um herói da Marvel, porque senão ressuscita.

 

Delirar vai ser a nossa última obra #Copa2014 #naovaitercopa

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Espero cenas lamentáveis domingo, no mínimo porrada no fim pra copa ser digna de ter ocorrido na América do Sul. Espero uma vergonha internacional que arranhe essa civilidade coxinha hipócrita e ao menos nos reflita a barbárie de sangue quente de uma LIBERTADORES na América.

Aguardo pedras na bandeira de escanteio, tropa de choque protegendo o batedor, aguardo foguetório não deixando dormir, invasão de campo, choro, ranger de dentes, trezentos prisioneiros….

Aguardo Termópilas, aguardo novos Peloponesos genocidas, dores e humores sanguinários de hordas de hunos inafiançáveis com cabeças de juízes e vestindo a pele dos Blatters que nos roubam a marcha mundial da insanidade poética jogada com a bola.

É preciso o caos, meus amigos, o caos sustentador das formidáveis e funcionais latitudes dos poemas épicos. Não se fazem Lusíadas com carinhos e cafunes. Não se faz blitzkrieg sem Nietzsche, Goethe e Wagner.

É preciso fazermos do Maracanã uma nova Canudos onde Conselheiro reine para sempre. É preciso que novos contestados, novas cabanagens saiam de campo pras ruas, das ruas pros palácios e sigam numa multidão ensandecida jogando bola com os senhores de escravo s de um cotidiano que toma goleadas vexatórias.

Nos tiraram o Amarildo que substituiria nosso craque e por isso perdemos. Precisamos de menos orgulho e amor e mais vingança e ódio.

E me deixem no delírio. O delírio é o que nos sobra, delirar vai ser a nossa última obra.

Civilização é o caralho!

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No passado diziam que o mundo moderno criaria assassinos e que a nova urbanidade era anticivilizatória. Estavam parcialmente certos os profetas do passado, porque a tal civilização é que no fundo é anticivilizatória, ou melhor dizendo, inumanamente antissocial.

As cidades sempre foram uma espécie de antessala da desumanização, mas os profetas do apocalipse urbano estavam certos no caminho delas para a criação do monstro comum das sociedades modernas, para a produção daquilo que seria uma espécie de Leviatã do século XXI: O cidadão de bem.

Só que eles foram tímidos na previsão, além do cidadão de bem as sociedades modernas criariam capetas sazonais através dos serviços de telemarketing, especialmente o das operadoras de TV, Banda Larga e celular. Esses capetas sazonais criam pelos, chifres e um ódio imortal a toda operadora dando inveja ao Michael Douglas em um dia de fúria.

Os profetas deram mole também na descrição de civilização como algo bom, sendo ela na verdade o mal dos séculos.A civilização é boa pela tecnologia, mas no geral é um saco inchado após chutes múltiplos.

Os ditos “Selvagens” vivem numa boa muito maior que os civilizados e ainda se fodem por isso. Porque o civilizado além de um destroçador de mundo é um destroçador dos “selvagens” que tem uma visão muito mais bacana do que a “civilizada”, mas que por não responderem ao mesmo eco dos “cidadãos” tomam e tomam fundo.

 No fundo a cidade, e não a TV, é uma máquina de criar doido. A única coisa boa da cidade é o boteco e o trem no fim de semana.

 O trem no fim de semana é o melhor shopping do mundo: Tem ar-condicionado, tem gente vendendo produtos, é um lugar fechado e nos leva de lá pra cá. A gente entra em um lado e sai em outro totalmente diferente e ainda ri com um sujeito com peruca verde-amarela cantando Wando.

 Além do trem no fim de semana e dos botecos o que resta das cidades? Nada.

A cidade é uma substituição da natureza sem muita vantagem, e pior, ainda queima carbono, fode o regime de chuvas e tende a ser atriz principal do caos urbano final do apocalipse civilizatório do homem branco.

A cidade é civilizatória, só que civilização nem sempre é bom, principalmente quando rima com um desenvolvimento com focinho de capitalismo.

Beber é não ter a vergonha de ser feliz

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Beber é fundamental. O sujeito que bebe sua cerveja, sua cachaça, que fica de ressaca vez em quando, e que obviamente não se mata de tanto beber, é um sujeito exposto a si mesmo, ao patético de si mesmo, ao ridículo, ao expansivo e afetuoso, ao erro, ao tropeço.

 

Claro, não pode dirigir depois de beber, por isso desde cedo optei por obedecer a lei. A lei diz “Se beber não dirija” e obediente nem comecei aprender a dirigir, apenas a beber.

 

Beber sem pressa, sentado, olhando, conversando, construindo teses perfeitas sobre os globos que orbitam na esfera celeste, transmutar isso em um gol do Conca, mudar pra canção do exílio, tudo isso é parte do sentido civilizacional que construiu o humano enquanto si mesmo. Claro, estamos falando o humano enquanto ocidente ou furto da Eurásia, mas vá lá, não é um tratado de antropologia.

 

A senhora ai do seu lado diz que pessoas morrem de tanto beber. Eu respondo que morre mais gente dirigindo, e ninguém aboliu o carro. Ela responde que beber faz mal e eu retruco que no mundo atual até respirar faz mal, a questão é tratar o bebericamento sem maluquices, sem exageros e não to falando de um porre ocasional, mas do diário.

 Beber é profissionalizar-se em fazer o quatro, mesmo depois de duas caixas.

Beber é não ter a vergonha de ser feliz.

 

Hic.

Dia do Homem é o Caralho!

n02Das muitas andanças nas sábias cidades do mundo redondo e na experiencia metafísica que é a vida no subúrbio da mui leal ciudad de São Sebastião do Rio de Janeiro trago boas e más notícias.

As boas é que o mundo ao ser redondo permite que curveemo-o ao longo da história e que o joguemos qual um ludopédio existencial, seja lá o que isso signifique e que existem o homem, a  mulher, os e as trans e todo mundo em algum momento se pega e enrosca nesse fudevu de caçarola chamado vida.

As ruins é que mané existe pra inventar e existe o dia do homem.

O dia do homem é a antítese do übermensch de Nietszche é a maior afirmação do nanopauzismo moral e da paupequenez intelectual existente na conservadora babaquice de extrema-direita que cônscia da necessidade de privilégio pra andar pra frente o defende até quando vai ao banheiro.

O defensor do dia do homem é, antes de ser babaca, um pobre diabo.

O defensor do dia do homem em oposição ao dia da mulher é o cara que não satisfeito em ter de provar a cada segundo que é um varão de família para si, pra namorada e pras tias  busca a comprovação social de que o machão não atura nem um mísero dia para qualquer minoria sem se sentir ameaçado.

O dia do homem é a institucionalização da dúvida autoconstruída sobre a masculinidade de seus defensores.

Nas ramblas do planeta zona norte o dia do homem é aquela ideia de jerico do sujeito em duvida se é, se não é e se quer ser mete pra tentar pegar a vaga de zagueiro central do Tião Medonho, sem nem conseguir cogitar como fazê-la.

O defensor do dia do homem precisa ser mais forte, mais rápido, mais rico do que todo mundo, mesmo usando dppping, sob pena de achar-se menor. A ele a competição é inenarrável atavismo e sob esse ethos demonstra a todos nós a inescapável e perfeita definição da derrota.

O defensor do dia do homem só obtém da construção verbal o dia, dado que homem ali falta mais que em aldeia Amazona..

Então fica a dica do ogro a quem defende o dia do homem: Ao fazê-lo a comissão de ética da masculinidade cassa o título de moleque, degrau necessário para um dia o digníssimo ser homem na acepção do termo, seja qual for a orientação sexual deste, e o coloca no degrau “Babaca” da escola de masculinidade dos dias de hoje, disponível nas esquinas de Oswaldo Cruz.

Caos

O caos me faz rir.

É, o caos me faz rir.

caosNas redes sociais e fora delas o que me faz mais rir é a presença de comentários que montam o patético humano mais rápido do que se montam piscina de criança, as antigas piscinas Toni.

Um comentário do David Butter (@davidbutter) tem mais humor do que dez noites do Comedians Club. Ele vendo um jogo do Vasco e escreve sobre um cachorro invadindo o campo: “O cachorro deixou o campo por vontade própria. E a torcida do Vasco pediu que voltasse. Na sequência, gritou ‘Edmundo’”. Isso tem mais força do que trezentos shows do Danilo Gentilli.

Não é ensaio, não é organizado, é caos.

Aliás, futebol é danado pro bom humor e um humor inteligente, especialmente quando torcedores encaram o humor judaico das autodepreciação ou torcem pro Botafogo, que vem a ser a mesma coisa. Hoje torcedores do São Paulo postaram “REFFIS 2 x o Atlético Sorocaba” em homenagem a Ganso e Cañete, este último dado como morto na última temporada.

Aliás o Cañete parecia o Jabuti de Realengo, era quase uma entidade cósmica, oculta nos mistérios do SPFC, uma espécie de mistério dos templários paulistano. O Cañete mais um ano e virava o Santo Graal dos são paulinos.

O caos é uma espécie de primo do humor, esta coisinha que em geral é feita pra desmontar probabilidade,s por isso cai bem no futebol. Aliás, o Louco, o Bufão, o non sense é excelente meio de humor, vide Monty Python e seu consertador de bicicletas.

Falando de futebol o futebol dos filósofos do mesmo Monty Python é uma excelente dica de humor.

E falando em caos….