Viver precisamente

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Eu sou, como minha vó disse uma vez, raceado no oriente.

Nasci brasileiro por um susto da história.

Sempre quis ser Angola Congo Benguela Monjolo Cabinda Mina Quiloa Rebolo, mas daqui da tez branca é mole dizer isso.

A cultura, essa peste, não tem fronteira. Ela cospe em línguas diferentes horizontes que fogem, horizontes que compram ruas diferentes nas cidades, que tecem a cultura das muitas raízes nas folhas de hortaliças, nos grãos, nas pimentas.

Em mim a cultura se fez mar e esse mar ondeia por longos buracos fundos que vão da Andaluzia a Túnis, de Gana ao Saara, da Costa da mina ao Líbano.

Aqui, tecendo delírios e montado no cavalo da paixão, deduzo por arabescos dos olhos que a cultura lusitana em mim se fez Angola. E de senhor a imiscuído nos batuques, me fiz Madureira.

Um dia me libertarei e negro dançarei sorrindo qual Sete Encruzilhadas bailando na cara da sociedade.

Enquanto isso, penitencio-me lidando com minha branquitude triste e sorrio acidez de Pessoas impertinentes, navegando de forma imprecisa e vivendo precisamente.

Bavejado das glórias d’além mar canto um sambatuque aviolado enquanto costuro letras.

Assim se vive e se agradece.

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O Movimento “Procure rumo ou se oriente Rapaz”

downloadEstamos lançando o movimento “Procure rumo ou se oriente Rapaz” que visa desproibir a vida, o jornalismo, a história, a contestação, a sexualidade, o ir e vir frenético, o movimento sexy, o livre exercício da capacidade de pensar, a leitura da realidade complexa com curiosidade e não com uma empáfia encaixadora e taxionômica.

O movimento busca desreproduzir a desinteligência a partir de cócegas repetidas na inteligência alheia, através de apelações a homens ao quadrado, ao cubo, cowboy, a dorê e Xadrez.

Mulheres não só são permitidas como encorajadas a entrar nas apelações, com apelações, com ou sem roupa, calcinha, vergonha, celibato, ninfomania, vontade de um “vem cá minha nega”, lesbianismo, deslebianismo, transsexualidade, artigos de luxo,s em luxo, sme artigos, com cama, mesa e banho ou não.

No movimento a recusa automática à estupidez é cláusula pétrea e só não é única porque a cláusula de solidariedade humana ao outro em detrimento da locomotiva de criar doido que cria winners está ali e só saiu mesmo pra comprar cigarro, mas já volta.

imagesA ideia de individualismo recebeu o singelo conselho de ir dar meia hora de bunda ou chupar um canavial de rolas ou buças (No sentido inverso da orientação sexual e desejo primevo) e a lógica de superação do sistema capitalista foi aclamada com abraços, uivos lascivos, chamamentos de santo, sacrifícios a baal e louvores aos black Bloc.

O sentido do gênero ou o chamamento materno ganharam passagem só de ida a Bangu, no meio dia de um verão inclemente, e sem direito à cerveja no calçadão.

O movimento “Procure rumo ou se oriente Rapaz” portanto trata-se de um movimento de estilo frente ampla, costas amplas, vagas na garagem, vista pra praia, sol da manhã com boa localização e transporte.

OgAAAFFNDjiCxq9y4W4qHkzCCBEnwep_90QDlduCJWRbOTwutURmoLuJMV_0qQPwWo2zzviYHlCtYAEjnvTf0_cONcwAm1T1UBP44UIxhf0MZTZ-oyvenRCOMiQKO movimento “Procure rumo ou se oriente Rapaz” é antes de tudo apoiador da orientação pela constelação do Cruzeiro do sul.

O movimento “Procure rumo ou se oriente Rapaz” também atua de ponta ou meia esquerda enfiado, mas prefere jogar comentando da cadeira do boteco.

Dia do Homem é o Caralho!

n02Das muitas andanças nas sábias cidades do mundo redondo e na experiencia metafísica que é a vida no subúrbio da mui leal ciudad de São Sebastião do Rio de Janeiro trago boas e más notícias.

As boas é que o mundo ao ser redondo permite que curveemo-o ao longo da história e que o joguemos qual um ludopédio existencial, seja lá o que isso signifique e que existem o homem, a  mulher, os e as trans e todo mundo em algum momento se pega e enrosca nesse fudevu de caçarola chamado vida.

As ruins é que mané existe pra inventar e existe o dia do homem.

O dia do homem é a antítese do übermensch de Nietszche é a maior afirmação do nanopauzismo moral e da paupequenez intelectual existente na conservadora babaquice de extrema-direita que cônscia da necessidade de privilégio pra andar pra frente o defende até quando vai ao banheiro.

O defensor do dia do homem é, antes de ser babaca, um pobre diabo.

O defensor do dia do homem em oposição ao dia da mulher é o cara que não satisfeito em ter de provar a cada segundo que é um varão de família para si, pra namorada e pras tias  busca a comprovação social de que o machão não atura nem um mísero dia para qualquer minoria sem se sentir ameaçado.

O dia do homem é a institucionalização da dúvida autoconstruída sobre a masculinidade de seus defensores.

Nas ramblas do planeta zona norte o dia do homem é aquela ideia de jerico do sujeito em duvida se é, se não é e se quer ser mete pra tentar pegar a vaga de zagueiro central do Tião Medonho, sem nem conseguir cogitar como fazê-la.

O defensor do dia do homem precisa ser mais forte, mais rápido, mais rico do que todo mundo, mesmo usando dppping, sob pena de achar-se menor. A ele a competição é inenarrável atavismo e sob esse ethos demonstra a todos nós a inescapável e perfeita definição da derrota.

O defensor do dia do homem só obtém da construção verbal o dia, dado que homem ali falta mais que em aldeia Amazona..

Então fica a dica do ogro a quem defende o dia do homem: Ao fazê-lo a comissão de ética da masculinidade cassa o título de moleque, degrau necessário para um dia o digníssimo ser homem na acepção do termo, seja qual for a orientação sexual deste, e o coloca no degrau “Babaca” da escola de masculinidade dos dias de hoje, disponível nas esquinas de Oswaldo Cruz.

O Futebol e o Popular

A situação econômica aqui de casa tá tão ruim que a gente só entra na classificação do IBGE pela área de serviço, e isso se a classe C não desconfiar.

Ultimamente a gente tá tendo inveja do pobre, ao 300397menos o pobre tem o que comer, mas a gente segue se virando porque nóis não é quadrado, é redondo.

Não existe nenhuma pretensão de desqualificar a classe c ou o pobre aqui, nenhuma mesmo, a gente acha bacana o fudido ter um alento, mesmo que seja mezzo mutreta e mezzo mussarela, mas é louvável que existam menos pessoas fudidas, ao menos alguém não tá tão fudido quanto a gente aqui em casa.

Enquanto não ampliam o bolsa-fudido pra fudidos não cadastrados a  gente vai tentando se alegrar no futebol, o que nem sempre é uma boa escolha.

Futebol é coisa séria, nunca alienou ninguém e tá aí pra isso, pra que a gente perca a cabeça e xingue o juiz.

O Futebol é aquele elemento desimportante do cotidiano do cerumano como gente que imbui todo mundo do espírito-de-porco atávico inerente ao humano como ente. Ou seja, no futebol todo mundo é um pouco filho da puta, xenófobo, mal caráter e huno.

Futebol faz coroinha evocar o capeta pra fustigar o Papa, se o time do Papa estiver vencendo o do coroinha. Futebol faria a Madre Teresa de Calcutá mandar São Francisco à merda. Gandhi só foi Gandhi porque jogava cricket.

No Futebol os Hunos corariam e pediriam pra sair.

Em dias de rodada vemos o moderado do partido de esquerda chamando o juiz pra porrada. Em pelada monge tibetano dá voadora, aliás tá pra nascer time pra bater mais que time de seminário.

O Futebol não perdoa ninguém, por isso ele é popular, pois é do popular a brutalidade do dia a dia.

O Popular em geral mastiga gilete e acha chiclete coisa de fresco, é do jogo das explorações cotidianas, de duas horas no busão, de ver seus últimos vinte contos virarem dois porque tem de comer, né?

O Popular acha que zagueiro clássico só pode estar de sacanagem. Pra defender o seu, o popular bica pra cima, chuta o adversário e dá na cara do  juiz, porque o Zagueiro clássico quer fazer flozô na área com essa tal de técnica que não funfa na hora de pagar o mercado?

Eu como torcedor tricolor não consigo achar errado o Popular, não pela tradição popular do Fluminense, mas pela grossura média de suas históricas equipes mesmos. nós tricolores somos antes de tudo amantes do violento esporte bretão à la inglesa, somos clássicos e isso em futebol significa grossos.

Por isso o Popular tá prenhe de razão em agir como um huno enfurecido quando relacionado ao futebol. Claro que não querendo quebrar tudo e matar uns aos outros, isso a gente entende em quebras-quebras e embates com exército ou polícia querendo reprimir manifestações legítimas, mas como amantes do futebol viril e sem frescuragem.

Matar uns aos outros porque torcem pra times diferentes é bestagem e  das altas.

O popular que enfrenta o busão deveria ser consultado pelo técnico do seu time pra entender como são as coisas. O Futebol seria melhor, aliás se os governos consultasse menos o Eike e mais o popular também seria uma coisa boa, mas ai já é utopia.

Todo babaca tem um pouco de navio negreiro

1-a-a-a-a-homossexuais-laerte-todo-mundo-gayO bom humor é uma característica exigida nos cotidianos da vida, nessa linha tênue entre leis atávicas do senso comum e brilhantes variações psicológicas da indústria da felicidade auto-ajudada. Pra emprego então o bom humor disputa cabeça a cabeça com o dinamismo o status de primeiro critério de seleção.

Bom humor e dinamismo tornam jegues em gerentes, e tornam-se mais que meros recheios de um mundo de competência adquirida. Bom humor e dinamismo tornam um sujeito banal em um bemhumoradíssimo gerente chefe da rapaziada, amigo do diretor e genro do dono.

O Bom humor tornou-se faz tempo uma lei geral da humanidade, sorrir é preferível a xingar. Sorrir é mais importante que lutar por direitos, que refletir. Sorria, sorria, é tempo de sorrir, sorria!

Um sorriso dinâmico é melhor que MBA.

A felicidade que irá desabar sobre os homens é mais que uma ditadura, ela virou um status quo gargalhante numa versão concretizada do Admirável Mundo Novo de Huxley, onde nem as pilulas de felicidade e simulação de orgasmo faltam mais.

Só que a felicidade obrigatória tem um que de punheta. É bom, mas… Não é foda.

A felicidade obrigatória não tem o tom de amargura que o riso tem, todo ele, em suas melhores fases. O ceticismo cínico de Groucho não era fruto de anos felizes nas neves europeias, rir ali era desmoralizar a partir de um riso descrente no outro, descrente e sabedor do patético do humano. Chaplin idem, Monty Python idem. O bom, no sentido qualitativo, humor, era menos o bem humoradismo babaca de hoje e mais um humor de qualidade filho dileto do cinismo e da descrença no humano.

“Ah, mas Chaplin acreditava na humanidade!”, sim, acreditava, mas vendo que ela era ao mesmo tempo patética, cruel, burra. Monty Python idem faz troça da própria fé na humanidade, que todos eles têm. O humano patético, burro, cruel, raso é um humano que mesmo sendo uma bela anta pode transformar o mundo. Mas ele nunca vai transformar o mundo se for tratado como um babacão sorridente e acomodado na caixinha em que foi destinado a se encaixar.

Todo babaca é contra-revolucionário.

navio-negreiro-dafhneE aliás, esse lado entusiasmado, empolgado, feliz e sorridente da babaquização da humanidade é o que torna as pessoas de uma burrice estanque atroz. É a burrice babaca, do cara que opta por não refletir em nome de garantir seu pedaço de estábulo, com medo de refletindo entender o quão babaca está sendo e com isso perder sua ração diária de feno.

O bom humor obrigatório babaquiza e estagna até o imbecil atávico.

No reino do humor construído em um mundo árido, feito do ceticismo necessário que não aceita entrar em um clube que lhe aceite como sócio, o imbecil atávico ri, mas ri mudando, deixando de ser zé ruela, ri de si mesmo, ganha sabedoria.

A acidez do riso canalha desimbeciliza o homem.

E todo babaca tem um pouco de navio negreiro.