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Sobre o apoio a Abel e a torcida tricolor sendo hater

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Amigos tricolores, eu apoio Abel e a diretoria neste trabalho, embora não tenha sido eleitor de Abad.

Acho um bom trabalho e estamos no caminho certo com boa campanha com um elenco jovem e talentoso que obviamente oscila e tem problemas em situações de pressão exatamente por ser jovem.

Abel aproveita bem a base, levou um elenco desacreditado à uma final estadual e está em nível competitivo no Brasileiro pro objetivo de ir à Libertadores e classificado às oitavas da Sul Americana.

O elenco e o time estão no pior momento do ano, com seguidos desfalques, pelo menos quatro jogadores fundamentais fora, e ainda assim fazendo bons jogos contra times com mais tempo de entrosamento e elenco mais recheado.

São três derrotas, um empate e três vitórias, tendo enfrentado Santos, CAM, Palmeiras, Grêmio, Vitória, Vasco e CAP, os únicos ai que não tem um trabalho consolidados e elencos superiores em número, ao menos no papel, são Vasco e Vitória. Cinco times na Libertadores, todos classificados às oitavas.

Não é uma campanha ruim, ainda mais pelas circunstâncias e pelo futebol jogado.

Se você não gosta do Abel e da diretoria você vai desprezar isso tudo e comentar como um louco que Abel “perdeu dois títulos fáceis este ano”, como se ter chegado a final de um e tendo perdido um mata mata para um time que tá jogando um futebol coletivo melhor que o nosso e é um dos líderes do Brasileiro, com um recorde de pontos em sete rodadas junto com o Corinthians na média histórica do Brasileiro.

Respeito seu ódio à diretoria e ao Abel, mas peço que você ou vocês respeitem o fato que apoio a diretoria E Abel hoje, porque respeito o trabalho, o desempenho, a quantidade de jogadores revelados, o desempenho desses jogadores,etc.

Respeito o trabalho, respeito o que estou vendo em campo, respeito Abel e seu histórico, respeito o que ele está fazendo, respeito o eixo que direciona a política de aproveitar a base e o Samorin em vez de contratar bucha, acho que o Fluminense tem um bom elenco, com exceção das laterias onde não temos reservas e o Léo não vem jogando bem, o Lucas joga bem, mas tá esgotado

A diretoria vem fazendo o que precisa ser feito, ainda mais me um quadro de pouca grana.

A política deveria ser essa sempre, porque potencializa o clube enquanto formador, permite times mais integrados ao que pensamos ser o Fluminense e projeta economicamente um monte de jogador que muitas vezes não seriam aproveitados para que se contratassem os Marquinho, Aquino e Danilinho da vida.

Podemos condenar Abad por ter silenciado sobre a política daninha de Peter, mas não pela solução que ele encontrou com seu staff do futebol.

Menos ainda desprezar o que Abel vem fazendo porque é preciso ser hater e porque “precisamos ser campeões”, como se bastasse estalar o dedo pra isso.

Não temos a grana do Flamengo, do Corinthians e do Palmeiras, a política de reforço a qualquer custo, que vem da Unimed, gastou demais com resultados historicamente pífios, ou vocês acham que cinco títulos em cinco anos, sendo dois Brasileiros e uma Copa do Brasil pra dois estaduais, mas gastando cerca de 70 milhẽos por ano, nível Crefisa-Palmeiras, é bom desempenho em relação ao investimento?

E vamos mais longe, vocês não percebem mesmo que isso levou a um desperdício constante de jogadores formados na base enquanto o clube contratava Milton do Ó ou Márcio Rosário pra defesa porque o “Dono” do clube precisava contratar atacantes de renome pra fazer propaganda de sua empresa?

Vocês acham que ter trazido Edmundo, Romário, Ramon e Roger em 2004 ou viver repatriando o Thiago Neves, sem permitir que trabalhos de técnico durassem, tudo pra responder de forma populista às pressões de uma torcida cada vez menos consciente é política certa?

E acham que isso não significou que a cada desperdício de grana com jogadores de gosto duvidoso pra rechear um elenco conde três estrelas nem sempre na melhor forma eram trazidos pra bater bumbo não significou o ocaso de jogadores como o Fabinho, hoje no Mônaco, e a venda de Marcelo pro Real, porque era preciso ter grana pra tapar o buraco que a Unimed deixava quando parte do custo, alto, dos jogadores batiam no cofre do clube?

Se vocês mesmo assim acham legal ir nos comentários dos posts do clube, nem vou falar o quanto isso significa anti-propaganda, ou nos posts de amigos xingando o Abel eu permaneço respeitando, mas peço que pensem mais em quem não entra nessa vibe de ódio a técnico ou de xingamento surtado a jogadores e à tática porque sequer percebem o desempenho em si ou analisam a bola que se joga ou a organização tática, tudo o que interessa é uma reação visceral em relação ao futebol e banalização dele em nome de uma sublimação de algo que acaba virando apenas vômito de ódio.

Eu penso futebol de outra forma e não lido bem com esse ódio encravado na alma dos outros.

Não odeio muita gente nem tenho ódio pessoal focado em jogador ou técnico A ou B, até desgosto de alguns, mas se eles jogarem ou treinarem o Fluminense e eu vou apoiar o trabalho deles.

Fiz isso com Luxemburgo, faria se o Cuca voltasse ou o Renato Gaúcho, que está fazendo um bom trabalho no Grêmio, mas que não gosto como treinador, e no Fluminense desde 2008 não fez um bom trabalho sequer.

E é por isso que escrevo este texto em apoio a Abel e Abad, também pra deixar claro que não consigo ver sentido em debate com base em ódio e a partir disso peço que não me enfiem em um debate desta forma.

A Estupidez coletiva no futebol e o senso comum escrito em blogs e na imprensa

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É cada dia um 7×1 diferente.

Desculpe iniciar um texto de forma tão agressiva, mas é fundamental: Se você não enxerga qualidade no Richarlison você é uma besta.

Sim, uma besta, daquelas primordiais, descritas na Bíblia, uma besta óbvia, ululante, de babar na gravata, transtornar a estupidez dos idiotas do mundo.

Por que digo isso? Porque ando cansado de ver o desserviço cotidiano que boa parte dos blogueiros de times em portais como Globoesporte.com ou ESPNFC prestam com relação às necessárias mudanças que o futebol brasileiro e os clubes precisam ter.

Não adianta termos o esforço enorme dos principais portais, os mesmos que empregam os “blog do torcedor”, em melhorar as análises táticas de suas equipes, de prover seus sites com conteúdo moderno e com compreensão mais avançada do jogo, não adiantam os esforços da Universidade do Futebol, se a própria dinâmica caça clique desses portais protege e utiliza a reprodução do mais reles senso comum em suas páginas.

Sim, é dolorosa a permanência da avaliação individual de jogadores sem a menor sabedoria, o menor cuidado, a menor observação dos contextos relevantes pra isso.

O Richarlison é julgado em 2016 por critérios que já eram caducos em 1990, critérios que ignoram o jogador novo, a nova técnica, dentro de um ambiente de profunda mudança que o futebol sofre ao menos desde que Guardiola e Mourinho inauguraram um novo mundo de 2006 pra cá.

Richarlison é julgado por quem ainda pensa o jogo, e a formação de jogadores, como quem vê um jogo da Máquina Tricolor de Rivelino, ou a de Assis e Washington e se empolgou com Romário, Edmundo, Roger e Ramon em 2004.

Richarlison é julgado por quem enxerga jogador como um ente mágico que resolve tudo em um passe de mágica e que “numa matada” demonstra seu futebol.

Essa gente sequer consegue pensar o tempo entre o domínio de bola e a ação, e entre o domínio e a chegada da marcação, acha que uma matada de bola que tem de ser feita em milésimos de segundos antes que o marcador chegue, e tem de conter nesse mesmo tempo a ação posterior. Essa gente acha que a matada de 2016 é a mesma que dava Rivelino em 1976.

É uma estupidez de almanaque.

Nenhum desses consegue sequer enxergar os dribles em velocidade e a quantidade de faltas que Richarlison recebe, ou suas assistências, ou sua tomada de decisões, o papel tático que exerce, defensiva e ofensivamente e o que isso significa hoje e em potencial.

E é só olhar, é só pensar coletivamente, ir além do rame rame, ler jornalistas especializados, estudar, ser mais do que um idiota reprodutor de senso comum e que se orgulha de ter feito campanha cotidiana pra que a diretoria do Fluminense demitisse treinadores (O Blogueiro do GE fez isso, assumiu em sua conta pessoal no twitter que fazia isso contra o Cristóvão Borges e com Eduardo Baptista).

Tá em dúvida sobre as qualidades do Richarlison? Ouve o Levir (Técnico medalhão que nove entre dez torcedores e leitores dos blogs pediram). Não vale? Tá, vou ignorar a incoerência, mas leiam Mauro Betting, PVC, blogueiros de Minas Gerais, Raphael Rezende, Raphael Oliveira, Mário Marra, Mauro Cezar Pereira, etc. Não? Mesmo assim permanece o Senso Comum? Putz, então procura um médico.

Já fizeram isso com o Kenedy e o Gerson, ótimos, jogadores sensacionais com um puta futuro. Já fizeram isso com o hoje idolatrado Scarpa e com o tolerado Marcos Júnior.

Fazem com Richarlison, como também com Renato Chaves (zagueiro disputado pelo Fluminense, Grêmio, etc no início do ano), com o Gum (Bi campeão Brasileiro e bom zagueiro respeitado pela equipe e parte da torcida) e também com Samuel (que veio da base e já mostrou que no mínimo é útil desde 2012), Maranhão e Dudu.

Pra essa gente a qualidade do jogador tá ligada menos à técnica que ele concretamente tem e mais ao nome (Leia-se custo e carreira) que aglutinou em torno de si. Mais valia manter R10 pra eles do que apostar em jovens como Rojas.

E quem administra o custo da mentalidade dessa gente? Ah, pois é.

Essa gente louva o Grêmio, que o Roger Machado pegou na rabeira do Brasileiro de 2015, e tem um elenco muito similar ao atual do Flu, e levou a Libertadores. Mas o Levir não consegue ter paz pra fazer com Richarlison o que Roger fez com Luan, Everton, etc.

Quem era Geromel com Felipão e quem é com Roger?

Garanto que a estupidez coletiva blogueira não vai te explicar esses detalhes. Acho que sequer quer pensar nisso ou tentar aprender isso.

O Fluminense tem um bom elenco, um bom técnico, caminha pra ter uma estrutura melhor e meios pra avançar nos campeonatos atuais e ter um enorme futuro.

Esse futuro incomoda a quem pouco consegue enxergar do presente e cobra treinadores, diretorias, etc por três meses de trabalho de técnico e confunde qualidade com preço de passe.

Quem escreve “Precisamos de jogador pra entrar e jogar logo!” não tem a menor ideia do que significa jogar, treinar, encaixar na equipe.

Nem Neymar no Barcelona encaixou de primeira.

Se pensam assim sobre reforços imagina se vão contextualizar qualidade técnica com idade do jogador e necessidade de evolução e maturação, não é mesmo?

Essas pessoas sequer raciocinam sobre o técnico, como ele é, onde e quem treinou, como foram seus primeiros meses, etc.

E é desse tipo de raciocínio que precisamos nos livrar, precisamos nos livrar do 7×1 cotidiano que nos assola.

Parte desse 7×1 é essa concepção de futebol sustentada numa dimensão canhestra de avaliação de jogador baseada num futebol que morreu há vinte anos.

E não, não é um discurso que despreza o passado, mas que compreende o óbvio: o futebol é fruto de seu tempo, cada era do futebol sem suas características.

Você ainda acha que os jogadores pioraram? Troca de pasto, esse atual tá te fazendo mal.