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Escrever sobre o Fluminense ultimamente é criar treta, procurar chifre em cabeça de cavalo e lidar com muita gente louca por escolher uma caixa pra te limitar, um nome para te xingar e um grupo político pra chamar de seu.

Sobre o futebol do Fluminense a torcida se divide entre doidivanas do apocalipse, doidivanas da esperança, doidivanas do meio termo e doidivanas da tentativa de análise crítica.

Como somos todos doidivanas eu escolhi uma tentativa de juntar esperança com crítica, inclusive à diretoria.

Tive sucesso? Não sei. Terei? Sei menos ainda.

A questão é que depois do pavor de ver Dourado e Scarpa indo embora, a tragédia das dispensas de Cavalieri e turma, o bloqueio de receita,etc eu cheguei a balançar aqui na cadeira achando que os anos 1990 iam voltar.

Mas eis que depois de mais um mês, uma goleada sobre o Flamengo e uma derrota para o Avaí, o receio agora é palpável e atende pelo quão longe pode ir um time operário bem treinado e que precisa de reforços no decorrer do ano, mas sem o desespero dos apocalípticos.

No plano administrativo o receio é o quão passível de ser pressionada para romper com ações positivas para a profissionalização do clube, tentando reverter os erros nada profissionais cometidos nos últimos anos por esta diretoria e pela anterior.

Vou tentar responder nesse texto os dois receios.

No âmbito esportivo a gente precisa saber o que analisar, que tipo de reforço a gente precisa e quer e que tipo de análise tática a gente precisa ter sobre o novo trabalho do Abel.

No plano tático o lado positivo é que o time joga com triangulações, bem organizado no jogo apoiado no ataque com jogadores exercendo a função tática de apoiar as jogadas pelas laterais, o centroavante fazendo bom pivô e  os meias chegando bem no ataque.

O ruim é que quando anuladas as possibilidades de triangulações, restrições de espaço o time não soube superar bloqueios defensivos como os do Avaí, se desesperou e tomou contra ataques. As substituições do Abel não ajudaram, mas o problema foi menos individual dos atletas que tático.

Abel teve o primeiro grande desafio tático e perdeu. Dá pra superar dia 15/03.

No âmbito do elenco temos hoje um elenco mais equilibrado taticamente e até tecnicamente, que em 2017.

Temos duas posições onde os substitutos são uma incógnita em relação aos titulares, hoje: Centroavante e Meia.

Nas demais posições só temos talvez de qualificar mais a zaga, pois entre reservas e titulares muito próximos temos um sub-20 em cinco zagueiros possíveis, precisamos de pelo menos mais um zagueiro pra não ficarmos a pé dentro de um ano com um esquema que exige três zagueiros. Subir o Derlan apenas não adianta, precisamos contratar mais um. E embora eu ache que Reginaldo e Frazan são até melhores que o Gum é fundamental termos jogadores mais rodados ali.

Ibañez é a melhor surpresa em anos na zaga tricolor e é titular absoluto.

Um zagueiro basta.

Nas laterais temos a meu ver o elenco completo e onde temos reservas e titulares fortes o suficiente pra segurar o ano.

Na esquerda Ayrton tá voando, Marlon substitui bem e Mascarenhas voltará pra incendiar a disputa de posição ali estando muito bem no Botafogo-SP. Qualquer um pode ser titular e tem tudo pra fazer um bom ano.

Na direita Gilberto oscila, mas é bom quando assume a parte ofensiva, atuando como ala. Léo é mais lateral direito, tem mais repertório defensivo. Diogo é um bom lateral que precisa se desenvolver e Norton quando jogou ali foi bem, tendo mais um perfil do Léo. é uma posição com menos similaridade entre os disputantes de posição, mas todos tem força pra se manterem como titulares, com talvez o Diogo sendo o quarto reserva.

Como primeiro volante Richard ainda é o dono da posição, mas Aírton tem tudo pra roubar essa posição. Como terceiro reserva temos o Norton (Também podendo jogar de lateral direito) e o Marlon Freitas (que também pode jogar de segundo volante).

Todos são qualificados pra jogaram o brasileiro, temos jogadores a contento pra disputa do ano. Mesmo a torcida vaiando o Marlon Freitas.

A perseguição ao Marlon Freitas é daquelas coisas que pouco é esclarecida pelo bom senso. nunca foi um jogador que se oculta, volta e meia atua indo muito bem como segundo volante, passando bem, arriscando lançamentos que quebram a linha e se apresentando bem na zaga, oscila como todo jovem, mas é tratado como pereba por uma torcida que eu me recuso a ver como inteligente.

Se bem que se a gente pensar que esta torcida queria o excelente Douglas no banco pro Pierre agente começa  entender.

Como segundo volante a posição é do Jadson, e fica até difícil defini-lo como segundo volante e não como meia. Está jogando o fino e demonstra um perfil tático que surpreende, sendo muito superior taticamente ao Wendel, compensando inclusive o abismo técnico.

Como reserva temos o Douglas, o Marlon Freitas e o Caio que tem tudo pra segurar bem a função, sendo por vezes mais defensivos, porém sabendo jogar. O problema médico do Douglas é o único impedimento para sua titularidade, além da grande qualidade das atuações do Jadson, mas ele estando bem substitui Jadson muito bem, com picos de ser melhor ali. Marlon e Caio tem outro perfil, mais forte e com uma presença de área maior, mas menos passadores, com passes mais quebra linha que giradores de bola, mas é até interessante ter isso como alternativa tática.

E ai que temos um problema sério, a criação no meio.

Além do ótimo Sornoza temos a incógnita Luquinhas. O real reserva de Sornoza foi inexplicavelmente emprestado pro Botafogo-SP, estando bem lá, diga-se de passagem, e se chama Daniel, o Danielzinho. Vai tolar? Não se sabe, nunca se sabe, mas se voltar é reserva imediato, tem características similares e passe quebra linhas melhor. Mesmo assim é complicadíssimo termos apenas três jogadores pra função e um adaptável a ela (Robinho).

Acredito que o carro chefe da administração seria investir em um meia e não em um atacante que viria pra disputar posição não com o Pedro, mas com o próprio Robinho e com o Marcos Junior.

Talvez fosse o caso de discutir com o Conca um contrato com um salário inicial dentro da previsão do elenco e que pudesse ir ganhando aditivos com o crescimento de receitas e de produtividade. Sendo hoje uma oportunidade de mercado não vejo porque não investir.

Outra possibilidade é buscar no mercado, e ideal é fazê-lo agora, antes que a véspera do Brasileiro faça com que todos os preços aumentem, e que seja uma busca que traga pra resolver, pra ter um jogador que realmente ameace Sornoza na disputa por posição e o supra em caso de ausência. Hoje só temos o Sornoza, um jogador jovem que oscila, mas pode substituí-lo, Danielzinho, e uma incógnita, Luquinhas.

No ataque eu não buscaria um Aguirre, pois já temos bons jogadores disputando posição como segundo atacante vindo de trás (Marcos Junior e Robinho) e pelos lados (Calazans, Pablo Dyego) e ele não disputaria posição com o Pedro (Hoje titular absoluto), como centroavante e pivô.

Pedro faz hoje um pivô melhor que a maioria dos concorrentes na posição no Brasil, peca na finalização, o que é normal considerando seus vinte anos com poucos jogos entre os titulares, superou sua inércia em campo saindo mais da área e sendo líder de assistência da equipe. Por razões técnicas,por ser oriundo da base e pelo potencial que demonstra eu o manteria como titular e traria alguém pra disputar posição com ele, talvez com características iguais, técnicas e de idade, ou tecnicamente inferior e mais experiente.

Pedro hoje tem como reservas os jovens Pablo Dyego e Dudu, ambos com boa força física e com jogo na área e até podendo jogar pelos lados, mas nenhum deles ainda demonstrou minimamente capacidade de disputar posição fazendo pivô com Pedro, ambos jogam vindo de trás, e só o Dudu parece ter presença de área pra conclusão final.

Podem ser complementos interessantes pra temporada, mas precisamos de pelo menos mais um cara ali pra disputar posição.

Até o Luiz Fabiano, que está vindo de contusão e sem clube, pode ser um bom reforço pra disputa de posição se aceitar um salário a contento e um contrato de produtividade.

Existem inclusive boas apostas sul-americanas que foram bem listadas pelos especialistas em futebol sula americano, como essas dicas do Joza Novalis. Eu pessoalmente iria de Raúl Becerra, Tobías Figueroa ou Jonatán Álvez.

Com dois reforços, talvez três, o Fluminense tem tudo pra viver bem este ano e até morder um título ou uma vaga na libertadores, construindo uma boa base para 2019.

Precisa de mais um meia, um centroavante e um zagueiro.

E não precisa ser medalhão, tem de ir numa boa, investigar e trazer na boa.

E pra isso a diretoria precisa ajudar também, evitar desmontar bons projetos, fazer novas opções péssimas pra imagem do clube, como a  dispensa de jogadores às vésperas do início da temporada, que rendem até hoje entrevistas indignadas em sites e portais.

Além disso falar em fim do Samorin, não organizar direito o organograma do clube retirando a nuvem de mistério que paira sobre o que faz Marcelo Teixeira para além de coordenar a base, a ausência de protagonismo visível do CEO e excesso de protagonismo para Abad, uma comunicação pífia, que não é transparente e pior a sensação de desnorteio que exibe a diretoria, tudo isso atrapalha a própria condução da organização e profissionalização do clube.

Inclusive há pouco tato na costura de algum tipo de diálogo mínimo com quem defendia exatamente isso, como a chapa de Mário Bittencourt e se permite que os profetas do apocalipse e apostadores do Caos, como a chapa de Celso Barros, e cavalos de Troia, como o movimento MR21 que nunca engoliu ter de apoiar Abad, deitem e rolem nesse início de ano.

E a diretoria não pode se iludir, porque uma queda pro Avaí vai trazer de volta o mesmo tipo de ação cotidiana e financiada pelos apostadores do caos nas redes sociais e arquibancadas.

Essa virada seria dificilmente boa pro trabalho bem desenvolvido por Autuori e Abel no futebol.

Esse elenco tem como superar as adversidades e até disputar títulos esse ano com alguns reforços, superando até o elenco do ano passado,mas precisa de um apoio que a diretoria não deu: Erro zero.

O Fluminense que temos está perto do que precisamos e nem tão longe assim do que queremos, mas ele precisa de ajuda do torcedor, do time, do staff profissional, mas especialmente da diretoria.

Erro zero é o caminho, mas pra isso é preciso transparência.

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