Eduardo Baptista: Uma vítima da estupidez inexorável.

5829225_x720

Eduardo Baptista foi duas vezes vitimado pela união entre a burrice açodada de uma torcida de clube grande, pela canalhice estúpida de dirigentes e por um medalhão medíocre, mas com títulos disponível no mercado.

Uma destas vezes foi no meu time, a outra agora no Palmeiras. Em ambos os casos el foi fritado sem nenhuma avaliação honesta de seu trabalho nas circunstâncias em que estava trabalhando.

No Fluminense Eduardo Baptista foi julgado por resultados além dos que ele tinha responsabilidade e pelas trocas seguidas de treinadores nas Laranjeiras. Eduardo assumiu o Fluminense em Setembro de 2015 substituindo Enderson Moreira, que substituiu Ricardo Drubsky que havia substituído Cristóvão Borges. Pegou um elenco abalado, com vários jogadores desmotivados, mal tendo tempo de treinar e levou o clube até as semifinais da Copa do Brasil quase superando o Palmeiras e indo à final.

Em 2016 Eduardo Baptista começou o trabalho e em DEZ FUCKING JOGOS, foi fritado porque Levir Culpi estava disponível. Foi pra Ponte, fez um puta trabalho com elenco menos recheado que o do próprio Fluminense e chegou bem ao fim do Brasileiro, à frente de vários elencos melhores.

No Palmeiras perdeu cinco jogos desde que assumiu em janeiro.

Um deles pro Corinthians. Outro na semifinal do Paulista pra Ponte Preta e um pro Jorge Wisterman na altitude na Bolívia.

Segundo o perfil do Twitter @palmeirascouts em Março Eduardo Baptista comandava um time que era líder geral e melhor defesa do Paulista, líder do grupo na Libertadores e possuía 76% de aproveitamento no ano.

Ainda este perfil informa que os números gerais de EB no Palmeiras são:

Média de posse de bola: 61%

Finalizações certas por jogo: 6,6

Finalizações por jogo: 16,2

Passes certos: 82,9%

Média de finalizações sofridas por jogo: 12

Eduardo Baptista deixou o Palmeiras ainda sendo líder de seu grupo na libertadores e tendo números gerais melhores que o de seus concorrentes no Paulista, tendo sido eliminado pelo mal desempenho em uma partida de mata mata.

Havia rumores dele ter perdido o grupo ou da diretoria estar irritada por ele não escalar Roger Guedes, que estava em processo de venda para o exterior e cujo empresário pressionava a diretoria do Palmeiras sobre ele não jogar atrapalhar a venda.

Além disso, a recente explosão de Baptista em uma coletiva, irritado pela óbvia confusão do jornalismo esportivo entre o que é campo e bola, que deveria ser o centro das atenções, e a fofocada que virou este jornalismo, ajudou muito na fritagem geral que Eduardo sofreu, começando pela fritagem feita por diversos jornalistas do grupo ESPN, inclusive por Juca Kfouri, que por mais ícone da imprensa que seja não transformou a publicação da fofocada em jornalismo por um suposto toque de midas midiático.

O Palmeiras em 2017 lembrava o Fluminense em 2016: Passava por um processo de evolução lenta de seu futebol a partir da paulatina compreensão pelos jogadores do que o técnico pensava e do técnico sobre o que os jogadores fariam de melhor em que esquema.

A questão é que diretoria e imprensa optam conscientemente por ignorar estes elementos e fritaram o jovem treinador por uma exigência de desempenho que não tem comparação com o que esta mesma imprensa faz com treinadores de times do exterior e que a diretoria não tem como exigir diante do calendário e do que qualquer time de futebol precisa: Tempo pra maturar.

Apesar da oscilação normal de qualquer equipe nestes meses que antecedem o Brasileiro, quatro meses apenas, o Palmeiras de Eduardo Baptista mantinha uma média de desempenho de boa pra ótima. Talvez só equiparável em graus variáveis ao Fluminense de Abel Braga, ao Corinthians de Carille e ao Cruzeiro de Mano Menezes, sendo que só Abel Braga pegou o elenco este ano, os demais tem o elenco na mão ou conhecem o elenco inteiro há praticamente um ano.

Além disso, Eduardo estava reformulando a tática de um grupo que foi treinado por um treinador de estilo completamente diverso: Cuca.

Abel quando pegou o Fluminense pegou um time que praticamente não foi treinado por Levir Culpi, jogadores eram absolutamente jogados em uma ausência de esquema e cuja liberdade absoluta praticamente esmagava jogadores jovens que não tinham nenhuma ideia de como funcionar coletivamente.

Eduardo pegou um time do Palmeiras mal ou bem treinado, com uma organização na cabeça e funcionando coletivamente. E precisava mudar vários conceitos,pois tem outra concepção de futebol em relação a Cuca. E a diretoria do Palmeiras, assim como a  diretoria do Fluminense em 2016, deveria saber disso.

Novamente Baptista foi sacrificado pela estupidez e pelo oportunismo de  diretorias covardes.

Provavelmente Eduardo Baptista terá problemas para voltar ao mercado se permanecer não tendo mais cuidado na escolha de seus destinos, porém a primeira diretoria que mantiver o apoio a seu trabalho conseguirá resultados no devido tempo. Assim como a diretoria do Grêmio conseguiu com Roger e o Galo fatalmente conseguirá com o mesmo treinador ainda este ano (O Galo de Roger pula na frente do favoritismo ao Brasileiro depois da saída de Baptista do Palmeiras).

Cuca, louvado, pegará um Palmeiras muito diferente do que treinou, com Borja, Felipe Melo e Guerra tendo muito peso aliado às suas personalidades. Cuca já teve problema com personalidades como a de Felipe Melo no flamengo de 2009 e Felipe tem aquele “DNA”. Guerra e Borja tem outro perfil, provavelmente questionarão o treinador se taticamente Cuca não for convincente. Isso se aliando aos problemas que Cuca já teve anteriormente no vestiário do Palmeiras pode ser uma bomba relógio.

Essa bomba implodirá o Palmeiras? Difícil dizer, mas não é improvável.

Eduardo Baptista precisa de clubes com projeto, vai ser difícil no Brasil. Provavelmente irá pro Vitória, que recentemente demitiu Argel, ou pode ser aproveitado por outros clubes de menor expressão na série B, como o Goiás que tem tradição de manter treinadores com bom projeto. Ou até na A, onde alguns clubes estão sempre pressionados a demitirem seus treinadores em caso de maus resultados e alguns tem mais paciência com treinadores, como no Grêmio ou Atlético Paranaense.

A questão é que fica difícil mudar o futebol brasileiro se diretorias e imprensa, inclusive os ditos diferenciados como jornalistas da ESPN, permanecerem rifando treinadores e seus conceitos em nome de um resultadismo estúpido.

É impossível achar que o desempenho está ruim se em 26 jogos um treinador tem apenas 5 derrotas e 66% de aproveitamento.

A estupidez é a única explicação para a demissão de Eduardo Baptista.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s