A caixa de remédios de Levir, Eduardo Baptista e a seletividade tricolor na crítica a técnicos

29398249686_7951a07983_k
Levir Culpi

Crédito: GloboEsporte.com

Levir Culpi completou no último domingo seis meses no cargo de técnico do Fluminense. Nesses seis meses contou com duas reformulações do elenco, e não há muitas dúvidas que parte delas tenha sido também feita a seu pedido, conquistou um título (contando com princípios deixados pelo predecessor) e deixa mais dúvidas que certezas.

Se temos uma das melhores defesas do campeonato, também temos um dos piores ataques.

Se temos chances de G4 e um elenco recheado e no mínimo similar ao de concorrentes diretos ao G4, também temos uma enorme crise técnica nas mãos do treinador, e boa parte dela apontando pra sua falta de repertório tático, dado que o repertório técnico da equipe não parece ser limitado.

O elenco do Fluminense não é exatamente inferior ao da Ponte Preta e Corinthians (Me parece superior a ambos), tampouco é tão pior que o do Grêmio ou do Santos, sendo nitidamente inferior ao de Flamengo, Palmeiras e Atlético Mineiro.

Dos supracitados apenas o Santos tem treinador a mais tempo que o de Levir no Fluminense. Ponte Preta e Palmeiras tem técnicos com o mesmo tempo de casa. Atlético, Flamengo e Corinthians tem técnicos a menos tempo no cargo.

Também sofreram reformulação o Flamengo de Zé Ricardo, O Corinthians de Cristóvão e o Santos de Dorival.

Mas absolutamente todos tem desempenho tático e técnico superior ao do Fluminense.

A gravidade dessas questões se amplia quando a Ponte Preta, com elenco recheado de jovens e refugos, tem histórico de desempenho muito,mas muito superior ao do Fluminens de Levir, tendo no banco o mesmo Eduardo Baptista que foi tocado fora da casamata tricolor acusado de não ser técnico á altura e de ter números ruins.

Bem, se pegarmos os números globais de Eduardo Baptista no Fluminense, ignorando toda a necessária interpretação deles, ele é um com mais problemas dos últimos anos.

Porém, com um mínimo de exercício de interpretação a gente percebe que pegando um Fluminense praticamente em outubro de 2015 (a temporada termina em 5 de dezembro), Eduardo Baptista conseguiu uma organização capaz de levar o Fluminense à semifinal da Copa do Brasil e quase passar o campeão, não chegou à final por detalhes (E dois pênaltis discutíveis a favor do Palmeiras).

Em pouco mais de dois meses Eduardo Baptista organizou o time que fazia o pior segundo turno da história, interromper o viés de baixa, chegar às semifinais da Copa do Brasil e terminar o campeonato com alguma tranquilidade.

Na volta das férias,Eduardo Baptista entra janeiro cobrado a ter vitórias e conquistas em tempo recorde, era cobrado inclusive por todo o segundo turno do campeonato brasileiro de 2015, mesmo tendo assumido na reta final dele, com mais de 70% do turno já tendo passado, e não tinha nem como respirar e esperar que os reforços se adequassem ao novo clube, que recuperassem ritmo de jogo pós-férias ou longo período de inatividade,etc.

Dane-se que contabilizaram derrotas em amistosos à derrotas em jogos valendo, que incluíram derrotas de Enderson em seu currículo, que ignoraram o efeito R10 no trabalho dele, inclusive na Flórida Cup, Fred sendo expulso no primeiro jogo oficial, as manobras da FFERJ,etc.

Eduardo Baptista entrou em janeiro fadado a ser demitido antes de completar o terceiro mês do ano e afinal o foi quando perdeu novamente um clássico para o Botafogo muito bem armado (E o mesmo time de 2015) por Ricardo Gomes.

Deixou o cargo e um legado estrutural tático: Controle da bola, jogo com altíssimo índice de deslocamento na frente, uso de Fred como pivô, Diego Souza aparecendo por trás como finalizador e também armando.

Deixou um legado e um indício de que com o tempo, com ao menos seis meses no cargo, conseguiria levar aquele time pra frente.

Essa leitura não força a barra, o que força a barra é ignorar a pausa de férias, a remontagem do time com reforços e com a paulatina reconquista de ritmo de jogo dos atletas e tascar os números globais como se não tivessem esse paliativo todo.

Pois bem, Levir assumiu esse legado, reforçou a defesa, restabeleceu a compactação que existia no time em 2015, manteve o ataque móvel e conquistou a primeira liga.

Parecia que tudo iria bem, mas Levir começou a desmontar o time formado por Mário Bittencourt (com grande apoio de Peter Siemsem que queria baixar a folha de pagamento) e a remontar o time a partir de suas concepções.

Primeiro foi Diego Souza, depois Fred. Jogadores como Léo e Robert, que Eduardo Baptista gostava de usar, foram emprestados, e o trabalho seguiu.

O espaço de Richarlisson iniciou sendo dado,mas o mesmo Levir que pregava paciência com ele o ia tirando espaço e colocando os contestados Magno Alves e Osvaldo, até Maranhão à sua frente.

Marcos Junior, uma das melhores surpresas pós-Enderson, só se manteve no time por uma desdobramento anímico fora do comum, aliado à boa relação com a torcida (Levir sempre foi sensível à arquibancada).

E Levir remontou o time, só que deu ruim e Levir pediu pra saír.

Os reforços demoravam a chegar, porque Levir jamais quis trabalhar com o elenco disponível, ele precisava de outro elenco novo em folha e feito à sua imagem e semelhança para poder dar certo.

Mas a presidência e o elenco em pânico pediram e Levir ficou.

Os reforços chegaram. E quando eles chegaram Levir teve a desculpa à mão pra pedir mais paciência.

Foi assim que chegamos aos seis meses de Levir, com paciência, uma paciência rara de torcida, direção e imprensa,mas que não dá conta da quantidade de erros cometidos pelo medalhão que se escora em números, de novo lidos sem interpretação, pra se manter inimputável.

O time tem a melhor defesa, elogiam Levir por isso, mas quando toma gol a culpa é do Gum (Mesmo quando o gol nasce imediatamente a uma substituição desastrosa feita por Levir).

O time tem um ataque ruim, culpam o centroavante (Henrique ou Magnata) por isso, mas jamais questionam a ausência de cara tática pro ataque tricolor: Seremos novamente um time marcado pela presença de um centroavante de área ou um ataque que usa o talento e a velocidade de Welington, Scarpa e Marcos Junior pra envolver o adversário e chegar ao gol.

Você sabe? Nem Levir sabe.

Os volantes técnicos são elogiados pela coragem de Levir em escalá-los, mas a cada vez que a bola passa por eles a culpa é do Douglas (Um jogador raro, que não só passa com precisão, mas arrisca lançamentos inteligentes, e acerta, e finaliza bem desde a base).

Aliás, Douglas pouco chega na frente, Levir fixa Douglas pra liberar Cícero, jamais usa a alternância entre eles, jamais estimula a Douglas a ser um elemento surpresa e chutar mais de fora.

Mas Levir brinca, Levir é ótima entrevista, é intocável,mesmo seu time tendo pouca aproximação, uma compactação defensiva desastrosa, e uma indecisão tática óbvia entre esperar o adversário e/ou ter posse de bola e domínio territorial.

A quantidade de espaço entre as linhas do Fluminense é de tal forma que dava pra plantar feijão entre elas.

E se o Fluminense não é mais alvejado é porque a defesa se comporta com estoicismo diante da uma enorme desarticulação tática entre ataque, meio e defesa.

As transições do Fluminense são mal feitas, não existem triangulações, não há saída de três na zaga, há arremedos disso.

Quantas reversões de jogo vemos no Fluminense de Levir? Poucas.

Se o ataque começa pela direita ou ele termina pela direita mesmo ou termina em finalização pelo centro do campo, pra fora, no máximo num cruzamento vadio.

E Levir diz que o problema é a falta de maturidade do time, jamais da pouca qualidade de seu trabalho tático no Fluminense.

Intensidade? Passa amanhã.

Os números de Levir são frutos de resultados conquistados pela habilidade de jogadores do Fluminense, por brilharecos táticos aqui e ali, jamais por uma feição tática definida. E acobertam um trabalho onde os números ocultam um desempenho horroroso.

Levir toma banho tático do interino do Figueirense, mas ganha o jogo, e por isso os mesmos críticos que ficavam assanhados e incineraram o ótimo Eduardo Baptista ficam quietos ou apelam pra criticar quem? Os jogadores e a diretoria pelas contratações.

Levir toma banho tático do treinador brasileiro que talvez tenha a pior leitura de jogo de todos so tempos, Cristóvão, mas o problema é o Danilinho.

Enquanto isso Eduardo Baptista com elenco pior, mas em um clube onde talvez a pressão da torcida seja até pior que a no Fluminense, a Ponte Preta, consegue estar em sétimo.

Danilinho, sem ritmo de jogo e se readaptando ao futebol brasileiro depois de sete anos no México, tem jogado bem taticamente.

Welington é raro, tem muito boa técnica no um contra um, finalize bem, é criativo e sabe ir além do papel de ponta.

Marquinho é disciplinado taticamente, tem boa técnica, chuta bem de fora, é raçudo que nem o Hulk com unha encravada,mas precisa se readaptar ao futebol, brasileiro e encontrar a melhor forma.

Aquino tem boa técnica,mas igual a Danilinho e a Marquinho ainda está fora de ritmo, e ainda precisa se adaptar ao futebol brasileiro.

Rojas idem, mas onde vive Rojas, o que come? Levir não sabe e se sabe não nos diz.

Mas reforço algum encaixa bem em um time mais zoneado que o Governo interino de Golpichel Golper.

Diziam que Eduardo Baptista não tinha padrão de jogo em seu time com saída de três, Cícero de segundo volante buscando jogo e revezando com Scarpa na organização das jogadas, recomposição defensiva rápida e transição veloz, que fez muito bons jogos, mesmo que tenha perdido vários deles.

Mas não falam nada pela ausência de feição tática nos times de Levir “Brincalhão” Culpi.

Há dúvidas? O time da Primeira Liga tinha uma cara tática, o time sem Fred do início do Brasileiro outra, e o time pós-reforços outra, só que nenhuma deles é sequer parecida.

Levir não sabe o que fazer com o elenco.

Levir não escolheu o que fazer e quando acerta uma cara, com Marcos Junior de meia, Wellington e Dourado no ataque, a desmonta pra por Marquinho no lugar do Marcos Junior, em jogo decisivo. como o desmonte deu ruim ele faz o que? Volta pra formação mais segura? não, desmonta o desmonte, põe Pierre no lugar de Marquinho e avança o Cícero.

Ai pós desmonte do desmonte ele está vencendo o jogo por 2×0 e faz o quê? Desmonta o desmonte do desmonte pondo Marquinho no lugar do Pierre e recuando Douglas de primeiro volante, Marquinho de segundo volante e Cícero de meia, mas era ÓBVIO que iria dar errado.

Ele treinou isso? NÃAAO.

Mas tá tudo bem, Levir brinca.

Levir fez ótimo trabalho no Atlético Mineiro, soube transitar de Cuca pra um estilo seu, menos afoito e mais passe de pé em pé com intensidade,mas no fluminense parece um técnico arrogante e sentado em cima do próprio ego, longe de qualquer cheiro de modernidade tática que faz de Eduardo Baptista um dos melhores técnicos do Brasil.

Mas não se acanhem, olhem outros trabalhos com times piores e percebam por si mesmos.

Fernando Diniz (Oeste), Rogério Zimmerman (Brasil de Pelotas), Eduardo Baptista (Ponte), Guto Ferreira( Chape e agora Bahia), Paulo Autuori (CAP), todos tem elencos de piores a muito piores que o do Fluminense e todos, absolutamente todos, tem resultados muito superiores ao esperado para o elenco que possuem, e se analisarmos com cuidado gigantescamente superiores, relativo ao elenco que possuem, ao trabalho de Levir.

Zimmerman então faz chover no Saara com o mesmo elenco desde a série D estando hoje no G4 da série B.

Baptista faz um elenco horroroso como o da Ponte dar banho em times caros como o do Fluminense, Inter e Cruzeiro.

Autuori remontou o CAP duas vezes e tá ali enchendo o saco perto do G4 desde o início do Brasileiro, foi finalista da Primeira Liga igual Levir e o desempenho não caiu.

Diniz no Oeste faz milagre mantendo aquele time vivo, e mais jogando futebol de gente grande, correndo todos os riscos possíveis e imagináveis.

Guto ferreira tá desfazendo todas as cagadas da diretoria do Bahia e levando o clube nas costas pra um estilo competitivo e renovando a fé no acesso.

E Levir? Brinca.

Levir hoje faz de longe o pior trabalho de um técnico no Fluminense desde Cristóvão e Enderson Moreira.

Enderson pela desconstrução do próprio trabalho aceitando R10, Cristóvão por ter um elenco milionário e não conseguir levar aquele time ao G4.

A sorte de Levir é que ele não faz o pior turno da história do Fluminense, mas o desempenho aquém do elenco é igual ao de Cristóvão.

Mas Levir não é Cristóvão, Enderson ou Baptista, Levir brinca.

E por isso a seletividade da crítica a Levir por parte da torcida é inacreditável. Inacreditável e sintomática.

Porque a torcida jamais e importou se o técnico era bom, se havia perfil tático ou não, pra ela o importante era ter um medalhão.

Tendo o medalhão ele fica impune , jamais é cobrado de seus erros e quando os erros acontecem a culpa é transferida ao presidente, ao diretor de futebol, ao gerente,mas principalmente aos jogadores.

Levir nunca erra, mas Welington Silva sim (Melhor desarme do time e um dos melhores do campeonato). Gum é um lixo (Líder de rebatidas do time, um dos melhores do campeonato e quando é titular dificilmente o time toma gol). Henrique, Danilinho, Dudu, Maranhão, a lista é longa dos culpados de ocasião pelos erros do Levir.

Mas Levir brinca.

E a torcida se mantém com seu ceticismo particular, blogueiros não fazem campanha diária pela demissão do treinador, não existe outro assunto que não a culpa da diretoria ou dos jogadores pelos erros do Levir.

Claro que não quero a demissão do Levir, quero que Levir organize o Fluminense de acordo com o elenco que tem, que produza um time capaz de controlar o jogo E fazer transição ofensiva e defensiva em velocidade, que municie o bom Dourado ou o bom Magnata, que utilize Douglas e Cícero como elementos surpresa concluindo de fora da área, que use Welington e Marcos Junior pra quebrar a linha defensiva do adversário com inclusive o bom passe de Welington por cima e quebrando a defesa atrás dos volantes.

Quero que Levir produza de acordo com o time que exigiu que fosse montado ou ele sairia.

Se Levir não fizer isso e nos levar às finais da Copa do Brasil e ao G4 que ele seja demitido em dezembro que possamos ter novamente um técnico capaz de transformar o bom elenco do Fluminense em algo mais digno.

Meu sonho mesmo era Bielsa ser contratado pra atuar com Fernando Diniz na organização de todo o futebol tricolor, do fraldinha ao profissional,mas deliro.

Hoje eu prefiro que Levir saia em dezembro e que Fernando Diniz seja contratado.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s