Como não amar o reboot de Star Trek?

Star Trek Na Cinema

Por que gosto do reboot de Star Trek? Porque todo ele foi concebido com imenso respeito à série original e à série no cinema.

Como isso se deu? A partir da releitura construída em torno de outra linha de tempo.

O Spock de Zachary Quinto não é o de Leonard Nimoy, o Kirk de Chris Pine não é o de William Shatner, partem de premissas diferentes porque são frutos de realidades diferentes, por isso a liberdade de construção dos personagens pelos atores é enorme. Mesma coisa o McCoy de DeForest Kelley sendo diferente do de Karl Urban, e o Scotty de Simon Pegg ser absolutamente diferente do de James Doohan.

Simon Pegg inclusive é roteirista de “Star Trek: Sem fronteiras” e dá um tom muito mais escocês e engraçado, com humor bastante vinculado à uma lógica típica de um escocês que nasceu operário, vindo da classe operária e que usa a inteligência e a esperteza de classe como forma de lidar com problemas.

Pegg inclusive dá a Scotty um caráter mais inventivo que o de James Doohan.

Com Doohan, Scotty era um engenheiro que conhecia sua função beirando a genialidade. Pegg dá aquele tom de pobre inventando gambiarra, ultrapassando a excelência técnica e invadindo a inventividade.

O Kirk de Pine é menos “macho” que o de Shatner, tem a mesma coragem vinculada à intuição,ams tem mais medo, tem mais sentimentos, tem laços de amizades mais nítidos, sentimentos mais complexos.

Spock idem, com quinto Sporck ganha amor, ganha um tom menos alienígena, memso que homenageie sempre Nimoy com aquele toque de humanidade que finge não sentir que o ator original dava.

A direção de JJ Abrahams e todas as produções vão além disso, com homenagens sutis ao universo trekkie produzido anteriormente, seja com a trilha atual mesclando as da série a do cinema, seja com easters eggs ou fan service, como o “fascinante” de Spock no primeiro filme e a reprodução, com Kirk no lugar de Spock, do sacrifício de “A Ira de Khan” em “Star Trek: Além da escuridão”.

Menção honrosa ao implacável Khan de Cumberbatch no segundo filme, que é absolutamente diferente de Ricardo Montalban, embora tenha similaridades, como a raiva da humanidade e da Federação.

Em suma: o reboot de Star Trek entrega a inovação com louvor e dá ansiedade de esperar os filmes que seguirão.

A culpa não é de Neymar e Micale, Galvão! Sobre Futebol Brasileiro, Fluminense e pensamento mágico

Marín preso...

O futebol brasileiro está em profunda crise, e uma crise que tende a se aprofundar.

E por que? Porque pouca gente além de profissionais do esporte, entre técnicos e jogadores, tem alguma ideia real de tentativa de superação dos diversos problemas que o futebol brasileiro tem.

Apontar a culpa da crise do futebol brasileiro somente aos dirigentes, sem incluir torcida e mídia, é como dizer que a culpa do aquecimento global é da humanidade, sem apontar as causas diretas (Indústria do petróleo e agrobusiness, além da cultura do consumismo), fica até bonito,mas é inócuo, quando não é hipócrita e cínico.

No caso específico do futebol a tentativa de culpabilização individual de atletas, técnicos e dirigentes, sem entender o contexto global, inclusive incluíndo a torcida no esquema, é tipo a fase de negação de parente de doente terminal.

No mesmo dia a torcida da seleção brasileira e a do Fluminense entraram em polvorosa com os resultados dos jogos de suas paixões. Embora entenda a fustração, me fica na cabeça a quantidade de ilusão e pensamento mágico que sustentou suas ilusões.

Sim, os resultados foram de ruins a pavorosos, mas qual a razão deles? Dizer que foi culpa de Douglas ou de Gum ou do William Matheus no caso do Fluminense, ou do Neymar e do Micale ou Renato Augusto no caso do selecionado canarinho é tipo culpar o Cheetos por um câncer no baço.

Por que digo isso? Porque é preciso olhar com carinhos pros problemas pra resolvê-los.

Temos na seleção brasileira um trabalho que tinha uma perspectiva de resultado baseada num planejamento tardio, que começou à vera em 2015, mas incluía troca de comando de Micale pra Dunga, com uma perspectiva de Micale tentar aproximar seu trabalho ao de Dunga, e que depois mudou completamente pra um trabalho solo de Micale sob supervisão de Tite, que não é nem Dunga nem Micale e tá pouco próximo do primeiro em concepção tática e sequer teve tempo de influenciar o trabalho do segundo.

Daí a seleção olímpica ganhou um técnico próprio, que era antes o interino que teve quinze dias pra fazer da convocação um time, tendo perdas importantes como Douglas Costa, e erros na convocação de Renato Augusto ( Erro esse que só foi apontado pela imprensa agora que deu ruim), enquanto se preparava pra enfrentar seleções com trabalhos duradouros, e bons, como Iraque e África do Sul  por exemplo.

No caso do Fluminense temos o segundo técnico do ano e terminamos em fins de julho a segunda reformulação do elenco.

Reformulação essa que retirou o esqueleto da primeira reformulação organizada em Janeiro (Diego Souza e Fred), alterando profundamente o modo de jogar do time, de forma mais radical ainda que a troca entre Eduardo Baptista e Levir Culpi.

De um time organizado em torno da figura do centroavante e de um meia com altíssimo poder de finalização,mas pouca mobilidade e combatitividade partimos pra um time extremamente veloz, móvel, mesmo com Dourado, com laterais avançando de forma alternada e com mais preocupação defensiva que ofensiva, quase que acompanhando a linha de volantes, volantes criativos que armam o jogo para que o quarteto ofensivo produza uma ofensividade sustentada na intensa movimentação com finalização a partir de troca de passes que abram flancos pro arremate ou pro cruzamento no jogo aéreo.

Perceberam a guinada? E quando foi feita? Junho/Julho de 2016. Estamos em Agosto, ou seja, é óbvio que essa transformação, inclusive com a perda de um ícone do elenco e do clube, Fred, traria consigo uma oscilação e desequilíbrio psicológico, e até anímico, e uma dificuldade em manutenção de regularidade, especialmente fora de casa.

E não, não é desculpa, é análise.

Esse tipo de não planejamento das diretorias de futebol em geral possui 90% das “culpas” pela ausência de resultados.

Com uma reformulação de elenco ou trabalho em meio ao campeonato a tendência pro elenco demorar a se acertar e demorar a ter resultados é gigantesca. Dane-se a qualidade deste elenco.

Treinadores competentes produzem trabalho mesmo com elencos limitados, mas mesmo o mais genial treinador e elencos precisam de uma coisa que o futebol brasileiro com sua pressa suicida esqueceu: Tempo.

Se você observar o futebol brasileiro com olhos do senso comum de 1970 (Matriz de 90% das referências “teóricas” da torcida pro futebol de hoje), vai achar tudo ruim e tudo o que escrevi um tremendo blábláblá, mas se você for um sujeito minimamente atento e antenado ao futebol DE HOJE vai olhar pros dois exemplos citados e perceber que os dois trabalhos tem avanços em relações aos anteriores e com tempo devem germinar em promissores resultados, talvez no médio prazo.

Ah, vocês queriam resultado imediato? Lamento,mas não tem lógica, porque não tem mágica.

A tendência da seleção brasileira é ser eliminada na primeira fase, e sendo mantido o trabalho resultar num puta time pra 2018.

A tendência do Fluminense, se mantido o elenco e o trabalho de Levir, é formar um puta time pra 2017 e daí em diante. Em 2016 pode ser que dê resultado na Copa do Brasil e vá lá um G4 em caso de muito milagre.

Agora, se vocês acharem que trocar técnico a cada dez minutos, que mandar jogadores embora e vaiar times recém formulados porque o time para o qual torcem não é mais o de Rivellino que vocês acham, erroneamente, que jogavam sem técnico, lamento, porque além de sofrerem com o resultado, permanecerão sendo parte do problema.

Porque se você pensa, e eu li isso, que depois desses três resultados da seleção brasileira toda a geração é ruim, você é parte do problema.

Porque se você acha bonito o chilique do Galvão, que jamais critica a ausência de planejamento, a corrupção, a desestruturação da base, o calendário do futebol brasileiro, a desadequação do calendário diante da Europa, a ausência de controle pelos clubes deste futebol, etc, você é parte do problema.

Porque se você transforma futebol em entretenimento você é parte do problema. Se você julga jogador individualmente sem entender do sistema de jogo você é parte do problema.

Se você olha pro time do Fluminense é é capaz de por puro tolice dizer que Douglas não é jogador (Um volante extremamente técnico que com 19 anos é fáscil um dos melhores do campeonato,na prática em em números) ou que Gum é “Horroroso e devia ser doado”, sendo ele um dos melhores zagueiros de uma das melhores defesas do campeonato, que Wellington Silva é péssimo (Líder em desarmes do Fluminense e um dos líderes do campeonato) ou que Scarpa “era uma ilusão” ou que Welington foi uma contratação “desnecessária” e Marcos Junior é “burro e ruim de bola”, você é parte do problema.

Sim, amigo torcedor que vaia time porque o resultado do time, dane-se a atuação, não foi o que tu desejava ou que pede “raça” em um time que tá se rasgando em campo porque de alguma forma o resultado não funcionou, você é parte do problema.

Chega a ser lamentável o nível do torcedor brasileiro nas redes sociais e arquibancadas.

E ele é assim porque é mimado, embriagado de pensamento mágico e tosquice mitológica por uma imprensa avessa ao raciocínio e mãe da emoção mais emburrecedora possível.

Duvida? Veja a Globo e a SporTV todos os dias, ouça a maioria dos comentaristas, ouça Alê de Oliveira na ESPN, veja Fox Sports Radio. Veja um jogo onde cada comentário acertado do Calçade é demolido pela estupidez de almanaque do Zé Elias.

Pra cada PVC, Mauro Cézar Pereira, Calçade, Raphael Rezende, Raphael Oliveira, Gustavo Hoffman, Mário Marra, Mauro Betting, Leonardo Bertozzi e outros tantos que remam contra a maré da estupidez coletiva no futebol há seiscentos Zé elias, Alê Oliveira, Edinho, Roger Flores, etc…

E por isso as torcidas são reflexo de um pensamento mágico que morreu nos anos 1980 e fede até hoje.

Há quem escreve em blogs “Romário, Rivelino, Thiago Silva nunca precisaram se adaptar a elenco nenhum!” e se orgulhe disso, e há quem siga essa mentalidade.

Há quem chame Kenedy de pereba, Gerson de nulidade e Welington de superestimado e siga ai com espaço rpa permanecer mugindo.

Há quem compare Neymar com Marta, que é a mesma coisa que comparar Phelps com Hortênsia.

Enquanto isso os clubes e seleções permanecem tratando o tempo como se fosse irrelevante.

O G4 do brasileiro é composto de times que trocaram de técnico esse ano,mas que mantiveram elenco e fizeram troca de treinadores sem mudanças bruscas de perfil, ou fizeram isso com tempo pro elenco e treinador se ajustarem.

Quem trocou técnico recentemente tem o mesmo elenco desde janeiro, com alguns acréscimos, nenhuma perda.

Mas quem analisa isso?

Quem analisa isso não tá nas emissoras com maior audiência ou são comentaristas centrais de suas emissoras, exceto na ESPN. Não está nas rádios, não organiza clubes, não gerencia futebol, não tem calma.

Como bem escreveu Mansur, o futebol brasileiro tem pressa e essa pressa é inimiga da perfeição.

E depois, confundindo pressa com velocidade, culpa jogadores por serem afobados.

Não aprenderam nada com Fernando Diniz e o Audax.