A Estupidez coletiva no futebol e o senso comum escrito em blogs e na imprensa

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É cada dia um 7×1 diferente.

Desculpe iniciar um texto de forma tão agressiva, mas é fundamental: Se você não enxerga qualidade no Richarlison você é uma besta.

Sim, uma besta, daquelas primordiais, descritas na Bíblia, uma besta óbvia, ululante, de babar na gravata, transtornar a estupidez dos idiotas do mundo.

Por que digo isso? Porque ando cansado de ver o desserviço cotidiano que boa parte dos blogueiros de times em portais como Globoesporte.com ou ESPNFC prestam com relação às necessárias mudanças que o futebol brasileiro e os clubes precisam ter.

Não adianta termos o esforço enorme dos principais portais, os mesmos que empregam os “blog do torcedor”, em melhorar as análises táticas de suas equipes, de prover seus sites com conteúdo moderno e com compreensão mais avançada do jogo, não adiantam os esforços da Universidade do Futebol, se a própria dinâmica caça clique desses portais protege e utiliza a reprodução do mais reles senso comum em suas páginas.

Sim, é dolorosa a permanência da avaliação individual de jogadores sem a menor sabedoria, o menor cuidado, a menor observação dos contextos relevantes pra isso.

O Richarlison é julgado em 2016 por critérios que já eram caducos em 1990, critérios que ignoram o jogador novo, a nova técnica, dentro de um ambiente de profunda mudança que o futebol sofre ao menos desde que Guardiola e Mourinho inauguraram um novo mundo de 2006 pra cá.

Richarlison é julgado por quem ainda pensa o jogo, e a formação de jogadores, como quem vê um jogo da Máquina Tricolor de Rivelino, ou a de Assis e Washington e se empolgou com Romário, Edmundo, Roger e Ramon em 2004.

Richarlison é julgado por quem enxerga jogador como um ente mágico que resolve tudo em um passe de mágica e que “numa matada” demonstra seu futebol.

Essa gente sequer consegue pensar o tempo entre o domínio de bola e a ação, e entre o domínio e a chegada da marcação, acha que uma matada de bola que tem de ser feita em milésimos de segundos antes que o marcador chegue, e tem de conter nesse mesmo tempo a ação posterior. Essa gente acha que a matada de 2016 é a mesma que dava Rivelino em 1976.

É uma estupidez de almanaque.

Nenhum desses consegue sequer enxergar os dribles em velocidade e a quantidade de faltas que Richarlison recebe, ou suas assistências, ou sua tomada de decisões, o papel tático que exerce, defensiva e ofensivamente e o que isso significa hoje e em potencial.

E é só olhar, é só pensar coletivamente, ir além do rame rame, ler jornalistas especializados, estudar, ser mais do que um idiota reprodutor de senso comum e que se orgulha de ter feito campanha cotidiana pra que a diretoria do Fluminense demitisse treinadores (O Blogueiro do GE fez isso, assumiu em sua conta pessoal no twitter que fazia isso contra o Cristóvão Borges e com Eduardo Baptista).

Tá em dúvida sobre as qualidades do Richarlison? Ouve o Levir (Técnico medalhão que nove entre dez torcedores e leitores dos blogs pediram). Não vale? Tá, vou ignorar a incoerência, mas leiam Mauro Betting, PVC, blogueiros de Minas Gerais, Raphael Rezende, Raphael Oliveira, Mário Marra, Mauro Cezar Pereira, etc. Não? Mesmo assim permanece o Senso Comum? Putz, então procura um médico.

Já fizeram isso com o Kenedy e o Gerson, ótimos, jogadores sensacionais com um puta futuro. Já fizeram isso com o hoje idolatrado Scarpa e com o tolerado Marcos Júnior.

Fazem com Richarlison, como também com Renato Chaves (zagueiro disputado pelo Fluminense, Grêmio, etc no início do ano), com o Gum (Bi campeão Brasileiro e bom zagueiro respeitado pela equipe e parte da torcida) e também com Samuel (que veio da base e já mostrou que no mínimo é útil desde 2012), Maranhão e Dudu.

Pra essa gente a qualidade do jogador tá ligada menos à técnica que ele concretamente tem e mais ao nome (Leia-se custo e carreira) que aglutinou em torno de si. Mais valia manter R10 pra eles do que apostar em jovens como Rojas.

E quem administra o custo da mentalidade dessa gente? Ah, pois é.

Essa gente louva o Grêmio, que o Roger Machado pegou na rabeira do Brasileiro de 2015, e tem um elenco muito similar ao atual do Flu, e levou a Libertadores. Mas o Levir não consegue ter paz pra fazer com Richarlison o que Roger fez com Luan, Everton, etc.

Quem era Geromel com Felipão e quem é com Roger?

Garanto que a estupidez coletiva blogueira não vai te explicar esses detalhes. Acho que sequer quer pensar nisso ou tentar aprender isso.

O Fluminense tem um bom elenco, um bom técnico, caminha pra ter uma estrutura melhor e meios pra avançar nos campeonatos atuais e ter um enorme futuro.

Esse futuro incomoda a quem pouco consegue enxergar do presente e cobra treinadores, diretorias, etc por três meses de trabalho de técnico e confunde qualidade com preço de passe.

Quem escreve “Precisamos de jogador pra entrar e jogar logo!” não tem a menor ideia do que significa jogar, treinar, encaixar na equipe.

Nem Neymar no Barcelona encaixou de primeira.

Se pensam assim sobre reforços imagina se vão contextualizar qualidade técnica com idade do jogador e necessidade de evolução e maturação, não é mesmo?

Essas pessoas sequer raciocinam sobre o técnico, como ele é, onde e quem treinou, como foram seus primeiros meses, etc.

E é desse tipo de raciocínio que precisamos nos livrar, precisamos nos livrar do 7×1 cotidiano que nos assola.

Parte desse 7×1 é essa concepção de futebol sustentada numa dimensão canhestra de avaliação de jogador baseada num futebol que morreu há vinte anos.

E não, não é um discurso que despreza o passado, mas que compreende o óbvio: o futebol é fruto de seu tempo, cada era do futebol sem suas características.

Você ainda acha que os jogadores pioraram? Troca de pasto, esse atual tá te fazendo mal.

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Um comentário sobre “A Estupidez coletiva no futebol e o senso comum escrito em blogs e na imprensa

  1. Comparando Flu e Grêmio, imagine o que diriam os blogueiros se nossas contratações fossem Wallace, Edinho, Maicon, Douglas e Edilson! Xepas no mínimo e, aqui entre nós, eu também jamais contrataria qualquer um deles. Mas, como é o Grêmio e eles, não sei como, estão lá em cima, ninguém critica. Preferem criticar a vinda de Richarlison e Rojas.

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