A nova roupa do Fluminense

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A nova roupa do imperador tem duas formas de ser analisada: Como ela é e como querem que ela seja vista.

O rei está nu, é claro, mas nas ruas enquanto ele desfila ou elogiam a nova roupa inexistente ou a criticam citando detalhes dela tão inexistentes quanto.

É exatamente o caso do Fluminense.

O Fluminense está nu, não tem mais Fred que lhe dava uma cara pronta antes de qualquer campeonato.

Com Fred a sanha que analisa times a partir das individualidades e não do coletivo tinha a resposta pronta pra editoria e pra por na manchete: “Fred lidera elenco talentoso” ou “Fred é a esperança do Fluminense!” eram a saída fácil.

Não há mais saídas fáceis.

Elencar Scarpa, Richarlisson, Douglas, etc, como esperanças é desespero diante da ausência da muleta analítica.

E por quê? Porque um time é muito mais que suas individualidades e que a soma de suas individualidades.

O Fluminense é um bom time, com problemas em algumas individualidades, que sequer são tantas assim.

Taticamente o Fluminense cria chances, organiza-se bem defensiva e ofensivamente. Falta criatividade? Não, por vezes algumas peças pecam pela afobação e burocratização das ações, mas no geral há criatividade.

Há o passe arriscado, o passe agudo, o passe que quebra defesa, o drible e o chute. Há movimentação, há triangulação, busca de tabela. Nem sempre funciona, mas a criatividade tá ali.

Falta técnica? Nunca.

Quem observou o jogo de ontem contra o Grêmio em Volta Redonda pôde observar técnica no drible do Richarlisson; nos passes e busca de triangulações, por vezes muito verticais, pelo Douglas; nos lançamentos e chutes do Scarpa; nos desarmes de Henrique, Douglas e Gum; na busca de tocar a bola a partir da defesa e até nas cabeçadas de Henrique e Cícero que levaram perigo.

Taticamente sempre tínhamos alguém livre nas alterais pro passe final e tivemos ao menos umas três vezes o Edson chegando de elemento surpresa pra finalizar.

Temos um time, que ainda precisa melhorar, mas ele evolui a olhos vistos desde a chegada de Levir.

E temos um time sólido na defesa, com falhas sim, mas sólido, que não causa enfarto a cada ataque adversário. O caminho pra tomarmos gol permanece a inversão de jogada nas costas de um dos laterais, mas pra isso o time do Flu precisa ser absolutamente surpreendido, e não tem ocorrido a todo momento.

Tomamos três gols assim, e exceto contra o Grêmio, sempre em início de jogo ou do segundo tempo. E mesmo o gol do Grêmio podemos imputar a um erro do estreante Maranhão que não acompanhou o Marcelo Hermes.

Observando a defesa ela estava toda encaixadinha, exceto pelo Maranhão, que é atacante. E o gol ter saído de um lateral ocupando o espaço deixado porque todo o meio e ataque do grêmio estavam marcados não é detalhe.

Vamos lembrar que ao contrário do Fluminense esse time do Roger joga junto com Roger há um ano e foi terceiro colocado ano passado.

Sim, esse resultado nos fará falta porque tínhamos plena condição de vencer o Grêmio, mesmo se o Ramiro não tivesse sido expulso.

Expulsão essa absurdamente inacreditável, inclusive. E sim, o árbitro poderia ter dado pênalti do Henrique, embora não fosse algo que tivesse consenso absoluto de que fora pênalti, mas era possível marcar sim, portanto o Grêmio foi prejudicado duplamente.

Qual o problema deste time pra almejarmos mais? A meu ver nenhum.
Esse time tem plenas condições técnicas e táticas de disputar tanto o Brasileiro quanto a Copa do Brasil, com ênfase na segunda.

Precisamos de reforços? Sim, pra mim um meia armador e só. Cícero não pode ser meia armador, precisa ser o segundo volante jogando com Douglas.

Muitos reclamaram da substituição do Douglas, e não do Edson, pelo Magno Alves. Embora concorde que a melhor troca seria o Edson por um atacante acho que a não troca do Edson se deu porque Edson penetra melhor na área adversária, inclusive ele quase fez um gol. E entendo que foi essa a razão de ter saído Douglas e não Edson.

Douglas é o melhor volante que temos, mas não precisávamos de dois volantes e Douglas ainda não é no profissional o finalizador que era no sub-20.

Hoje o Edson tem maior presença ofensiva nas bolas paradas e como elemento surpresa. Por isso pra mim Levir achou melhor mantê-lo, porque ele poderia fazer um gol em um lance de bola parada ou chegando por trás da zaga num bate rebate.

Douglas é um cara pra organizar a posse de bola e a bola ofensiva desde a zaga, finaliza bem de fora de área, passa bem, mas ainda não penetra na área. Pra mim a razão da substituição dele e não do Edson foi pragmática: Edson poderia ser o cara que entra e mata o jogo.

Esse Fluminense nu nasce da perda, nasce da separação, mas entregou ontem um luto duro, um luto vivido e que não se acovardou na dor.

Vimos Scarpa, Richarlisson, Cícero, Douglas, Marcos Júnior (que já deu o aviso na bola que precisa ser titular) e até Maranhão avisarem que temos condições de produzir tecnicamente e taticamente de forma eficiente e que disputará campeonatos.

Maranhão inclusive deu passes quebra defesa todo o tempo em que jogou, e só caiu de produção depois de falhar no gol, algo bem nítido e normal.

Esse time tem futuro e a dinâmica com Levir tende a ser outra a partir de agora, com menos balão pra área e mais passe rasteiro, mais triangulações e menos chutão.

O passe do Scarpa pro gol do Marcos Júnior foi coisa de cinema, é bom dizer. E temos total condição de vencer o Corinthians. Ouso dizer que o Grêmio era, e é, adversário mais duro.

O Fluminense se viu nu e foi à luta mesmo assim.

O Fluminense está nu, mas eu desperto pro que tudo cala frente ao fato de que o rei é sempre mais bonito nu.

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