Mais vale um Baptista na mão, que dois Renatos voando

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Eu vou repetir o que escrevi tantas vezes sobre evoluções e falhas do Fluminense e de Eduardo Baptista, que se repetiram no jogo de ontem contra o Cruzeiro.

Vou também escrever um manifesto a favor da diretoria, do técnico, do Fred, do elenco e de tantas outras coisas boas que acontecem no Fluminense e que são bombardeadas cotidianamente por sites, blogs, “torcedores”,etc que oscilam entre a burrice atávica e ululante, a canalhice pura e simples ou o impressionismo debiloide, quando não oportunista.

Não é nenhuma novidade que este escriba torce pro Fluminense, pro Eduardo Baptista, votaria na situação se pudesse votar e elege Peter Siemsem como o melhor presidente do Fluminense desde David Fischel. Pode ser até ser considerado melhor que ele porque defendeu sempre os interesses do clube mesmo se para isso tivesse de bater de frente com a Unimed, e Celso Barros.

Celso Barros, que parece que além de ter influência (cof cof) entre torcedores organizados também espalhou suas manoplas para endereços virtuais adeptos de “clipping comentados”, que, pasmem, quase sempre buscam manter agenda negativa permanente sobre a atual gestão.

Torço pelo bom trabalho do Mário Bittencourt, Fernando Simone, Eduardo Baptista, pelos moleques de Xerém, pelo louvável e admirável trabalho de cultivo de Fred como o que é, ídolo, dos maiores que o Fluminense já teve e certamente o maior da história moderna do clube, certamente o maior em trinta anos.

Acho que Mário Bittencourt e Fernando Simone cometeram erros em 2015, mas isso ficou longe de fazer seu trabalho ser desprezível. Além disso, montaram um baita elenco pra 2016 e acertaram enormemente na manutenção do ótimo (sim, vocês leram certo) Eduardo Baptista.

Eduardo Baptista é ótimo, vencedor, em dois anos de carreira tem um estadual e uma dificílima Copa do Nordeste no currículo. Seus times são organizados, ofensivos, compactos. O Fluminense foi assim em 2015, mesmo sofrendo derrotas jogando bem, e caminha para ser um time muito sólido em 2016.

Pra quem minimiza as conquistas na carreira de Eduardo Baptista uma dica: Essa redução a times como Bahia, Sport, Náutico, Ceará, Fortaleza, Sampaio Corrêa, etc a “times pequenos” é xenofobia, burrice, tolice, imbecilidade, preconceito contra o Nordeste, e beira o racismo. Dá nojo, porque é desconhecimento não só da história moderna como da História do Futebol brasileiro em si mesma. O Bahia tinha títulos nacionais antes do Botafogo saber como pronunciar isso.

Muitos que vomitam essas bobagens louvam um Chelsea que na Inglaterra só se tornou realmente grande na etapa contemporânea de sua história, coisa que Bahia e Sport, por exemplo, foram desde sempre.

As pessoas parecem ignorar que o Sport sempre esteve entre os principais clubes do campeonato brasileiro, parecem ignorar que até uma guinada econômica que concentrou recursos de maneira absurda no eixo RJ-SP-Sul, as equipes do Nordeste eram sempre presentes nos nacionais.

Hoje estas equipes se fortalecem economicamente em uma Copa muito disputada, e organizada em torno de um grau de dificuldade enorme, considerando que todas tem nível de investimento similar e precisam ter times com mais organização tática que investimento em medalhões, como via de regra times do Eixo RJ-SP pensam o futebol.

Ou seja, vencer a Copa do Nordeste é muito título. E o Sport a venceu comandado pelo Eduardo Baptista, que também levou ao clube a chegar alto nos dois Brasileiros sob sua batuta, sendo o clube nordestino em melhor colocação desde que os pontos corridos foram implementados.

Eduardo Baptista também tem um estadual, em dois anos de carreira dois títulos. Coisa que NE-NHUM treinador que treinou o Fluminense teve com dois anos de carreira. Sim, em números relativos ao tempo de carreira, Eduardo Baptista é mais vencedor que Cuca, Renato, Abel e Muricy, mas óbvio que a cornetaria tosca, tola ou desonesta não consegue entender isso.

Ontem foi um júbilo. Sofremos com falhas da defesa, sorrimos com acertos do ataque. E um ataque que marcou 16 gols em 6 jogos oficiais. Sim, amigos, DEZESSEIS GOLS é o que o Fluminense marcou em cinco jogos oficiais. Nestes seis jogos o Flu jogou contra Atlético Paranaense, Cruzeiro, Madureira, Volta Redonda, Bonsucesso e Tigres, perdeu dois, empatou um, venceu três, um deles no Mineirão contra o Cruzeiro.

É pouco? Longe disso. Mas é sempre bom pegar os números que muitos usam de forma desonesta contra e invertê-los com uma leitura positiva.

O Flu jogou com Eduardo Baptista cerca de vinte jogos, com mais derrotas que vitórias, porém com mais vitórias nos ditos “jogos Grandes” do que qualquer trinador do Fluminense teve desde que Abel saiu.

Sim, perdemos jogos “normais”, mas via de regra crescemos em clássicos e jogos decisivos.

Isso resolve? Não, precisamos parar de perder jogos “normais”, e Baptista já tem corrigido isso, como visto contra Tigres e Bonsucesso, precisamos melhorar a cobertura à defesa, precisamos arrumar o espaçamento entre as linhas do time.

Mas não saímos do zero, Eduardo já conseguiu transformar o volume de jogo em finalizações e gols. Eduardo também diminuiu a penetração adversária na nossa grande área. O Flu sofre com inversões de jogada, especialmente pegando flancos abertos pelo Giovanni, e os zagueiros sofrem no mano a mano, mas aqueles gols malucos que usavam o espaço deixado pelos volantes e o Deus nos Acuda com as bolas alçadas na área praticamente acabaram.

Sobre Giovanni e Henrique é bom ressaltar que estavam há meses sem jogar, Henrique há um ano, mas o primeiro ainda ficou sem sequer treinar até esse ano. O que isso quer dizer, metade das falhas deles tem o peso da falta de ritmo, e isso tende a diminuir com o tempo. Até porque os desenhos defensivos do Flu em campo são bem sólidos. A equipe se fecha bem quando perde a bola, exceto o flanco esquerdo, que sofre com a falta de ritmo de Giovanni.

Ah, então troca o Giovanni? Não. Léo também não deu solidez aquele lado, e não tem a desculpa da falta de ritmo.

Nosso meio e ataque com Cícero, Diego Souza, Scarpa e Marcos Junior tem sido coletivamente muito bom, admirável, mesmo Scarpa e MJ abaixo do que podem. Diego Souza, cuja contratação em dezembro me soava como um erro 8devido ao histórico dele com o Flu e bobagens ditas), hoje me dá gosto de (re) ver com a camisa tricolor. Que jogador!

Fred e Diego Souza na mesma equipe é um sopro de alegria e esperança pra uma torcida que está há dois anos esperando a redenção.

Ontem a felicidade não ocorreu apenas pela vitória, mas pela postura anímica, tática e técnica da equipe que buscou a vitória mesmo saindo atrás e depois tomando o empate, na casa do adversário, que é o Cruzeiro, que estava no Mineirão.

Minimizar uma vitória sobre o Cruzeiro em qualquer lugar é demência senil, no Mineirão é caso de Síndrome da Vaca Louca.

E Douglas? Douglas foi a síntese do volante moderno, fundamental, enorme.. E só tem 20 anos e veio de Xerém. Precisa dizer mais?

E sim, estou feliz, em delírio, vislumbrando os montes Cárpatos da vitória, o Himalaia dos títulos, os louros da glória.

Porque como já escrevi aqui: ser Tricolor é antes de tudo ser atávico. O Tricolor nasceu da ideia do cósmico como alimento fundamental do cotidiano. Tricolor que não é rodrigueano ou não sabe que todo canalha é magro ou tá em dúvida ou não gosta de futebol ou não é Tricolor.

E nos deixem. Porque quem não rolou uma lágrima, nem uma lástima para socorrer cada tricolor nas dores de oratório do escárnio da opinião pública não tem o direito de sequestrar nossa euforia e nosso amor.

É preciso gritar que transbordando de flores a calma dos lagos zangou-se, a rosa-dos-ventos danou-se, o leito do rio fartou-se e inundou de água doce a amargura do mar de mágoa de uma oposição venal.

Sejamos euforicamente a multidão vendo em pânico e vendo atônita o seu despertar.

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