Demitir Eduardo Baptista é tolo e tosco: Nosso objetivo é Brasileiro e Copa do Brasil.

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Por Gilson Moura Henrique Junior

Há algum tempo cada jogo do Fluminense é um entrevero.

Há em toda a torcida talvez menos que a expectativa de vencer e mais a expectativa de como reclamar do time.

Sim, há motivos pra reclamar, como também há motivos para festejar.

Só que pra parte da torcida a saída mais fácil tem sido esperar o pior pra exercer o sagrado direito de cornetar e pedir substituição de técnico, seja ele qual for.

Não, não são apenas as “apostas” como Eduardo Baptista que sofrem com isso. Abel, Muricy, todos sofreram. E não, não precisa vir de sequência negativa ou anti clímax como Cristóvão e Eduardo Baptista, basta não começar o ano voando (coisa que nenhum time faz).

A pressão insana hoje é contra Eduardo Baptista e abundam “motivos”:

  1. Há alegação de que há falta de padrão de jogo.

  2. Há alegação que ele perdeu todo o segundo turno do Brasileiro de 2015.

  3. Eduardo tem péssimo retrospecto.

  4. Há alegação que Eduardo não joga futebol de qualidade.

  5. Há a alegação de falta de currículo.

Há outras alegações, mas estas são as centrais.

Bem, acho complicado dizer que o time não tem padrão é de doer. Padrão tem, você pode até não gostar dele, mas tem.

O Fluminense há tempos não sofre com uma pressão absurda do adversário na sua área. Eduardo Baptista fez sim um sistema defensivo mais sólido que seus antecessores, desde Abel. A questão é que defensivamente não basta organizar um bom sistema, é preciso organizar as peças melhores para executar suas funções.

No Fluminense há uma falha crônica na cobertura do flanco direito por zagueiros e volantes. O lateral se manda, o zagueiro parte pro primeiro combate e o volante não cobre. Acho que chutar uns 90% dos gols que tomamos saindo disso não seria maluquice.

No ataque o Fluminense ocupa o campo adversário e garante todo jogo no mínimo 52% de posse de bola, conclui mais que o adversário, mas invariavelmente conclui mal, erra mais finalizações do que acerta. Esse erro é tático? Na maioria das vezes não.

Nem há profundo erro tático na cobertura como menos ainda nas finalizações.

No ataque o erro tático está mais em priorizar as laterais, o correto, sem maior busca de triangulações centrais, assim o Fluminense se torna marcado, dado que basta marcar os jogadores que ocupam o miolo da área, encher ali de defensores, e mata a maior parte de nossas jogadas ofensivas.

Na defesa o erro tático é talvez o uso de um volante para efetuar a cobertura da zaga. Ou talvez não seja erro tático, mas de escalação. Pra mim o ideal é usar um zagueiro que saiba cumprir as funções de volante, como Henrique ou Marlon, para melhorar a cobertura.

Mas o padrão tá ali: Defesa alta, laterais ofensivos, saída de bola pelo chão, controle de posse de bola, priorização das jogadas pelas laterais, bola circulando todo o campo procurando brecha na defesa, recomposição defensiva com duas linhas de quatro, e dependendo do caso até de cinco. O padrão tá ali. E é um time ofensivo.

Só que o time ofensivo, dentro da concepção tática de Eduardo, precisa estar em seu melhor técnico pra funcionar. E se essa melhor formação técnica não terminou o ano no auge, pela perda de jogadores, contusões, etc, é impossível de exigi-la em janeiro, com a falta de ritmo dos jogadores, pelo fato de estarem longe da melhor forma física, com o entrosamento e a ausência dele a partir da chegada de novos jogadores, e a demora de peças fundamentais, reforços pontuais para a correção de falhas do elenco, entrarem em campo.

Ou seja, o padrão tático do Eduardo é claro, existe, está em campo, o que falta é juntar isso a uma melhoria técnica que tende a vir com entrosamento e ganho de forma física e ritmo de jogo pela equipe.

O detalhe do Fluminense não ser hoje um time que sofre enorme pressão adversária, ou seja, o Flu hoje não é como o Fluminense de Cristóvão que sofria com pressões na sua área até de adversários muito inferiores, é crucial.

A alegação que ele perdeu todo o segundo turno do Brasileiro de 2015 é demente. Eduardo chegou em 27 de Setembro. Jogou onze jogos no Brasileiro, perdeu seis, venceu quatro, empatou um.

Ao mesmo tempo dividiu atenção com o foco principal: A Copa do Brasil, e quase nos levou à final.

Juntar a esses onze jogos os jogos de início de temporada de 2016, ainda mais com a remontagem de elenco com as chegadas e partidas, chega a ser desonestidade intelectual.

Alegam que ele teve 19 partidas e isso já deu pra organizar o time. Mas que time, é realmente o mesmo time de 2015? Não, não é. Até porque é fundamental que se ajustem peças novas onde as do time de 2015 falhavam, e continuam falhando. Fora as perdas no meio, cujos substitutos devem ser treinados e se entrosarem.

Nossos volantes em 2015 que funcionaram melhor eram Jean e Cícero ou Pierre e Cícero. Hoje temos Edson e Cícero. Edson que nunca funcionou bem como primeiro volante, mas hoje tem atuado melhor que Pierre pra qualificar a saída de bola.

Gérson, perseguido pela torcida, foi decisivo em vários jogos ano passado, além de fazer rodar a bola como poucos. Quem o substituiu foi Daniel, que é novo de tudo e está se entrosando com a equipe. Quando puder quem o substituirá será Diego Souza, que tem outras características, que roda menos a bola, carrega mais, vira menos o jogo. E tudo isso precisa ser entrosado.

E reorganizar a equipe com os reforços demora mais que quatro jogos. A retomada de ritmo de jogo coletivo também.

A alegação que Eduardo não joga futebol de qualidade esbarra no conceito de qualidade.

Porque noventa por cento das pessoas confunde qualidade com resultado.

Sim, se o time ganhar de 1×0 às vezes é visto mais com qualidade do que ocupar o campo do adversário 80 minutos, mas perder porque dormiu em dez.

O Fluminense fez excelentes partidas contra Grêmio e Palmeiras na Copa do Brasil. Jogou bem, e perdeu, contra Atlético Paranaense e Chapecoense, e venceu jogando muito bem contra o SPFC no Brasileiro. E nas duas piores partidas do segundo turno, contra o Vasco e o Avaí, venceu.

Nas partidas contra Inter e CAP em 2016 o Fluminense fora de ritmo de jogo fez o que vem fazendo: Dominou o jogo, mas tomou um gol em falha da defesa e perdeu.

O jogo contra o Volta Redonda foi profundamente atípico. O time jogou mal o primeiro tempo e em duas falhas, idênticas, tomou dois gols. Quando estava muito melhor no segundo tempo teve um jogador expulso. E o Fluminense estava muito melhor inclusive em relação às atuações anteriores no ano. Dominou o jogo e conseguiu finalizar de forma absolutamente inacreditável contra o Voltaço. A quantidade de escanteios foi absurda. O Fluminense ficou praticamente trinta minutos na área adversária. Perdeu, mas fez um baita segundo tempo.

E ai dizem que o time não tem vontade de vencer.. Oi? Como assim?

Pedir pra um time em janeiro já jogar bem é esquecer a vinda das férias, início de treinamento, etc, a observação tática tem de perceber avanços e recuos, erros e acertos.

Dizer que o Flu não apresenta bom futebol, contextualizando estar em início de temporada, e que falta padrão pra mim, me desculpem, é miopia.

E por fim há a alegação de falta de currículo.

Essa é pra mim a mais estúpida das razões. Primeiro porque currículo é relativo, o péssimo Celso Roth tem currículo similar ao do ótimo Cuca. Segundo porque há uma certa tolice em achar que ser Campeão da Copa do NE e campeão Pernambucano é ser menos campeão do que ser campeão Carioca.

Tem uma babaquice meio xenofóbica contra nordestino ai, uma arrogância típica de quem não entende patavinas de futebol e de rivalidade, contexto financeiro, de elenco, etc.. Tem também a mania de achar que o campeonato Carioca por ter “quatro grandes” é melhor que o campeonato Pernambucano, mesmo esse tendo três grandes, porque consideram que gigantes só os temos no RJ.

Vamos analisar? O Pernambucano tem mais times das séries B, C e D que o Carioca. O Pernambucano de 2015 tinha um time da Série A, Dois da B e ao menos um da C. A Copa do Nordeste tinham sete clubes da série B em 2015, ao menos um da C.

E o Carioca? O Carioca 2015 tinham três clubes da série A, um deles que tinha acabado de subir da B e voltou pra lá, o Botafogo e o Macaé na B, caiu pra C, o Madureira na C, caiu pra D. E diversos clubes sem série no Brasileiro.

Parece-te mesmo que o Pernambucano e a Copa do Nordeste são torneios tão menos complicados que o Carioca?

Ou seja, currículo Eduardo Baptista tem, um regional e um estadual. Algo que o Cuca em 2011 não tinha.

Em resumo: Essa sanha de demitir Eduardo Baptista, e outrora de demissão de Cristóvão, etc, é uma monomania tricolor que tem muito pouco de análise e muito de querer cabeças.

Se olha pouco, se analisa pouco, se tem pouca paciência e sim, se vive de cafetinagem de resultados.

A torcida entrar nessa é triste, tosco, mas é do jogo, blogueiros viverem nessa caça de clique sustentada pelo desespero imediatista é que chega a ser abjeto.

O Fluminense precisa de tempo, paciência e esmero pra que ao menos de março em diante estejamos prontos pra nosso objetivo principal: O Brasileiro.

Acredito que hoje Eduardo Baptista é o treinador perfeito pra construir esse projeto. Elenco ele tem hoje. Precisa de apoio, da diretoria e da torcida, menos fome estúpida, grosseira e intolerante por resultado e mais planejamento, calma, astúcia e análise.

A não ser que o objetivo tricolor seja permanecer líder do recorde de demissão de técnico.

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