Fluminense: Da Lama ao Caos, do Caos à Lama

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Por Gilson Moura Henrique Junior

Depois da derrota para o Botafogo, na pior partida do ano, o Fluminense entrou em parafuso completo.

Essa espiral de caos ocorreu em um momento delicado, início de temporada, jogadores fora de ritmo e se adaptando ao futebol brasileiro e ao novo clube.

Não fosse apenas a derrota, a segunda seguida em clássicos, a péssima partida e fase e a demissão do técnico, ganhamos de presente a demissão pelo presidente Peter Siemsem de toda a estrutura do futebol.

Mas tá tudo bem, tá tudo bom, temos o melhor presidente em anos, saímos da lama do caos financeiro e da dependência de mecenas, estamos prestes a terminar nosso CT, temos uma das melhores bases do país, um futuro promissor e… continuamos um caos esportivo.

Por que demorei dois dias para escrever isso? Porque fiquei dois dias digerindo mais um caso de implosão de qualquer tentativa vã de mísero planejamento do futebol pelo presidente Peter Siemsem.

Pior, fiquei dois dias também observando quem critica parte da torcida que comemora que conquistamos as CND (Certidões negativos de débito), como se comemorar melhoria na situação financeira e administrativa estivesse incorreto e contrariasse a luta por dignidade esportiva.

Dois dias de “Devolvam nossa dignidade!” vindos de quem pede técnico novo a cada três meses e que cobram dos dirigentes que se comportem exatamente como Peter Siemsem se comportou na quarta, para depois criticá-los por agirem de forma apaixonada, como as mesmas pessoas cobraram antes. Confuso? Sim é, pena que os confusos sequer enxerguem isso, quanto mais entendam.

O problema disso tudo é que o “Devolvam nossa dignidade!” não devolve dignidade nenhuma, envergonha quem pede um mínimo de planejamento e lida com Vice presidente demitindo técnico pela mídia, e sendo demitido pelo site do clube por decisão do presidente, que o demitiu por fazer política usando o cargo enquanto faz política usando o cargo para mandar às favas qualquer resquício de dignidade, lealdade e ética na política para fritar o ex-vice presidente.

Confuso? Sim,é. E também revelador de que padrões mínimos de fidalguia, dignidade, lealdade e respeito não são exatamente tão comuns nas Laranjeiras como foram no passado.

O Fluminense há anos não consegue minimamente manter um técnico por mais de três meses. Desde 2011 tivemos praticamente um técnico a cada três meses, a exceção foram Abel e Cristóvão, e ambos foram demitidos em meio à reformulação de elenco.

De Janeiro de 2015 até fevereiro de 2016 tivemos quatro técnicos. Mas tá tudo bem, precisamos apenas escrever e falar as frases mágicas “Precisamos de técnico vencedor!” ou “devolvam nossa dignidade!” que tudo se resolve.

Não? Não resolve? Uai, não vencemos todos os jogos magicamente? O treinador novo tem de aprender o caminho para chegar ao clube, o nome dos jogadores, como lidar com os humores da direção e esperar a melhor forma física e a adaptação completa dos jogadores que chegaram ao clube, além de ao futebol jogado no Brasil (Pros que vieram do exterior) e nada muda magicamente sem treino, paciência, estudo e planejamento?

Pois é, nada na vida nasce e cresce magicamente. Todo trabalhador sabe disso, todo torcedor sabe disso, mas desligam a consciência e a inteligência quando falam de futebol.

Gente com mestrado, doutorado, MBA, falando dezoito línguas age igual ao pedreiro analfabeto quando se trata de futebol: De maneira burra e irracional, além de avessa a qualquer maior profundidade, leitura, estudo e análise.

“Ah, não somos jornalistas!” dirão os torcedores! Pior, alguns são, e escrevem em blogs de portais com enorme apelo e audiência. Fora que não precisa ser jornalista pra pensar, o pedreiro se bobear dá mais atenção que muito doutor ao estudo de futebol.

E o Fluminense? Bem, perdeu dois meses, pré-temporada e o escambau e reiniciou os trabalhos com campeonatos em andamento ignorando tudo o que podia atrapalhar o trabalho de jogadores e técnicos para atender de forma populista uma torcida cada vez menos inteligente e com uma sede de sangue que roda a roleta do perseguido da vez, quase sempre o técnico, mas que não livra nem a cara do Fred, maior ídolo da história moderna do clube.

O que dói é que saímos da Lama da série C, lama para a qual fomos arrastados por direções ineptas, por movimentos que levaram Antônio Gonzales à vice-presidência de Futebol e por ele à série C, e hoje estamos no Caos que pode trazer essa gente de volta à presidência do clube.

Tudo porque ao rifar Mário Bittencourt, Eduardo Baptista e Fernando Simone em nome de alianças políticas e exigências de forças políticas que o apoiam, sem qualquer vaselina ou mínima racionalidade na gestão de crises, Peter Siemsem transformou um clube vivendo má fase futebolística em um clube com o futebol acéfalo, jogadores de saco cheio da zona no departamento de futebol e sob a sombra de uma enorme trairagem entre o presidente e um de seus maiores aliados desde sempre: Mário Bittencourt.

Mas Mário Bittencourt não merecia a demissão? Mesmo se merecesse toda a condução não foi feita para corrigir rumos, mas para atingir a candidatura dele à presidência do clube, e sua imagem como gestor. Pra piorar nos dias seguintes o presidente deu declarações que o eximiam de culpa na grana gasta nas contratações feitas para o futebol e transferiam toda a responsabilidade a Mário Bittencourt. Sendo que até as trepadeiras do Jardim Botânico sabe que Henrique e Richarlison, as contratações mais caras, por exemplo, foram conduzidas diretamente por Peter Siemsem.

E o que isso resolve? Nada. E pior, não é descartável que ao enxergar a ação como trairagem o elenco perca a confiança na presidência em casos como atrasos de salário oi direito de imagem, que ninguém pode dizer que não seja um risco pro clube, pra nenhum clube do país.

E a demissão de Eduardo Baptista, foi correta? Não, não pra mim. O time jogou muito mal nos últimos jogos, tem jogado mal. Eduardo não repetiu as melhores atuações de 2015, merecia uma cobrança dura e sim, um aviso que o tempo estava escasseando, mas jamais ser demitido por resultados em estadual (Que parte da torcida diz desprezar enquanto exige demissão de treinadores em caso de derrotas neles). Eduardo merecia as cobranças, mas não a demissão. É um treinador competente, mostrou isso ano passado no Flu e no Sport. Enfrentava uma reformulação no elenco, com jogadores entrando em forma e ritmo de jogo, Henrique se adaptando ao futebol brasileiro e ao mesmo tempo com jogos quarta e domingo. Perdemos do Flamengo tendo tido teste muito mais duro no meio de semana, e pegamos um Botafogo que não vem de jogos quarta e domingo. E sim, isso tudo influencia.

Todas as razões tiram os erros de Eduardo de questão? Não, jamais, merecia a cobrança, mas cobrar e corrigir rumos é parte do planejamento, demitir a cada três meses não, ainda mais pensando de forma organizada em ter uma boa temporada.

Mas era preciso dar resposta à torcida? Engraçado que o presidente jamais dá essas respostas ele em coletivas quando a fase está ruim, só aparece depois que toma as decisões. Detalhe, jamais fez pesquisas com a torcida e sócios sobre o futebol, mensurando a questão (Existem ferramentas que permitem isso usando a base de dados de sócios do clube), ou seja, agiu pura e simplesmente a partir de uma leitura de rumores, de deduções, de pressões internas e cantos de arquibancada.

E mesmo mensurando com a torcida, valeria à pena demitir técnico? Com dois meses de temporada? Nunca. Planejamento nenhum funciona assim.

E o afastamento de Simone? A pior coisa de toda a comédia de erros. Mário errou ao demitir Eduardo, Peter errou ao demitir Mário pelo site e confirmar a demissão de Eduardo, mas Simone cometeu que erros? O planejamento do futebol foi todo errado? As contratações foram? Ou os resultados apenas pesaram sobre a gerência de futebol? Pra mim nada disso. Não vi erros no planejamento do futebol exceto a logística de viagens dos últimos jogos e a demissão do Eduardo com dois meses de temporada.

A não ser que se considere a montagem do elenco feita por Simone, Mário, Eduardo e pelo próprio Peter como um erro, se foi isso porque o presidente não renunciou? Afinal foi ele também quem escolheu Eduardo Baptista como técnico que supostamente seria o capitão de uma guinada de planejamento e paciência.

A questão é que Peter não tomou essas decisões baseado em critério algum, ele se baseou em dar respostas à torcida e aos grupos políticos que lhe interessam para receber deles apoio, já que o que interessa a ele hoje é terminar a temporada como vencedor em campo e fora dele, para marcar seu nome na história do clube, dane-se se no meio tempo ele torpedear o planejamento que poderia fazer isso gerando pra história do clube a marca de uma gestão moderna também no futebol.

Peter pode até acertar, como parece acertar, com a contratação do Jorge Machado e de Levir Culpi, cujas competências são inegáveis, mas isso não garante títulos, como também não havia certeza que o trabalho de Eduardo fracassaria, não tínhamos elementos sequer para chamar o trabalho de ruim diante das circunstâncias em que o trabalho se deu, sem tempo pros resultados aparecerem.

Levir pode ser campeão? Claro, é competente, tem estilo similar ao que Eduardo queria implementar no Flu, é macaco velho, manja de vestiário, sabe peitar torcida, etc. Além disso, terá a escora de um dirigente muito mais experimentado que Simone, e que conhece o Fluminense, que é o Jorge Machado.

Ambos se vierem serão acertos de Peter, mas acerto esse que não corrigem o maior erro cometido pelo presidente de quinta pra cá: A quebra de confiança e da imagem de dirigente moderno, ético e leal.

E garanto, se parte da torcida enxergou isso os jogadores também viram.

Politicamente o Fluminense entrou em parafuso de vez ao antecipar as eleições. Ao passar o recibo que fecharia já com seu grupo de apoio para eleger um sucessor vinculado ao Flusócio e ao grupo do Vice de projetos especiais o presidente acelerou as divisões internas e se não atender prontamente com seu apoio a esses grupos ou acalmar as disputas entre eles pela nominata piorará a situação.

A oposição salivou com as decisões do Peter, e lançou Celso Barros oficialmente.

Um terceiro nome deve aparecer, um que se destacou exatamente por apontar erros e acertos da gestão atual e propor saídas, Pedro Trenghouse.

Mário Bittencourt sonha em ser presidente, porém foi duramente atingido na última semana, já carregando praticamente sozinho o ônus da contratação de Ronaldinho Gaúcho em 2015. Mário deve sair de cena, mas duvido que apoiará o candidato do presidente.

O quadro que se desenha hoje é caótico, pouco claro, com muito mais dúvidas que esperanças. O certo é que começamos do zero, em Março, a temporada. As chances imediatas de título são pequenas, não sabemos que objetivos temos pernas para alcançar (Vai depender que técnico teremos), embora tenhamos elenco qualificado.

Esse caudal político aliado às incertezas no futebol é trágico e assusta quem viu o Fluminense na Lama da série C e hoje assiste ao Caos no futebol.

Espero que não tenhamos saído da Lama ao Caos para voltar do Caos à Lama.

 

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Mais vale um Baptista na mão, que dois Renatos voando

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Eu vou repetir o que escrevi tantas vezes sobre evoluções e falhas do Fluminense e de Eduardo Baptista, que se repetiram no jogo de ontem contra o Cruzeiro.

Vou também escrever um manifesto a favor da diretoria, do técnico, do Fred, do elenco e de tantas outras coisas boas que acontecem no Fluminense e que são bombardeadas cotidianamente por sites, blogs, “torcedores”,etc que oscilam entre a burrice atávica e ululante, a canalhice pura e simples ou o impressionismo debiloide, quando não oportunista.

Não é nenhuma novidade que este escriba torce pro Fluminense, pro Eduardo Baptista, votaria na situação se pudesse votar e elege Peter Siemsem como o melhor presidente do Fluminense desde David Fischel. Pode ser até ser considerado melhor que ele porque defendeu sempre os interesses do clube mesmo se para isso tivesse de bater de frente com a Unimed, e Celso Barros.

Celso Barros, que parece que além de ter influência (cof cof) entre torcedores organizados também espalhou suas manoplas para endereços virtuais adeptos de “clipping comentados”, que, pasmem, quase sempre buscam manter agenda negativa permanente sobre a atual gestão.

Torço pelo bom trabalho do Mário Bittencourt, Fernando Simone, Eduardo Baptista, pelos moleques de Xerém, pelo louvável e admirável trabalho de cultivo de Fred como o que é, ídolo, dos maiores que o Fluminense já teve e certamente o maior da história moderna do clube, certamente o maior em trinta anos.

Acho que Mário Bittencourt e Fernando Simone cometeram erros em 2015, mas isso ficou longe de fazer seu trabalho ser desprezível. Além disso, montaram um baita elenco pra 2016 e acertaram enormemente na manutenção do ótimo (sim, vocês leram certo) Eduardo Baptista.

Eduardo Baptista é ótimo, vencedor, em dois anos de carreira tem um estadual e uma dificílima Copa do Nordeste no currículo. Seus times são organizados, ofensivos, compactos. O Fluminense foi assim em 2015, mesmo sofrendo derrotas jogando bem, e caminha para ser um time muito sólido em 2016.

Pra quem minimiza as conquistas na carreira de Eduardo Baptista uma dica: Essa redução a times como Bahia, Sport, Náutico, Ceará, Fortaleza, Sampaio Corrêa, etc a “times pequenos” é xenofobia, burrice, tolice, imbecilidade, preconceito contra o Nordeste, e beira o racismo. Dá nojo, porque é desconhecimento não só da história moderna como da História do Futebol brasileiro em si mesma. O Bahia tinha títulos nacionais antes do Botafogo saber como pronunciar isso.

Muitos que vomitam essas bobagens louvam um Chelsea que na Inglaterra só se tornou realmente grande na etapa contemporânea de sua história, coisa que Bahia e Sport, por exemplo, foram desde sempre.

As pessoas parecem ignorar que o Sport sempre esteve entre os principais clubes do campeonato brasileiro, parecem ignorar que até uma guinada econômica que concentrou recursos de maneira absurda no eixo RJ-SP-Sul, as equipes do Nordeste eram sempre presentes nos nacionais.

Hoje estas equipes se fortalecem economicamente em uma Copa muito disputada, e organizada em torno de um grau de dificuldade enorme, considerando que todas tem nível de investimento similar e precisam ter times com mais organização tática que investimento em medalhões, como via de regra times do Eixo RJ-SP pensam o futebol.

Ou seja, vencer a Copa do Nordeste é muito título. E o Sport a venceu comandado pelo Eduardo Baptista, que também levou ao clube a chegar alto nos dois Brasileiros sob sua batuta, sendo o clube nordestino em melhor colocação desde que os pontos corridos foram implementados.

Eduardo Baptista também tem um estadual, em dois anos de carreira dois títulos. Coisa que NE-NHUM treinador que treinou o Fluminense teve com dois anos de carreira. Sim, em números relativos ao tempo de carreira, Eduardo Baptista é mais vencedor que Cuca, Renato, Abel e Muricy, mas óbvio que a cornetaria tosca, tola ou desonesta não consegue entender isso.

Ontem foi um júbilo. Sofremos com falhas da defesa, sorrimos com acertos do ataque. E um ataque que marcou 16 gols em 6 jogos oficiais. Sim, amigos, DEZESSEIS GOLS é o que o Fluminense marcou em cinco jogos oficiais. Nestes seis jogos o Flu jogou contra Atlético Paranaense, Cruzeiro, Madureira, Volta Redonda, Bonsucesso e Tigres, perdeu dois, empatou um, venceu três, um deles no Mineirão contra o Cruzeiro.

É pouco? Longe disso. Mas é sempre bom pegar os números que muitos usam de forma desonesta contra e invertê-los com uma leitura positiva.

O Flu jogou com Eduardo Baptista cerca de vinte jogos, com mais derrotas que vitórias, porém com mais vitórias nos ditos “jogos Grandes” do que qualquer trinador do Fluminense teve desde que Abel saiu.

Sim, perdemos jogos “normais”, mas via de regra crescemos em clássicos e jogos decisivos.

Isso resolve? Não, precisamos parar de perder jogos “normais”, e Baptista já tem corrigido isso, como visto contra Tigres e Bonsucesso, precisamos melhorar a cobertura à defesa, precisamos arrumar o espaçamento entre as linhas do time.

Mas não saímos do zero, Eduardo já conseguiu transformar o volume de jogo em finalizações e gols. Eduardo também diminuiu a penetração adversária na nossa grande área. O Flu sofre com inversões de jogada, especialmente pegando flancos abertos pelo Giovanni, e os zagueiros sofrem no mano a mano, mas aqueles gols malucos que usavam o espaço deixado pelos volantes e o Deus nos Acuda com as bolas alçadas na área praticamente acabaram.

Sobre Giovanni e Henrique é bom ressaltar que estavam há meses sem jogar, Henrique há um ano, mas o primeiro ainda ficou sem sequer treinar até esse ano. O que isso quer dizer, metade das falhas deles tem o peso da falta de ritmo, e isso tende a diminuir com o tempo. Até porque os desenhos defensivos do Flu em campo são bem sólidos. A equipe se fecha bem quando perde a bola, exceto o flanco esquerdo, que sofre com a falta de ritmo de Giovanni.

Ah, então troca o Giovanni? Não. Léo também não deu solidez aquele lado, e não tem a desculpa da falta de ritmo.

Nosso meio e ataque com Cícero, Diego Souza, Scarpa e Marcos Junior tem sido coletivamente muito bom, admirável, mesmo Scarpa e MJ abaixo do que podem. Diego Souza, cuja contratação em dezembro me soava como um erro 8devido ao histórico dele com o Flu e bobagens ditas), hoje me dá gosto de (re) ver com a camisa tricolor. Que jogador!

Fred e Diego Souza na mesma equipe é um sopro de alegria e esperança pra uma torcida que está há dois anos esperando a redenção.

Ontem a felicidade não ocorreu apenas pela vitória, mas pela postura anímica, tática e técnica da equipe que buscou a vitória mesmo saindo atrás e depois tomando o empate, na casa do adversário, que é o Cruzeiro, que estava no Mineirão.

Minimizar uma vitória sobre o Cruzeiro em qualquer lugar é demência senil, no Mineirão é caso de Síndrome da Vaca Louca.

E Douglas? Douglas foi a síntese do volante moderno, fundamental, enorme.. E só tem 20 anos e veio de Xerém. Precisa dizer mais?

E sim, estou feliz, em delírio, vislumbrando os montes Cárpatos da vitória, o Himalaia dos títulos, os louros da glória.

Porque como já escrevi aqui: ser Tricolor é antes de tudo ser atávico. O Tricolor nasceu da ideia do cósmico como alimento fundamental do cotidiano. Tricolor que não é rodrigueano ou não sabe que todo canalha é magro ou tá em dúvida ou não gosta de futebol ou não é Tricolor.

E nos deixem. Porque quem não rolou uma lágrima, nem uma lástima para socorrer cada tricolor nas dores de oratório do escárnio da opinião pública não tem o direito de sequestrar nossa euforia e nosso amor.

É preciso gritar que transbordando de flores a calma dos lagos zangou-se, a rosa-dos-ventos danou-se, o leito do rio fartou-se e inundou de água doce a amargura do mar de mágoa de uma oposição venal.

Sejamos euforicamente a multidão vendo em pânico e vendo atônita o seu despertar.

As torcidas, os medalhões, a culpa individual e o gol da Alemanha

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Ontem, onze de fevereiro de 2015, teve jogo do Fluminense, o quarto jogo oficial do ano, sendo o terceiro pelo Carioca. Somamos seis jogos no total, dois amistosos e quatro jogos valendo.

Dos seis jogos vencemos um, empatamos dois e perdemos três.

Anotaram a estatística? Pois é, para muitos torcedores basta essa estatística pra mudar o trabalho em Fevereiro. Mas não os vincule à mendicância do resultadismo, pois ofende.

Por que empatamos ontem com o Madureira por 3×3? A explicação óbvia é que tomamos três gols e não fizemos quatro.

Outra maneira de ver o empate é o senso comum que cata o culpado, ou os culpados da vez, e dorme tranquilo no sono fácil dos pouco pensantes.

Não dá pra chiar muito sobre como a torcida reage a empates e derrotas quando a própria imprensa esportiva deseduca a torcida ao ser menos reflexiva e analítica e mais adicta do clique e da audiência fácil.

A imprensa hoje por clique ajuda a torcida a fritar técnicos, aponta menos erros e acertos e vira assessoria de imprensa do imediatismo da torcida.

Não é só no Fluminense, é um fenômeno nacional. Acompanhem os noticiários Brasil afora e exceto Corinthians e Flamengo todos tem técnicos cozidos em maior ou menor grau de fervura de acordo com os resultados. Se o Dorival tá ganhando fica de boa, perdeu? Começa a aumentar o fogo.

Marcelo Oliveira e Argel sofrem há meses com a fritura em seus respectivos clubes e torcida, auxiliados pela imprensa.

Alguns técnicos estão sim devendo em seus trabalhos, mas poucos são os que podem ser cobrados e sofrer com as críticas de que estão devendo.

Com menos de seis meses fica difícil dizer que um treinador fracassou em um clube, com três meses então fica impossível, com três meses intercalados por um mês de férias é até sacanagem.

No caso do Fluminense, Eduardo Baptista é alvo da demência senil do resultadismo em estado grave.

Há explicações menos óbvias para os baixos números de vitórias de Eduardo Baptista, assim como para o empate contra o Madureira.

Primeiro temos de pensar que o trabalho de Eduardo Baptista, já escrevi aqui sobre isso, começou praticamente em Outubro de 2015, ele entrou em vinte e sete de Setembro.

Em Outubro e Novembro Baptista encarou quartas e semifinais de Copa do Brasil e os jogos finais do turno do Brasileiro. Foram onze jogos pelo Brasileiro, com quatro vitórias, seis derrotas e um empate. Pela Copa do Brasil foram dois empates, uma vitória e uma derrota na semifinal contra o Palmeiras.

Nesse meio tempo Eduardo teve a perda dos laterais esquerdos, de Fred, de Gérson (Decisivo contra Vasco e Palmeiras, pelo menos..), além de sofrer com um elenco muito jovem e afobado, embora tecnicamente forte, com a má fase do Gum, com as maluquices do Wellington Silva, a má forma física do Jonathan e a própria desmotivação do elenco depois de ter se livrado de qualquer sombra de rebaixamento.

Pausa pras férias e voltamos com fome. A torcida ainda desconfiada pelos resultados viu nos reforços a solução de todos os problemas. E veio Janeiro, a Flórida Cup e perdemos pro Inter, aumenta-se o fogo de novo, com auxílio luxuoso de rádios e TVs que todo dia falam de Eduardo como se nada de bom ocorresse.

Nova derrota pro Atlético Paranaense, outra pro Volta Redonda, uma vitória contra o fraco Bonsucesso e um empate contra o Madureira.

Pronto, lendo isso metade dos leitores já deve ter pego suas tochas e forcados pra expulsar o demônio do banco do Fluminense, certo? Mídia e portais fazem a festa jogando gasolina nessa fogueira. A contagem regressiva começa, diretoria é pressionada via redes sociais e por conselheiros. Está feita a crise no Fluminense.

Crise em qualquer clube é bom pros negócios, pensa o Editor do portal especializado em esportes.

Pois bem, o que tudo isso significa? Primeiro que torcida e mídia reclamam dos 7×1 contra a Alemanha, mas esquecem seus papéis nessa goleada.

Cobram modernidade, mas não dão tempo pros treinadores trabalharem, ignoram fatores fundamentais como falta de ritmo de jogo, de melhor preparo físico em início de temporada (Neste caso também em fim de temporada, o que aflige Baptista duas vezes), de falta de entrosamento, etc.

Via de regra ignoram também que sistemas defensivos demoram mais a funcionar que sistema ofensivo. Marcar é muito mais difícil do que parece.

Nenhum técnico organiza um time em três meses, ainda mais com mudanças no elenco e férias entre o segundo e o terceiro mês. Agrava o problema quando os jogadores disponíveis para essa organização sofrem as contusões normais de início de temporada.

Sistemas defensivos dependem de coordenação entre as peças, o meio e o ataque, no caso do Fluminense o meio e a defesa mudaram quatro vezes desde que se iniciou a temporada.

A defesa foi formada por Gum e Henrique, Renato Chaves e Marlon, Henrique e Marlon. Ayrton, Leo e Giovanni foram os laterais esquerdos. Edson, Pierre, Douglas e Cícero se alternaram como volantes. Diego Souza estreou ontem, ainda fora de ritmo, por motivos óbvios, e já teve de jogar de segundo volante por emergência e necessidade do time e do placar.

Nenhum técnico nessas circunstâncias consegue o óbvio pra que resultados cheguem: Regularidade.

Na frente perdemos Felipe Amorim e Richarlison por contusão, excelentes possibilidades de alteração ofensiva.

E não há nada de bom no trabalho de Eduardo Baptista? Jura? Claro que há, mas se os resultados não vierem a média burra da torcida, a grande maioria, jamais pensará nisso.

E farão isso com medalhões também, mesmo sendo o fetiche por medalhão o eixo mor dos problemas que técnicos como Eduardo Baptista enfrentam no início de suas carreiras.

O medalhão às vezes só ganha mais paciência porque a grife intimida. Ninguém sequer sabe a diferença entre o Levir e o Aguirre ou o Argel e o Eduardo ou entre Tite e Cuca ou Roth.

Se perguntar qual a diferença tática entre eles tergiversam e falam de outra coisa. Porque também tem isso, debate algum flui hoje porque as pessoas quando confrontadas em seu senso comum usam o artifício retórico da livre associação em random.

Eduardo Baptista conseguiu no fim de 2015, como time hipermotivado pela Copa do Brasil, uma compactação excelente do time do Fluminense, duas linhas de quatro coladas praticamente que avançavam com boa troca de passes até a bola chegar em Fred. Time com boa amplitude, com saída de bola eficiente feita pelo Cícero com ajuda de Scarpa e Marcos Junior.

O Fluminense perdeu vários jogos jogando bem em 2015, apresentando problemas na cobertura da zaga pelos volantes, problema crônico desde que Abel saiu do Fluminense (Abel que em 2011 era fritado com dois meses de trabalho).

Em 2016 o Fluminense ainda não conseguiu apresentar o melhor de 2015 com Eduardo Baptista, só apresentou o pior.

Investigar o pior é mais complexo do que fritar o técnico, eu sei, mas é interessante analisarmos os motivos pelos quais as linhas de quatro defensivas ainda não se acertaram.

É interessante também observarmos o lado bom, porque ofensivamente melhoramos na conclusão, com muito mais finalizações que antes, e como encorpamos ofensivamente do meio pra frente.

Bem, a explicação pro sistema defensivo ainda falhar é até simples: Muitas trocas na zaga e no meio de campo defensivo, aliadas à ausência da melhor forma física e de ritmo de jogo do elenco como um todo.

Eduardo Baptista deu chances a Edson, Douglas e Pierre como volantes, além de recuar Cícero e avançá-lo.

Edson foi muito mal na parte defensiva, embora tenha melhorado a saída de bola.

Douglas e Pierre foram bem, mas com a entrada de Diego Souza Douglas foi o escolhido para sair, dado que Cícero foi excelente como segundo volante em 2015.

Bem, Pierre melhorou muito a marcação e vem surpreendendo pelo passe. Sua dupla com Douglas foi bem, fortaleceu a parte defensiva. Cícero ainda não reeditou o seu melhor, mas com o tempo deve reeditar.

A saída de Douglas era necessária porque Danielzinho hoje é o melhor jogador do meio de campo.

E é preferível o ganho de qualidade na criação proporcionado pelo Daniel do que o ganho de marcação proporcionado pelo Douglas no longo prazo.

Por quê? Porque Diego Souza e Cícero tendem a fortalecer essa mesma marcação juntos quando alcançarem sua melhor forma. Lamento, no entanto, informar que isso não ocorre magicamente.

Talvez a formação ideal seja a entrada de Douglas no lugar de Pierre, mas essa formação também precisaria de tempo.

Na zaga a melhor formação hoje é Henrique e Renato Chaves. Marlon vem falhando muito e expondo o lateral esquerdo. Só que Renato Chaves se contundiu.

Wellington Silva é o melhor lateral direito do elenco, por mais que doa escrever isso, e defensivamente não vem comprometendo tanto. Ofensivamente é hoje uma de nossas melhores armas.

E taticamente? Taticamente temos melhorado ofensivamente e estamos com problemas na recomposição defensiva, os zagueiros, por isso, ficam mais expostos. E isso, pasmem, é natural em início de temporada.

A gente até ajuda aos torcedores informando que os jogadores em férias perdem ritmo de jogo e ficam fora de forma. Quem sabe eles aprendem num dia.

O time busca melhorar a compactação, mas o desenho defensivo de duas linhas de quatro coladas tá lá.

Essas linhas se reorganizam ofensivamente com muita movimentação de Scarpa e Daniel que saem do campo defensivo para o ataque, saindo da recomposição com marcação pelas laterais para atuar como peças em movimentação diagonal no campo ofensivo, alternando presença na ponta com os laterais.

A troca de passes vem melhorando, garantimos posse de bola e isso se reflete ofensivamente com maior número de gols do time. Só que ainda é preciso ajustar a marcação e a cobertura, o que normalmente ocorre com o tempo.

Henrique é o único zagueiro em sua melhor forma, e ontem mesmo fez desarmes fundamentais só possíveis por estar bem fisicamente. Marlon está irreconhecível, mas também sofreu problemas físicos e perdeu treinos, o que em início de temporada é complicado. Giovanni voltou a jogar semana passada, depois de meses parado, e apresenta problemas na recomposição defensiva, o que deve melhorar quando ganhar ritmo e melhorar a forma física. Leo e Ayrton não estão bem defensivamente.

Perceberam os fatores que complicam o sistema defensivo?

Então, a culpa é de quem pelos maus resultados? Do tempo e da falta de paciência.

Com tempo e paciência a melhor forma volta, o time se reajusta em campo e os resultados vem. Agora, com fritura de técnico a cada três meses não vem nada.

Mas claro, pra torcida basta a magia de trocar um bom técnico emergente por qualquer medalhão, mesmo os de gosto duvidoso.

E gol da Alemanha.

PS: O terceiro gol do Madureira foi puro desleixo coletivo.

 

Demitir Eduardo Baptista é tolo e tosco: Nosso objetivo é Brasileiro e Copa do Brasil.

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Por Gilson Moura Henrique Junior

Há algum tempo cada jogo do Fluminense é um entrevero.

Há em toda a torcida talvez menos que a expectativa de vencer e mais a expectativa de como reclamar do time.

Sim, há motivos pra reclamar, como também há motivos para festejar.

Só que pra parte da torcida a saída mais fácil tem sido esperar o pior pra exercer o sagrado direito de cornetar e pedir substituição de técnico, seja ele qual for.

Não, não são apenas as “apostas” como Eduardo Baptista que sofrem com isso. Abel, Muricy, todos sofreram. E não, não precisa vir de sequência negativa ou anti clímax como Cristóvão e Eduardo Baptista, basta não começar o ano voando (coisa que nenhum time faz).

A pressão insana hoje é contra Eduardo Baptista e abundam “motivos”:

  1. Há alegação de que há falta de padrão de jogo.

  2. Há alegação que ele perdeu todo o segundo turno do Brasileiro de 2015.

  3. Eduardo tem péssimo retrospecto.

  4. Há alegação que Eduardo não joga futebol de qualidade.

  5. Há a alegação de falta de currículo.

Há outras alegações, mas estas são as centrais.

Bem, acho complicado dizer que o time não tem padrão é de doer. Padrão tem, você pode até não gostar dele, mas tem.

O Fluminense há tempos não sofre com uma pressão absurda do adversário na sua área. Eduardo Baptista fez sim um sistema defensivo mais sólido que seus antecessores, desde Abel. A questão é que defensivamente não basta organizar um bom sistema, é preciso organizar as peças melhores para executar suas funções.

No Fluminense há uma falha crônica na cobertura do flanco direito por zagueiros e volantes. O lateral se manda, o zagueiro parte pro primeiro combate e o volante não cobre. Acho que chutar uns 90% dos gols que tomamos saindo disso não seria maluquice.

No ataque o Fluminense ocupa o campo adversário e garante todo jogo no mínimo 52% de posse de bola, conclui mais que o adversário, mas invariavelmente conclui mal, erra mais finalizações do que acerta. Esse erro é tático? Na maioria das vezes não.

Nem há profundo erro tático na cobertura como menos ainda nas finalizações.

No ataque o erro tático está mais em priorizar as laterais, o correto, sem maior busca de triangulações centrais, assim o Fluminense se torna marcado, dado que basta marcar os jogadores que ocupam o miolo da área, encher ali de defensores, e mata a maior parte de nossas jogadas ofensivas.

Na defesa o erro tático é talvez o uso de um volante para efetuar a cobertura da zaga. Ou talvez não seja erro tático, mas de escalação. Pra mim o ideal é usar um zagueiro que saiba cumprir as funções de volante, como Henrique ou Marlon, para melhorar a cobertura.

Mas o padrão tá ali: Defesa alta, laterais ofensivos, saída de bola pelo chão, controle de posse de bola, priorização das jogadas pelas laterais, bola circulando todo o campo procurando brecha na defesa, recomposição defensiva com duas linhas de quatro, e dependendo do caso até de cinco. O padrão tá ali. E é um time ofensivo.

Só que o time ofensivo, dentro da concepção tática de Eduardo, precisa estar em seu melhor técnico pra funcionar. E se essa melhor formação técnica não terminou o ano no auge, pela perda de jogadores, contusões, etc, é impossível de exigi-la em janeiro, com a falta de ritmo dos jogadores, pelo fato de estarem longe da melhor forma física, com o entrosamento e a ausência dele a partir da chegada de novos jogadores, e a demora de peças fundamentais, reforços pontuais para a correção de falhas do elenco, entrarem em campo.

Ou seja, o padrão tático do Eduardo é claro, existe, está em campo, o que falta é juntar isso a uma melhoria técnica que tende a vir com entrosamento e ganho de forma física e ritmo de jogo pela equipe.

O detalhe do Fluminense não ser hoje um time que sofre enorme pressão adversária, ou seja, o Flu hoje não é como o Fluminense de Cristóvão que sofria com pressões na sua área até de adversários muito inferiores, é crucial.

A alegação que ele perdeu todo o segundo turno do Brasileiro de 2015 é demente. Eduardo chegou em 27 de Setembro. Jogou onze jogos no Brasileiro, perdeu seis, venceu quatro, empatou um.

Ao mesmo tempo dividiu atenção com o foco principal: A Copa do Brasil, e quase nos levou à final.

Juntar a esses onze jogos os jogos de início de temporada de 2016, ainda mais com a remontagem de elenco com as chegadas e partidas, chega a ser desonestidade intelectual.

Alegam que ele teve 19 partidas e isso já deu pra organizar o time. Mas que time, é realmente o mesmo time de 2015? Não, não é. Até porque é fundamental que se ajustem peças novas onde as do time de 2015 falhavam, e continuam falhando. Fora as perdas no meio, cujos substitutos devem ser treinados e se entrosarem.

Nossos volantes em 2015 que funcionaram melhor eram Jean e Cícero ou Pierre e Cícero. Hoje temos Edson e Cícero. Edson que nunca funcionou bem como primeiro volante, mas hoje tem atuado melhor que Pierre pra qualificar a saída de bola.

Gérson, perseguido pela torcida, foi decisivo em vários jogos ano passado, além de fazer rodar a bola como poucos. Quem o substituiu foi Daniel, que é novo de tudo e está se entrosando com a equipe. Quando puder quem o substituirá será Diego Souza, que tem outras características, que roda menos a bola, carrega mais, vira menos o jogo. E tudo isso precisa ser entrosado.

E reorganizar a equipe com os reforços demora mais que quatro jogos. A retomada de ritmo de jogo coletivo também.

A alegação que Eduardo não joga futebol de qualidade esbarra no conceito de qualidade.

Porque noventa por cento das pessoas confunde qualidade com resultado.

Sim, se o time ganhar de 1×0 às vezes é visto mais com qualidade do que ocupar o campo do adversário 80 minutos, mas perder porque dormiu em dez.

O Fluminense fez excelentes partidas contra Grêmio e Palmeiras na Copa do Brasil. Jogou bem, e perdeu, contra Atlético Paranaense e Chapecoense, e venceu jogando muito bem contra o SPFC no Brasileiro. E nas duas piores partidas do segundo turno, contra o Vasco e o Avaí, venceu.

Nas partidas contra Inter e CAP em 2016 o Fluminense fora de ritmo de jogo fez o que vem fazendo: Dominou o jogo, mas tomou um gol em falha da defesa e perdeu.

O jogo contra o Volta Redonda foi profundamente atípico. O time jogou mal o primeiro tempo e em duas falhas, idênticas, tomou dois gols. Quando estava muito melhor no segundo tempo teve um jogador expulso. E o Fluminense estava muito melhor inclusive em relação às atuações anteriores no ano. Dominou o jogo e conseguiu finalizar de forma absolutamente inacreditável contra o Voltaço. A quantidade de escanteios foi absurda. O Fluminense ficou praticamente trinta minutos na área adversária. Perdeu, mas fez um baita segundo tempo.

E ai dizem que o time não tem vontade de vencer.. Oi? Como assim?

Pedir pra um time em janeiro já jogar bem é esquecer a vinda das férias, início de treinamento, etc, a observação tática tem de perceber avanços e recuos, erros e acertos.

Dizer que o Flu não apresenta bom futebol, contextualizando estar em início de temporada, e que falta padrão pra mim, me desculpem, é miopia.

E por fim há a alegação de falta de currículo.

Essa é pra mim a mais estúpida das razões. Primeiro porque currículo é relativo, o péssimo Celso Roth tem currículo similar ao do ótimo Cuca. Segundo porque há uma certa tolice em achar que ser Campeão da Copa do NE e campeão Pernambucano é ser menos campeão do que ser campeão Carioca.

Tem uma babaquice meio xenofóbica contra nordestino ai, uma arrogância típica de quem não entende patavinas de futebol e de rivalidade, contexto financeiro, de elenco, etc.. Tem também a mania de achar que o campeonato Carioca por ter “quatro grandes” é melhor que o campeonato Pernambucano, mesmo esse tendo três grandes, porque consideram que gigantes só os temos no RJ.

Vamos analisar? O Pernambucano tem mais times das séries B, C e D que o Carioca. O Pernambucano de 2015 tinha um time da Série A, Dois da B e ao menos um da C. A Copa do Nordeste tinham sete clubes da série B em 2015, ao menos um da C.

E o Carioca? O Carioca 2015 tinham três clubes da série A, um deles que tinha acabado de subir da B e voltou pra lá, o Botafogo e o Macaé na B, caiu pra C, o Madureira na C, caiu pra D. E diversos clubes sem série no Brasileiro.

Parece-te mesmo que o Pernambucano e a Copa do Nordeste são torneios tão menos complicados que o Carioca?

Ou seja, currículo Eduardo Baptista tem, um regional e um estadual. Algo que o Cuca em 2011 não tinha.

Em resumo: Essa sanha de demitir Eduardo Baptista, e outrora de demissão de Cristóvão, etc, é uma monomania tricolor que tem muito pouco de análise e muito de querer cabeças.

Se olha pouco, se analisa pouco, se tem pouca paciência e sim, se vive de cafetinagem de resultados.

A torcida entrar nessa é triste, tosco, mas é do jogo, blogueiros viverem nessa caça de clique sustentada pelo desespero imediatista é que chega a ser abjeto.

O Fluminense precisa de tempo, paciência e esmero pra que ao menos de março em diante estejamos prontos pra nosso objetivo principal: O Brasileiro.

Acredito que hoje Eduardo Baptista é o treinador perfeito pra construir esse projeto. Elenco ele tem hoje. Precisa de apoio, da diretoria e da torcida, menos fome estúpida, grosseira e intolerante por resultado e mais planejamento, calma, astúcia e análise.

A não ser que o objetivo tricolor seja permanecer líder do recorde de demissão de técnico.