O novo Flu 2016

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Por Gilson Moura Henrique Junior

A cara do Fluminense 2016 se desenha a cara de Eduardo Baptista.

Nos dois jogos da pré-temporada até agora, EB desenhou um time com algumas variações táticas novas, mas com a presença do controle de bola, do jogo de posse de bola, da troca de passes em velocidade e presença constante no ataque, com pressão na saída de bola do adversário e muita concentração.

As linhas defensivas se fechavam com bastante competência tática e a saída de bola a partir da zaga e de pé em pé chegando até o ataque foi executada com bastante eficiência.

Claro que o elenco ainda está se (re) conhecendo, se (re) adaptando às orientações do técnico, reforços centrais (vide a participação nos jogos) como Diego Souza, estão longe do melhor ritmo de jogo e da melhor forma.

Henrique e Renato Chaves entraram juntos apenas no segundo jogo, e no segundo tempo, contra o Internacional de Porto Alegre. Henrique anteriormente jogou os minutos finais contra o Shaktar Donetski. Ambos forma muito bem substituindo a dupla titular Marlon e Gum.

Richarlison, jovem de dezoito anos que foi comprado a peso de ouro como substituto de Fred, encheu os olhos com a técnica refinada e boa chegada na área.

Ofensivamente estamos como mesmo problema de antes: chances são criadas a balde, mas as conclusões deixam a desejar. Nesses primeiros dias de temporada estes erros, mesmos sendo repetidos desde o ano passado, são normais.

Defensivamente também cometemos a mesma falha. Se na ala esquerda da defesa temos ampla cobertura defensiva e qualidade individual, do lado direito há um problema que já está se tornado histórico.

Se Wellington Silva e Gum não são o primor de técnica que sabemos que não são, o meio pela direita também não contribui. A maior parte dos gols que sofremos ocorre por falha de cobertura pela direita do primeiro combate efetuado pela esquerda.

Via de regra Gum e Wellington Silvas juntos costumam a efetuar a cobertura juntos, alinhados, ou seja, driblou um driblou os dois. Essa falha tende a ser corrigida com a entrada de Henrique ou Renato Chaves na vaga do Gum (aposto no primeiro), até porque Wellington Silva rendeu melhor com Henrique na zaga, ou seja, Henrique se posiciona de forma a corrigir falhas de Wellington Silva, como todo zagueiro deve fazer.

No entanto, é de se observar a constante falha de posicionamento defensivo do volante Edson e as “coincidências” de vários gols que sofremos com ele ocupando a posição de volante. No jogo contra o Internacional pela Flórida Cup mesmo, Edson falhou no gol, não marcando Sasha e o acompanhando até a zaga, como também falhou em outra jogada em que o Sasha concluiria livre se Henrique e Renato Chaves não tivessem boa recomposição defensiva.

Edson só melhorou quando começou a jogar numa espécie de posicionamento junto aos zagueiros, inclusive sendo responsável pela saída de bola com Henrique e Renato Chaves bem abertos gerando quase uma primeira linha defensiva com três zagueiros e depois seguida da linha de volantes com Cícero e os dois laterais e dos meias e pontas organizados todos em um 3-3-3-1 (com Marcos Junior ocupando a posição de atacante enfiado no momento dessa organização tática).

Edson jogou bem nos minutos que ocupou essa função, depois foi substituído pelo Douglas, que também correspondeu.

Eduardo Baptista já havia ensaiado esse desenho tático em 2015, com Pierre ocupando a posição e a função que Edson e Douglas cumpriram, mas Pierre não se saiu tão bem na parte da saída de bola, sendo melhor, no entanto defensivamente.

Esse desenho indica que temos novas variações táticas treinadas e isso é muito bom.

Ao fim e ao cabo é cedo demais para exigirmos do novo Fluminense a eficiência necessária. Quem acompanha futebol inclusive entende que por melhor que seja um conceito, ele não corrige naturalmente erros coletivos trazidos do ano passado.

Eduardo Baptista tem apenas dezesseis jogos pelo Fluminense, treina o time desde setembro. Pegou uma equipe em profunda crise técnica, tática e emocional e quase a levou ao título da Copa do Brasil. Eduardo Baptista inicia 2016 com uma equipe reforçada em todas as posições que necessitava e já a desenha de forma eficiente com indícios de uma equipe que finalmente disputará títulos.

Exigir desta equipe e do técnico uma eficiência total nos primeiros jogos da temporada beira a estupidez.

As torcidas normalmente beiram a estupidez, ciceroneadas por uma imprensa esportiva pouca afeita ao estudo e à observação e muito amiga do semear boatos e regar paixonite cega com boas doses de senso comum.

Portanto, essas reações da torcida do Fluminense são normais, afinal a torcida do Fluminense é como boa parte das torcidas de futebol preferem sempre técnicos medalhões, mesmo se eles forem tão anacrônicos quanto o uso de Chapéu Panamá.

A questão é a diretoria ser realmente profissional e sustentar o técnico, por mais que as cornetas soem altas.

Porque acredito que antes de Março já teremos uma equipe que nos encherá os olhos.

E Fred ainda nem jogou.

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