FFERJ e CBF: O dia dos Mortos

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Por Gilson Moura Henrique Junior

FFERJ e CBF estão em profunda crise. E seus dirigentes margeiam o bom senso ao tentar e retentar manobras que os sustentem no poder e prejudiquem qualquer movimento e de modernização do futebol.

Agora, após o indiciamento do atual (ex)presidente da CBF pelo FBI, nos EUA, Marco Polo Del Nero tenta eleger um vice presidente que mantenha tudo em Famiglia , subitamente um vice mais velho que Delfim Peixoto, pois

Tudo o que a cúpula da CBF não quer é permitir que Delfim de Pádua Peixoto assuma a presidência. O catarinense transformou-se num inimigo declarado de Del Nero e é um dos entusiastas da criação da Primeira Liga (que reúne times da região Sul, de Minas Gerais e do Rio)”.

E a primeira liga não liga e vai lançar também um candidato a vice,pois de forma inédita a eleição ocorrerá com o colégio eleitoral ampliado “pois participarão, além das 27 federações e 20 clubes da Série A, os 20 representantes da Série B, totalizando 67 votos”.

O bonito é que na convocação para as eleições ocorrida nesta sexta-feira “os presidentes do Rio Grande do Sul, Francisco Noveletto, Rio Grande Norte, José Vanildo, e Santa Catarina, Delfim Peixoto, não participaram do encontro.”.

E eis que não é só isso que ocorreu hoje divulgam que “Ferj aprova artigo que tira dinheiro da TV da dupla Fla-Flu e bane clubes de torneios”.

Na íntegra do texto se descobre que:

Por decisão unânime, as agremiações vão levar multa correspondente ao valor da cota integral de televisão e serão proibidas de disputarem todas as competições das categorias de base. A medida atinge diretamente a dupla Fla-Flu, que pretende disputar a Liga Sul-Minas-Rio, competição ainda não incluída no calendário oficial da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

No entendimento dos outros clubes, a medida visa evitar que alguns clubes insatisfeitos depreciem o Campeonato Estadual do Rio de Janeiro, que ficaria enfraquecido com a escalação de equipes alternativas do Tricolor e do Rubro-Negro.”

Não é bacana?

Qual o problema das duas ações?

Pros clubes pouco ou nenhum.

No caso da CBF o vice presidente da confederação pode ser Mano Joca do Salgueiro que ao fim e ao cabo pela remodelação imposta a partir das denúncias contra FIFA e CBF a reorganização do futebol a partir dos clubes se torna mais que um movimento possível, vira movimento tectônico.

A Primeira Liga amparada pela lei Pele, STJD, opinião pública e mercado já está na rua e não há nada em lugar nenhum que a torne ilegal. Não precisa explicar muito pra qualquer um entender que o estatuto da CBF não tem poder de lei e tem de se adaptar à Lei Pelé e suas regulamentações.

Aliás, ao incluir os quarenta clubes da primeira e segunda divisões no colégio eleitoral ela já o faz, ou seja, também reconhece na Lei Pelé autoridade legal para alterar seu próprio estatuto. Não podendo a partir de seu estatuto negar funcionamento à qualquer liga.

Sob o ponto de vista das ações da FFERJ, o “regulamento” hoje aprovado, além de ilegal, abre flanco para ações na justiça desportiva e no âmbito cível.

Segundo o CBJD, Página 30, na Seção VIII :Da Suspensão, Desfiliação ou Desvinculação Impostas pelas Entidades de Administração ou de Prática Desportiva:

Art. 111. A imposição das sanções de suspensão, desfiliação ou desvinculação, pelas entidades desportivas, com o objetivo de manter a ordem desportiva, somente serão aplicadas após decisão definitiva da Justiça Desportiva. Parágrafo único (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§1º A decisão administrativa expedida para aplicação de suspensão, desfiliação ou desvinculação imposta pelas entidades de administração ou de prática desportiva será homologada pelo respectivo Tribunal (STJD ou TJD), mediante remessa de ofício.”

Ou seja, a FFERJ não pode via regulamento de competição suspender clube nenhum.

Pra piorar ela abusa de poder, o que no CBJD prevê entrada de mandado de garantia, em sua página 28:

Art. 88. Conceder-se-á mandado de garantia sempre que, ilegalmente ou com abuso de poder, alguém sofrer violação em seu direito líquido e certo, ou tenha justo receio de sofrê-la por parte de qualquer autoridade desportiva.

Parágrafo único. O prazo para interposição do mandado de garantia extingue-se decorridos vinte dias contados da prática do ato, omissão ou decisão.”

E tudo isso indo na contramão do que o movimento de limpeza do futebol faz internacionalmente, em suas devassas, atingindo até as televisões, que para obterem direitos pagavam propina.

Enquanto isso a Primeira Liga negocia direitos com as TVs, permite ganho de receita por parte dos clubes, o que ameaça as federações que lucram muito mais do que os clubes com seus estaduais.

E a FFERJ apela para um desconhecimento do próprio arcabouço legal que sustenta o futebol para manter autoritariamente, expondo parte de seus afiliados à cumplicidade em dano moral e material a Flamengo e Fluminense (além de irem contra o CBJD, lei Pelé e Estatuto do Torcedor) um controle sobre o que já sequer enxerga.

Ah, a aprovação do regulamento novo da FFERJ foi por unanimidade,exceto Fla e Flu? Um condomínio decidir por unanimidade que espaçonaves australianas de Marte podem pousar no telhado não o torna competente para determinar legalmente esta autorização.

Claro, esse movimento da FFERJ é feito para que as chapas de oposição em Fla e Flu ganhem terreno a partir do discurso do medo.

O movimento da CBF é impedir que um desafeto,aliado a clubes, assuma o poder, esquecendo-se que os próprios clubes se movimentam para ao menos dar trabalho à manobra.

E tudo isso funciona como se múmias tentassem correr a maratona.

Porque ao fim e ao cabo o que está em andamento é uma reorganização econômica do futebol em paradigmas capitalistas. É o mercado cobrando seu preço a clubes e à detentores de direitos de transmissão de TV e dizendo: Amigo, aqui é lucro!

Não à toa o Estado Estadunidense é capitão da empreitada, secundado por meio mundo, Brasil inclusive, que procuram a partir das ações do FBI desmontar o esquema mafioso de confederações e Federações no controle cartorial do futebol.

A entrada do Procurador Geral da República no jogo, a própria CPI do Futebol no Senado, tudo isso aponta para uma devassa no futebol de monta similar à operação Lava Jato.

Lembrando que isso tudo ocorre junto ao surgimento da Primeira Liga, com o apoio da autoridade máxima da justiça desportiva, o STJD.

O futebol respira diante de uma mudança estrutural via mercado.

O próximo passo é torná-lo democrático,transparente e popular,concretamente popular.

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