E a calma dos lagos zangou-se.. Mais um texto sobre o Fluminense

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O Fluminense me domina,é fato.

De tal forma que até musicalmente desenho suas trajetórias em canções que seriam dele, o Fluminense, se ele gente fosse.

Ao Fluminense dedico especial lugar na formação do que sou e como vejo o mundo, deixando entre e lógica e a fidalguia um quê sanguíneo que permeia a esperança e a fé verdemente ecológica num futuro promissor.

Do Fluminense tudo espero e nada duvido, guardo inclusive em mim a certeza tricolor de não sofrer do coração e que tudo, absolutamente tudo, é possível.

Diante disso tentei mal traçar algumas linhas sobre a magra e amalucada vitória sobre o Paysandu na quinta-feira 20 de agosto de 2015, porém não deu.

Não deu porque há nesta vitória componentes demais de ficcionalidade, drama e História que a lógica tacanha, números e táticas não sabem medir, imagina letras e palavras.

Não dá pra explicar o que vi, menos ainda o que senti ontem.

Seremos campeões? Pra mim sim, seremos campeões.

Por que seremos campeões? Não tenho a menor ideia.

Só sei que ontem sabia que venceríamos quando tomamos o gol de Pikachu. Ontem me vi entre 2015, 1984, 1995, 2008 e 2007.

Jogamos muito mal? Ô, mas vencemos com o sangue encarnado, com amor e com vigor.

Não foi fácil, como nunca foi fácil vencer o Papão, mas foi Fluminense.

Não temos nunca time dos sonhos, jamais somos favoritos para os boquirrotos explicadores da imprensa escrita e escarrada.

Nossos jogadores nunca são os melhores, nosso técnico é sempre cego, inclusive pra nós, mas tá lá o gol final aos quarenta e tantos tempos de muito suor.

R10 nunca joga bem (Mesmo sendo genial várias vezes e dando passes adocicados que podem decidir os jogos); Fred não se move (Mesmo seu mapa de calor o colocando em todos os lugares do campo); Nossa tática é uma bosta (Mas mesmo passando dificuldades e remontando time, avançamos); Nosso elenco é meia boca (Mesmo sendo numeroso, rico em opções,exceto nas laterais, apesar de Xerem). Esse é a crônica esportiva média diária.

Mas, apesar de tudo isso, sempre haverá um Renato a chutar aos quarenta e oito minutos a bola que nos dará a vitória.

E vence o Fluminense, com o verde da esperança. Apesar de tudo, de todos.

E seguimos, porque o Fluminense parece que não sabe onde está indo, mas sabe que está no seu caminho (Valeu Raul!).

Porque o Fluminense foi tratado como um louco, enrolado feito um bobo, tratado feito um gato de calçada, um mendigo da rua, um cão de botequim, escapou das armadilhas e agora está aqui e sabe: O pior dos temporais aduba o jardim! (Valeu, Sérgio Sampaio!).

E pela frente temos um longo e duro caminho. Precisaremos de toda nossa história para superá-lo.

E então, inspirados por Chico Buarque, faremos numa enchente amazônica, numa explosão atlântica, as multidões verem, em pânico e atônitas, nosso despertar!

Pois a calma dos lagos zangou-se.

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O Fluminense será campeão Brasileiro de 2015, mesmo se não for.

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O Fluminense será campeão Brasileiro de 2015, mesmo se não for. Até porque independe da lógica a ilógica da torcida.

O que não precisa é independer do bom senso ou da visão dos jogos em si. O que não precisa é brigar com números,agir que nem criança mimada que perdeu o pirulito,pedindo cabeça de técnico, queimando jogador, falando mal do que não vê e se visse estranharia.

De “Gerson: Herói ou vilão?” a “demitam Enderson Moreira”, passando por “Cavalieri é um lixo!”, a torcida tricolor ignora o desejo de torcer e ser passional pra ligar o foda-se analítico travestido de racionalidade.

Ou se chuta o balde do bom senso ou se raciocina e analisa,catzo!

Pagar de analista queimando Gerson,um dos melhores jogadores do time no campeonato, porque ouve a torcida dizerque ele é “lerdo, lento e joga sem vontade”, mesmo sendo um dos líderes de desarmes é de uma estupidez atroz.

Aliás, o lugar comum do “faltou raça!” é a muleta da pouca inteligência de quem acha que só se perde pra si mesmo, que o Fluminense jamais tem adversário ou juiz errando contra. Sempre falta raça? Então aqueles jogadores se fodendo de tanto correr, mesmo jogando mal, é ilusão?

Achar-se o máximo ao dizer que Gum é um lixo, ou Wellington Silva ou Antônio Carlos ou Henrique, sem olhar a origem do problema defensivo é outra mulice. Metade dos gols nasceram de falha de marcação no meio, natural em remontagem de elenco.

Tratar Enderson Moreira como imbecil por tirar Ronaldinho Gaúcho, cansado e por isso inútil, pra por mais um zagueiro quando o adversário tinha três atacantes contra dois defensores,outra.

E ainda tem a livre associação do raciocínio quando esquece, basicamente, que o Fluminense remontou o elenco duranteo campeonato, substituindo um meio campo composto de garotos por um meio campo mais lento, mais experiente e mais talentoso, com R10, sem contar desfalques como Vinícius, Fred, Giovanni.

Fred, liderança técnica e anímica, só retorna agora no jogo de domingo 16/08/2015, contra o Figueirense.

Mas qual o quê? Pra torcida tricolor já não faz diferença, piora quando ela é “animada” com “colunistas críticos”que conseguem ignorar o talento de um garoto de 19 anos líder em assistências, sexto em desarmes (só perdendo pra zaga e volantes) eu tratam como “lixo”, “já vai tarde!”,e babaquices afins.

Ah, a mimadice ainda joga a possibilidade de título pela janela na 18ª rodada, nós a seis pontos da liderança, porque “perdemos demais”.

Claro, o povo sofre de Alzheimer seletivo, ignora trocentas arrancadas (Fla campeão em 2008, SPFC campeão em 2008, Grêmio 2010 e Fluminense em 2011 que quase foram campeões, mas sairam de próximo do décimo ao terceiro lugar em um turno), além de cair cedo demais nas análises impressionistas da maior parte da crônica esportiva.

Tem muita rodada pela frente, muito reentrosamento e muita reorganização do Flu e das demais equipes. Haverão quedas entre os líderes,recuperações entre os não tão bem colocados e por ai vai.

Existem times incensados com elenco curto. Existem times desprezados com elenco pronto pra surpreender. Existem times com elenco grande, mas frágil e desequilibrado.

Pontos corridos é arco dramático, não longa-metragem de uma hora e meia.

E independente disso o Fluminense será campeão Brasileiro de 2015, mesmo se não for, por trocentas razões lógicas e milhares de razões ilógicas.

O Fluminense será campeão Brasileiro de 2015, mesmo se não for porque quem não viu em Scarpa o milagre da multiplicação dos peixes é um fariseu.

O Fluminense será campeão Brasileiro de 2015, mesmo se não for, porque ver Marcos Junior ajoelhado sobre o escudo do Flu após um gol milagroso é de fazer cobra chorar.

O Fluminense será campeão Brasileiro de 2015, mesmo se não for, porque Kennedy era chamado de pereba e virou jogador pra cacete.

O Fluminense será campeão Brasileiro de 2015, mesmo se não for, porque ver Gerson sendo repetidamente decisivo aos 19 anos, mesmo sob desprezo idiota de parte bovina da torcida, é algo que lembraremos daqui a vinte anos como uma experiência ímpar.

O Fluminense será campeão Brasileiro de 2015, mesmo se não for, porque Vinícius, Giovanni, Scarpa, Marcos Junior, Edson,Gerson, Kennedy, Ayrton, Robert, Lucas Gomes, saíram do desprezo de quem só ama medalhão pra jogarem o fino sob o manto tricolor.

O Fluminense será campeão Brasileiro de 2015, mesmo se não for, porque de novo renascemos, de novo nos recriamos e de novo demos um feroz dedo médio à bostejante e desprezível mídia esportiva,inclusive a tricolor, que nos enterrava,e enterra, a cada salto de qualidade de clube e elenco.

O Fluminense será campeão Brasileiro de 2015, mesmo se não for, porque R10 é nosso.

O Fluminense será campeão Brasileiro de 2015, mesmo se não for, porque Fred ficou.

E precisamos de mais fome de amor ao Fluminense,bom senso e racionalização na medida certa,sem surto, sem tolice,sem ódio e desprezo a quem se esforça e luta, entendendo falhas sem confundir crítica com linchamento.

O Fluminense será campeão Brasileiro de 2015, mesmo se não for, porque nós somos a História e estamos vendo a história sendo escrita

O Fluminense será campeão Brasileiro de 2015, mesmo se não for, porque é lindo ser Fluminense e isso basta.