Viver precisamente

Caravela_Vera_Cruz_no_rio_Tejo

Eu sou, como minha vó disse uma vez, raceado no oriente.

Nasci brasileiro por um susto da história.

Sempre quis ser Angola Congo Benguela Monjolo Cabinda Mina Quiloa Rebolo, mas daqui da tez branca é mole dizer isso.

A cultura, essa peste, não tem fronteira. Ela cospe em línguas diferentes horizontes que fogem, horizontes que compram ruas diferentes nas cidades, que tecem a cultura das muitas raízes nas folhas de hortaliças, nos grãos, nas pimentas.

Em mim a cultura se fez mar e esse mar ondeia por longos buracos fundos que vão da Andaluzia a Túnis, de Gana ao Saara, da Costa da mina ao Líbano.

Aqui, tecendo delírios e montado no cavalo da paixão, deduzo por arabescos dos olhos que a cultura lusitana em mim se fez Angola. E de senhor a imiscuído nos batuques, me fiz Madureira.

Um dia me libertarei e negro dançarei sorrindo qual Sete Encruzilhadas bailando na cara da sociedade.

Enquanto isso, penitencio-me lidando com minha branquitude triste e sorrio acidez de Pessoas impertinentes, navegando de forma imprecisa e vivendo precisamente.

Bavejado das glórias d’além mar canto um sambatuque aviolado enquanto costuro letras.

Assim se vive e se agradece.

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