Somos iguais em desgraça

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A Piedade, além de um sentimento misericordioso, é uma estação de trem que fica entre o Engenho de Dentro e Quintino.

Antes era onde se saltava para ir para a universidade Gama Filho, que um dia vou grande e hoje tá que nem o Botafogo, em uma crise que a levou para a segunda divisão e com chances de acabar.

Nossa desgraça e parte da divina tragicomédia humana que despenteia o orgulho e mostra em rede nacional a cueca puída e velha da decadência do tipo humano, aquele bicho orgulhoso vaidoso de sua razão e que esperava teleologicamente um futuro brilhante que o progresso traria, é que não há Piedade.

Cazuza cometeu muitos erros, mas suas letras erma certeiras.

Realmente somos iguais em desgraça, mas não adianta gritar a Senhor nenhum por uma piedade, porque ele confunde as línguas e pode achar que Piedade é o nome de um meteoro ou do agravamento de nossa estupidez, o que dá no mesmo, e acelerar a nossa desgraça.

Diante do fato de que destruímos o planeta e nos punhetamos em uma defesa debilóide de continuarmos a cometer velhos erros econômicos em nome de um lucro imbecil e viciante que não dá muita felicidade nem pra quem tem, fico aguardando uma carta dos golfinhos nos agradecendo os peixes, pra ter a esperança de existir vida inteligente em algum planeta.

O universo foi sim uma péssima ideia, caro Douglas Adams, mas nenhuma foi pior do que criar os homens. E se teve um design nisso, e não um processo evolutivo, eu te juro que ele não foi inteligente, menos ainda seu criador.

Alias, se Deus for um Designer tá explicado, desenha muito, mas tem pouca criatividade pra criar o personagem.

Se Deus for um Designer ele tem toda pinta de Todd McFarlane da vida, que sem cancha pra criar um Batman decente, fez o Spawn.

E eu fico rezando pra humanidade não ser um herói da Marvel, porque senão ressuscita.