Civilização é o caralho!

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No passado diziam que o mundo moderno criaria assassinos e que a nova urbanidade era anticivilizatória. Estavam parcialmente certos os profetas do passado, porque a tal civilização é que no fundo é anticivilizatória, ou melhor dizendo, inumanamente antissocial.

As cidades sempre foram uma espécie de antessala da desumanização, mas os profetas do apocalipse urbano estavam certos no caminho delas para a criação do monstro comum das sociedades modernas, para a produção daquilo que seria uma espécie de Leviatã do século XXI: O cidadão de bem.

Só que eles foram tímidos na previsão, além do cidadão de bem as sociedades modernas criariam capetas sazonais através dos serviços de telemarketing, especialmente o das operadoras de TV, Banda Larga e celular. Esses capetas sazonais criam pelos, chifres e um ódio imortal a toda operadora dando inveja ao Michael Douglas em um dia de fúria.

Os profetas deram mole também na descrição de civilização como algo bom, sendo ela na verdade o mal dos séculos.A civilização é boa pela tecnologia, mas no geral é um saco inchado após chutes múltiplos.

Os ditos “Selvagens” vivem numa boa muito maior que os civilizados e ainda se fodem por isso. Porque o civilizado além de um destroçador de mundo é um destroçador dos “selvagens” que tem uma visão muito mais bacana do que a “civilizada”, mas que por não responderem ao mesmo eco dos “cidadãos” tomam e tomam fundo.

 No fundo a cidade, e não a TV, é uma máquina de criar doido. A única coisa boa da cidade é o boteco e o trem no fim de semana.

 O trem no fim de semana é o melhor shopping do mundo: Tem ar-condicionado, tem gente vendendo produtos, é um lugar fechado e nos leva de lá pra cá. A gente entra em um lado e sai em outro totalmente diferente e ainda ri com um sujeito com peruca verde-amarela cantando Wando.

 Além do trem no fim de semana e dos botecos o que resta das cidades? Nada.

A cidade é uma substituição da natureza sem muita vantagem, e pior, ainda queima carbono, fode o regime de chuvas e tende a ser atriz principal do caos urbano final do apocalipse civilizatório do homem branco.

A cidade é civilizatória, só que civilização nem sempre é bom, principalmente quando rima com um desenvolvimento com focinho de capitalismo.

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Do Linchamento público do Fluminense à agressão a torcedores

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Gostaria de falar menos sério neste blog, que aliás se chama Das Humor exatamente pelo apego ao non sense e pela lógica meio nietzschiana de até se contradizer aqui, apegar pelo instintivo, pelo hedonismo da escrita e pelo desapego teórico.

Gostaria de falar de amor, humor, futebol e política sem a necessidade da fuga pela coerência dos aspectos contraditórios de todos nós.

Mas ai é que o que cabe sobre a bola, a maldita bola, aquela que nos hipnotiza com 22 cabras correndo atrás dela, tem aqui um espaço privilegiado para ser contada, só que infelizmente hoje o papo é sério e não é dúbio, binário, é prático, bem prático.

Não vou entrar na lógica de justiça x legalidade, de Zé Regrice ou ausência dela.

Quero entrar na ideia enlouquecida e no surto coletivo de justiçamento camuflado de busca pela justiça que girou em torno da jocosamente apelidada de “39ª rodada do futebol Brasileiro”.

Pois é, falo de justiçamento e não de justiça, porque em vez de se construir uma critica veemente ao STJD e CBF pelas trapalhadas que junto com erros da Portuguesa deram em seu rebaixamento, e no arcaísmo do sistema que norteia a justiça desportiva, se optou por um linchamento coletivo do Fluminense Football Club em nome de seu passado. E falo de justiçamento coletivo porque partiu de quem deveria informar e não deformar, a mídia, a lógica de julgamento do Fluminense por sua história e não por seu papel no episódio recente que envolveu a Lusa.

Durante anos parte das torcidas e a mídia trataram o Flu como a Geni moral do Futebol Brasileiro, muito por seu bad karma, mas muito também pelo facilismo e clubismo de uma mídia esportiva totalmente rebaixada, no sentido ético e moral, a uma lógica de busca de audiência a qualquer preço. Este tratamento tinha fácil apelo sendo o Fluminense não só de um estado com quatro rivais de grande porte, mas também fazer parte de uma rivalidade interestadual Rio x SP onde a mídia paulista tem por hábito vincular o fato da CBF ter sede no Rio com uma espécie de laço umbilical desta com os clubes cariocas. Temos ai o caldo propício para qualquer lixo publicado que trate o Fluminense de forma jocosa ganhe audiência nacional.

Acrescente a isso o fato dos ecos de notícias e busca de page views chegar aos píncaros da glória quando apimentados pro teorias da conspiração e temos a sopa de caos perfeita para momentos onde existe o envolvimento direto ou não do Flu em questões que afligem o futebol brasileiro.

No episódio recente dos julgamentos do STJD buscou-se tudo, menos a informação. Blogs e mais blogs, emissoras e mais emissoras trataram a questão como virada de mesa, trataram a questão como mais um movimento do Fluminense rumo a uma manutenção na série A injusta. Chegou-se ao ponto de um dos jornalistas mais incensados de uma emissora cujo lema é “informação é nosso esporte”, a ESPN, publicar “Flluminense com dois elles como Sérgio Mallandro”. Não, não estamos falando da emissora Globo, onde o “engraçadinho” Thiago Leifert e seu jornalismo de entretenimento usa e abusa de palhaçadas e clubismos para apimentar audiência, estamos falando daquela emissora que se apresentava como séria e como diferente.

E não, não é um jornalista, todo santo dia o jornalista Antero Greco usava do espaço que tem na grade da emissora, o Sportcenter para atacar o Fluminense com o que tivesse à mão, inclusive acusando o presidente do clube de ser falacioso, fazendo parte de um tipo de jornalismo de campanha que, a meu ver, contribuiu muito para o clima belicoso que envolveu o clube nas últimas semanas. Somem a isso as manchetes do site da emissora que inclusive reduziam ou distorciam por vezes a fala dos jornalistas em seus programas esportivos e se tem a convicção e a comprovação que é uma linha editorial, jornalismo de campanha.

Jornalismo de campanha que junto com a Sportv tomou o noticiário esportivo das principais emissoras esportivas da TV a cabo, a ponto de dar pouco ou nenhum destaque à opiniões como a de Daniel Cravo, dirigente jurídico do Internacional, do Rubens Approbato, ex-presidente do STJD, que colocam que a situação da Lusa infringia o código brasileiro de justiça desportiva e não só, que não garantiam isonomia de tratamento a todos os clubes participantes do campeonato.

Entre o fato e o mito, optou-se pelo mito. O mito dava manchete, o fato não.

Dai ao mar de “Ses” que inundou o noticiário colocando que se não fosse o Flu a Lusa não seria punida, ignorando que se não fosse o Flu talvez não teria a mesma repercussão. E do mar de “ses” à porrada em torcedor na rua foi um pulo.

O nível cotidiano de violência verbal nas redes e nas TVs uma hora iria, como veio, cair na violência pura e simples sobre quem apenas torce pro Fluminense.

Outro aspecto é a ausência quase completa de critica direta à CBF e ao sistema sem que ela necessariamente passasse pelo julgamento moral de x ou Y. A opção consciente em tornar o julgamento um espetáculo de horrores altamente polarizado, agressivamente polarizado, com a inclusão de personagens facilmente identificáveis entre heróis e mocinhos se constituiu em um dado mais do que onipresente no clima que envolveu o julgamento e a relação entre torcedores.

Este dado quase onipresente me parece que oculta mais do que revela. Porque o que gira em torno deste caso é mais do que apenas uma relação de justiça pura e simples, tampouco uma relação apenas de bondade.

Como a relação entre os clubes que patrocinaram a defesa moral da Portuguesa, com quase todos seus dirigentes apoiando a Portuguesa de forma moral e explícita, não é analisada pela ótica do interesse destes na criação de uma liga que faça a gestão do campeonato brasileiro sem a CBF?

Por que a ênfase moral na questão utilizando o Fluminense como espantalho não é analisada sob a luz dos interesses que envolvem a desqualificação da CBF se aproveitando do clima recente de chamar o Fluminense como se tivesse uma relação carnal com a CBF, que jamais teve, ocultando o peso da relação entre Corinthians e Flamengo com a confederação, por exemplo?

O eco de CBFlu, que foi incitado desde 2012 pelo Galo, por exemplo, não foi uma razão interessante a quem precisa dizer que a CBF é incapaz de gerir o campeonato Brasileiro?

Todas estas questões podem até ser colocadas na prateleira da “Teoria das conspirações”, porém elas não podem ser absolutamente ignoradas, menos ainda o eco do Bom Senso F.C, que possui relações com figuras públicas que já atuam para a fundação da Liga Brasileira de Futebol há tempos, tampouco o efeito direto da criação do clima ao redor do julgamento.

O julgamento teve menos o caráter de análise do ocorrido e critica ao sistema do tribunal do que julgamento moral do Fluminense por seu passado e não pelo seu papel no presente, e o clima foi incendiado de tal forma que torcedores do Fluminense correm risco direto de agressão ao saírem nas ruas com suas camisas.

Os mesmos torcedores que diante do ataque cotidiano e que ignorava o arcabouço de informações que complexificavam a questão para além de legalismos e moralismos se pôs como quase um instinto de torcedor a defenderem o clube que amam acima de todas as críticas que tinham e tem ao ano do clube e ao uso do tapetão.

Vejam bem, trataram como tapetão e virada de mesa algo que jamais foi como bem coloca o PVC, trataram como mais um passo do Fluminense para distorcer a regra sendo que no caso o que ocorre é exatamente o cumprimento delas.

Quando expostos ao fato de que o que ocorre é o cumprimento das regras apelam para um julgamento moral do Fluminense e para a exigência de seu rebaixamento inclusive por opção, como se fosse possível.

Diante da impossibilidade de obtenção da justiça conforme desenhada pela mídia, a qualquer preço, apela-se para que o torcedor tricolor tenha uma vergonha que ele não tem porque ter. E ai o passo seguinte é o efeito de posições que desqualificam, achincalham e lincham o clube e seu torcedor.

O torcedor tricolor é envolvido diretamente na situação por jornalistas em seus textos, que o citam como se obrigatória postura mendicante qual monge humilhado, gerando e ampliando nos demais torcedores dos rivais país afora o ódio ao clube e a quem o representa. Torcedores rivais que se não precisavam de motivos para a agressão agora tem, o respaldo moral do justiçamento camuflado de justiça.

O Tribunal é tornado ilegítimo em nome de interesses mal declarados, então se legitima a justiça do cotidiano, das ruas e em 2014 provavelmente dos campos, onde árbitros pressionados serão os carrascos de quem na opinião de quem deveria ter serenidade, não foi punido, principalmente por não ter cometido infração alguma.

Hoje são torcedores isolados apanhando, amanhã pode haver um massacre. Existirão autocríticas? Duvido, os culpados se omitirão e deixarão seus textos lamentando o atraso do país no enfrentamento da violência no futebol.

PS1: 

Há um Zelão que não se identifica e tenta flodar os coments falando sobre o caso Tartá e dizendo que “fala verdades”. Pois bem, uma simples goglada o informaria, ams a preguiça e baixo nível intelectual andam juntas, então segue o link para quem quiser e souber ler se informar sobre o “jogador irregular” de 2010 e transcrição da parte onde o PVC explica o caso:

“Tartá levou dois cartões amarelos pelo Atlético Paranaense contra Guarani e Vitória, e um pelo Fluminense, contra o Furacão. Isso é verdade, como veio à tona ontem à noite. O que não é verdade é que tenha jogado suspenso na campanha do Fluminense campeão brasileiro de 2010. A partida seguinte ao empate entre Atlético Paranaense e Fluminense na Arena da Baixada foi Fluminense 2 x 0 Grêmio. Tartá cumpriu suspensão e não entrou em campo por ter recebido o terceiro cartão na partida anterior.

A matéria do http://www.terra.com.br da época evidencia isso. As duas fichas extraídas do meu arquivo pessoal também (veja no final do texto).

Verdade que Tartá levou mais dois cartões nos dois jogos seguintes contra o Vasco e Internacional. E que Leandro Chaves levou um cartão pelo Ipatinga e dois pelo Duque de Caxias. A absolvição na Série B por não se julgar que houve dolo não cria jurisprudência para a Série A. Pode haver incoerência. Ao absolver o Duque de Caxias, não se disse que ele estava certo, mas que foi absolvido do erro que cometeu. Não dava a liberdade de escalar um jogador com o terceiro cartão, levado por dois clubes diferenetes.

Há outros exemplos naquele ano. Correa jogava pelo Atlético Mineiro e levou o primeiro cartão contra o Atlético Paranaense. Transferiu-se para o Flamengo. Levou o segundo contra o Vasco e o terceiro contra o Ceará. Cumpriu suspensão na partida seguinte contra o Atlético Paranaense.

A jurisprudência para a Série A de 2010 era o que acontecia na Série A de 2010. Não a absolvição de um time na Série B. Ou teria de se mudar tudo no campeonato que já transcorria. Por isso, o Cruzeiro não foi à Justiça.

Que Paulo Schmitt seja um poço de contradição, que tenha dito em 2010 em primeira análise que deveria se manter o resultado do campo, enquanto agora faz a acusação à Portuguesa, tudo bem. Mas se produz uma incrível confusão de informações quando se trata do assunto. O procurador se contradiz. Queria o resultado do campo mantido em 2010 e agora leva a Lusa ao tribunal.

Mas o fato é que se quisesse entregar o título ao Cruzeiro em 2010 não poderia.

Simplesmente porque Tartá cumpriu suspensão pelo terceiro cartão amarelo.”

http://www.espn.com.br/post/376182_pelo-bem-da-verdade-podemos-ver-contradicao-de-schmitt-mas-tarta-nao-jogou-suspenso-em-2010

PS2: Não publico comentários sem identificação. Ainda mais do tipo  que se identifica como “Zelão arromba seu rabo”

A Geni do Futebol Brasileiro

Sub-17-2013

O Fluminense é o espantalho mor do futebol. Atlético Parananese e Corinthians em 96 foram pegos com indícios altos de corrupção, por isso a CBF para não punir ninguém virou a mesa e melou o resultado do campeonato. Em 2000 Botafogo e inter conseguiram uma inacreditável transferência de pontos de jogo pela punição do SPFC, ou seja, o tradicional onde o clube perde ponto por punição sem que o rival do jogo ganha pontos foi pra vala para não descer os dois grandalhões.

Nestes dois casos houve mudança do regulamento para evitar punir alguém. E se o Flu tem culpa de algo foi junto com Eurico mexer seus pauzinhos em 1996, o que não fez em 2000, por exemplo, diante de um imbróglio que a CBF COM O CLUBE DOS TREZE fez um campeonato inflado para não encarar a cagada que fez pra livrar dois grandes clubes da degola.

O Clube dos Treze patrocinou a copa João Havelange para que a CBF não tivesse ela que dar vitória ao Gama, que havia ganho na justiça. Com o Flu subiram América mineiro, Bahia, São Caetano, Náutico e o caralho, mas ai o Flu ficou com a marca da besta na testa, marca de quem “burla” regulamento, algo que só pode ser acusado em 1996, repito, quando articulou conscientemente a manobra, o que não pode ser-lhe atribuído em 2000.

Em 2013, vejam só, o clube se preparando para disputar a série B, qual em 2000, e me surge a notícia que a Lusa, a Portuguesa de Desportos de SP, escalou um jogador irregular e isso foi pego nas notificações de praxe que a CBF faz ao STJD pós-rodada e de acordo com o regulamento pode ser punida com a perda de três pontos mais os pontos conquistados no jogo onde o atleta foi escalado.O mesmo ocorreu em 2010 com o grêmio Prudente, que foi assim rebaixado no lugar do Atlético Paranaense. Ninguém acusou o Atlético Paranaense de virada de mesa, dado, óbvio, que ocorrer algo neste sentido porque outro clube descumpriu o regulamento e foi punido por isso não é virada de mesa.

E ai oque vemos em 2013? De jornalistas a torcedores atacando de “O Fluminense quer rebaixar a Portuguesa” a “O Fluminense desceu esportivamente e tem de ser rebaixado” e “é virada de mesa!”.

Vem cá, a CBF não é santa, mas quando ela faz um procedimento EM TODAS AS RODADAS, de comunicar ao STJD toda irregularidade ou possível irregularidade, pedindo informações ao tribunal sobre jogadores que tinha na lista de punidos e isso pega um clube que por algum motivo cometeu infração ao regulamento isso é “manobra” ou virada de mesa? Se for o Cruzeiro não é clube grande? Ele foi punido com multa, dado que a regra trata como casos diferentes se o atleta jogou ou não, em caso similar, é manobra?

Outra coisa, virada de mesa é quando se cumpre a regra e quando se não cumpre? O que é moral então? permitir que um clube escale jogador suspenso? Cumprir o regulamento não é atitude desportiva correta? Se não for esclareçam. Neste caso o Flu deveria pedir como madre Tereza que o STJD não puna a Lusa porque ela é “o segundo time de todos os paulistanos’?

A justiça trata diferente clubes grandes e pequenos? Então, o Flamengo deve ser punido na mesma questão, ele é pequeno? Ou a alegação migra para que ele só está sendo punido porque não tem risco de rebaixamento? Quanto mais os argumentos vão migrar para discorrer sobre a mesma avaliação que preconceituosamente põe o Fluminense como a Geni do Futebol Brasileiro?

Porque é tão difícil entender que a Lusa cometeu um erro grave e pode ser punida por ele? Se fosse o Náutico no lugar do Flu ele seria beneficiado? A meu ver sim, dado que o Atlético Paranaense o foi em 2010 em caso idêntico, ou vocês acham mesmo que Náutico e Atlético Paranaense tem peso diferente pra CBF? Ou acham mesmo que a Lusa tem menos peso que o Atlético Paranaense tendo SP o presidente da CBF e o principal Vice?

A gente pode ser menos leviano e menos cego pelo ódio clubístico, ou optar por permanecer no senso comum, algo que deveríamos nos livrar sempre que possível em todos os âmbitos, mas querer isso é mais utópico que alcançar o socialismo.

Eu vou cantar essa paixão que vem de dentro

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Eu vou cantar essa paixão que vem de dentro

Um sentimento verde, branco e grená

Camisa tricolor e a bandeira ao vento

Meu Fluminense eu vim aqui pra te apoiar

Olê,Olê, meu tricolor amo você!”

Movimento popular Legião Tricolor

 Em tempos de “Pague a Série B”, com todas as distorções históricas e morais colocadas em torno disso, fixação quase sindrômicas a respeito de uma tal dívida tricolor com a série B, êxtases multicoloridos com a derrocada de um time que no ano anterior tinha sido campeão Brasileiro com justiça (A quarta vez que galgava o ponto máximo do campeonato brasileiro), é estranho notar a surpresa de quem me vê ostentar a camisa tricolor pelas ruas do Rio de Janeiro e responder à fatal pergunta “Não tem vergonha?” com um seco: Vergonha de que? De torcer para o tricolor que inventou o futebol nas plagas cariocas onde em caso de sua inexistência estariam todos remando até agora? Vergonha de cair de pé? Vergonha de ser tão odiado enquanto ocultam todos as suas chagas em manobras retóricas? Não, vergonha nenhuma.

Ser tricolor não é um sintoma de arrogância clubística cortejada pelas redes nacionais de mídia, tampouco é perambular por ai apenas nos ápices da alegria, tão rápido quanto se some quando os “mais queridos” vão mal.

Ser tricolor é um pouco mais do que ter orgulho da história rica em erros e acertos enquanto se pede a volta de ex-deputados rotos, esfarrapados e capitães da degeneração. Ser tricolor é, antes de tudo, Ser.

Em casos onde dói ver o quanto erramos e quanto merecemos uma queda de divisão, antes de baixar a cabeça com vergonhas tolas, típicas de quem acha que futebol é só um jogo, prefiro junto a outros tricolores pensar no que fazer para voltar. E com absoluta tranquilidade vestir o estandarte retumbante de glórias para dizer: Basta organização e planejamento, o resto temos.

É levantar o queixo e com o orgulho de saber fazer parte de algo muito bem resumido em “Nós somos a História”, partir rumo a mais uma superação.

E acreditem, amigos, superação é o que não nos falta.

Diferente dos terríveis anos 1990 hoje não temos um quadro de terra arrasada, tampouco um quadro de absoluto caos administrativo. Então é subir e subir cantando.

E assim como cantava Candeia é preciso dizer, como tricolor, que “de qualquer maneira meu amor eu canto, de qualquer maneira meu encanto eu vou cantar!”.

Sobre Heróis

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Meu primeiro herói foi o Pedrinho, que o iconoclasta aqui queria ser nas aventuras do sítio do Pica Pau amarelo até descobrir o Wolverine nos gibis e achar o morador dos sítios do Vale do Paraíba um mala sem alça.

Depois colecionei heróis da bola, da vida, do cinema, das ruas, da família e todos foram caindo um a um.

Já achei que Lula o seria, que Maguila, Dirceu, Pelé, Ronaldo, Romário, meu pai.

E todos foram caindo.

Uns caíram para a normalidade dos homens, outros por motivos menos bacanas ou prosaicos.

downloadHoje morreu Mandela, herói de muita gente, mas fico pensando em como uma figura histórica dessa importância me soa normal.

Não, óbvio, normal como o Joaquim da padaria, mas uma figura histórica importantíssima e com o peso de heroísmo que o Joaquim da Padaria.

Herói, herói mesmo, daqueles de fazer chorar de ver, de sentir perto, de olhar no olho inexistente de tão mítico foram Romerito, Assis, José Murilo de Carvalho e Plínio de Arruda Sampaio, gente que eu queria ser.

Um herói que eu não vi, mas soube é meu formato de gente, aquela gente useira e vezeira de fazer botão parecer barata, de transformar pedra em ferramenta anti-opressão: Prata Preta.

download (1)Prata Preta não é herói pelo capoeirista que era, tampouco pela habilidade de sambista ou malandro, mas por ser uma liderança de levante popular que iludiu por dias uma polícia capitã do mato usando um poste e um carrinho de mão.

Prata Preta é um herói que virou bloco de carnaval.

Vocês sabem, o que é ser isso?