Os Socialistas, os Black Bloc e a Chapeuzinho Vermelho.

Chapeuzinho-Vermelho-Jessie-Willcox-SmithSi, tenho dificuldades de entender determinadas posições que se arvoram de dizer X, mas escrevem Y. dizem que lutam pra mudar o mundo, mas tem medo pânico de qualquer alteração do cotidiano ou das regras SOCILA de luta política, dizem que são contra o discurso da globo, mas esperam “manifestações pacíficas” da mesma forma e não raro acusam os “radicais” de algo que nem número e nem peso social tem para mudar: A decisão coletiva de toda uma categoria ou ato ou manifestação.

Aliás essa galera gosta mais de tática que auxiliar técnico do Parreira.

No fundo a culpabilização é de tudo o que fugir um minuto e meio do bom comportamento do sujeito de esquerda amestrado, festivo, que quer “justiça social” on the rocks ou com água perrier.

No fundo a gente pode achar que andando no trem do samba passa a entender o cotidiano de quem anda no trem sem samba, sem ar-condicionado, sem tesão, sem solução, apenas a vida dura do pano rápido, do tesão malfeito, com pressa lavar a cara e partir.

Tem dia que de noite é assim mesmo, tem dia que a esquerda é posta diante de si mesmo e se acha gorda demais, feia demais, preta demais, viva demais e ai assusta, porque primeiro se julga com o padrão que diz combater, segundo não engole a própria contradição, a vê, mas finge não ver e pior, a renega.

A contradição é pior que piolho pro socialista.. ele vê a do capitalismo, mas não vê o capitalismo em si, a contradição em si e quando vê a pinta com nariz de palhaço.

Monkeys go to haven, camarada, mas e a esquerda, vai?

O pior socialista é aquele que não vê.

112435_Papel-de-Parede-Chapeuzinho-vermelho-e-o-lobo_1440x900A esquerda não lê as Cobras do Veríssimo e não sabe que lá em casa somos tudo Vasco, e por isso permanecem perguntando que tipo de gente somos nós, os estranhamente mais feios do que deveríamos ser, os que estranhamente não vestiram as barbas de Marx no corpo messiânico de um Dom Sebastião qualquer.

A esquerda não sabe que intelectual não vai à praia, intelectual bebe.

E beber, queridos, necessita que todo bebista tenha de ir aonde o povo está. Não se bebe bem sob o ar-condicionado das regras, dos móveis e utensílios da burocracia.

O cachacista, e todo bebum é revolucionário, sabe o que tem dentro de si por verter-se muitas vezes história afora. Só quem tem ressaca sabe o que é fazer autocrítica.

E não, não há possibilidade de disciplina revolucionária maior se não for movida a álcool.

A própria noção do leitmotiv da existência revolucionária leva a perceber que dentro de cada pé sujo existe um palácio, um linguajar, um mundo de relações e conhecimentos, aproximações que começam zoando o Vasco e terminam com a defesa do conceito de mais valia atribuído ao salário do sujeito de jaleco (Boteco não tem garçom, tem jaleco) que te serve uma cerveja.

1chapeuzinhoQuem tem medo dos Black Bloc nunca encarou uma moela de três dias num boteco da Praça Mauá ou teve de beber dentro da tendinha na favela pra desviar dos tecos dialógicos entre duas vertentes da bandidagem presentes no Morro do Dendê, a oficial e a paralela..

Aliás, quem tem medo dos Black Bloc, Black Bloc, Black Bloc?

A esquerda deveria ser mais vermelha  que chapeuzinho vermelho.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s