Fora do Eixo de discussões sérias, pero no mucho, e sartreando na zoeira, pero no mucho

tumblr_l4dvf7c20j1qzn0deo1_400 Os debates em torno do Fora do Eixo assumem uma série de caras e bocas e gritos e sussurros dramáticos que haja coração pra lidar.

Ideologicamente fecho bastante com o Arbex, o Sérgio Domingues e minha contrariedade é em cima do aspecto ideológico explicitada pelos amigos ai.

Esse texto no entanto tá pouco ligando para a questão ideológica, usando terminologia pós-muderna, e tá partindo pro brain storm teórico agazístico a respeito da relação pós-tudo que o FdE proclama em seu linguajar pós-novos baianos e terminologia Chico Aniseana Seventies, mora?

Ou seja, esse texto se propõe a antes de mais nada e panz, falar algumas paradas que surgiram pela aí, ou seja, pode vir muita bobagem (Neste momento quem lê textos sem ler, só pra encher o saco nos comentários pode parar por aqui, porque aqui está o gancho para sua intervenção redutora, ok?).

Em primeiro lugar o fora do Eixo não é o único portador do discurso pós-tudo, quase tudo ou quase tudo o que consegue enxergar, muitos outros se proclamam pós-rancor, pós-industriais, pós paradas sérias todas tamos ai pelo linguajar amplo geral e irrestrito de fodicidades multidiscursivas, etc e tals. O FdE é um deles, e talvez seja o mais concreto, no plano da realização mesma do que discursa, dai as merdas.

ofA questão é que ouvindo Mutantes (Esse sou eu, discursando em cima de Mutantes, ou seria Rita Lee?) me vi pensando como o povo pós só em querer ser pós é tudo, menos pós-moderno, porque raciocina na lógica da linearidade do tempo que os modernos e outros tipos hype das paradas tanto curtem chacoalhar na organização racional do espaço-tempo em parâmetros rígidos e postos na prateleira com post it rosa dizendo “coisa tal – ano tal- lugar tal”, saca?

Se algo é pós ele reconhece a existência do pré e do entre o pós e o pré determinadas pro critérios estanques, rígidos, longe de organizacionais e perto de limitacionais.

Ou seja, o maluco que se diz pós porra toda tá mais de bobeira nas manhas das praças que o Astronauta libertado cuja vida o ultrapassa em qualquer coisa que ele faça.

Nada mais moderno do que a pós-modernidade, mano.

SartreA questão toda é uma necessidade de superar o discurso “velho” a partir de uma lógica textual radical pacas, mas cuja profundidade teórica na avaliação do cotidiano é naipe hamster beudo. Ou seja, os caras são pós-industrial e tals, mas o ethos narrativo pós-muderno esconde um ethos analítico mudernão, show, chique no úrtimo, mas que ainda é estruturalista até o pleno do meio todo talo.

Pausa, cês perceberam que a terminologia não cabe na seriedade estática estatística do blog sério do escriba e tá no nível zoeira deste blog que se chama Das Humor sem ser humor e sendo ao mesmo tempo, né? Ouquei. Testar forma é isso. Voltando à programação normal.

imagesA parada é que a proposta do novo quando veste a roupa do pai, usa a droga do avô e pega emprestado o penteado do tio em geral comete esses vacilos. Tudo que quer ser novo não tem muito tempo de se construir novo, e pra isso também não precisa achar que aquela coisa modorrenta e velha que muitos carregam na cartola de esquerda, direita, corporativa ou não, tá salva pro causa disso.

Então, no cerne do eixo desta lógica pós-agá que praticamos aqui neste recinto, fica a pergunta: O que é pós se tudo nem chega a ser pré?

Então, rapaziada, bora estudar antes de dizer bobagem?

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Tentando ser Genial

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Existe um tipo de reclamação sobre manifestações artísticas ou não que dizem que o tentar ser genial e falhar é um erro.

No humor também tem isso e tem sido repetido quando se referem a Rafinhas Bastos e Danilos Gentillis e ai temos um problemão.

Porque o erro dos caras não foi tentar se genial e errar, foi insistir em serem idiotas. Preconceito não é radical, nem rompedor, é reforço do status quo. E insistir em preconceito é passar recibo de incompetência para ir além do senso comum.

“Ah, mas eles brigam contra o políticamente correto!”, na verdade não, eles brigam contra o correto apenas. Porque dizer que preto é macaco não é lutar contra o politicamente correto, é racismo mesmo.

Brigar contra o politicamente correto? Vejam “A Vida de Brian” quando um dos militantes das inúmeras frentes de libertação da Judeia diz que é mulher e que a partir daquele momento ele iria ser tratado como mulher, depois cês me contam.

Neste pedaço do ótimo filme os nobres comediantes ingleses do Monty Python conseguem, sacanear ao mesmo tempo a esquerda e suas decisões “libertadoras” sem muito sentido afora o extremamente simbólico (O cara dizer que é mulher não o torna mulher, tampouco muda a lógica de tratamento das mulheres naquele ambiente) como expõe o machismo da mesma esquerda e de fora dela. Isso é ser genial, e eles o foram sendo geniais e arriscando sim parecerem idiotas. Bateram no politicamente correto e politicamente bateram no politicamente incorreto.

É humor? É e do melhor, porque desmonta. Desmonta o sisudo comunista de jargão de manual e o machistão meio bundão que insiste em nem pensar em como é ser mulher.

E é interessante como discutem com tanta ênfase o tentar ser genial. Queiram o que? Tentar ser idiota? Isso é mole, é só agir naturalmente, a genialidade não é comum, o grotesco, o imbecil, o raso são.

Não é comum ir contra a corrente, não é comum inovar, o comum é seguir, o que fazem Rafinhas Bastos melhorando o vocabulário das zoações preconceituosas de ginásio branco de classe média.

Inovar é treinar as famosas cócegas na inteligência, agir como sutileza ou não, que nem o Andy Kaufman cantando a música do super Mouse em horário nobre ou o Capitão Gay do Jô Soares, como a Comédia da Vida Privada onde uma lente no cotidiano das pessoas revela o patético do dia a dia e ri de si mesmo, esfregando a realidade na cara das pessoas. Como as Cobras em uma tira onde se pergunta “De que espécie você é?” e toma-se a resposta “lá em casa é todo mundo Vasco!”.

São coisas geniais e simples, talvez geniais por que simples, sem afetação e sim, se tentou ser genial, sempre se tenta, se tentou ir contra o normal, o comum e mostrando o comum.

O humor é antes de tudo político, todo ele, por isso humor a favor não funciona.